quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

«Reflexos num olho dourado»


Há largos anos vi o filme «Reflexos num olho dourado» interpretado por Marlon Brando e Elizabeth Taylor. Não poderiam ter escolhido melhores actores para a interpretação das personagens que nestes últimos dias tive oportunidade de finalmente rever, desta vez na leitura da obra que deu origem ao argumento cinematográfico com o mesmo nome.

Carson McCullers, escritora americana nascida na Geórgia em 1917 faleceu em 1967. Escreveu algumas obras emblemáticas como «O coração é um caçador solitário» ou a «Balada do café triste» bem como «Reflexos num olho dourado» que foi adaptado ao cinema.

«Reflexos num olho dourado» é um livro especial da mesma forma que a adaptação cinematográfica é película estranha, intensa e dramática.

O cenário é uma base militar nos anos 40 onde o casal Penderton vive uma relação disfuncional, em socialização com o casal Morris que também vive na base militar, cuja vida também é por sua vez complexa.

O Capitão Penderton revela ao longo de toda a narrativa a sua homossexualidade latente e reprimida quando se apaixona por um soldado introvertido, calado e de natureza e personalidade estranha.

Por sua vez a bela Leonora, mulher do Capitão, de personalidade algo frívola, extrovertida e provocadora, mantém uma relação extra-matrimonial com o Major Morris situação que é do conhecimento tanto do Capitão Penderton como de Allison mulher do Major, mas que ambos preferem «ignorar» num acto de deliberado desinteresse pelas suas relações. O soldado Williams é a personagem que irá romper este quadro relacional de ameno desiquilíbrio.

É uma narrativa de paixões, obsessões, frustrações e ódios que terá um desenlace profundamente dramático.

No filme, de facto Leonora só poderia ter sido desempenhada por Elizabeth Taylor e o Capitão Penderton por Marlon Brando. Dois actores com personalidades intensas, dramáticas e complexas que se adaptam perfeitamente às personagens traçadas por McCullers.

Um livro sobre pessoas e mundos em conflito. Excelente, profundo e dramático.

A adaptação ao cinema faz juz à qualidade do livro e a interpretação de ambos traduz na perfeição o que a escritora teria desejado transmitir.

Aconselho tanto o filme como o livro.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Negócios de Família, de Anna Murdoch

Anna Murdoch, ex-mulher do magnata Rupert Murdoch, assinou o livro "Negócios de Família".

Yarrow McLean nasceu e cresceu a respirar o ar da redacção de um jornal e nada mais natural que fizesse da comunicação social o seu grande testemunho.
Este livro traça a história dos McLean, começando em Jock, avô de Yarrow, até maeados do fim dos anos 80 com os filhos da protagonista.

Simultaneamente, podemos acompanhar as convulsões sociais nos EUA desde 1922, data de início da trama, bem como a história de amor (impossível e incómodo) que une Yarrow a Elliot.

A grande pergunta que Yarrow, quase aos 70 anos, se coloca é: a quem deixar a enorme fortuna e o imenso património dos McLean? "Negócios de Família" tem partes mais chatinhas, mas não deixa de ser um belíssimo romance.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Tahrir Os dias da Revolução

Relato em primeira mão da jornalista e escritora portuguesa, Alexandra Lucas Coelho da sua vivência no coração da revolução egípcia.

Autora de «Caderno Afegão» e «Viva México», vive actualmente no Rio de Janeiro como correspondente do jornal «Público».

A autora voa para o Cairo em plena revolução e vive na praça Tahrir a queda de um regime, juntamente com milhares de egípcios. Viveu e dormiu na praça vários dias recolhendo testemunhos e momentos dessa experiência histórica única, que é estar no centro da acção quando se reescreve mais um capítulo da História de um país.

Um texto singelo, mas detalhado e rico de emoções que transporta o leitor para um ambiente fervilhante, intenso e vibrante de um momento fundamental na História do século XXI.

Uma leitura que recomendo vivamente!

"O Clube de Fãs", de Irving Wallace

Um grupo de 4 homens, liderado por Adam Malone, decide raptar Sharon Fields, uma estrela de cinema em ascensão, conotada com o rótulo de "símbolo sexual" do momento.
A ideia é simples: apresentarem-se, conhecerem Sharon e convencê-la a fazer amor com cada um dos 4, por sua "livre e espontânea vontade".

A ideia é má é o primeiro pensamento que cada leitor tem de imediato. E é má, porque desde logo partem do pressuposto errado que efectivamente Sharon é tal e qual como as personagens que interpreta no grande ecrã. Adam Malone tem reunidas entrevistas em que é "assumido" que Sharon tem o sonho de ser possuída por homens simples e anónimos.

O auto-intitulado "Clube de Fãs" é composto por Shively, um mecânico, solteiro e com uma personalidade bastante violenta, Yost, um vendedor, antiga estrela do futebol universitário, casado e com dois filhos, Brunner, o mais velho do grupo é um contabilista apagado, casado desde sempre e mais reservado e o já referido Malone, escritor e funcionário de um supermercado para pagar as contas.

O plano, delineado ao pormenor, começa a dar errado logo no 2.º dia, quando Shively viola Sharon... que, a partir daí, começa a traçar o seu plano de fuga, socorrendo-se do seu talento na representação.

É um belo livro, com 700 e qualquer coisa páginas. Sem ser genial, lê-se bastante bem, especialmente porque queremos saber como Sharon se "safa". O que achei mais difícil de assimilar foram a meia-dúzia de páginas em que é descrita a 1.ª violação.

Segundo a Wikipédia, Irving Wallace escreveu cerca de 19 romances, sendo que "O Clube de Fãs" data de 1974. Mais aqui.

A edição que li já não tinha capa, por isso "saquei" deste mundo que é a Internet, uma página simplesmente indicativa. Imagem retirada daqui.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

As "chatices" das novas tecnologias

Achei muito curiosa esta notícia (retirada do site Dinheiro Vivo) sobre Salman Rushdie, autor do livro "Os filhos da meia-noite", que já foi abordado aqui.

"Salman Rushdie já pode chamar-se assim (outra vez) no Facebook

A vitória foi anunciada hoje pelo escritor indiano: "Já sou Salman Rushdie outra vez. Sinto-me muito melhor. Uma crise de identidade na minha idade não tem piada", brincou, referindo-se ao facto de a rede social não ter permitido o nome pelo qual é conhecido mundialmente, Salman Rushdie.

Tudo começou no fim-de-semana quando o escritor, confrontado com a imposição do Facebook para que usasse o nome do passaporte, Ahmed Rushdie. Simultaneamente, pediu-lhe prova da veracidade da sua identidade.

Salman Rushdie não gostou e começou a enviar mensagens para o Twitter - "Querido Facebook, forçar-me a mudar de Salman para Ahmed Rushdie é o mesmo que forçar J.Edgar Hoover a ser John Hoover", escreveu o escritor.

Noutra mensagem: "Onde estás escondido, Mark?, desafiando Mark Zuckerberg, presidente do Facebook, "Vem cá para fora e devolve-me o meu nome."

A mensagem espalhou-se, tal como a indignação, junto dos mais de 100 mil seguidores, e horas depois o Facebook estava a repor a página do escritor indiano, com o nome pelo qual é mundialmente conhecido."

