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sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Lido: Uma Praça em Antuérpia, de Luize Valente

No Verão do ano passado, li Sonata em Auschwitz desta autora, literatura bastante "levezinha" para se ter durante as férias, pois então.

Agora li, Uma Praça em Antuérpia, onde voltamos a "misturar" a História de Portugal com a História contemporânea europeia.

Anos 2000.  No Brasil, uma mulher, na casa dos oitenta anos, assinala a passagem de ano com a família, relembrando o filho Luiz Felipe que havia falecido há pouco tempo. À medida que os convivas se vão recolhendo, Olívia revela a Tita, sua neta, que não é Olívia, mas sim, a sua gémea, Clarisse.

E aqui começa a história. Clarisse começa a contar à neta, o segredo que guardou por mais de 60 anos, e que poderá mexer com toda a estrutura familiar.

A mãe das gémeas, Clarisse e Olívia, morre ao dar à luz, e as crianças são criadas por uma avó, já que o pai, com o desgosto, não quer saber delas. Em adultas, mudam-se da zona de Guimarães para Lisboa. Uma delas - Olívia - casa com o filho da empregada delas de infância, e a outra - Clarisse - apaixona-se por um judeu polaco que conhece num dia em que se perde pelas ruas lisboetas. Theodor - que já havia fugido da sua pátria, devido aos avanços da extrema-direita de um homem chamado Hitler - em Portugal, é perseguido, por ser comunista.

Até que decide, de novo, fugir. Clarisse fica em Portugal, grávida, sem que Theodor o saiba. Um dia, cansado de fugir, ele regressa e descobre que a mulher que ama está grávida, e volta a procurá-la. Casam e mudam-se para Antuérpia, na Bélgica, convencidos que o movimento militar alemão não irá chegar até ali. O bebé, Bernardo, nasce em clima de relativa tranquilidade.

Em Portugal, por sua vez, o regime salazarista faz com que Olívia e António vendam a casa e o seu negócio e planeiem ir para o Brasil. Aliás, António parte para ir adiantando as coisas.

Na Europa, o avanço nazi é estrangulador. António garante estadia e trabalho para os cunhados, acreditando que conseguem os vistos para o Brasil, mas nem tudo corre consoante o planeado. E como já sabemos, a determinada altura desta saga, as gémeas trocam de lugar...

No geral, gostei deste livro. A determinada altura, passei páginas meio da diagonal, porque a autora estava, claramente, a enrolar o enredo principal, e a repetir fórmulas que já tinha usado antes. Eram partes que não adiantavam minimamente a ação, e só serviam para encher chouriços. E achei o final, um tudo-nada metido ao pontapé: pareceu-me ligeiramente forçado, e não adorei por aí além.

Mas, como disse, globalmente, gostei. Os livros que se passam durante o período do nazismo, e que retratam, mesmo ficcionadamente, esta época da História Contemporânea, por norma, agradam-me bastante. Mais não seja por pretenderem relembrar as atrocidades cometidas por um grupo que se julgava superior a outros - não que tenha adiantado de muito, como se vê nos dias de hoje, mas pelos menos, tentam...

Mas não adorei. Agora já não é tanto o caso de ser picuinhas, mas houve um conjunto de situações descritas, e algumas soluções de narrativa que me deixaram algo incomodada, por parecer que não "batia a bota com a perdigota". Não sei se me faço entender?

Dei 3 estrelas. É um livro com o seu interesse, mas não essencial. Com esta temática, existem outros superiores qualitativamente.

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Lido: As Aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain

Esta leitura foi feita no âmbito do Book Bingo Leituras ao Sol. Uma das categorias era escolher - de olhos vendados - um livro das estantes. Mas como as minhas prateleiras estão um caos, decidi fazer uma lista com alguns dos livros que tenho por ler, e sortear através da plataforma Random.

Calhou este. E em boa hora. Há uma companhia de teatro, aqui de Sintra, está a apresentar uma versão adaptada deste clássico infanto-juvenil, e eu queria muito levar o Henrique. Consegui terminar a leitura no dia preciso em que o levei a ver a peça.

Li esta obra no Kindle, e não tenho imagens, mas deixo aqui uma ilustração do livro, na sua versão original de 1884.


O livro é engraçadíssimo e a peça não fica atrás - just saying!!

Huck, como gosta de ser tratado, é o melhor amigo de Tom Sawyer. No final do livro As Aventuras de Tom Sawyer - que não li!! - os dois rapazes encontram algum dinheiro, e ficam ricos. Huck fica aos cuidados de uma senhora, a Viúva Douglas, e da sua (extremamente rigorosa) irmã. Contudo, o rapaz sente-se aprisionado naquela vida: ter de frequentar a escola, vestir roupa, calçar sapatos apertados, ter maneiras... para alguém habituado a ter toda a liberdade do mundo, isto é tortura.

Um dia, depois de ter sido aprisionado e ameaçado pelo pai, decide simular a sua morte e consegue fugir. Durante a fuga, encontra Jim, o escravo da Miss Watson (a irmã da viúva), que aproveitou a confusão levantada pela suposta morte de Huck, e também fugiu, dado ter ouvido Miss Watson dizer que o ia vender.

O livro segue as aventuras que estas duas personagens - tão diferentes - vivem ao longo do Mississipi, as pessoas que conhecem, os mal-entendidos que se geram... é um livro fabuloso. Depois de o ler, recomecei - com o Henrique - a ver os desenhos animados do Tom Sawyer, e o entusiasmo ainda não se perdeu.

Quanto à peça - vale a pena ser vista. Aos sábados e domingos, na Quinta da Ribafria, em Sintra. Até 15 de setembro.


quarta-feira, 29 de maio de 2019

Lido: A Filha da Profecia, de Juliet Marillier

Desta vez, a maratona literária levou-me a "passear" com uma autora oriunda da Nova Zelândia. Mas não foi uma viagem nova: já tinha lido os dois primeiros da trilogia Sevenwaters.


Em A Filha da Profecia, continuamos, portanto, a viagem mística e fantástica iniciada com Sorcha, e continuada no segundo volume com a sua filha Liadan. A protagonista deste volume é Fainne, sobrinha de Liadan (e neta de Sorcha). Fainne é educada fora do ambiente de Sevenwaters e afastada de todos os conflitos que envolvem os bretões; a jovem apenas conhece o ambiente de Kerry, onde reside apenas com o pai, o ex-druida Cíaran, ele próprio filho de Sevenwaters.

Assistimos ao regresso de Lady Oonagh, a feiticeira responsável pelos eventos do primeiro volume, e somos envolvidos numa história de contornos ainda mais envolventes do que nos primeiros livros, na minha opinião.

A determinado momento voltamos a Sevenwaters - contudo, não é lá que se passa a maior parte da ação - mas não deixamos de nos sentir aconchegados, como quando regressamos ao nosso quarto de infância. O líder de Sevenwaters é Sean, irmão gémeo de Liadan, e por só ter filhas, aquele domínio está prometido a Johnny, filho de Liadan e Bran - cuja concepção e nascimento acompanhámos no 2.º volume.  Johnny é um guerreiro nato e o líder que os tempos conturbados precisam.

