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terça-feira, 15 de outubro de 2019

Lido: O Conde de Monte Cristo - volume II, de Alexandre Dumas


Terminei a saga de Edmond Dantès. E com imensa pena. A história é sobejamente conhecida: Dantès é, injustamente detido, e passa 14 anos da sua vida no Castelo de If, onde acaba por conhecer o Abade Faria que lhe deixa uma enorme fortuna, caso consiga evadir-se daquela fortaleza.

Edmond consegue fugir e passa os 10 anos seguintes a planear a sua vingança contra todos aqueles que o prejudicaram. Vai também ajudar os que foram bons com ele.

Nem tenho palavras. É uma obra magnífica, das mais prazerosas deste ano, sem sombra de dúvida.

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Lido: As Aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain

Esta leitura foi feita no âmbito do Book Bingo Leituras ao Sol. Uma das categorias era escolher - de olhos vendados - um livro das estantes. Mas como as minhas prateleiras estão um caos, decidi fazer uma lista com alguns dos livros que tenho por ler, e sortear através da plataforma Random.

Calhou este. E em boa hora. Há uma companhia de teatro, aqui de Sintra, está a apresentar uma versão adaptada deste clássico infanto-juvenil, e eu queria muito levar o Henrique. Consegui terminar a leitura no dia preciso em que o levei a ver a peça.

Li esta obra no Kindle, e não tenho imagens, mas deixo aqui uma ilustração do livro, na sua versão original de 1884.


O livro é engraçadíssimo e a peça não fica atrás - just saying!!

Huck, como gosta de ser tratado, é o melhor amigo de Tom Sawyer. No final do livro As Aventuras de Tom Sawyer - que não li!! - os dois rapazes encontram algum dinheiro, e ficam ricos. Huck fica aos cuidados de uma senhora, a Viúva Douglas, e da sua (extremamente rigorosa) irmã. Contudo, o rapaz sente-se aprisionado naquela vida: ter de frequentar a escola, vestir roupa, calçar sapatos apertados, ter maneiras... para alguém habituado a ter toda a liberdade do mundo, isto é tortura.

Um dia, depois de ter sido aprisionado e ameaçado pelo pai, decide simular a sua morte e consegue fugir. Durante a fuga, encontra Jim, o escravo da Miss Watson (a irmã da viúva), que aproveitou a confusão levantada pela suposta morte de Huck, e também fugiu, dado ter ouvido Miss Watson dizer que o ia vender.

O livro segue as aventuras que estas duas personagens - tão diferentes - vivem ao longo do Mississipi, as pessoas que conhecem, os mal-entendidos que se geram... é um livro fabuloso. Depois de o ler, recomecei - com o Henrique - a ver os desenhos animados do Tom Sawyer, e o entusiasmo ainda não se perdeu.

Quanto à peça - vale a pena ser vista. Aos sábados e domingos, na Quinta da Ribafria, em Sintra. Até 15 de setembro.


sábado, 25 de maio de 2019

Lido: As aventuras de Tom Bombadil, de J.R.R. Tolkien

Não adorei. Tenho de ser honesta, senão não estou aqui a fazer nada.

Metade do livro são poemas - a parte mais penosa, para mim. E a outra metade são três pequenas novelas, que, sem dúvida, gostei muito mais.

Tentei intercalar, mas cada vez que começava a ler um poema, desatava a bocejar, independentemente das horas do dia.

As novelas - O Ferreiro de Wootton Major, O Lavrador Giles de Ham e A Folha de Niggle - foram uma leitura muito mais agradável, e dentro daquilo que estava à espera.

A primeira passa-se em Woottoon Major, uma pequena localidade, que tem um hábito a cada 24 anos: reúnem todas as crianças de uma determinada idade e é-lhes servido um bolo especial, em que cada criança recebe uma pequena prenda. Numa dessas ocasiões, uma das crianças recebe (por engano?? - quem sabe?!) uma estrela mágica que revoluciona toda a sua vida e as próximas gerações da sua família.

O Lavrador Giles de Ham é um pouco parecida com a história do Alfaiate Valente: um lavrador que, erradamente, é considerado um herói por ter afugentado um gigante, é chamado para livrar a vila de um dragão. Plot twist no final.

Sobre o último conto, A Folha de Niggle: Niggle é pintor e, ao mesmo tempo, uma pessoa que não é capaz de dizer "não" a qualquer pedido que lhe seja feito. Um dia, a meio de uma grande obra, é levado para um local desconhecido e a sua resistência é posta à prova. Outro plot twist no final. Mais ou menos, vá...

As 4 estrelas que dei foram, essencialmente, por causa dos contos / novelas.  Como disse antes, logo no início, não adorei este livro, mas gostei - foi uma leitura muito interessante, e onde consegui distinguir aquelas coisinhas que fazem de Tolkien a grande referência na literatura de fantasia. Aquelas subtilezas onde o nosso amigo George R.R. Martin (entre outros) foi beber.