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

«A viagem dos cem passos»

Richard C. Morais de nacionalidade americana, nasceu em Lisboa em 1960 e viveu parte da sua vida na Suiça, e dezassete anos em Londres, onde foi editor sénior da Ford regressa aos Estados Unidos em 2003. Este livro é o primeiro escrito pelo autor.
Original, com um enredo cativante a apaixonante, segue a ascensão de um jovem indiano nascido em Bombaim no mundo da culinária europeia.
A história revela a vida de Hassan Haji um jovem que nasce com um talento especial uma qualidade inata que o tornará num grande chef. No périplo da sua vida começa em Bombaim com a família, passa por Londres e termina finalmente em França, numa pequena localidade francesa chamada Lumière.
É em Lumière que a sua família inicia uma saga culinária sob a forma de um restaurante que irá colidir frontalmente com o tradicional restaurante francês, no outro lado da rua. Metaforicamente cem passos separam duas culturas, um abismo que criará situações de excepção até ao culminar de uma realidade que levará Hassan e percorrer esses mesmos cem passos, numa viagem sem retorno ao mundo da aprendizagem culinária e que o tornará num grande chef e proprietário de um reconhecido restaurante em Paris.
Emocional, colorido de mil sensações, odores e paladares com uma sensibilidade cuidada, é um livro que nos faz viajar muito mais do que cem passos num mundo maravilhoso.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O Quarto de Jack, de Emma Donoghue

E, em menos de 24 horas, literalmente devorei o livro "O Quarto de Jack", que queria ler há imenso tempo.
Esta obra é contada através dos olhos de Jack, um rapazinho de 5 anos para quem todo o Mundo é o Quarto que ele e a Mamã habitam.

Durante a narrativa - um nadinha semelhante ao que foi lido em "Visto do Céu" - ficamos a saber que a Mamã de Jack foi raptada por "Nick Mafarrico" quando tinha 19 anos e desde aí tem vivido sempre fechada, sempre sozinha, naquele espaço exíguo... até que nasceu Jack.

Com o nascimento de Jack, foi necessário criar divertimentos para educar o menino da melhor forma possível. Até que tudo muda... e Jack descobre que todo o Mundo tem mais do que 11 metros quadrados, uma Cama, um Tapete ou um Guarda-Fatos.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago

Terminei durante o fim-de-semana o livro "Ensaio sobre a Cegueira", do (nosso) José Saramago.

Apesar de já ter visto o filme (para quem não sabe, não costumo ver filmes de livros que já li, nem leio livros de filmes que já vi - abri excepção ao Harry Potter, para encerrar o meu capítulo de adolescência), não resisti ao livro. Saramago é Saramago.

E não fiquei desapontada. Apesar de já não me lembrar com toda a nitidez do filme, confesso que ao ler o livro, o rosto da Julianne Moore não me saía da cabeça e consegui seguir step-by-step toda a história, sem nunca me sentir defraudada pela adaptação cinematográfica.

A história é simples:
A pouco e pouco, as pessoas de um país vão sendo atingidas por uma cegueira. Um género de cegueira branca. A única excepção é a "mulher do médico", que continua a ver. Os governantes, assustados com um potencial vírus, colocam de quarentena os primeiros atingidos. E é partir daí que tudo se desenvolve: sem verem e confinados a um espaço, os homens e mulheres entram numa espiral descendente em que todos os valores e todos os ensinamentos de uma vida são esquecidos, substituídos pelo puro instinto animal, e pela sede do domínio.

"Em terra de cegos, quem tem olho é rei", assim diz o velho ditado e é assim que a mulher do médico - e o seu restrito grupo - vão sobrevivendo, sem cair no comportamento decadente dos seus conterrâneos. Fome, violência, morte... tudo entra neste livro, brilhantemente adaptado pelo realizador Fernando Meirelles.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Filhos da Fortuna, de Jeffrey Archer

Terminei ontem mais um livro, de seu título "Filhos da Fortuna", da autoria de Jeffrey Archer, um escritor e político inglês, nascido em 1940, em Weston-super-Mare.

Resumo retirado de Mulher Portuguesa:

Finais dos anos 40, Connecticut. Dois irmãos gémeos são separados pouco depois do nascimento. Nat vai para a casa dos pais, uma professora de liceu e um vendedor de seguros, enquanto o irmão começa os seus dias como Fletcher Andrew Davenport, o filho único de um casal de multimilionários. Os dois irmãos prosseguirão as suas vidas sem saberem da existência um do outro. Nat serve no Vietname, de onde regressa como herói de guerra, e, depois de terminar o curso, torna-se um banqueiro de sucesso. Fletcher, entretanto, forma-se em Yale e distingue-se como advogado antes de ser eleito senador. Mesmo quando se apaixonam pela mesma mulher, os dois irmãos não se encontram. Continuam os seus caminhos separados até que um deles tem de defender o outro da acusação de homicídio…

(peço desculpa aos seguidores deste blogue pela fraquíssima qualidade dos meus comentários e posts, mas acontecimentos familiares recentes não me permitem maior e melhor actividade blogueira)

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Mistérios do Sul, de Danielle Steel

Durante alguns dias estive em casa dos meus pais, numa viagem-relâmpago. Por não ter tido tempo (ou cabeça) para pensar em levar literatura, tive de me contentar com os livros que a minha mãe tinha por lá.

Apesar de não ser fã do género, peguei num romance de Danielle Steel, "Mistérios do Sul", que fala de duas mulheres - mãe e filha - que se vêem ameaçadas por um serial killer.

A mãe, Alexa Hamilton, é assistente do procurador do ministério público e está encarregue de "condenar" Luke Quentin, acusado de 18 homicídios. À medida que o processo avança, a filha de Alexa, Savannah, começa a receber missivas bastante ameaçadoras que levam a advogada a decidir que a filha deverá ficar em casa do pai - um belo sulista - apesar de toda a mágoa que este e a sua família lhe provocaram no passado.

Como em todos os livros de Steel, acaba tudo bem, toda a gente feliz e realizada... end of story.

(a edição que li é do Círculo de Leitores, mas não consegui encontrar a capa; esta é a razão pela qual insiro a capa americana)

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O livro que me ficou a dever umas quantas explosões nucleares... "A Fúria Divina"

Terminei ontem de ler o livro "A Fúria Divina" e fiquei com uma ligeira sensação agridoce quando o fechei: faltou rebentar qualquer coisa. Houve uns tiritos lá pelo meio, mas promete promete e depois não há... KABUMMMM.

E fico ainda com a sensação de estar a ler Dan Brown e não José Rodrigues dos Santos... diálogos meio a pastelar e a fazer lembrar novelas mexicanas. O ponto positivo do livro é a parte em que o autor fala sobre o Islão, da perspectiva tanto do terrorista extremista como dos crentes moderados.

É um excelente exercício para quem acha que os terroristas são um bando de energúmenos, com mentalidades pré-históricas... José Rodrigues dos Santos consegue explicar-nos, a nós, ocidentais, como é que crianças e jovens aceitam fazer-se, literalmente, rebentar - sacrificar-se por Alá - com base em pressupostos escritos à milhares de anos e como é que vêem a actualidade da mensagem do Profeta Maomé.

Acima de tudo, este é um livro bem documentado - José Rodrigues dos Santos a fazer-se valer dos seus galões de jornalista.