Temos, tal como nos outros livros, um romance. Aqui, o nosso par é Darragh, um jovem nómada, cuja família, costuma acampar em Kerry, durante o Verão. A ligação desta família a Sevenwaters é subtil, mas existe.

Fainne é uma protagonista forte, mas, ao mesmo tempo é algo insegura do alcance dos seus poderes. Pessoalmente, acho que este livro é ainda melhor do que os anteriores. A presença da magia é mais forte, e o enredo mais complexo. O final é fabuloso.

Não creio que vá avançar para a segunda trilogia. Segundo ouvi e li, não está ao mesmo nível desta e prefiro uma excelente experiência, a uma média ou menos boa.

Livro 1 - A Filha da Floresta
Livro 2 - O Filho das Sombras

Uma trilogia "despachada" em três meses. A ânsia era muita, pelos vistos...

Citação escolhida:
" (...) aprendi que um bretão e um irlandês derramam o mesmo sangue e sentem a mesma dor. O dia mostrara-me que a guerra traz ao de cima tudo o que há de mais bravo num homem. Ela deixa que a sua coragem brilhe. Em tempos de conflito, um homem simples pode tornar-se num herói."

domingo, 5 de maio de 2019

Lido: Hibisco Roxo, de Chimamanda Ngozi Adichie

Não sei (ainda) o que pensar deste livro. No momento em que estou a escrever este texto, já o li há um par de horas, e ainda não decidi sequer que classificação dar, no Goodreads. Sinto-me "esmagada" com o sistema de 0 a 5, e considero-o muito limitado.

Li a edição em português do Brasil, no Kindle - a portuguesa foi traduzida como A Cor do Hibisco - e, como já disse antes, não me faz qualquer diferença ler as subtilezas das traduções do país-irmão.

Quero falar muito deste livro, mas tenho de ter um método. Tenho ouvido coisas maravilhosas da Chimamanda, antes de tudo o mais. Sobre este livro... aliás, nos últimos livros que tenho lido, tenho ido em modo "tábua rasa", sem saber do que se trata a narrativa... e, este não foi diferente. Tenho a sensação que li uma introdução qualquer, há uns tempos, mas a verdade é que comecei a lê-lo e nada me despertou qualquer familiaridade com o tema.

É um livro escrito sob a perspetiva de Kambili, uma adolescente de 15 anos e protagonista desta história. A família de Kambili é rica. O pai, Eugene, é proprietário de empresas e de um jornal, que faz oposição ao regime. Existe ainda a mãe, Beatrice, e o irmão, Jaja.

Eugene é ultra-conservador e ultra-religioso. Foi educado na religião cristã e impôs à família essa religião e um estilo de vida europeu / branco - cortou, inclusivamente, relações com o próprio pai, devido ao simples facto do velho senhor continuar a adorar os deuses tradicionais nigerianos. Kambili e Jaja vivem, então, rodeados de fartura, contudo, sujeitos a regras muito rigorosas: não podem ver televisão, não podem socializar com os colegas de escola, têm de ser, sempre, os primeiros da turma, não ouvem música, têm horários rígidos de estudo... são obrigados a todo um código moral e ético que, para eles... atenção, sublinho, para eles... é normal.

À medida que vamos lendo, vamos percebendo que Eugene é também um homem muito violento. E ficamos profundamente incomodados com o modo de vida daqueles jovem, à luz das liberdades dos nossos próprios adolescentes.

Um dia, por alturas do Natal, Kambili e Jaja vão passar uns dias em casa de uma tia, irmã do pai, que é professora universitária. Viúva, Ifeoma é mãe de três - Amaka, da mesma idade de Kambili, Obiora, um ano mais novo que Kambili, que assumiu a tarefa de "homem da casa" e Chima, o menino mais pequeno.

Naquela casa, onde nada é abundante, há risos, há música, há jovens com ideias próprias, há conversas às refeições, há televisão, não há horários rigorosos. O confronto com esta nova realidade faz Kambili e Jaja vacilarem. Ele integra-se com uma facilidade relativa, mas Kambili sente, em si, o peso da opressão provocada pelo pai. Ela não ri, não fala das suas angústias, não canta, e vive em permanente sobressalto com a ideia do pai descobrir tudo o que se passa em casa da tia.

A prima Amaka vai representar uma força muito grande, uma força transformadora na vida de Kambili. Também importante é o papel  do Padre Amadi, que expande os horizontes da nossa protagonista, e que mostra que o respeito pelas crenças tradicionais nigerianas pode e deve ser um motor junto da comunidade - e não um pecado, como lhe transmite o pai.

Vamos, ao mesmo tempo, assistindo ao relato da situação política na Nigéria. Apesar de Kambili ser uma adolescente, e apesar do seu pai ser dono de um jornal, eles - Kambili e Jaja - têm acesso limitado à informação, apenas uma vez por semana, e claro, não são assuntos que devam ter opinião. Vamos sabendo do que se passa naquele país, através das outras personagens, em especial através da tia.

O Hibisco Roxo é um livro fantástico. Mas não "caí" aos seus pés, como pensei que iria. Fiquei fascinada e nauseada com vários episódios que Kambili foi narrando, mas não fiquei rendida, nem emocionada por aí além - e eu sou moça que chora com farturinha!!!
E é aqui que reside o meu problema. Reconheço que é um livro muito bom, muito bem escrito, mas eu estava à espera do excecional, do fora-de-série... é um sólido 4,5, mas não consigo dar 5 estrelas. Mas 4 também é pouco.

O livro contou para a categoria "Países Africanos" da maratona.

Citação escolhida: 
"Eu ri. Rir parecia muito fácil agora. Muitas coisas pareciam fáceis agora. Jaja também estava rindo, assim como Amaka, e todos nós estávamos sentados na grama, esperando Obiora chegar."

terça-feira, 12 de março de 2019

Lido: A Filha da Floresta, de Juliet Marillier

Foi em algum canal do Youtube que ouvi falar, pela primeira vez, da trilogia Sevenwaters. Mais do que um booktuber elogiou a escrita e a história.

Além de policiais, livros de espionagem, históricos... também me pelo por um bom livro de fantasia. E este primeiro livro A Filha da Floresta é um desses bons livros de fantasia.

Demorei muito mais do que pretendia - apesar de não ser um dos maiores que já li (448 páginas) - mas não foi por não gostar. A vida intromete-se nos nossos hobbies, como digo muitas vezes.

Este livro conta-nos um pouco a história de sete irmãos, filhos de Collum, Senhor de Sevenwaters e senhor da guerra: Liam, Diarmid, os gémeos Cormack e Connor, Finbar, Padriac e a pequena Sorcha. Cada um deles tem uma característica especial que o torna especial. Tal como diziam, eram sete ribeiros de um único rio.

