
Por zero euros, adquiri "A Pianista" de Machado de Assis, publicado em 1866. A ação passa-se em 1850, no Rio de Janeiro.
Malvina é uma jovem, bem parecida, elegante, simpática e de boas maneiras. Apesar de não ser de uma família de posses, a jovem é professora de piano, logo, é assídua nas casas de algumas das melhores famílias e essa profissão era a única forma de se sustentar, bem como a mãe, uma pobre mulher viúva.
Entre as meninas a que Malvina dava aulas de piano, contava-se Elisa, filha de Tibério Valença, um homem conservador e algo severo, com mentalidade colonialista e monárquica. Tomás, irmão de Elisa, cai de amores por Malvina.
O pai, que queria que os filhos casassem apenas com pessoas da sua classe social, manda Tomás para a Bahia, para o afastar da bela pianista.
Tudo o que vem depois, é spoiler. Este conto é tão simples, tão delicado, quase inocente que, à primeira vista é apenas uma história de amor, mas, um olhar mais atento vê que é tudo menos isso. As desigualdades sociais, as hierarquias, o papel da mulher, o papel do homem - tudo é escrutinado nestas poucas páginas. Tibério, sim, é o grande protagonista.
De quando em quando, vale a pena ler o que se escrevia do outro lado do Oceano, quando, por cá se discutia a Questão Coimbrã.