(imagem retirada daqui)

sábado, 17 de setembro de 2011

A Bala Santa, de Luís Miguel Rocha

"A Bala Santa" é o título de uma pechincha que adquiri na Feira do Livro em Sintra, neste Verão. Depois de "A Virgem" (de que falei aqui), "A Bala Santa", de Luís Miguel Rocha, aborda uma temática diferente. Passada em vários cenários, temos como pano de fundo a tentativa de assassinato do Papa João Paulo II, por Ali Agca.

Resumo WOOK:
Que acontecimentos estiveram por detrás da tentativa de assassinato do Papa na praça do Vaticano em 1981?
Quem é, e o que sabia verdadeiramente Alia Agca, o turco que disparou contra João Paulo II?
Que forças ocultas gerem os destinos da igreja católica e conseguem nomear e destronar Papas, ocultando impunemente as suas acções?
Uma jornalista internacional, um ex-militar português, um muçulmano que vê a Virgem Maria, uma padre muito pouco ortodoxo que trabalha directamente sob as ordens do sumo-pontífice, vários agentes dos serviços secretos mais influentes do mundo e muitos outros personagens dos quatro cantos do globo, envolvem-se numa busca pela verdade e descobrem que ela nem sempre é útil. Pelo menos não o foi para João Paulo II.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Sidney Sheldon continua a dar cartas

Nas últimas duas semanas, li mais dois livros da autoria de Sidney Sheldon. É impressionante pensar que até há bem pouco tempo não sabia sequer que o senhor alguma vez tinha existido.
São ambos excelentes livros, se bem que com contornos totalmente opostos. Cinco estrelas. Por uma questão básica de preguiça, copiei os resumos de dois sites (os links estão no final de cada bloco-síntese).

Um Estranho ao Espelho
Toby Temple é um dos actores mais divertidos do mundo. Tem as mulheres que quer. Mas, sob a capa de homem viril e sedutor, esconde-se um solitário carente de atenção e ávido de amor. Jill Temple é uma estrela de cinema bela e sensual. Tem um passado sombrio e misterioso e uma ambição ainda maior que a de Toby. Juntos dominam o reino de Hollywood, até que a inveja e a vingança transformam o êxito em tragédia, provocando um desfecho surpreendente e inesperado.
(resumo retirado daqui)

A Mulher Dividida
Alguém a seguia. Não fazia a menor ideia de quem lhe poderia querer fazer mal. Tentara desesperadamente não entrar em pânico, mas ultimamente o seu sono era povoado por pesadelos insuportáveis e acordava todas as manhãs com uma sensação de desgraça iminente.
Três belas jovens — Ashley, Toni e Alette — são suspeitas de terem cometido uma série de homicídios brutais. A polícia efectua uma prisão que leva a um dos julgamentos por homicídio mais bizarros do século e a uma defesa baseada em provas médicas surpreendentes, mas autênticas.

(resumo tirado daqui)

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Encontro na Provença

E neste período estival, mas não muito, intercalei mais uma leitura séria com um delicioso romance passado na região da quente e maravilhosa Provença, em França.

Elizabeth Adler, mistura os ingredientes ideias para uma leitura agradável que nos permite sonhar com viagens por campos de alfazema, boa gastronomia, personagens interessantes numa trama que inclui romance e um cheirinho de intriga policial.

Li este livro num ápice, nos finais de tarde após as chatos e desgastantes dias de trabalho, displicentemente sentada no meu cadeirão favorito, junto à janela, com vista para uma serra de Sintra avermelhada pelos ocasos límpidos e mornos, uma chávena de chá e a alma a deambular na terra dos sonhos.

Para um bom momento de descontracção é um livro agradável que nos recarrega as baterias, e nos faz abstrair do cinzento quotidiano...

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Bombaim, A Um Mundo de Distância

Na senda de outros autores indianos, li à velocidade da luz um romance que não sendo tão pesado como «Tigre Branco» de Aravind Adiga, nos remete para a realidade de duas mulheres de uma mesma cidade, mas não de um mesmo mundo.

A autora indiana Thrity Umrigar, autora do livro «Bombaim, A Um Mundo de Distância», relata-nos de forma por vezes subtil por vezes bastante crua, o percurso de duas mulheres que vivem em Bombaim.

Entre elas o abismo das classes, das vidas, uma senhora da casta média-alta, outra uma mera empregada doméstica que habita um bairro de lata.

A riqueza e a opulência escondem o casamento falhado de Sera Dubash onde maus tratos e a violência fazem parte do seu quotidiano. Por outro lado numa miséria pungente Bhima vive num bairro de lata lutando pela sobrevivência da sua neta Maya que vê o futuro arruinado por uma gravidez indesejada.

A narração leva-nos ao passado das duas mulheres revelando-nos as semelhanças e dissemelhanças que ambas trilharam em termos de vivências, separadas apenas pelo rígido sistema de castas. Dois mundos diametralmente opostos, vidas que se tocam aqui e ali…

Um livro que no fala de sentimentos e de sobrevivência numa sociedade tão desigual que nos obriga a reflectir e a sentir a tristeza e o sofrimento das personagens, a intuir as suas angústias e a vivenciar as suas misérias morais e materiais.

Não é um livro fácil, mas é comovente…

A Fúria dos Anjos, de Sidney Sheldon

Acabei agorinha mesmo mais um livro de Sidney Sheldon. "A Fúria dos Anjos" conta a história de Jennifer Parker,uma iniciante no ramo de advocacia, que chegou à New York com a intenção de se tornar assistente do promotor distrital. Contudo, logo no 1.º julgamento, ela é ludibriada por Michael Moretti, o líder mafioso que estava a ser julgado.

Di Silva, o promotor, fica furioso e faz com que ela perca a possibilidade de exercer a profissão. A partir daí, começa o envolvimento da moça com Adam Warner, um belo advogado com a perspectiva de se tornar o novo senador e depois presidente dos Estados Unidos.

Mas a mulher de Adam arma um esquema para continuar com o marido, apesar de ter dado a "benção" a Jen e Adam.
Jennifer tem um filho dele, Joshua, mas esconde essa informação de praticamente todos, e forma uma reputação enquanto advogada criminal.
Michael Moretti interessa-se por ela e faz de tudo para tê-la, o que acaba por acontecer e, por isso, Jennifer passa a trabalhar para a família Moretti. Em pouco tempo mentiras são ditas, pessoas morrem, e Jeniffer acaba numa difícil situação que só será dita pelo próprio livro.

É um belíssimo livro, que nos deixa agarrados desde a 1.ª à última página... o destino de Jennifer, Adam e Michael são envolventes.

Esta foi mais uma das obras de Sheldon adaptada ao cinema. Jaclyn Smith (um dos "Anjos de Charlie" originais) é Jennifer Parker. O filme data de 1983.

(imagem do livro, retirada daqui)

domingo, 21 de agosto de 2011

A Virgem, de Luís Miguel Rocha

Tanto se falava deste autor, que não resisti a uma boa pechincha e comprei (de enfiada), "A Virgem" e "A Bala Santa".

A acção da história de "A Virgem" passa-se nos anos 30 do século XX, durante os primeiros anos do regime de António de Oliveira Salazar. Nesta altura, as conflitualidades entre monárquicos e republicanos são politicamente correctas, mas sem se esquecerem velhas "feridas de guerra".

As família do Coronel Silveira e do Conde Cosme são as protagonistas, sendo que a recém-nascida Mariana Silveira é quem ocupa lugar de destaque, apesar de apenas chorar, sujar fraldas e dormir.