Sevenwaters é um território quase inexplorado da velha Irlanda, dos duendes, fadas e de histórias fantásticas. Contudo, encontra-se em guerra com os bretões. Lord Collum, certa vez, regressa de uma das suas prolongadas ausências, trazendo consigo Lady Oonagh, a sua noiva, que se revelará como uma feiticeira.

Após dominar o espírito de Collum, Oonagh tenta livrar-se dos sete irmãos e quase consegue. Sorcha escapa, por pouco ao feitiço, e cabe-lhe a ela libertar os irmãos. Mas, para chegar até esse momento da libertação, a jovem é sujeita às mais terríveis provações.

Gostei imenso desta leitura, e apesar de ter terminado há poucos minutos, estou ansiosa para regressar a Sevenwaters. Mas, para já, vou "tirar umas férias", e deixá-lo em pousio, para digerir o que mais será acrescentado a esta narrativa. Dei-lhe 5 estrelas, sem hesitação. É realmente um excelente exemplo de como a fantasia é muito mais do que dragões.

Quase me arriscaria a dizer que me fez lembrar d'As Brumas de Avalon. A componente de magia, a força das figuras femininas e a sua importância para a história... sem esquecer aquele "tudo-nada" de folclore narrativo, das lendas e das histórias contadas por gerações. Adorei, sem dúvida. Registem aí: Trilogia Sevenwaters, livro 1 A Filha da Floresta, de Juliet Marillier.

Reading Challenge: 24/45

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Lido: Fórmula Mortal, de Colleen Cross

Fórmula Mortal pertence à Série de Aventuras de Suspense e Mistério com a Investigadora Katerina Carter.

O livro começa com um crime. Um homem, cansado da sua vida, e que odeia a mulher, planeou o seu assassinato e o da filha ambos. Com mais ou menos sobressaltos, cumpre este seu objetivo.

A ação passa rapidamente para outro ambiente completamente diferente. Kat prepara-se para sair de fim-de-semana com o namorado jornalista, Jace, para uma ilha, onde, nos anos 20 e 30 do século XX, uma seita esteve acomodada. Com o passar dos anos, os mitos em torno da Fundação Aquariana, que tinha Brother XII como principal rosto, crescem e muito se fala de um tesouro escondido, no valor de muitos milhões de dólares em ouro, que Brother XII não teria conseguido transportar consigo quando precisou fugir.

Quando está prestes a sair, entra Gia, a sua melhor amiga, com o novo namorado (bilionário), Raphael. Desde esta primeira apresentação, Kat desconfia que algo não está bem. A assusta-se ainda mais quando se apercebe que Gia investiu todo o seu dinheiro num produto que, supostamente, teria enriquecido Raphael. Este feeling, e muitos outros pequenos detalhes, fazem-na procurar mais e mais até se deparar com um segredo que irá colocar tudo em perspetiva.

Este livro podia ter chegado às 4 estrelas se a autora não tivesse cometido o mesmo erro de tantos outros que grassam nas estantes das livrarias: ninguém liga puto às desconfianças da personagem principal. Kat é investigadora na área de fraudes empresariais. Desde o início, alerta a amiga para o facto do suposto negócio ter contornos que carecem de explicação. Porra, é a sua área de especialidade e ninguém lhe dá crédito? Nem a amiga, nem o namorado de há anos, ou o tio... não fosse este cliché já mais que batido, Kat evitava meter-se numa série de sarilhos que quase lhe custam a vida.

Gostei. É um thriller ligeirinho. Nada de absolutamente estonteante, a meio, eu já tinha descoberto o que aquele grupo de tapadinhos ainda não tinha percebido, mas é uma leitura engraçada. Não recomendo a quem já está habituado a thrillers. É bom para iniciar neste género, por exemplo.

Apanhei-o na Amazon, para o Kindle, numa altura em que era oferecido.

Link: https://www.amazon.com.br/F%C3%B3rmula-Mortal-investigativo-Aventuras-Investigadora-ebook/dp/B075W9FF41

sábado, 15 de setembro de 2018

Lido: A Terceira Voz, de Cilla e Rolf Börjlind

Em novembro, já havia dado (aqui) a informação do lançamento de A Terceira Voz, do casal Cilla e Rolf Börjlind.

Agora, li-o. Começamos com Olivia Rönning, recruta da Polícia de Estocolmo, a procurar as suas origens, na América do Sul. Não li o livro anterior "Maré Viva", mas consegue-se perceber nas entrelinhas o drama pessoal da jovem, que assume o apelido "Rivera" da sua mãe biológica.

Na Suécia, Sandra fica sem combustível na mota e tenta contactar o pai, sem sucesso. Estando relativamente perto de casa, decide pôr-se a caminho, a pé, apesar do mau tempo que se faz sentir. Pelo caminho, sente-se desconfortável com a passagem de um desconhecido. Ao chegar a casa, depara-se com a figura do pai... enforcado.

Em Marselha, uma antiga artista de circo, que agora fazia filmes pornográficos, é brutalmente assassinada e desmembrada.

Aparentemente, estes dois casos nada têm em comum; mas, nos policiais nórdicos, nem tudo o que parece é. Tom Stilton, um ex-inspetor da Polícia com quem Olivia colaborou no passado, é arrastado para este último caso e quer o destino que juntem novamente forças para deslindar os mistérios que rodeiam todos os envolvidos.

Mas mais do que um policial, A Terceira Voz assume-se como um livro onde a crítica social é muito forte. Temas como a corrupção, a violência contra a mulher, os maus tratos a idosos, a violência sexual são abordados de uma forma muito direta, mostrando que apesar dos lugares cimeiros em indicadores como qualidade de vida, sustentabilidade, inovação, cultura e educação, a Suécia ainda tem (como todos os países da UE) um longo caminho pela frente no que toca à igualdade social.

Não foi um livro que me tirasse o fôlego como outros do género, mas é surpreendente, e o final não foi aquele que imaginava - o que é bastante positivo.

sábado, 8 de setembro de 2018

Lido: 2666, de Roberto Bolaño

Nunca um livro me deu tanto "trabalho" como 2666. Demorei quase quatro meses a lê-lo. Foram 1000 e algumas páginas.

2666 é, definitivamente, o livro mais complicado que alguma vez me passou pelas mãos. Algumas vezes (não poucas) pensei em colocá-lo de lado, mas olhava para o tempo já "gasto" e continuava a avançar.

Algumas vezes (não poucas) pensava "onde é que ele quer chegar com isto?", mas com calma e paciência, cheguei ao fim e as pontas uniram-se.

2666 foi o último livro escrito por Bolaño, antes de falecer em 2003, o que lhe dá uma aura de "incompleto", mas sem o estar. No fim, naquela última página, não ficamos desiludidos.
De acordo com o que percebi, 2666 está estruturado como se a ideia fosse serem romances independentes, com uma linha condutora comum: o assassinato de mulheres em Santa Teresa, uma cidade mexicana, junto à fronteira com os Estados Unidos da América (a cidade é transposição ficcional de Ciudad Juárez).

