Cheguei, finalmente, ao livro que comprei na Feira de Lisboa: O Tempo Entre Costuras, da espanhola Maria Dueñas.
Não fazia ideia do que se tratava - até porque não vi a série - mas os elogios sucediam-se. Fazia uma vaga ideia que envolveria costureiras e guerra, mas nada em particular. Comecei a ler, e a gostar da leitura. A escrita fluída, simples, sem floreados complicados... uma história que cativava de início.
Temos Sira a contar-nos sobre a sua vida como filha de uma costureira, em Madrid. A mãe trabalhava para uma modista de reputação, e até Sira começou ali o seu aprendizado. O dinheiro não era abundante, mas o suficiente para as duas. Vimos a saber que a mãe havia sido deixada pelo pai de Sira, e a rapariga nunca o conheceu.
Ecos de uma rebelião começam a chegar a Madrid. E o atelier de D. Manuela começa a perder a pujança de outros tempos, até que acaba por fechar. Sira, e o noivo, vão comprar uma máquina de escrever, para que a rapariga aprenda a datilografar e possa encontrar outro trabalho. Sira conhece Ramiro, o dono da loja, e o seu mundo fica virado do avesso, acabando mesmo por terminar o noivado e ir viver com este homem.
Um dia, embarcam - com alguma urgência - para Marrocos, acabando por se fixar em Tânger. E é aí que as coisas começam a descambar.
Não vou adiantar muito mais da ação do livro, porque este merece, realmente, ser lido. Não só pelo ambiente em que decorre - Sira vem a Lisboa, só para vossa informação - mas pela própria história, e pela História. Há tanto que desconhecemos sobre a Guerra Civil Espanhola, ou sobre o envolvimento espanhol na II Guerra Mundial e que estão aqui, "mascarados" de ficção. Esta "maquilhagem" está feita de tal forma que aprendemos coisas sem nos apercebermos.
É um livro muito interessante, e com uma escrita tão atraente que nem percebemos que temos um calhamaço nas mãos (624 páginas). Só não dei 5 estrelas, porque houve uns pormenores que deixaram "encanitada", mas isto sou eu que sou picuinhas.
Leio desde que me lembro de mim como gente. E comecei a escrever em blogues há mais de 11 anos. Porque não juntar estes dois amores num único espaço? Aqui, só cabe aquilo que gosto... conheçam as minhas escolhas!
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terça-feira, 29 de outubro de 2019
domingo, 13 de outubro de 2019
Lido: O Regresso do Desejado - volume I - A Ascensão, de Ricardo Correia
Este livro que terminei, na véspera do Encontro, já me era conhecido. O Ricardo Correia apresentou-o, em outubro do ano passado, em Sintra, e apesar de não ter podido assistir à sessão, ficou-me na retina, pela ideia inerente à sua escrita: e se Dom Sebastião tivesse regressado de Alcácer-Quibir? Quais teriam sido as consequências? Qual teria sido o rumo dos acontecimentos?A História conta-nos que, após o desaparecimento do Rei português, Dom Sebastião, com apenas 24 anos, em 1578, instalou-se uma crise sucessória, acabando Portugal por se tornar território de Espanha, entre 1580 até 1640, com a ascensão de João IV, o Restaurador (dando início à última dinastia real, a Dinastia de Bragança).
O que Ricardo Correia fez com este livro foi um verdadeiro exercício de ficção histórica. Colocou várias personagens - umas ficcionadas, outras não - no centro de uma União Ibérica com Portugal à cabeça. Um Portugal que é o centro governativo dos dois territórios.
O resultado é uma trilogia muito interessante - sendo este o 1.º livro. O segundo volume - A Inquisição - foi apresentado ontem, dia 12 de outubro.
No Encontro de Booktubers, tive a oportunidade de trocar algumas ideias com o Ricardo sobre este livro. Especialmente sobre uma das minhas personagens favoritas, D. Leonor, que é fortíssima. O Ricardo garantiu-me que esta personagem - ficcionada - vai crescer ainda mais no 2.º volume.
De resto, mais do que a importância do papel de D. Sebastião, este livro tem três personagens femininas muito interessantes, tendo em conta o contexto em que a ação se passa.