A leitura é fácil, a escrita é boa (destaco, especialmente, o cuidado de Luís Miguel Rocha em usar linguagem de época, que dá uma graça diferente ao texto), mas considero que já fazia falta o 2.º livro, para explicar muito do que foi deixado em suspenso. Não acho que seja um livro genial - porque não o é - mas lê-se bem e é um belíssimo retrato do nosso Portugal de 1933.

Leiam, se o apanharem à mão, mas não corram mundos e fundos para o adquirir!

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Aquele Verão na Toscana

E porque nem só de livros sérios vive a mulher, e porque estamos em plena época estival, apeteceu-me, uma leitura mais leve, mais romanceada, mais cor-de-rosa.

Neste contexto, e porque tenho uma verdadeira «pancada» pela região da toscana, pareceu-me bem ler algo que se coadunasse com o meu estado de espírito.

«Aquele Verão na Toscana» é um romance airoso, passado num castello do século XIII, algures na Toscana.

Um curso estival de escrita criativa, reunirá neste espaço rural diversas personagens, oriundos de várias nacionalidades que irão partilhar uma quinzena juntos, entre reuniões sobre escrita, passeios culturais e momentos de lazer.

Cada uma das personagens, homens e mulheres, motivados por diferentes expectativas verão as suas vidas mudar neste Verão.

Um romance agradável, leve e sonhador como as cálidas tardes de Verão, faz-nos sonhar com tudo o que de bom a vida tem para oferecer, seja um chianti, ou um passeio em Siena, ou um mergulho na bela piscina azul do castello.

Amores e desamores fica a imagem de Mary, uma escritora de 74 anos que finalmente encontra em Aldo o amor que nunca teve, ou a de Patrícia, a proprietária do castello, com o inesperado amor perdido que acaba por regressar.

Um livro agradável para uma tarde de Verão….

A Mão de Fátima

A obra do escritor catalão Ildefonso Falcones, faz-nos mergulhar na Espanha muçulmana do dos finais do século XVI, início do século XVII, onde um jovem, filho de uma jovem muçulmana e de um padre católico que a violou, vive a dicotomia de dois mundos em conflito.


Hernando, «o nazareno» como é apelidado pelos muçulmanos vive numa época conturbada preso a dois mundos antagónicos ora desprezado por uns, ora pelos outros.
O contexto histórico onde se desenrola a intriga deste romance durante 44 anos é riquíssimo no retrato que faz da comunidade moura onde o personagem se insere e o mundo cristão do qual também faz parte, mas que entra em conflito com o seu coração muçulmano.
As vivências no seio da comunidade moura, a sua vida pejada de aventuras, as relações familiares, Fátima o seu grande amor, fruto de cobiça do seu odiado padrasto que a desposa e todas as vicissitudes de dois mundos, duas religiões, em guerra.
São 920 páginas de aventura, história, e imersão na nossa Península Ibérica, numa época em que o espaço era partilhado por muçulmanos e cristãos, numa paz periclitante, pejada de revoltas, sublevações e conflitos que afectaram profundamente as comunidades que nela coabitavam, onde cristianismo e islamismo se digladiam, mas onde um homem com um carisma excepcional fruto de duas religiões, de duas culturas, percorre o seu trajecto de vida.
Uma obra excelente em termos de conteúdo histórico e de intriga que prende a atenção da primeira à última página.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Livrinhos para que vos quero

Podem lançar-me pedregulhos, fazer-me esperas, furar-me os pneus ou riscar-me o carro... merecerei todas essas coisinhas, porque estou há demasiado tempo sem actualizar as minhas leituras.

Recentemente, fiz O Negócio: comprei por 4 EUROS, dois livros do Luís Miguel Rocha (autor do A Mentira Sagrada e o primeiro autor português a entrar para o top do New York Times). Estão na lista de espera para serem lidos.

Há dias, terminei o livro "A Herdeira" (também conhecido por: O Preço do Poder ou O Jogo da Vida) de Sidney Sheldon. O livro conta a história de várias gerações da família McGregor, que ergueu seu império com os diamantes da África do Sul, chegando até a personagem principal, Kate Blackwell, uma mulher disposta a tudo para vencer.

Hoje mesmo, fechei a última página de "A Mulher Dividida", do mesmo autor, que conta a história de Ashley Patterson, uma mulher comum, acusada de cometer uma série de assassinatos dos quais ela não tem consciência, mesmo com evidências concretas de sua participação nas cenas dos crimes.
Depois de várias acusações formais, ela é presa e passa por momentos difíceis para provar sua inocência. O pai, um médico reputado, contrata um advogado para defender Ashley. Este, com a ajuda de especialistas, consegue identificar que ela é portadora do distúrbio de personalidade múltipla, não sendo por isso culpada pelos crimes de que é acusada.
Depois de absolvida, Ashley é encaminhada para um hospital psiquiátrico e passa anos internada para combater o distúrbio.

Ao mesmo tempo, estou prestes a terminar "O Ano da Morte de Ricardo Reis", de José Saramago. Trata-se de um romance escrito em 1984 por José Saramago, cujo protagonista é o heterónimo Ricardo Reis de Fernando Pessoa. O personagem regressa a Lisboa em 1936, após uma ausência de 16 anos no Brasil, e aí se instala observando e testemunhando o desenrolar de um ano trágico, através do qual o leitor é um espectador do clima em que o fascismo se afirma.

Enfim... parada não estou, mas o tempo não chega para tudo e se leio, não posso escrever!!

Boas leituras!!!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Umberto Eco escreve versão ligeira de 'O nome da Rosa'

Quem leu este livro, sabe da importância desta notícia... heheh

15 de Julho, 2011O
O escritor italiano Umberto Eco vai reescrever o romance 'O Nome da Rosa', que lhe garantiu a notoriedade mundial, para o tornar «mais acessível a novos leitores», noticiou o diário romano La Repubblica.
Eco vai aligeirar várias passagens da obra assim como a linguagem usada no thriller medieval, com acção passada no século XV, para o aproximar das novas gerações e das novas tecnologias. O Nome da Rosa teve origem na paixão declarada do autor, um medievalista confesso, pelos livros e pela cultura da época.

O escritor tem por objectivo ultrapassar a dificuldade idiomática ou a densidade de várias passagens da obra, assim como chegar àqueles que só conhecem excertos publicados na internet, através das potencialidades de uma nova edição digital.

Bompiani, a tradicional editora de Eco que publicou o romance em 1980, estabeleceu o próximo dia 5 de Outubro como data para o relançamento de O Nome da Rosa, em nova e mais ligeira versão.

No romance, dois monges, o franciscano Guilherme de Baskerville (personagem que conjuga as referências de Guillaume d'Ockham, o filósofo «invencível» inglês, Venerabilis inceptor do século XIV, com as referências literárias de Connan Doyle e um dos mistérios-chave de Sherlock Holmes, O cão dos Baskervilles), e o seu discípulo, o noviço Adso de Melk, investigam uma série de assassínios num mosteiro beneditino, todos relacionados com um livro proibido.

A novela foi um verdadeiro êxito de vendas, traduzida em cerca de meia centena de línguas, com milhões de cópias vendidas em todo o mundo - mais de seis milhões só no país de origem -, encontrando-se há anos entre os cem títulos fundamentais do século XX, escolhidos pelo vespertino francês Le Monde.

Em 1986, o cineasta francês Jean-Jacques Annaud assinou a adaptação cinematográfica, com Sean Connery como Guilherme ou William de Baskerville, e Christian Slater como Adso de Melk.