No início, temos quatro académicos - uma inglesa, um italiano, um espanhol e um francês - especialistas na obra do misterioso autor alemão Benno von Archimboldi.
Archimboldi, apesar da longa obra publicada, mantém-se longe dos holofotes da fama (cada vez mais) crescente. E esse espectro de mistério que faz com que os quatro o tentem encontrar. Assim, dão por si a viajar para o México, último lugar onde supostamente Archimboldi teria sido avistado. Entre os quatro começam a nascer relações cada vez mais distantes daquilo que os tinha unido em primeira instância. Aqui, começam as primeiras notícias de mulheres assassinadas.

Depois, no capítulo seguinte, temos Amalfitano, um professor, transferido para a Universidade de Santa Teresa, que se faz acompanhar da filha, Rosa. O seu maior receio é que Rosa se torne mais uma vítima.

O capítulo seguinte fala-nos de um jornalista afro-americano, que vai ao México para cobrir um combate de boxe, apesar de "Desporto" não ser a sua área de especialidade. Lá, conhece um camarada mexicano que lhe chama a atenção para os assassinatos. Conhece também Rosa (a jovem do capítulo anterior), e o pai paga-lhe para levar a jovem para os EUA. A última vez que sabemos deste jornalista é quando ele vai a um estabelecimento prisional entrevistar o único suspeito detido dos assassinatos, Klaus Haas.

O quarto capítulo é o dos assassinatos propriamente ditos, até à prisão de Haas. São muitos assassinatos. Umas mulheres são identificadas, outras não, que acabam por ir parar a uma vala comum. 112 mulheres mortas em Santa Teresa no espaço de quatro anos, para sermos mais exatos.

No último capítulo, assistimos ao nascimento de Benno von Archimboldi, até ao momento em que as pontas soltas de todos estes capítulos se unem.

Como disse antes, 2666 tem um total superior a 1000 páginas e é dono e senhor de uma complexidade que poderá não estar ao alcance de todos. Demorei a engrenar... talvez por isso tenha demorado quatro meses (menos quatro dias) a terminá-lo. Cansava-me, e pegava noutro livro. Voltava a 2666. Cansava-me e via uns quantos episódios de uma qualquer série de seguida. Voltava a 2666. Cansava-me e dormia a sesta.

Todos estes apartes, 2666 é um livro bom. Muito bom. Percebe-se porque é considerado dos melhores livros em língua espanhola dos últimos 25 anos.

2666 é um livro publicado em 2004, já depois da morte do seu autor.

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Lido: A Catedral do Mar, de Ildefonso Falcones

Terminei o livro A Catedral do Mar, de Ildefonso Falcones. Este era uma das obras que figurava na minha "lista de desejos" de aniversário. Lembro-me de ver a capa deste livro pela primeira vez e da sensação que me percorreu ao olhá-la uma e outra vez. Nunca quis ler a sinopse, para ser apanhada de surpresa pelo enredo. 




Até que o terminei. São quase 600 páginas de livro, mas que se lêem tão bem que conseguimos acompanhar a ação na nossa mente. Faz lembrar um pouco Os Pilares da Terra... o ambiente (medieval) em que se situa, a construção quase-megalómana de um templo, a presença constante da figura da Igreja, o herói que sofre até chegar a bom porto, os aliados fiéis... 

Bernart Estanyol é um agricultor cuja vida dá uma volta de 180º no dia do seu próprio casamento. O senhor das suas terras viola a sua jovem esposa, evocando o direito ancestral à noite de núpcias. Não satisfeito, obriga Bernart a fazer o mesmo. 

Pouco depois, o mesmo senhor evocando novo direito leva a jovem Francesca para o seu castelo para amamentar o seu filho. Francesca, grávida, não pode recusar, nem Bernart pode contradizê-lo. 

Alguns meses depois, Bernart descobre o filho recém-nascido, abandonado à sua sorte e resolver pegar nele e fugir para Barcelona, onde espera vir a conquistar o título de homem livre. No resto da história, seguimos Arnau, e a sua demanda enquanto homem livre, na cidade de Barcelona, e ao mesmo tempo, acompanhamos a construção da Catedral de Santa Maria do Mar, um símbolo da fé de todo um povo.

"O jovem Arnau trabalha como estivador, palafreneiro, soldado e cambista. Uma vida extenuante, sempre à sombra da Catedral do Mar, que o tirará da condição miserável de fugitivo para lhe dar nobreza e riqueza. Mas com esta posição privilegiada chega também a inveja dos seus pares, que tramam uma sórdida conspiração que põe a sua vida nas mãos da Inquisição...".

Não me desiludiu minimamente, mas confesso que, às vezes, tinha de voltar atrás para me localizar no meio de tantos nomes e de tantos factos históricos (alguns verdadeiros, outros ficcionados) com que o autor adornou esta obra.
Sobre o autor (retirado do site Wook):
Ildefonso Falcones, autor natural de Barcelona, formado em Direito, seguiu uma antiga paixão: a da História. Das primeiras memórias de infância, em que encontrou refúgio na Catedral da cidade, à decisão de escrever um romance que revelasse a verdadeira origem daquele lugar de culto, o autor dedicou-se a uma intensa investigação sobre a sociedade catalã do século XIV. Da prosperidade da cidade às gentes que ali viviam e cruzavam, dos escravos aos artesãos, dos judeus à condição da mulher, o autor traça um fabuloso e vivo quadro da Barcelona medieval.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Lido: Os Anagramas de Varsóvia

Mais do que um bom livro... mais do que uma história que envolve mistério e investigação... Os Anagramas de Varsóvia é um livro sobre o Holocausto e sobre os terrores sofridos pelas vítimas do nazismo - não falo só dos judeus, mas de todos aqueles que ousaram fazer frente à máquina da guerra, armadilhada por Hitler.

Erik Cohen, o protagonista e narrador desta história, está morto. Sabemos essa informação nas primeiras linhas do primeiro capítulo. E, por alguma razão, surge perante Heniek Corben, em dezembro de 1941, pouco tempo depois de ter morrido. Começa então a contar-lhe a sua própria história.

Em meados de 1940, Erik, um reputado psiquiatra de origem judaica, muda-se para casa da sua sobrinha Stefa e do seu sobrinho-neto, de nove anos, Adam, um gueto na cidade de Varsóvia. As coisas decorriam com uma normalidade aparente quando, um dia, Adam desaparece. No dia seguinte, o corpo de Adam aparece junto ao arame farpado e pior, com uma perna cortada.

Erik e o seu velho amigo Izzy propõe-se a descobrir quem matou o pequeno, até que descobrem, dias mais tarde, que o mesmo voltou a acontecer: uma menina aparece morta e sem uma mão.

Os Anagramas de Varsóvia desenvolvem-se com esta premissa. E ao mesmo tempo, contam uma história de sobrevivência.

