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terça-feira, 29 de outubro de 2019

Lido: O Tempo Entre Costuras, de Maria Dueñas

Cheguei, finalmente, ao livro que comprei na Feira de Lisboa: O Tempo Entre Costuras, da espanhola Maria Dueñas.

Não fazia ideia do que se tratava - até porque não vi a série - mas os elogios sucediam-se. Fazia uma vaga ideia que envolveria costureiras e guerra, mas nada em particular. Comecei a ler, e a gostar da leitura. A escrita fluída, simples, sem floreados complicados... uma história que cativava de início.

Temos Sira a contar-nos sobre a sua vida como filha de uma costureira, em Madrid. A mãe trabalhava para uma modista de reputação, e até Sira começou ali o seu aprendizado. O dinheiro não era abundante, mas o suficiente para as duas. Vimos a saber que a mãe havia sido deixada pelo pai de Sira, e a rapariga nunca o conheceu.

Ecos de uma rebelião começam a chegar a Madrid. E o atelier de D. Manuela começa a perder a pujança de outros tempos, até que acaba por fechar. Sira, e o noivo, vão comprar uma máquina de escrever, para que a rapariga aprenda a datilografar e possa encontrar outro trabalho. Sira conhece Ramiro, o dono da loja, e o seu mundo fica virado do avesso, acabando mesmo por terminar o noivado e ir viver com este homem.

Um dia, embarcam - com alguma urgência - para Marrocos, acabando por se fixar em Tânger. E é aí que as coisas começam a descambar.

Não vou adiantar muito mais da ação do livro, porque este merece, realmente, ser lido. Não só pelo ambiente em que decorre - Sira vem a Lisboa, só para vossa informação - mas pela própria história, e pela História. Há tanto que desconhecemos sobre a Guerra Civil Espanhola, ou sobre o envolvimento espanhol na II Guerra Mundial e que estão aqui, "mascarados" de ficção. Esta "maquilhagem" está feita de tal forma que aprendemos coisas sem nos apercebermos.

É um livro muito interessante, e com uma escrita tão atraente que nem percebemos que temos um calhamaço nas mãos (624 páginas). Só não dei 5 estrelas, porque houve uns pormenores que deixaram "encanitada", mas isto sou eu que sou picuinhas. 

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Lido: O Último Paraíso, de Antonio Garrido

Terminei este livro ontem à noite. Teve coisas boas, previsíveis, ensinou-me outras e aborreceu-me noutras.

Dei-lhe 4 estrelas, porque, no fundo, o que de bom retirei dele foi, proporcionalmente maior. Estamos nos EUA, no período da crise de 1929. Jack, o nosso protagonista, é um jovem que trabalha em Detroit, numa grande empresa industrial. Com a crise, é despedido e tem de voltar para Nova Iorque, viver com o pai, um ex-sapateiro, com um problema de alcoolismo.

A situação, já de si má, piora consideravelmente, o pai morre, Jack vê-se envolvido num crime e é forçado a fugi do país. Com Andrew, um colega dos tempos de escola, e Sue, a namorada do amigo, Jack embarca para a União Soviética, que procura técnicos especializados para uma fábrica de automóveis em Gorki.

Jack, às tantas, vê-se envolvido num jogo, onde não queria participar... e os dados estão lançados.

É um livro muito interessante, na medida em que conheci um pouco mais sobre a vaga migratória de americanos para a URSS, e um pouco do ambiente político e social desta época na Rússia de Estaline. Tem bastantes factos históricos, misturados com ficção, thriller, espionagem e, até mesmo, um pouco de romance.

Não é um livro que vá ficar nos anais da História da Literatura, mas cumpre a missão.

domingo, 4 de novembro de 2018

Lido: O Amante Japonês, de Isabel Allende

Maratona Literária: ler um livro com flores na capa - neste, é uma gardénia... muito importante no decorrer da ação.

Devem ser raros os livros com flores na capa que não sejam um romance, ou de botânica... este tem um "cheirinho" de botânica e a história de um amor que nasceu durante a 2.ª Guerra Mundial.

Alma e Ichimei apaixonam-se quando ainda são crianças... e pouco mais tarde, numa altura em que ser japonês, nos Estados Unidos da América, era pior do que ser nazi, surge a primeira separação que, no fim, mostra que o amor é mais forte do que as convenções sociais ou do que o preconceito.

Aproveitei este fim-de-semana de chuva para começar a ler este livro de Isabel Allende. Por alguma razão, durante muito tempo, rejeitei Allende. Estava farta de histórias de amor, talvez. Mas, com este "O Amante Japonês", chorei.