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Lido: O Conde de Monte Cristo - volume I, de Alexandre Dumas

No último Dia Mundial do Livro, tinha prometido a mim mesma não comprar livros. Tenho dezenas de obras que ainda não li, e mais um punhado deles que gostaria de reler, portanto... não iria comprar livros. Ponto final. 

Guess? Não foi ponto final. 

Acabei por comprar os dois volumes de O Conde de Monte Cristo (editora Relógio D'Água) que estavam na Wook com desconto de 20%. Chegaram no dia seguinte. E foi assim, a minha história. 

Queria ler esta obra... sei lá... desde há muito. E já terminei o volume I. O resuminho básico da obra: Edmond Dantès é um jovem marinheiro, com cerca de 19 anos, que regressa de uma viagem. Ao atracar, informa o armador que o capitão morreu durante a viagem. O senhor Morrel dá-lhe a entender que este infortúnio poderá levar a que Edmond se torne, ele, capitão do barco. Danglars, guarda-livros do barco que não gosta de Edmond, informa Morrel que Edmond os fez "perder tempo" com uma paragem na Ilha de Elba, local onde Napoleão estava exilado. 

Edmond vai visitar o pai e a noiva, mais do que feliz, com a notícia da promoção iminente. E logo começam os preparativos para o casamento. 

Assim, começa a obra. Sendo O Conde de Monte Cristo um clássico, já várias vezes levado aos ecrãs de cinema, sabemos que isto não é assim tão linear. 

Uma tramóia entre várias pessoas que, por variados motivos não gostam de Edmond, leva a que o jovem marinheiro seja encarcerado durante alguns anos no Castelo de If, uma fortaleza/prisão no meio de uma ilha. Aí, acaba por conhecer o Abade Faria que toma para si a missão de instruir Edmond, nos anos seguintes de prisão. Antes de morrer, o Abade diz a Edmond o local onde está escondida uma fortuna que fará dele um milionário quando sair de If. 

Basicamente, o ingrediente principal daquela que está a ser uma das leituras mais entusiasmantes desde ano, é a vingança. Que como sabemos é um prato que se serve frio. 

Neste primeiro volume, começamos a conhecer todos os esquemas que um Edmond mais velho e mais calculista pretende levar a cabo para atingir e destruir os seus inimigos, aqueles que o fizeram perder alguns dos seus melhores anos. Ainda não temos a imagem toda, mas vamos lendo fragmentos, e isso leva-nos a querer mais. O segundo volume está ali, à minha espera. 

O Conde de Monte Cristo entra nas minhas leituras da maratona literária Volta ao Mundo em 15 Citações, no desafio "França". 

Citação escolhida:
"Por fim, caiu do alto do seu orgulho e dirigiu as suas súplicas não a Deus, mas sim ao homem. Deus é sempre o último recurso. Os infelizes que deveriam começar por Deus, não têm qualquer esperança nele até esgotarem todas as outras hipóteses". 

domingo, 12 de maio de 2019

Lido: A morte de Ivan Ilitch, de Lev Tolstoi

Julgo que foi no início do ano que ouvi falar deste livro e fiquei bastante curiosa. Desde há algum tempo que ando a trabalhar numa lista de livros dos clássicos russos que gostaria mesmo de ler, e este A morte de Ivan Ilitch, apesar de ser uma obra pequenina (91 páginas), colheu grandes elogios. 

Na minha mais recente visita à biblioteca, trouxe-o. E, realmente, li-o rapidamente, e em apenas dois fôlegos. 

A morte de Ivan Ilitch não é spoiler - o título dá-nos uma pista, certo? - e acontece logo nas páginas iniciais. Ivan Ilitch é um juiz, de caráter ambicioso, que um dia começa a sentir-se mal. O livro é, basicamente, uma reflexão sobre escolhas, sobre a condição humana, as relações interpessoais e a morte. O corpo começa a deixar de responder, a definhar... até ao suspiro final. Revemos toda a vida do protagonista e acompanhamos o seu sofrimento, a busca pelo alívio às dores que sente e que Tolstoi consegue transmitir perfeitamente, o isolamento e a angústia. 

É um livre fácil de ler, mas não é fácil de apreender. Como já disse, assistimos ao definhar de uma vida humana, e para quem já perdeu pessoas próximas, não é algo que se leia de ânimo leve. 

Dei 4 estrelas - daria 4,5, mas já sabemos que o Goodreads não o permite... bad bad, Goodreads!. A razão é simples: o senhor podia ter sido operado, e teria poupado toda a família de uns meses constrangedores e sofríveis. Ivan Ilitch tinha posição, reputação e dinheiro. Consultou "n" médicos e houve um que lhe disse que era possível proceder a uma operação - o problema era no apêndice - e o homem não avançou. 

