quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A Mão de Fátima

A obra do escritor catalão Ildefonso Falcones, faz-nos mergulhar na Espanha muçulmana do dos finais do século XVI, início do século XVII, onde um jovem, filho de uma jovem muçulmana e de um padre católico que a violou, vive a dicotomia de dois mundos em conflito.


Hernando, «o nazareno» como é apelidado pelos muçulmanos vive numa época conturbada preso a dois mundos antagónicos ora desprezado por uns, ora pelos outros.
O contexto histórico onde se desenrola a intriga deste romance durante 44 anos é riquíssimo no retrato que faz da comunidade moura onde o personagem se insere e o mundo cristão do qual também faz parte, mas que entra em conflito com o seu coração muçulmano.
As vivências no seio da comunidade moura, a sua vida pejada de aventuras, as relações familiares, Fátima o seu grande amor, fruto de cobiça do seu odiado padrasto que a desposa e todas as vicissitudes de dois mundos, duas religiões, em guerra.
São 920 páginas de aventura, história, e imersão na nossa Península Ibérica, numa época em que o espaço era partilhado por muçulmanos e cristãos, numa paz periclitante, pejada de revoltas, sublevações e conflitos que afectaram profundamente as comunidades que nela coabitavam, onde cristianismo e islamismo se digladiam, mas onde um homem com um carisma excepcional fruto de duas religiões, de duas culturas, percorre o seu trajecto de vida.
Uma obra excelente em termos de conteúdo histórico e de intriga que prende a atenção da primeira à última página.

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