Pelo meio conhecemos Irina, uma jovem moldava com um passado tão tumultuoso e traumático que, ainda hoje, em adulta, sente, na pele, as dores de quando era criança. Seth, neto de Alma, tem uma passagem, por este livro, mais subtil. Não é o herói romântico desta história, mas é um homem de gestos por amor.

Vale a pena ler O Amante Japonês. Nele lemos sobre guerra, pedofilia, homossexualidade, cancro, VIH/SIDA, síndrome de Down, dor, perda, amor, amizade... é um romance muito completo e cheio de detalhes e de pequenas passagens de uma poesia maravilhosa.

A própria estrutura do livro é muito descomplexada... alternamos entre pedaços do passado de Alma, com a visão de Seth e de Irina, com bocadinhos de outros personagens que, não tendo um papel fundamental, são essenciais para que as linhas se cruzem e formem um quadro completo.

Excerto de uma carta de Ichimei:

"Afirmámos muitas vezes que amarmo-nos é o nosso destino, amámo-nos em vidas anteriores e continuaremos a encontrar-nos em vidas futuras. Ou talvez não exista passado nem futuro e tudo aconteça simultaneamente nas infinitas dimensões do universo. Nesse caso, estamos unidos constantemente, para sempre."

sábado, 28 de julho de 2018

LIdo: O Evangelho Segundo Lázaro, de Richard Zimler

Zimler não sabe escrever mal. É um facto. O Evangelho Segundo Lázaro é o terceiro livro de Zimler que leio este ano, e mais uma vez, termino-o fascinada.

O Evangelho Segundo Lázaro vem preencher um lapso daquilo que sabemos da história de Jesus. Jesus ressuscitou, a determinada altura da sua vida, o seu amigo Lázaro, irmão de Maria e Marta. O livro vem revelar-nos a natureza da amizade de ambos, da perspetiva de Lázaro.

Lázaro, viúvo e pai de duas crianças, morre. Mas Jesus (Yeshua, escrito no seu original) vem e volta a trazê-lo à vida. Depois de um recomeço algo confuso, Lázaro vê-se envolvido numa conspiração, promovida por Anás e Caifás, para a morte de Yeshua. Correndo perigo de vida, Lázaro nunca desiste do amigo que lhe deu uma segunda oportunidade.

A dor da perda de Yeshua, e, depois de uma das irmãs, faz Lázaro pegar nos filhos e recomeçar longe. Já mais velho, escreve uma longa missiva a um dos netos onde descreve tudo aquilo que lemos... o livro é a carta de Lázaro a Yaphiel, o seu neto adolescente, filho de Llana (filha adotiva de Lázaro).

Acho que já destaquei a forma magistral como Zimler se documenta. É fácil, mais para uns do que para outros, ler e informar-se. Mas Zimler lê e apreende, informa-se e informa-nos, ensina e aprende e faz parecer fácil escrever um livro onde Jesus é apenas um co-protagonista, e apesar de todo o enredo depender dele.

O Evangelho Segundo Lázaro é um excelente livro. Há muitos nomes, muitas referências - e ajuda bastante o livro, no final, possuir um glossário com expressões e palavras da época para o leitor se orientar... aconselho a todos, independentemente do credo ou religião. É ler... ler de coração aberto!

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

O Último Cabalista de Lisboa, de Richard Zimler

Terminei, esta madrugada, O Último Cabalista de Lisboa. Andava há que séculos para ler qualquer coisa de Richard Zimler. Ouço, com frequência, elogios à sua escrita, mas ainda não tinha surgido a oportunidade.

Mas, as oportunidades somos nós que as criamos e foi assim que acabei por comprar O Último Cabalista de Lisboa (1996). Esta obra não é apenas um romance histórico, mas também não é apenas um thriller... é um bocadinho de tudo isto e muito mais.

Richard Zimler é um escritor muito inteligente e isso nota-se em cada linha. Na nota de autor deste livro, Zimler diz-nos que este é um exercício de tradução de obras, assinadas por Berequias Zarco, que teriam sido encontradas algures em 1990.