A vida com a mulher era miserável. No final dos seus dias, odiava-a, bem como aos filhos, porque não compreendiam a dor dele, mas era evitável. Mesmo no fim, ainda pensou nisso, mas depois começou novamente com dores, e desistiu, preferindo entregar-se à morte. 

Em termos de reflexão para a questão da morte, é uma obra fantástica. 

A morte de Ivan Ilitch conta para a maratona literária, no desafio "Ex-URSS" e também para o projeto #lermaisbiblioteca2019 que, descobri agora, foi lançado pela Isa do canal Jardim de Mil Histórias, no final de 2018, durante a minha estadia no "hotel" Fernando da Fonseca a.k.a Hospital Amadora-Sintra. 

Goodreads Reading Challenge: 39/45

Citação escolhida:
Ele ouviu estas palavras, e repetiu-as na sua alma. «Acabou a morte! - pensou. - Ela já não existe». Aspirou o ar profundamente, não acabou a aspiração, inteiriçou-se e morreu.

domingo, 17 de março de 2019

Ouvido: A Volta ao Mundo em 80 Dias, de Júlio Verne

A estreia total e absoluta em audiobooks. Esta semana, com o aniversário do pequeno, fiquei "de gatas", cansada como ninguém imagina - corre para ir encomendar o bolo, corre para ir buscar, corre para comprar a prenda, corre para comprar as prendinhas dos colegas que também fizeram anos, corre para comprar balões e saquinhos para as lembranças dos convidados... uma correria.

Contudo, apesar de todo o cansaço - e com duas insónias pelo meio da semana - não queria deixar de ler. Mas, quando pegava num livro, era para o largar logo de seguida. E pensei para comigo "e que tal, Cristina Maria, experimentares ouvir um livro?".

E assim foi. No meu ouvidinho, passei a ouvir, enquanto andava no meu lufa-lufa, as aventuras de Phileas Fogg ao redor do mundo. Sei que tenho este livro em formato físico... algures na minha casa de família. Numa das mil mudanças que fiz no meu antigo quarto, devo tê-lo guardado/encaixotado. Junto de outros livros que agora me "fazem falta" como de pão para a boca (talvez, esteja a exagerar um bocadinho... talvez!).

É um livro curtinho, que "despachei" em 3/4 audições.

A Volta ao Mundo em 80 Dias é um daqueles clássicos que, julgo, dispensa apresentações. Phileas Fogg, um gentleman inglês, aposta, com os seus companheiros, do "club" a que pertence, que conseguirá dar a volta ao mundo em 80 dias. Acompanhado do seu secretário/criado pessoal, Passepartout, Fogg embarca numa viagem inesquecível - seguido de perto pelo inspetor Fix, que o confunde com um ladrão de bancos.

Goodreads Reading Challenge: 26/45




sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Lido: 1984, de George Orwell


Guerra é paz,
Liberdade é escravidão,
Ignorância é força.


Este livro fazia parte da minha lista de desejos de aniversário do ano passado. Quase um outro ano volveu e só agora concretizei esta leitura há muito desejada.

Escusado será falar deste livro. Publicado em - atentem - 1949, "1984" é uma distopia cuja ação se passa neste ano. O local? Oceania. O mundo está dividido em três grandes blocos e a Oceania é o maior dos impérios, governa toda a América, Islândia, Reino Unido, Irlanda e grande parte do sul da África, claro, a Oceânia. As outras nações são a Eurásia e a Lestásia - todas em conflito permanente. Aliás, o conceito de "guerra permanente" é bastante explorado na obra.

Seguimos Winston Smith, um funcionário do partido - no departamento de registos - que está em constante conflito com as suas ideias sobre o Grande Irmão, a entidade que tudo vê, tudo ouve e tudo controla.

[2+2=5]

Enquanto lia esta obra, arrepiava-me ao estabelecer algumas comparações com aquilo que este mundo já viu e não há muito tempo. O estado controlador que determina como vestir, como falar, como pensar, o que fazer e quando o fazer... e tendo em conta a época em que foi escrito, é impossível não fazer paralelismos com os grandes regimes totalitários: Mussolini, Hitler e Estaline - aliás, sem o dizer diretamente, a figura do Grande Irmão é Estaline, e a Oceania é governada a punho como no regime soviético. O unipartidarismo, a existência de campos de trabalho, a tortura aos dissidentes, etc, etc, etc.