O Nome da Rosa foi originalmente publicado em Portugal pela Difel, em 1983, com tradução de Maria Celeste Pinto, tendo, logo no primeiro ano, esgotado perto de cinco edições.

À semelhança do que se passou noutros países, o romance revelou ao público português um autor até então conhecido apenas dos meios universitários por ensaios como Signo, Como se faz uma tese em ciências humanas, A definição da arte ou Leitura do texto literário.

Lusa/SOL

segunda-feira, 11 de julho de 2011

As Pontes de Madison County, de Robert James Waller

As Pontes de Madison County é a história de Robert Kincaid, fotógrafo famoso, e de Francesca Johnson, mulher de um agricultor do Iowa.
Kincaid, de 52 anos, é fotógrafo da National Geographic — um estranho e quase místico viajante dos desertos asiáticos, dos rios longínquos, das cidades antigas, um homem que se sente em desarmonia com o seu tempo. Francesca, de 45 anos, noiva italiana do pós-guerra, vive nas colinas do Iowa com as memórias ainda vivas dos seus sonhos de juventude. Qualquer deles tem uma vida estável, e no entanto, quando Robert Kincaid atravessa o calor e o pó de um Verão do Iowa e chega à quinta dela em busca de informações, essa estabilidade desaba e as suas vidas entrelaçam-se numa experiência de invulgar e estonteante beleza, que os marcará para todo o sempre.
O resultado é uma história apaixonante e profundamente comovedora. (sinopse retirada daqui).

terça-feira, 28 de junho de 2011

Relato de um náufrago, de Gabriel Garcia Márquez

Mais um livro impressionante assinado pelo escritor colombiano. Desta feita, trata-se do relato de Luis Alejandro Velasco, marinheiro no contratropedeiro Caldas que naufragou em 28 de Fevereiro de 1955.

De acordo com a "História desta história", este é o relato mais fiel do que foi o naufrágio - contado à revelia da Marinha colombiana - e do que Luis Alejandro Velasco passou nos dez seguintes, a tentar sobreviver no mar, numa balsa, sem comer nem beber.

Depois de chegar a terra, Luis Alejandro Velasco é "sequestrado" pelas Forças Armadas de forma a que não se soubesse que o naufrágio se devia a uma série de faltas gravíssimas (tal como o transporte ilícito de mercadorias), que não permitiram que o navio fosse bem manobrado.

Sete homens morreram no naufrágio e apenas Luis Alejandro Velasco sobreviveu. A verdadeira história foi publicada em 1970, em 14 dias consecutivos e assinada pela mão de GGM.

É um relato cru, sempre na 1.ª pessoa, e sem "xaropadas" romanceadas. É a história de alguém que lutou duramente para sobreviver.

sábado, 25 de junho de 2011

Raptada na noite, de Patricia MacDonald

Tenho por hábito nunca ler só um livro de cada vez; às vezes, dou por mima ler três (ou quatro) livros em simultâneo. Parece esquizofrénico. Confesso que é, mas não consigo ser de outra forma.

Por exemplo: recomecei há algum tempo a ler "As Brumas de Avalon" e ainda não terminei o 3.º, porque entretanto foram-se metendo outros pelo meio e a mala não consegue transportar muitos livros em simultâneo.

Um dos livros que esteve na minha mesa-de-cabeceira até há pouquíssimo tempo foi "Raptada na noite", da autora Patricia MacDonald, uma edição do Círculo de Leitores.

Sinopse do livro, no site do Círculo de Leitores:
Tess tem de voltar a Stone Hill, na Nova Inglaterra. Seguiu em frente, é hoje uma mulher independente, forte, uma boa mãe. Mas algo a chama de volta à cidade de infância. Chamam-nas as boas e as más memórias. Há anos atrás, numa divertida saída em família a irmã foi raptada e morta. Só Tess assistiu ao rapto e o seu testemunho foi vital para a condenação de Lazarus Abbot. Agora, quando o passado parecia já sarado, um teste de ADN prova a inocência de Abbot e lança a dúvida: quem matou afinal a sua irmã?

Desta autora, já tinha lido "Casada com um desconhecido", cuja sinopse está aqui: link.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Não contes a ninguém, de Karen Rose

Mary Grace sofre no hospital com dores. No meio do sofrimento, ouve a voz do marido Rob. Ele segreda-lhe que, para a próxima vez, a mata.

Caroline tem um segredo; à excepção de Dana e, do seu próprio filho, Tom, ninguém sequer desconfia.

Mary Grace e Caroline são a mesma pessoa. Depois de conseguir fugir a um marido violento, Mary assume uma nova identidade e uma nova vida. E durante 7 anos consegue levar uma vida relativamente normal e calma, sem sobressaltos de maior, até ao dia em que a polícia retira o seu carro do fundo de um rio e Rob consegue descobrir onde estão a mulher e o filho.

Crime, suspense (algum terror também, devo acrescentar) e um romance são alguns dos ingredientes desta história que prende a atenção desde o início e nos faz ficar fãs de Mary Grace / Caroline.

Este deve ser, provavelmente, o 4.º livro desta autora que leio. Agora que acrescentei um mini motor de busca ao blogue, façam o favor de pesquisar as restantes 3 "críticas", bem como a identidade da senhora, espalhados algures no éter do "Capa Mole e Companhia".

quinta-feira, 23 de junho de 2011

A Aventura de Miguel Littin, Clandestino no Chile

Terminei ontem o livro "A Aventura de Miguel Littin, Clandestino no Chile", assinado por Gabriel García Marquez (cortesia da revista Sábado, que desde há umas semanas tem "oferecido" livros de autores Prémio Nobel).

O livro, sempre "falado" na 1.ª pessoa, narra o regresso ao Chile, de Miguel Littin, um consagrado realizador e produtor chileno, que tinha sido exilado do seu País, após o golpe de Estado que colocou Augusto Pinochet no poder.

Miguel entra clandestinamente no Chile, com documentos falsos, personalidade falsa e aspecto completamente alterado de forma a não ser reconhecido (a determinada altura nem a sogra, nem a própria mãe o reconhecem...) e aí permanece cerca de seis semanas, tempo suficiente para filmar e entrevistar pessoas para um documentário de cerca de quatro horas.

Trata-se de um relato / reportagem impressionante, tanto do ponto de vista da escrita, como das emoções sentidas por Miguel Littin após algum tempo afastado da sua pátria. O medo que as pessoas tinham de Pinochet, bem como a adoração que nutriam por Allende é palpável a cada página.

Segundo vim a investigar posteriormente, o documentário "Acta General de Chile" foi lançado em 1986, foi galardoado no Festival de Veneza e fez aumentar a pressão internacional contra o regime do general ditador (Fonte: http://pt.shvoong.com/books/481994-aventura-miguel-littin-clandestino-chile/#ixzz1Q6F89Ybz).

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Conspiração - Dia do Juízo Final, de Sidney Sheldon

Coincidências não existem. Foi essa a conclusão que o comandante Robert Bellamy chegou quando as testemunhas de um evento muito particular iam morrendo uma a uma.

Bellamy foi contratado para descobrir o paradeiro de um grupo de passageiros de um autocarro, que assistiu à queda de um objecto que a Agência de Segurança Nacional americana pretende que fique em segredo.

A missão era simples: localizar esse grupo. Apenas e tão somente.