Apesar de ser um livro muito bom, gostei muito mais de O Última Cabalista de Lisboa, razão pela qual não lhe dei 5 estrelas no Goodreads. E, mais uma vez, confirmo: arrepio-me sempre com livros desta época. Calhou terminar este livro no mesmo dia em que revi o filme Saving Private Ryan (Steven Spielgberg, 1998) e atesto que a 2.ª Guerra Mundial e as atrocidades que se cometeram durante este confronto não deverão perder-se na memória.

Agora, estamos na iminência de um novo conflito mundial e era bom que as nações perdessem um pouco do seu tempo a meter a mão na consciência e a perguntar-se se querem mais décadas de dor, sofrimento e sacrifícios? Se querem perder mais gente que, no futuro, podem ser ativos fundamentais nas comunidades onde se inserem? Não serão as pessoas bem mais preciosas? Costumo fazer, com o meu filho, um exercício: o que é mais importante - aquilo que lhe pertence ou as pessoas que o rodeiam? Se até uma criança de 5 anos dá mais valor à família e aos amigos do que aos carros e aos legos, também o deveria ser para os adultos... (acho que já me estou a desviar do tema).

Pessoas, é ler. Ainda por cima, na FNAC está a um preço simpático; aproveitem!

terça-feira, 13 de março de 2018

Lido: História do Novo Nome, de Elena Ferrante

#14 livro do desafio de 2018 do GoodReads


Fiz um forcing para terminar a segunda parte da saga napolitana de Elena Ferrante. Comprei na última Feira do Livro de Lisboa, a primeira parte - A Amiga Genial - e desde então, que a restante tetralogia esteve em "stand by". 

Em A Amiga Genial, são nos apresentadas Lenú (Elena) e Lila (Rafaella), duas amigas que são o oposto uma da outra: Lenú é tímida e introvertida, Lila é um furacão em movimento. Em comum, a inteligência e o gosto pelo saber. A determinada altura, Lenú é autorizada a seguir os estudo, enquanto que o pai de Lila a proíbe. 

As vidas destas duas crianças é feita de aproximações e de afastamentos. Desde cedo, a estudiosa Lenú sente-se atraída, irresistivelmente, pela selvagem Lila. O que pode ser a sua salvação ou a sua perdição. O tempo vai passando e, no final deste primeiro livro, Lila está noiva e vai casar com um dos jovens mais bem-sucedidos do pequeno bairro de Nápoles onde residem. 

O 2.º livro - A História do Novo Nome - pega exatamente aí: no casamento de Lila e Stefano. Vamos entrando, umas vezes com suavidade, noutras vezes com uma brusquidão capaz de nos deixar tontos, na adolescência e na entrada na vida adulta das protagonistas. 

Lila casa com apenas 16 anos. Lenú segue para o liceu. Lila torna-se uma mulher abastada. Lenú luta para conseguir manter-se na escola. Estas diferenças tão abismais, aos olhos do leitor, continuam a ser quase como um íman para as duas raparigas. 

Elena Ferrante sabe como nos fazer entender Lila e os seus comportamentos erráticos, e criticar a "certinha" Lenú e a sua "mania" de julgar. Mas, ao mesmo tempo, compreendemos Lenú e ficamos com uma sensação de impotência e de quase desespero quando Lila se aproxima, sabendo que, mais cedo ou mais tarde, ela acaba por estragar tudo. Confesso que, a determinada altura, quase pus em questão a minha sanidade mental...

Não sei - aliás, ninguém sabe - quem é Elena Ferrante, qual a sua história, qual o seu método ou inspiração. Mas a sua escrita tem o fascínio de amarmos e odiarmos, ao mesmo tempo, aquelas personagens que nos desfilam perante os olhos. 

E não é só isso... em A Amiga Genial estamos em meados dos anos 50, num bairro humilde de Nápoles. Em A História do Novo Nome já estamos quase em 1970... acompanhamos todo um renascimento de um país que saiu afectado da 2.ª Guerra e as constantes movimentações políticas daí derivadas.

História de Quem Vai e de Quem Fica é o próximo capítulo...

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

O "mais ou menos" e o "mau"

Como por aqui já disse, o meu excelso homem ofereceu-me um Kindle no Natal. Tenho então "abusado" no download de livros "portuguese edition" gratuitos.

Os últimos que li foram "Génesis" de Tom Fox (autor de Dominus e O Sétimo Mandamento), e Arena Um: Traficantes De Escravos (Trilogia Sobreviventes) de Morgan Rice, conhecida pela saga Memórias de um Vampiro.

O Génesis é um thriller, que antecede a ação passada em Dominus. A ação passa-se em Roma e segue a jovem polícia Gabriella Fierro que foi encarregue de investigar um simples caso de desvio de somas insignificantes de uma pequena paróquia.

Contudo, e com a ajuda de Alexander Trecchio, ex-padre e atualmente jornalista, Gabriella descobre que este simples caso não é tão linear como pensava.

É um livro que se lê muito bem. No Goodreads, apenas o classifiquei com "3 estrelas", porque acho que faltava ali qualquer coisa. Este é o problema de quem lê muitos thrillers: às páginas tantas, não nos contentamos com "qualquer coisa". Faltava um pouco mais de desenvolvimento nos personagens. Mais profundidade. Não me senti ligada à personagem principal para sequer pestanejar quando estava a ser alvo de disparos.

Mas a história é interessante - atenção! Isto pode ser apenas defeito de quem já leu muito sangue e muito suspense em outros livros.


* * *

Depois deste, li "Arena Um: Traficantes de Escravos". Um vómito. A sério. Se virem este livro por perto, fujam. Começar por onde? Nem tanto o facto de ser para um público mais jovem, isso nunca me impediu antes... mas ser quase uma cópia de "Hunger Games" isso sim, incomodou-me. Um cenário apocalíptico, uma jovem heroína que tenta salvar a irmã e é levada para uma arena em que ninguém sobrevive. Duas figuras masculinas por quem a heroína desenvolve sentimentos que vão além da amizade... onde é que já li isto??

E depois as repetições... tantaaaaassss repetições. Frases e ideias iguaizinhas em capítulos diferentes. Sim, já percebemos que está tudo destruído e que só restam as carcaças dos prédios... às duas por três, dei por mim a pensar que o "problema" estava na tradução. Mas fui ver opiniões de outras pessoas no Goodreads e as queixas eram semelhantes.

E ainda a consistência da coisa. A miúda, Brooke, tem 17 anos e a irmã tem, mais ou menos, 10 anos. Até chegar à irmã, Brooke sofre cerca de três acidentes num Humvee roubado aos traficantes, é alvo de disparos, é esfaqueada, vai para a arena de combate e derrota (!!!) TRÊS adversários, melhor preparados e mais fortes, apanha tareia da forte, é lançada contra gradeamento de metal, é mordida por uma cobra (!!!), apanha mais tareia... e consegue safar-se.
Depois de sofrer o que ela sofreu, eu estaria em coma durante anos num hospital, mas ela apenas coxeia e tem dores "insuportáveis" (mas milagre!!! Não sei quantos anos depois, encontra um grupo de pessoas que lhe dá armas e penicilina... dafuq???)
Está rodeada de pessoas, vítimas nucleares e perfeitamente insanas, Nova Iorque desapareceu, mas Brooke consegue SEMPRE arranjar forma de se escapar: ou um prédio que, por acaso, é o único que ainda tem portas, os seus agressores que não conseguem acertar-lhe "por centímetros".