Estamos em 1506, nas vésperas da celebração da Páscoa. Em Lisboa, os cristãos, instigados pelos dominicanos, encetam uma perseguição e um autêntico extermínio dos judeus/cristãos novos, no Rossio, por os considerarem responsáveis pela seca e pela peste.
Milhares de judeus foram mortos, queimados; muitos, eram decepados e os corpos, literalmente, atirados aos animais.
Berequias (nome cristão, Pedro) Zarco, é um jovem estudante da Cabala. Durante os motins, encontra o tio (e mestre) morto, ao lado da uma jovem desconhecida. Ambos estão completamente nus. A cave - a sinagoga secreta da família - onde se encontravam os corpos estava fechada.
E mais, um texto em que o Mestre Abraão trabalhava, desapareceu. Poucos eram aqueles que conheciam aquele local: apenas quatro ou cinco pessoas - os iniciados nos mistérios da Cabala. E é deles que Berequias suspeita; um deles é o traidor e assassino!

Com este livro, conhecemos uma Lisboa quase desconhecida. A Lisboa do século XVI, em que a religião berrava aos ouvidos dos desesperados. Ao mesmo tempo, conhecemos os preceitos judeus, sentimos os cheiros e percorremos com Berequias pelas ruas e vielas desta Lisboa tão estranha, mas tão familiar, ao mesmo tempo.

Fiquei fascinada; quero muito continuar a ler Richard Zimler e O Último Cabalista de Lisboa mais do que confirmou esta minha vontade!

Este foi o 6.º livro que li (este ano), e quase arrisco a afirmar que será, certamente, uma das melhores leituras de 2018.

sábado, 16 de dezembro de 2017

Germano Silva condecorado pelo Presidente da República

Jornalista e cronista incontornável da história do Porto agraciado com a Ordem do Mérito.

Germano Silva, jornalista e historiador, recebeu dia 7 de dezembro, a Ordem do Mérito, imposta pelo Presidente da República, numa cerimónia realizada no Salão Nobre da Câmara Municipal do Porto.

Com 86 anos, este incontornável cronista da história e das histórias da Porto, foi uma das individualidades distinguidas pelo Professor Marcelo Rebelo de Sousa.

A Ordem do Mérito destina-se a galardoar atos ou serviços meritórios praticados no exercício de quaisquer funções, públicas ou privadas, que revelem abnegação em favor da coletividade.

©Patrícia Cardoso, Porto Editora

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Novidade: O Desejo e Outros Demónios, de António Bizarro

Depois de "O longo caminho do regresso" (agora publicado em formato físico, depois de uma primeira edição em e-book) e de "O motor do caos e da destruição", António Bizarro encerra a trilogia Cidade da Indústria com "O Desejo e Outros Demónios".



Sobre o livro: 
Um escritor oferece a derradeira prova de amor à sua amada. Um grupo de crianças reencena inconscientemente O Senhor das Moscas. Um marido traído propõe-se a reconquistar a esposa adúltera. Tony Dornbusch recorda uma visita guiada ao Instituto MacLaren na companhia de um velho amigo. Um homem começa a ver o mundo a desaparecer à sua volta. Uma aparição leva um escritor a percorrer as ruas de Saint Paul em busca do passado. Duas mulheres partilham o mesmo destino sem nunca se terem conhecido, ficando ligadas para sempre na memória colectiva dos habitantes de Saint Paul. Numa cidade distópica e pós-apocalíptica, os criminosos são obrigados a confrontar as famílias das vítimas, num exercício extremo de justiça restaurativa. Um homem transforma-se no objecto de desejo do seu objecto de desejo. Excertos do diário de Tony Dornbusch revelam aspectos da sua relação estranha com uma enfermeira e a sua mãe.

Sobre o autor:
António Bizarro nasceu em 1978, na cidade de São Paulo, e cresceu no Barreiro. Em 2006 integrou o split-CD Seek And Thistroy!, da Thisco Records, que incluía o seu projecto de música electrónica City of Industry e as bandas Devhour e Tatsumaki. Em 2010 editou o seu primeiro livro, Siamese Dream. 
Em 2015 lançou o seu primeiro álbum em nome próprio, Opus I: Dark Room, disponível para download em https://soundcloud/antoniobizarro, e o livro Fragmentos – Tony Dornbusch, através do seu blog Android:Apocalypse. 
Em 2016 publicou o seu terceiro livro, O Longo Caminho de Regresso, através da editora Coolbooks, e disponibilizou no blog o livro Novos Fragmentos – Tony Dornbusch; no mesmo ano, lançou o seu segundo álbum, Opus II: Sacred Parts, bem como os Volumes I, II e III da compilação City of Industry. 
Em 2017 lançou o livro O Motor do Caos e da Destruição, novamente sob a chancela da Coolbooks, e o quarto e o quinto volumes da compilação City of Industry.