Essas pessoas, aparentemente, sem nada em comum foram sendo entrevistadas por Bellamy que, juntando as peças, deu por si envolvido num jogo de "gato-e-rato" com aqueles que o haviam contratado.

É um livro que sai ligeiramente dos parâmetros a Sheldon me havia habituado. Tem uma história mais fantasiosa do que o habitual - só para adiantar, envolve OVNI's e extraterrestres. Não gostei tanto como dos que li anteriormente.

domingo, 5 de junho de 2011

O Vale dos Cinco Leões

Quando Jane conhece Ellis não fazia ideia que este homem pertencia aos quadros da CIA. E quando descobre, deixa-o, por se considerar traída, apesar de o amar.
Quando conhece o médico Jean-Pierre e aceita acompanhá-lo para o Afeganistão numa missão de socorro médico, também não desconfia que este é um espião do KGB e que denuncia os guerrilheiros afegãos aos militares russos.

E é este o mote do livro "O Vale dos Cinco Leões", de Ken Follett. Comprei este livro durante a Feira do Livro de Lisboa, para tentar perceber as razões pelas quais Ken Follett é o escritor "da moda".

Este livro não me deixou muiiiiittttoooo impressionada, apesar de bem escrito e bem sustentado com pormenores históricos. Talvez perca um pouco com as descrições do amor que une Jane e Ellis. Perde-se ligeiramente e, a dada altura, dei por mim a pensar se não estaria a ler qualquer coisa de Danielle Steel. Vou ter de ler "Os Pilares da Terra", para mudar a minha opinião, com certeza.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Escândalo na Casa Branca

Leslie é jovem, inteligente e bonita. Conhece Oliver. Apaixona-se por Oliver. Oliver é um político brilhante. O Senador Todd Davis quer levá-lo para a Casa Branca se se casar com a filha. Oliver e Jan casam. Oliver é presidente de todos os americanos e Leslie quer vingança.

Estas simples frases dão o mote para o livro que acabei de fechar. 'Escândalo na Casa Branca', de Sidney Sheldon. Este livro fez-me lembrar, um pouco, aqueles filmes de suspense em que toda a gente pensa que o mordomo é o assassino, mas no fim de contas é a prima da cabeleireira... o 'twist' que as últimas páginas encerram deixa-nos de boca aberta.

Ahhhhh... e Oliver não é o culpado!! Desta vez, o autor decidiu arriscar nos meandros da política internacional e criar um thriller que nos dá uma ideia superficial de como as coisas acontecem e porque é que acontecem. Um livro leve e que se lê de uma assentada só.

domingo, 1 de maio de 2011

La Carta Esférica


Arturo Pérez-Reverte é um escritor espanhol, nascido em Cartagena em 1951. Repórter de imprensa, rádio e televisão cobriu diversos conflitos internacionais e tem desde 1991 uma página de opinião no XLSemanal que é um suplemento distribuído em 25 diários espanhóis.

Desde 1986 que iniciou a sua carreira literária com o título «O Hussardo» e escreveu diversas outras obras como «A Tábua de Flandres», «O Clube Dumas» e a série de aventuras do «Capitão Alatriste». Muitos dos seus livros já foram adaptadas ao cinema, nomeadamente por Polanski que realizou o filme «A Nona Porta» interpretado por Johnny Depp, ou «As Aventuras do Capitão Alatriste» interpretado por Viggo Mortensen.

Já li algumas obras do autor que num futuro vos poderei falar, mas hoje cumpre-me falar de «La Carta Esférica» ou «Do Cemitério dos Barcos Sem Nome» título dado pela editora portuguesa que traduziu a obra, e com o qual sinceramente não concordo.

Este livro é daquelas leituras empolgantes que levam o leitor não a ler, mas a beber ou devorar o seu conteúdo até ao fim.
A história solidamente construída em torno de uma investigadora de história naval, Tânger Soto, de um marinheiro sem eira nem beira, Manuel Coy, de um mapa que se encontra num atlas comprado num leilão, um navio afundado em 1767 e um tesouro algures nos mares de Cartagena, além Cabo de Palos, transporta o leitor para os meandros de uma caça ao tesouro afundado, para uma história de amor tortuosa e para um desfecho inesperado.

Para quem aprecia o género de literatura com um fundo de história e aventura é uma obra a não perder. Aconselho não só esta obra como as outras que anteriormente mencionei de cariz muito diferente e que em breve vos falarei.


sexta-feira, 29 de abril de 2011

Brumas de Avalon

Comecei a reler (pela 4.ª ou 5.ª vez), o obra 'As Brumas de Avalon'... fascinou-me desde o dia em que li o primeiro livro.

Como todos sabem, 'As Brumas de Avalon' são descritas sob a perspectiva da Mulher, no tempo do Rei Arthur e da famosa Excalibur. A personagem principal e sobre a qual gira a história é Morgaine, filha de Igraine e irmã mais velha de Arthur, é uma sacerdotisa da Ilha Sagrada de Avalon, educada para suceder a Viviana, a Grã-Sacerdotisa.

No tempo da História (que passa gerações, descrevendo cerca de 70 anos, mais ou menos), o Cristianismo começa a ganhar uma importância cada vez maior em detrimento da Religião Antiga, e podemos também "assistir" de camarote ao nascimento dos Cavaleiros da Távola Redonda.

Sempre que leio estes livros, fico sempre com a sensação que este é o verdadeiro retrato da História e que tudo isto foi verdade. Marion Zimmer Bradley excedeu-se e criou algo que perdurará. Estes são aqueles livros que sempre me acompanham... e estão, sem sombra de dúvida, no topo das minhas preferências.

sábado, 23 de abril de 2011

Dia Mundial do Livro

Boas leituras!...

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Nada é Eterno, de Sidney Sheldon

Definitivamente, estou "apanhada" por Sidney Sheldon. Neste livro, além de fortes personagens femininas, tem uma história de amor e crime que nos fazem pensar que nenhum crime é perfeito.

Paige é médica e o início do livro relata-nos uma sessão em tribunal, onde ela está a ser julgada por homicídio, motivado por uma grande quantia de dinheiro. A assistir estão Honey - colega no Hospital e com quem partilha casa - e Jason - o noivo.

A história é fácil de apreender logo de início: três médicas (Paige, Honey e Kat) chegam a um hospital onde vão fazer internato e retrata-nos as aventuras que as três clínicas se sujeitam até àquele instante na barra do Tribunal. É um livro que nos prende à medida que o vamos folheando.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Sidney Sheldon ao quadrado

Nem parece possível. Já tanto li depois de 'A Indomável', mas o tempo (infelizmente) não dá para tudo. Ler e escrever parecem, neste momento, duas tarefas impossíveis de realizar em conjunto.

Mas... em resumo... posso dizer que já li um novo livro de Mo Hayder. Trata-se do livro 'Ritual' que precede o 'Pele'. Deveria tê-lo sabido, antes de ler o 'Pele', mas...
Com 'Ritual', podemos perceber coisas que tinham ficado por esclarecer em 'Pele' (como é óbvio), nomeadamente:
- como surge a ideia do Tokoloshe no detective Caffery;
- quem é o Andarilho;
- em que circunstâncias desapareceu a vítima do livro 'Pele';
- que relação existe entre Caffery e Flea.

Existem outras questões que ficaram muito mais claras agora. Muito sinteticamente, posso dizer que, nesta história, Flea (sargento do grupo de mergulhadores da polícia) é chamada a recuperar aquilo que se pensa ser um corpo afundado. Durante a operação, descobre-se que é apenas uma mão que havia sido decepada de um toxicodependente. Com a investigação, vão surgir mitos e lendas africanas. Não percam!