Enfim... foi um pequeno tormento que entretanto já passou. Só o li até ao fim, porque, habitualmente, não desisto dos livros que tenho em mãos e, já que ali estava, queria ver onde é que aquilo ia dar. Guess what? Não vou sequer tentar ler o resto da trilogia. It's done for me!!!

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Leituras do últimos dias

Ena... uma semana sem aqui pôr os pés. Há algum tempo que isto não acontecia. Durante o mês de dezembro, li menos (muitooooo menos, para ser mais exata), mas li. Umas paginazinhas aqui, outras ali...

Terminei "O Último dos Nossos", Adélaïde de Clarmont-Tonnerre (por gentileza da editora Clube do Autor). Trata-se de um romance que é contado em dois períodos temporais, e em dois locais perfeitamente distintos. Começamos nos EUA, em Manhattan, em 1969, e seguimos Werner Zilch, um jovem de ambições empresariais que acaba de conhecer a mulher da sua vida. No capítulo seguinte, estamos na Alemanha, em 1945, debaixo de bombardeamentos, onde uma jovem mulher, falece, após ter dado à luz.
Antes de morrer, Luisa, pede ao médico que encontre a cunhada, Marthe e lhe entregue o recém-nascido, pedindo ainda que não mudem o nome do bebé: Werner Zilch. "É o último dos nossos", diz antes de morrer.

A autora não esconde, portanto, que o jovem empresário do 1.º capítulo é a criança nascida durante a II.ª Guerra Mundial no capítulo seguinte. E toda a trama se desenvolve. Werner recém-nascido é realmente entregue à tia que o protege até às últimas instâncias e Werner adulto enfrenta os pais de Rebecca Lynch, a bonita herdeira por quem se apaixonou.

Só mais tarde na ação, conhecemos os pormenores escabrosos do passado e que tanta influência têm nas vidas de Werner e Rebecca.

"O Último dos Nossos" é o segundo romance da jornalista e escritora Adélaïde de Clarmont-Tonnerre. Este livro venceu o Grande Prémio do Romance da Academia Francesa e foi finalista do Grande Prémio do Romance Elle.

Perfeito para ler nesta tardes chuvosas de fim-de-semana.

* * *

Enquanto terminava este, tive de dar uso ao Kindle que o meu excelso homem me ofereceu no Natal. Mandei-me aos livros gratuitos da Amazon e retirei alguns títulos que me pareceram interessantes. Nota prévia: muitos dos livros "portuguese edition" da Amazon são na verdade português do Brasil. Nada contra, já li muitos assim, é apenas uma chamada de atenção aos incautos. 

Comecei com "Razão para Matar", de Blake Pierce, o primeiro da saga da Detetive Avery Black, uma ex-advogada caída em desgraça por ter libertado um serial killer, e que se torna detetive do Departamento de Homicídios de Boston. 

Neste primeiro caso, Avery tem de encontrar um assassino que tende a matar jovens mulheres e a posicioná-las, em locais públicos, como se de um quadro se tratasse. Uma corrida contra o tempo, uma série de mal-entendidos, questões pessoais por resolver... tudo isto mostrará ao público e aos colegas a mente brilhante de Avery. Um daqueles thrillers como eu gosto!!! 


Findos estes, comecei a ler "Génesis" de Tom Fox. Este em português de Portugal. Ainda estou nas primeiras páginas, mas no Google este livro aparece com uma média de 3,8 estrelas em 5 possíveis.

Sinopse:
Em Roma, no interior da Basílica de Santa Maria, um padre dispara uma arma, provocando um grande estrondo.
O disparo falha o seu alvo, a agente Gabriella Fierro, que anda a investigar desvios de fundos numa igreja. Ela está prestes a descobrir a verdade, mas há quem tudo fará para que a verdade permaneça escondida.
Agora, o jornalista Alexander Trecchio, destacado pelo jornal La Repubblica para investigar o mesmo caso, terá de agir rapidamente para revelar uma conspiração que ameaça o futuro da Igreja Católica e ainda salvar Gabriella, antes que seja tarde demais.

Entretanto, resgatei da coleção da minha mãe, dois livros de José Rodrigues dos Santos: "O Homem de Constantinopla" e "Um Milionário em Lisboa", sobre Calouste Gulbenkian, cuja herança permitiu criar, em Portugal, a Fundação com o seu nome. 

E juntando aos que comprei recentemente, e aos que vão engordando as minhas estantes, e, ainda, aos que descarreguei para o Kindle, diria que tenho aqui muita sarna para me coçar nas próximas semanas.  








quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Balanço de Natal

Estes dias têm sido parados por aqui; não na vida real, esta que tenho, para além do computador e do blogue. Com marido e filho de férias, com Natal, jantares e afins, o tempo que sobra não é muito. Houve um soprozito de vida na véspera de Natal, mas... pecadora me confesso... foi um post programado.

Mas, vamos ao importante: o balanço das minhas prendas de Natal, que foram/são relevantes para este espaço.

O maridão ofereceu-me um Kindle. Ainda estou a experimentar e a instalar livros... mas o primeiro contacto é positivo. Já usava o tablet para ler livros, mas nos dias de sol, tornava-se complicado. Com o Kindle já percebi que a ideia é mesmo simular as páginas dos livros e o sol não irá ser um impedimento. 

O meu irmão, sabedor... aliás, conhecedor em 1.ª mão do meu interesse pelo universo de Harry Potter - afinal de contas, foi a nossa mãe que promoveu a compra dos primeiros livros ainda eu era adolescente - ofereceu-me um copo Gryffindor. YEY.


Eu, durante as compras de Natal, encontrei algumas promoçõezinhas interessantes em livros. Acabei mesmo por comprar três para me oferecer. Umas prendinhas de mim para mim. Tem havido muito "ruído" acerca de "Os Loucas da Rua Mazur" e não resisti. Os outros dois comprei no Continente, estava um com 50% de desconto, e o outro com 40%.



quinta-feira, 16 de março de 2017

Silenciadas, de Kristina Ohlsson

Demorei uma pequena eternidade a ler. Aliás, nas últimas semanas tenho lido muito pouco, e quando pego num livro, ou no tablet, leio 2/3 páginas e logo coloco de lado, porque o cansaço acumulado é mais que muito.

Em janeiro, andámos à procura de casa. Projeto esse que colocámos de parte, e avançámos para obras na nossa casa... em fevereiro. Estamos a meio de março, e terminei esta semana, um livro que me acompanhava há mais que muito tempo.