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sexta-feira, 23 de março de 2018
Lido: As Sombras de Leonardo da Vinci
Spoiler alert: este livro começa com a morte de Leonardo da Vinci. Sim, o senhor falece. Eu sei, é um choque, ninguém estava à espera...Deixando de lado a brincadeira, As Sombras de Leonardo da Vinci é um excelente exercício de como a ficção e a realidade se podem confundir. Tudo bem que a Wikipédia nem sempre é a melhor das fontes de confirmação, mas, à medida que ia lendo este livro, ia pesquisando alguns pormenores e, excluindo os diálogo, batia tudo certinho.
À medida que lemos, vamos acompanhando o frenético Leonardo da Vinci e o seu início de carreira, apadrinhado por Lorenzo Médici, o chefe da família Médici, uma das mais influentes (e ricas) em Florença desde o século XIV.
Nas 300 e tal páginas deste livro, vemos desfilar nomes tão conhecidos (mesmo da cultura pop... este livro é quase um Os Bórgias meet Da Vinci's Demons): Maquiavel, César Bórgia, Savonarola, Sforza, Miguel Ângelo, Botticelli, Rafael, entre muitos outros.
O trabalho de investigação é irrepreensível. Sabemos, claro, que os diálogos são ficcionados, mas os factos são aqueles e, por mais anos que passem, o génio de da Vinci permanece.
Uma das minhas paixões é a História. E as ficções históricas aquecem-me o coração. Não só porque sei que aquilo que estou a ler, romanceado, aconteceu verdadeiramente e que hoje, anos ou séculos depois, estamos a "colher" os frutos daqueles factos, mas também porque, a minha parte mais... não queria dizer, romântica, mas cá vai... gosta de fantasiar o "como" é que as coisas tomaram determinado rumo, e não outro.
As Sombras de Leonardo da Vinci é um livro muito muito interessante.
Um aparte que nada tem a ver com o livro - há uns tempos, após ver uns minutos a nova versão de As Tartarugas Ninja, comentava com o meu excelso companheiro que os miúdos, se não forem instados a isso, nunca irão saber os verdadeiros nomes das ditas. Mike, Leo, Donnie e Rafa não são, de todo, o mesmo que Michelangelo, Leonardo, Donatello e Raphael. Americanizar os nomes vai contra o conceito da ideia: às tartarugas, foi dado o nome de artistas do Renascimento. Ponto final. Se tiverem filhos, por favor, expliquem-lhes. Não há nada melhor que fazer perdurar a memória.
Sobre o autor:
Christian Gálvez nasceu em Madrid, em 1980. Licenciado em Filologia Inglesa, é um dos rostos da televisão espanhola, onde conduz com êxito um concurso cultural. É também diretor de uma produtora direcionada para potenciar o talento de jovens promessas.
Desde 2009, divide-se entre o trabalho em televisão e a investigação sobre Leonardo da Vinci, vivendo entre Madrid e a Toscana. É um dos mais conhecidos especialistas internacionais do artista. Além deste livro, é igualmente autor de Rezar por Miguel Ángel, Leonardo da Vinci: cara a cara, entre outros.
Sobre o autor:
Christian Gálvez nasceu em Madrid, em 1980. Licenciado em Filologia Inglesa, é um dos rostos da televisão espanhola, onde conduz com êxito um concurso cultural. É também diretor de uma produtora direcionada para potenciar o talento de jovens promessas.
Desde 2009, divide-se entre o trabalho em televisão e a investigação sobre Leonardo da Vinci, vivendo entre Madrid e a Toscana. É um dos mais conhecidos especialistas internacionais do artista. Além deste livro, é igualmente autor de Rezar por Miguel Ángel, Leonardo da Vinci: cara a cara, entre outros.
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sábado, 10 de março de 2018
Lido: Um Milionário em Lisboa, de José Rodrigues dos Santos
#13 livro do desafio de 2018 do GoodReadsTerminei, há instantes, a 2.ª parte da saga de Kaloust Sarkisian que nos apresenta a versão romanceada da vida do filantropo e homem de negócios que conhecemos como Calouste Gulbenkian.