* * * *

Entretanto, a minha patroa viciou-me em Sidney Sheldon. Comecei com 'O Outro Lado da Meia Noite', que conta as histórias de Noelle Page (uma actriz francesa que tem uma memória enorme), Larry Douglas (um combatente tanto no ar como nas camas alheias) e de Catherine Alexander (que tem o azar de casar com o homem errado).

Posso adiantar que Noelle e Larry são condenados em tribunal e são fuzilados pelo homicídio de Catherine, que, por sua vez, não está morta...

O livro 'Memórias da Meia Noite' conta-nos o que se passou com Catherine e as aventuras que ela passa com o verdadeiro arquitecto do fuzilamento de Noelle e Larry.

São livros cheios de suspense e... novamente, são a não perder. Verdadeiros clássicos de um autor que, em vida, publicou dezoito romances; todos alcançaram a lista de mais vendidos do jornal The New York Times. Ambos estes livros deram origem a filmes. O 1.º com uma jovem Susan Sarandon no papel de Catherine. O segundo - aquele que estou a ler de momento - tem Jane Seymour e Omar Shariff nos principais papéis.

(as edições que me passaram pelas mãos já estão, literalmente, coladas a fita-cola, de tão velhinhas que são. Pertencem à Europa-América e não consegui encontrar no Google as capas).

quarta-feira, 9 de março de 2011

A Indomável, de Somerset Maugham

Não se pense que li o livro que deu origem ao filme 'True Grit'. Não. O que li foi uma colectânea de contos de William Somerset Maugham e 'A Indomável' é o primeiro desses contos.

Com alguns contos engraçados, e outros menos apelativos, 'A Indomável' é, no geral, bom. Neste livro, o autor inglês surge variadas vezes como "actor" dos seus próprios contos ou como narrador de estórias que lhe haviam sido contadas por amigos.

Trata-se de uma belíssima miscelânea de pequenas histórias que se lêem em dez minutos.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Pele, de Mo Hayder

Depois de um belíssimo punhado de livros de Mo Hayder, terminei mais um desta escritora britânica. 'Pele' é o título.

Há semelhança de outros livros dela que já li, o detective Jack Caffery é o protagonista. Na minha opinião, este livro é mais leve. Com muito menos sangue do que os antecessores, 'Pele' é um dois em um, porque podemos, simultaneamente, acompanhar o detective Caffery e a sargento Flea em dois dramas e duas problemáticas totalmente distintas, mas que acabam - a determinado momento - por se cruzar.

Como já disse, enquanto que 'Os Pássaros da Morte', 'Tóquio', 'A Ilha dos Porcos' e 'O Homem da Noite' além de uma descrição (doentia) de pormenores, o sangue é abundante em cada páginas, neste isso não acontece, mas o terror psicológico é igualmente cativante.
----------

Actualmente, encontro-me a ler 'Prosa Completa' de Woody Allen. Trata-se de um livro (editado pela Gradiva) que reúne os contos escritos por este músico/realizador/escritor/actor.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Como um Verão que não voltará


Um pequeno grande livro, de mais um autor marroquino que acabo de descobrir, Mohamed Berrada, nascido em Rabat em 1938. Obra auto-biográfica relata o período da vida em que o autor parte para o Cairo para dar continuidade aos seus estudos universitários, na década de 50 do século XX.
A vida do autor no meio universitário cairota num período em que Nasser assume o poder e nacionaliza o Canal do Suez.
Ecos de uma vida que abrangem tão só as memórias de Naguib Mahfouz, ao curso com Taha Hussein, de permeio com a belíssima voz da não menos famosa Oum Khalsoum, rica em vivências e partilhas do quotidiano de um estudante marroquino entre colegas, tão iguais e tão diferentes. Mil e um mundos e marcas que perdurarão por toda a sua vida literária e pessoal.
Perante as mutações, actualmente em curso um pouco por todo o mundo muçulmano, este livro ajuda a compreender as convulsões sucessivas que ao longo de décadas se vêm a operar e como neste caso particular, o Cairo e os autores do Norte de África são um mundo a descobrir, muito além do Egipto faraónico.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Paulo Coelho e Émile Zola

Ok... confesso: andei a ler dois livros em simultâneo. Já não fazia esta brincadeira há uns bons tempos.

Em primeiro, comecei a ler um clássico: A Taberna, de Émile Zola. Este é um daqueles livros que devia ser "obrigatório" de tão bom. Nele seguimos a vida de Gervásia, uma jovem mulher, na França do século XIX. A história começa com Gervásia, ainda na casa dos "vintes", companheira de Lantier e com dois filhos. Depois de ter sido abandonada pelo pai dos filhos, esta mulher casa com Coupeau.

A Taberna - lugar onde se afogam as mágoas - é a metáfora para a vida desta mulher. Depois do casamento, Gervásia consegue alcançar pequenas coisinhas: uma boa poupança, um marido bom e trabalhador, uma loja (onde emprega algumas mulheres), uma gravidez (da qual nasce Naná, que será personagem de um outro livro. Na adolescência, Naná torna-se prostituta... e mais não digo!). Contudo... Coupeau tem um acidente laboral e acomoda-se à boa vida. Daí para a frente, nada mais será igual. O fim é trágico, mas nada que não se esperaria de um contemporâneo de Eça.

***

Ao mesmo tempo andei a ler, Onze Minutos, de Paulo Coelho. Não sou a maior das fãs de Paulo Coelho - confesso que tenho por ele a mesma relação que tenho com Isabel Allende -mas apreciei muitíssimo este livro. Nele, o autor aborda a sexualidade e o amor através de Maria, uma jovem brasileira que, enganada por um empresário, chega à Suíça onde se torna prostituta. Na Suíça, conhece um artista por quem se apaixona e que altera todos os planos da jovem.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O Século Primeiro depois de Beatriz



Amin Maalouf é um escritor libanês, nascido no final da década de 40, amplamente traduzido em Portugal, autor de inúmeras obras de grande qualidade como «Leão, o africano», ou «Samarcanda» ou ainda o ensaio «As cruzadas vistas pelos árabes», mais uma vez não me decepciona.
A obra «O Século Primeiro depois de Beatriz», é uma inquietante visão sobre o mundo actual, numa temática bastante polémica.
O controlo de nascimentos de bébés do sexo masculino e feminino.
A história descreve o poder místico que umas «favas» egípcias detêm no controlo dos nascimentos. Da exclusão de crianças do sexo feminino logo na concepção e na selecção não natural não da espécie, mas do género.
Relatado do ponto de vista de um pai que ama profundamente a sua filha Beatriz e de uma mãe jornalista, activista da não-violência, surge um relato romanceado, vívido, de uma sociedade assustadoramente discriminadora e manipuladora dos direitos humanos.
Um reflexão sobre a importância da vida em geral e da defesa da liberdade e dos direitos humanos.
O livro é belíssimo e permite-nos uma reflexão profunda sobre quão importante é a vida humana e o livro arbítrio.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Para a minha irmã *contém spoilers*

Começo já por dizer que não vi o filme 'Para a minha Irmã', cujo argumento foi baseado no livro de Jodi Picoult.