"Silenciadas" de Kristina Ohlsson. Retomei a leitura do thriller escandinavo. E começamos logo  "bem". Estamos na Suécia. Uma jovem é surpreendida por alguém que a viola. Noutro cenário, um atropelamento. E num terceiro, um casal é encontrado morto na sua casa... uma carta suicida acompanha os cadáveres.

Fredrika Bergman, juntamente com a equipa de investigação de Alex Recht, é encarregada destes casos, aparentemente, desconexos.

Contrabando humano, crimes por encomenda... duas irmãs: uma morta e outra desaparecida... à medida que a polícia vai investigando, as pistas transportam os membros da equipa a factos ocorridos há mais de 20 anos.

É um bom livro de se ler, porque nas suas quase 350 páginas, "desvendamos" os casos e acompanhamos a intimidade dos protagonistas: a equipa do Departamento de Investigações Criminais. Conhecemos os problemas que os afetam a todos, e que pesam na concentração e atenção que estas pessoas dão às investigações que têm em mãos.

Sobre a Autora:
Kristina Ohlsson nasceu em Kristianstad, no sul da Suécia, e hoje vive em Estocolmo. É cientista política, ex-analista estratégica de segurança da Polícia Nacional da Suécia e trabalha como agente contra o terrorismo na Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Tommy e Tuppence Beresford, de Agatha Christie

Imagem retirada do site:
http://lynstone.com/tommy-and-tuppence
Dediquei-me a ler as histórias escritas por Agatha, cujos protagonistas são o casal Tommy e Tuppence Beresford - "o único casal utilizado pela autora em mais de um livro. Um detalhe interessante é que, ao contrário do que acontece na maioria das vezes, eles envelhecem entre um volume e outro" (wikipédia).

- Caminho para a Morte
Já sexagenários, Tommy e Tuppence visitam Tia Ada, que vive num asilo. Tuppence encontra uma velhinha, a Sra. Lancaster, que fala de alguma coisa atrás da lareira, de seu filho etc. A conversa é estranha e Tuppence resolve cavar mais fundo. O casal acaba por se envolver numa trama complexa, que leva a crer que a Sra. Lancaster não é assim tão louca como parece.

- N ou M?
Um agente inglês é morto na Escócia, durante a Segunda Guerra Mundial. Suas últimas palavras foram: "M ou N. Song Susie". Esse agente tentava descobrir nazis infiltrados no comando inglês. 
Já maduros, Tommy e Tuppence passam a colaborar com o Serviço Secreto Inglês na investigação. Para isso, hospedam-se em uma pensão repleta de velhinhas simpáticas e de homens de negócios, acabando por se envolverem em uma cerrada teia de crimes e espionagem.
- O Adversário Secreto
Este seria o primeiro livro da "saga". 
Inicialmente desempregados e sedentos de viver grandes aventuras, o casal de amigos Tommy e Tuppence se envolve na busca de Jane Finn, uma jovem desaparecida após o naufrágio de um navio de passageiros durante a primeira guerra mundial. 
Essa jovem guarda um importante documento que, terminada a guerra, apresenta informações comprometedoras para Inglaterra e os países aliados. Não apenas o governo, mas também um grupo de revolucionários quer ficar com a posse desses documentos, com o intuito de utilizar as informações numa importante greve geral que estão a organizar.

foram os três livros que já completei. Neste momento, estou a ler Morte pela porta das traseiras, ficando apenas a faltar O Homem que era n.º 16. Foram apenas cinco os volumes deste casal, e que seguem tal como foi acima dito, uma linha cronológica. 
No livro que estou agora a ler, Tommy e Tuppence estão a preparar-se para a reforma, e encontram-se a braços com a remodelação de uma casa recentemente adquirida. Inclusivamente, já têm netos. E, sem saberem muito bem como, envolvem-se na investigação de uma morte, aparentemente natural, há mais de 50 anos. 

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Policial... o meu género favorito

Dê lá por onde der, acabo sempre por ir "parar" ao mesmo: thrillers e policiais...

Os dois últimos (não tenho lido muito, confesso!) foram: Maigret e o Crime na Escola (Georges Simenon) e Quarenta Dias sem Sombra (Oliver Truc).

Comecemos por Maigret.

Maigret é procurado Joseph Gastin, professor na escola de uma pequena vila. Gastin é acusado de ter assassinado Léonie Birard, a antiga empregada dos correios.
Ninguém gostava dela porque era, particularmente, maldosa e maliciosa, ridicularizando as crianças e caluniando seus pais. 
Gastin implora a Maigret que prove sua inocência, encontrando o verdadeiro assassino. Maigret muda-se temporariamente para a pequena vila. A vítima vivia próximo à escola, motivo pelo qual Gastin é um suspeito óbvio, apesar de ele alegar que não estava lá no momento do crime. Talvez a solução para encontrar o assassino seja Maigret se tornar amigo de uma das crianças locais.

Trata-se de um livro muito... Maigret. Temos a ação inicial, temos uma investigação muito "sui generis", já que o Comissário é constantemente levado a seguir pistas erradas. Mas, no fim, a justiça prevalece. 

Em Quarenta Dias sem Sombra, a ação localiza-se na Lapónia. 

(sem dúvida, que vou do 8 ao 80)
Vencedor de 15 prémios internacionais.

É a última noite polar na Lapónia. O sol voltará a brilhar após quarenta dias ausente.Todos esperavam o retorno do tambor sagrado, que, acredita-se, permite a comunicação com o mundo dos mortos. Mas o tambor é roubado, causando comoção na comunidade. 
Pouco depois, um criador de renas é encontrado morto e mutilado no meio da neve. A investigação dos crimes é liderada por Klemet Nango e Nina Nansen, da Polícia das Renas. 
Os oficiais não poderiam ser mais diferentes entre si e precisarão enfrentar condições extremas de temperatura gélida e isolamento para resolver os mistérios.

Oliver Truc tem um segundo livro, protagonizado por Klemet Nango - O Estreito do Lobo. 

Gostei deste livro particularmente por retratar uma realidade que desconhecia, por completo - o do povo nativo lapão (ou sami). Sobre este grupo, diz-nos a Wikipédia que vivem num "território abrangendo partes das regiões setentrionais da Noruega, Suécia, Finlândia e da península de Kola, na Rússia. Habitam zonas serranas (fjäll), zonas florestais, zonas costeiras e fiordes noruegueses.
Os sámis são um dos maiores grupos indígenas da Europa, totalizando cerca de 70 000 pessoas, das quais 17 000 vivem na Suécia, 35 000 na Noruega, 5 700 na Finlândia e 2 000 na Rússia.
Os lapões falam um grupo de dez línguas distintas denominadas genericamente de sámi ou lapão, pertencentes à família daslínguas fino-úgricas (do grupo linguístico raro no qual se encontram o finlandês e o húngaro)."



sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Agatha Christie - Poirot, essencialmente

Agatha Christie escreveu para xuxu. É assim que consigo resumir a coisa. E apesar de já ter lido muitos dos seus escritos, há sempre um que não ainda não me passou pelas mãos.