Este livro está dividido em 3 partes, sendo que a primeira é muito sobre o filho Krikor e sobre o Genocídio Arménio às mãos do governo Otomano (atualmente, a área ocupada pela Turquia). José Rodrigues dos Santos creditou, no final do livro, as fontes de onde retirou a informação deste episódio da História e que acabou com o extermínio de um número de arménios que varia entre 800 mil e 1,5 milhão.
A segunda parte do livro é a vida de Kaloust até ao momento da decisão em mudar-se para Lisboa. A Segunda Guerra Mundial, e a temporária declaração de inimizade do Reino Unido a Kaloust apressaram a mudança do homem mais rico do mundo à época.
A terceira parte é a vida de Kaloust em Lisboa até à sua morte em 1955.
Mais uma vez, apreciei bastante este tipo de "estória". José Rodrigues dos Santos, para mim, é muito melhor neste género do que com "Tomás Noronha", num formato que é sempre o mesmo e que já está mais do que visto. Percebo que "em equipa que ganha, não se mexe", mas é este o caminho.
De resto, temos sempre margem para imaginar se a vida de Kaloust/Calouste terá sido tal como ali vemos: um negociador implacável, irredutível e com uns laivos de "prima donna", mas apaixonado pela ideia do ideal de beleza, pela cultura e pelo saber...
Mas, basta-os uma pesquisa rápida na internet e sabemos que Kaloust teve dois filhos: um rapaz e uma rapariga e não apenas um único herdeiro como nos é apresentado nesta peça de ficção. Apenas neste "pormenor" vemos que JRS se permitiu a algumas liberdades criativas.
Enfim, como já disse aquando de O Homem de Constantinopla, é uma saga que vale a pena ler. E as descrições que são feitas dos ambientes, dos locais, dos costumes da época... imperdível.
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segunda-feira, 5 de março de 2018
Lido: O Homem de Constantinopla, de José Rodrigues dos Santos
Terminei, hoje, as 500 e tal páginas do livro O Homem de Constantinopla, de José Rodrigues dos Santos (JRS). Não é o primeiro livro que leio do jornalista e, certamente, não será o último.Quando acabei, e peguei no segundo livro da saga inspirada na vida de Calouste Gulbenkian, pensei para comigo que está, definitivamente, "na moda" falar mal da escrita de JRS. Este livro leu-se lindamente, tem um ritmo bastante interessante e permite-nos olhar para ele e imaginar o que será verdade e o que será criação do autor... a aura da dúvida ficará sempre no ar.
Aliás, JRS diz claramente, na nota final, que estes dois livros "são dois romances que se inspiram na vida e na obra do multimilionário arménio Calouste Sarkis Gulbenkian" e aponta as fontes onde recolheu a informação - entre as quais um sobrinho-neto de Gulbenkian.
A premissa é simples: Calouste está a morrer. O filho é chamado a Lisboa para se despedir do pai e, num instante de consciência, Calouste aponta para a mesa de trabalho. A sua secretária informa o filho que ele deveria estar a referir-se ao livro que andava a escrever. E é assim que O Homem de Constantinopla "vê" a luz do dia.
Calouste passou para o papel todos os relatos de todos os momentos significativos da sua vida. Aos poucos, vamos sabendo como é que o pequeno Kaloust, filho de um dos arménios mais influentes da sua era, se tornou um dos homens mais ricos do mundo. E pensar que tudo começou com uma pequena moeda...
Acredito que o preconceito contra os livros de JRS tenha nascido com a personagem do Professor Tomás Noronha. Sim, já o li o suficiente para saber que me irrita - o Codex 632, O Sétimo Selo e a Fúria Divina. Mas também já li a Ilha das Trevas e comecei A Filha do Capitão (não avancei muito, confesso!) e, retirando Tomás Noronha da equação, até temos uma boa ficção histórica.
O que é, sem dúvida, o caso de O Homem de Constantinopla. Na minha mesa de cabeceira, já se encontra Um Milionário em Lisboa, a segunda metade da saga. E sinto-me preparada para enfrentar estas 665 páginas.
O meu desafio a quem me estiver a ler é: dêem-lhe uma hipótese. A sério. Se não gostarem, coloquem de lado e chamem-me louca, mas antes de tudo, peguem no livro, esqueçam tudo o que ouviram de JRS e, simplesmente, leiam.
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