Ao entrar na adolescência, Anna procura um advogado, para pedir emancipação médica e ser dona das suas próprias decisões. A razão? A irmã, Kate, tem um tipo muito específico de leucemia e apenas um dador 100% compatível poderá salvá-la. E esse dador é Anna, que foi concebida geneticamente compatível com Kate.

O livro é uma sucessão de flashes e de narradores, assumidos pelas personagens de Jesse (o irmão mais velho), Brian (o pai), Sara (a mãe), Campbell (o advogado), Julia (a tutora nomeada) e pela própria Anna.

Não sei se leram ou não o livro, se viram ou não o filme, apenas avanço que, no final, há um twist absurdo que altera tudo aquilo que poderemos considerar um final feliz. Procuravam um? Não é aqui, certamente.

Não vou deixar a capa do livro; podem encontrá-lo em qualquer escaparate. Deixo-vos com o trailler e a promessa que irei vê-lo.

domingo, 16 de janeiro de 2011

A História Interminável & Os Olhos do Dragão



Quem me conhece bem (e são poucos muito poucos) sabe que adoro ler; leio tudo ou quase tudo o que apanho, compro ou me oferecem.

No entanto existe um estilo particular de livro que me faz imensamente feliz, que faz nascer em mim o espírito da eterna criança levando me a sonhar e a perder nos imensos mundos de fantasia e de sonho que estas histórias normalmente evocam.

Estou a falar como é óbvio de contos de fadas, histórias fantásticas e afins, como os livros que acabei de ler à algum tempo atrás.
Histórias muito diferentes, ambas muito bem escritas e que me transportaram para cenários de sonho e fantasia para eras intermináveis e locais exóticos e fantasiosos.

Falo-vos de dois livros em particular de dois autores distintos. Os olhos do dragão de Stephen King, e da História Interminável de Michael Ende.

Estilos e histórias completamente diferentes conseguiram que eu me sentisse personagem da própria história, figura presente ao desenrolar da trama tal como os principais personagens de cada uma delas. Stephen King com um estilo muito próprio, mantém um ambiente algo «negro» durante toda a história que acentua o dramatismo das situações que se vão desenrolando. Uma história onde abunda a magia, príncipes, castelos e torres e muito mistério.

Michael Ende, conta-nos uma história dentro da história. Leitor e personagem, herói e vítima num mundo fantástico de quem lê e para quem lê.

O mundo real intercala com o imaginário e a dada altura fundem-se num só mundo de fantasia e personagens fantásticos que nos leva a querer ser de novo criança e a acreditar em magia, em sonhos e outro mundos.

Adorei ambos os livros, e deixei-me apaixonar ainda mais pela leitura e pelo fabuloso imaginário que ela proporciona.
Das viagens, dos locais e dos mundos que enriquecem a nossa passagem pela vida, fazendo-nos sorrir e sentir feliz quando acabamos as histórias, e cheios de vontade de pegar noutro livro e mergulhar de novo e partir em viagem...

Leiam...e sonhem!

Rebecca, de Daphnne du Maurier

O que fazer quando se se casa com um homem, e com o espectro de uma memória? Com Manderley como plano de fundo, assistimos ao decorrer do casamento de uma jovem de origens humildes com Maxim de Winter. Max, anteriormente, havia sido casado com Rebecca que, apesar de ter morrido um ano antes da acção (em circunstâncias que, mais tarde, se revelarão estranhas), é presença constante.

A nossa heroína (não tem nome, a pobrezinha...) sente-se esmagada por essa presença / ausência de Rebecca, relembrada a todos os instantes por amigos, familiares e criados dos de Winter. No canto oposto, temos Mrs. Danvers, a governanta, que faz questão de lembrar em cada segundo do dia que Manderley, em tempos, teve uma outra senhora.

Rebecca é um livro (escrito em finais dos anos 30, do século XX) que mete amor, drama, crime e uma quota-parte de terror, dado que seguimos toda a história através dos olhos e dos sentimentos desta personagem principal que, muitas vezes, se diz "malnascida" e não merecedora do conforto e luxo de Manderley.

Já tinha lido esta obra várias vezes, mas não me canso nunca. Aparentemente, nem eu me canso, nem Hitchcock se cansou, já que fez um filme inspirado no livro.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Amours nomades


A autora Isabelle Eberhardt, russa de nascimento, nos finais do século XIX (1877) faz parte daquele lote de mulheres que tiveram o privilégio de serem grandes viajantes numa época em que muitos países ainda mantinham intactos o misticismo e um certo estado de alheamento do mundo ocidental, que lhes dava um encanto muito próprio.

De espírito aventureiro aprende a língua árabe e a caligrafia e visita a Argélia com a mãe onde se converte ao islamismo. Vestida de homem viaja livremente experimentando uma liberdade nunca antes sentida.
Casa com um argelino e torna-se repórter dos jornais Akhbar e La Dépêche algérienne», tornando-se numa incansável viajante por toda a Argélia, Tunísia e Marrocos.

Amours Nomades é um obra que reune doze contos cujo fio condutor é o amor em terras magrebinas.
A beleza da sua escrita, a harmonia dos conteúdos remete-nos para um mundo místico, ímpar na sua diversidade e magistral pela sua unidade.

A morte surpreende esta mulher extraordinária aos 27 anos na sequência de uma cheia que devasta a sua casa em Aïn Sefra no outono de 1904.






O Vendedor de Saris


De Amritsar, na exótica India, terra natal da escritora Rupa Bajwa, chega-nos uma história de um homem comum, vendedor de saris (traje tradicional feminino indiano) e da sua vivência num mundo que muitos de nós nem imaginamos. Entre a miséria dos muito pobres e a ostentação dos imensamente ricos, Ramchand sobrevive num pobre quartinho onde um dia decide começar a ler, munido de um dicionário de inglês e duas gramáticas usadas.
Com um cheirinho a exotismo e caril, entre milhares de metros de maravilhosos tecidos, este homem preso entre dois mundos através da leitura começa a ter uma outra perspectiva de tudo o que o rodeia e a ter uma consciência mais crítica e menos conformista.
Este belo primeiro romance de Rupa Bajwa, leva-nos a paragens distantes e a uma sociedade que se rege por padrões culturais, religiosos e sociais que nos são estranhos. Mergulhar neste mundo, descrito com simplicidade e naturalidade é encontrar a alma de um povo na figura de um mero vendedor de saris.
Uma bela e singela história, magnificamente escrita...

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Milagrário Pessoal (ou a lista de algumas das minhas palavras favoritas)

"As mulheres bonitas enfadam-se com as coisas que não podem ser (...). Uma mulher muito bonita é um desvario cruel da natureza. Não há pior injúria para uma mulher comum do que o confronto com a beleza alheia, em particular se não for possível denunciar-lhe um único erro".

"O que eu quero dizer é que todas as palavras são mágicas, só precisam ser combinadas da forma correcta".

Retirado de 'Milagrário Pessoal', de José Eduardo Agualusa

Este livro foi-me oferecido no Natal pelo meu "cunhado". Ao ler as páginas deste romance, fiz uma lista de algumas das minhas palavras preferidas. Poderão perceber esta minha súbita vontade se lerem o livro... é uma espécie de "private joke" disponível em qualquer prateleira de livraria.

Não vou fazer um comentário, ou uma crítica ao livro. Só posso dizer que, de todas, a Língua Portuguesa é a mais bela.

Sol * Cativar * Pirilampo * Flor * Calor * Estrela * Horizonte * Gatinho * Poesia * Notícia