E, nestas férias, terminei mais dois livros que envolviam o detetive belga, Poirot.

Comecemos então.

Tanto a RTP Memória como a Fox Crime estiveram em sintonia aqui há uns meses. A estação pública passou da 1.ª à 7.ª temporada e o canal de cabo passou da 8.ª à 13.ª. Um fartote de Poirot, portanto. Houve, contudo, episódios que ficaram a meio. A ideia, certamente, seria fazer as segundas partes dos mesmos, mas isso não aconteceu. "Perigo na Casa do Fundo", foi um deles.

"Apanhei" o livro. Hercule Poirot e Hastings estão a passar uma temporada no Hotel Majestic, na costa da Cornualha, quando conhecem Nick Buckley, uma bela jovem, proprietária da pitoresca "Casa do Penhasco".
Poirot fica muito impressionado com a jovem e decide ajudá-la, ao perceber algo peculiar a seu respeito que nem mesmo ela sabe: alguém está a tentar matá-la.

Depois disto, lembrei-me de procurar o primeiro livro onde surgiu esta figura: "O Misterioso Caso de Styles".
A meio da noite, os hóspedes da mansão Styles acordam assustados. A proprietária da casa, Emily Inglethorp, está, aparentemente, a sofrer um ataque cardíaco. Depois de algumas convulsões, acaba por falecer, não sem antes dizer o nome do marido.
As portas do quarto estavam trancadas por dentro e tudo indicava tratar-se de morte natural. Mas o médico da família levanta uma suspeita: assassinato por envenenamento. Todos os hóspedes da velha mansão, inclusivamente o marido e os enteados, John e Lawrence, tinham motivos para matar a Sra. Inglethorp, e nenhum deles possui um álibi convincente.
Para solucionar o crime, entram, em ação, o detetive Hercule Poirot e o Capitão Arthur Hastings.

Algumas curiosidades: 
- neste último livro, estão dois finais. Um deles é "alternativo", como é fácil perceber. A explicação para a morte da senhora é a mesma. A forma de a apresentar é que é diferente. Numa, Poirot apresenta a solução ao Juiz durante o julgamento de um dos presumíveis culpados. No outro final, a apresentação é feita numa sala na mansão Styles, com todos os intervenientes, como é recorrente nos livros de Agatha Christie. 

- O romance é narrado em primeira pessoa, pelo capitão Hastings.

- A história decorre numa enorme casa de campo, com alguns suspeitos, que escondem informações sobre suas próprias vidas. O livro inclui mapas da casa, da cena do assassinato e uma parte de um fragmento de um testamento.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Série "Dark"

Nestes dias de férias, terminei a série "Dark", da autoria de Anthony E. Zuiker, criador da série televisiva CSI,
Já tinha lido há uns meses o livro interativo "Grau 26" (pode ser consultado aqui). Neste livro, éramos apresentados ao maior caçador de monstros (leia-se assassinos em série psicopatas), Steve Dark. No livro, o "monstro" era Sqweegel, classificado com o maior grau de perigosidade: grau 26. 

Entretanto, "despachei" A Profecia Dark e As Revelações de Dark. Estes livros, temporalmente, passam-se cerca de 5 anos após o "Grau 26". 

A Profecia Dark: 
Anos depois da morte de Sqweegel, Steve Dark tenta endireitar a vida, e tenta recuperar a filha, Sibby. Contudo, surgem novos assassinatos. E desta vez, na trama intensifica-se, pois o criminoso é especialista na arte do tarot. E Dark precisará usar toda sua astúcia para detê-lo. Apoiado por um misterioso mecenas anti-crime que lhe fornece todas as tecnologias e acesso indiscriminado às cenas de crime, será Dark bem sucedido?  


As Revelações de Dark:
No último livro, o perito criminal Steve Dark precisa combater o maior e mais perigoso serial killer de sua carreira: Labirinto. Motivados por ideologias deturpadas, seus crimes, executados com requintes de crueldade em diferentes lugares do mundo, são antecedidos de charadas, quebra-cabeças e enigmas, que anunciam os próximos alvos e atiçam a atenção da imprensa. O caso envolve inúmeras vítimas importantes, sem mencionar agências do governo... 
Cabe a Dark, juntamente com uma equipe de elite montada a partir de uma comunidade internacional de investigação, encontrar Labirinto onde quer que ele esteja, e acabar de uma vez por todas com o caos.

A grande inovação!!! 
A série de livros pode ser lida como um qualquer livro tradicional, em qualquer lugar sem acesso digital… mas à medida que história avança, um nível mais profundo de imersão pode ser feito (por exemplo no site www.grau26.com.br), exclusivamente para os leitores, que terão acesso a conteúdo digital com vídeos, áudios e elementos interativos que complementam a trama. 
A cada vinte páginas do livro, o leitor encontrará códigos que permitem conectar-se a uma ciberponte: uma cena de até três minutos, legendada, com atores de filmes famosos e séries de TV premiadas.
Pessoalmente, li "normalmente" os livros, ou seja sem complementar com os vídeos, mas confesso que fiquei com curiosidade. Mas, e realço, não sinto que perdi fosse o que fosse, sem ter recorrido a esta tecnologia. 

quinta-feira, 23 de junho de 2016

A.J.Kazinski e Robert Galbraith (a.k.a. J.K.Rowling)

Não tenho estado parada nas leituras. 
Mais lenta, sim, que, por vezes, o cansaço mostra o rosto e não consigo fazer mais do que o essencial. Assim, terminei hoje "O Sono e a Morte" (A.J.Kazinski), e antes tinha lido "Vocação Para o Mal" (Robert Galbraith). 

O Sono e a Morte
O negociador da polícia dinamarquesa, Niels Bentzon, está de volta no segundo livro da dupla A. J. Kazinski, "O Sono e a Morte". 
Após os acontecimentos de "O Último Homem Bom", Bentzon investiga um enigmático suicídio, em que a vítima parece ter tirado a própria vida para fugir de alguém misterioso.
Enquanto trabalha no caso, Niels entra em um arriscado mundo em que a linha entre a vida e a morte parece vez mais ténue.
Os autores:
A. J. Kazinski é o pseudónimo dos escritores dinamarqueses Anders Rønnow Klarlund e Jacob Weinreich, que colaboram, pela segunda vez, numa produção literária.

 
Vocação Para o Mal
Quando um pacote contendo a perna decepada de uma mulher é entregue a Robin Ellacott, seu chefe, o detetive particular Cormoran Strike, suspeita de quatro pessoas de seu passado que poderiam ser capazes de tamanha brutalidade. Mas quando a polícia foca no suspeito que Strike tem cada vez mais certeza de que não é o criminoso, ele e Robin precisam correr contra o tempo para descobrir a verdade.
O autor:
Depois de O Chamado do Cuco e O Bicho-da-Seda, este é o terceiro romance da série escrita por Robert Galbraith, pseudónimo de J. K. Rowling - a famosa autora de "Harry Potter".