5 estrelas sem dúvida. Ler "1984" devia ser obrigatório, e culpo-me por ter demorado tanto. Li em ebook, mas será, sem dúvida, uma compra a efetivar no futuro para reler e reler.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Lido: A Pianista, de Machado de Assis

Com a oferta do Kindle no Natal de 2017, criei uma conta na Amazon para, de vez em quando, conseguir uns livrinhos fixes, a preços simpáticos (ou de graça, vá!). E, quase todos os dias, recebo mails da empresa com as promoções do dia.

Por zero euros, adquiri "A Pianista" de Machado de Assis, publicado em 1866. A ação passa-se em 1850, no Rio de Janeiro.

Malvina é uma jovem, bem parecida, elegante, simpática e de boas maneiras. Apesar de não ser de uma família de posses, a jovem é professora de piano, logo, é assídua nas casas de algumas das melhores famílias e essa profissão era a única forma de se sustentar, bem como a mãe, uma pobre mulher viúva.

Entre as meninas a que Malvina dava aulas de piano, contava-se Elisa, filha de Tibério Valença, um homem conservador e algo severo, com mentalidade colonialista e monárquica. Tomás, irmão de Elisa, cai de amores por Malvina.

O pai, que queria que os filhos casassem apenas com pessoas da sua classe social, manda Tomás para a Bahia, para o afastar da bela pianista.

Tudo o que vem depois, é spoiler. Este conto é tão simples, tão delicado, quase inocente que, à primeira vista é apenas uma história de amor, mas, um olhar mais atento vê que é tudo menos isso. As desigualdades sociais, as hierarquias, o papel da mulher, o papel do homem - tudo é escrutinado nestas poucas páginas. Tibério, sim, é o grande protagonista.

De quando em quando, vale a pena ler o que se escrevia do outro lado do Oceano, quando, por cá se discutia a Questão Coimbrã.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Lido: Uma agulha no palheiro, de J.D.Salinger

Terminei ontem à noite, mais este clássico da literatura: The catcher in the rye / Uma agulha no palheiro de J.D. Salinger. Já tinha lido este livro há muitos muitos anos, m
as já não me lembrava de uma única linha.

Holden Caufield é um adolescente que é expulso do colégio alguns dias antes das férias de Natal. E como todos os adolescentes, odeia tudo à sua volta.

Antes de mais, fica a ressalva: ele já foi expulso de outros colégios. E a família tem posses.

Assim, temendo a reação do pai, Holden opta por voltar para casa apenas no dia em que entraria de férias, altura em que os pais já teriam também recebido a comunicação da escola, e vai para Nova Iorque, para um hotel durante esses diazinhos. Ele, um rapaz que nasceu, ali mesmo, na cidade, já viu tudo, já frequentou todos os estabelecimentos... logo nada lhe suscita qualquer prazer. Passa os dias a beber ou a meter-se em encrencas.

O livro é visto todo na primeira pessoa - Holden - e, enquanto leitores, acedemos à narrativa através da linguagem de um adolescente nova-iorquino, aborrecido com tudo e todos, e sem um objetivo. À medida que o livro vai avançando, apercebemo-nos que a única pessoa por quem ele nutre amor verdadeiro é pela irmã mais nova.

Phoebe é a única capaz de trazer Holden à terra, e é ela que o convence a ficar em Nova Iorque, a enfrentar os pais e a não fugir para o interior.

Essencialmente, este é um livro sobre os dramas da juventude. Localizando o livro à época - 1951 - trata de problemas dos jovens daquele tempo. Não podemos esperar que os nossos adolescentes tenham os mesmos sentimentos, mas, quase se pode dizer que é um livro que rompe com o que seria aceite em famílias de bem.

Holden é, no fundo, um rebelde. Chumba, é expulso de vários colégios, bebe, fala de sexo... os dias em que passa em Nova Iorque, praticamente, sozinho são usados para pensar e tentar formular um sentido para tudo o que acontece. Relembra, muitas vez, o irmão que morreu e que era o seu melhor amigo, e no quanto ele era inteligente e esclarecido.

Não posso dizer que amei de paixão este livro, mas também não odiei. Ficamos assim num 60/40 maroto, a pender para o "gostei".  Uma curiosidade: seria o livro que o assassino de John Lennon transportava consigo, quando esperava pela polícia.

sábado, 29 de dezembro de 2018

Lido: Mataram a Cotovia, de Harper Lee

Como pude desleixar-me a este nível, senhores? Como?? Há muito tempo - mesmo muito tempo - que o livro "Mataram a Cotovia", de Harper Lee, estava na minha wishlist.

Contudo, a minha postura perante os clássicos tem sido sempre na onda do "eles, dali, não saem". E a verdade, é que há clássicos que envelhecem bem, e mesmo passado, meio século, continuam brilhantes.

"Mataram a Cotovia" tem-se tornado, ao longo dos anos, aquele livro que, quando o olhava, pensava no dia em que o leria. Há anos que o "namorava", há anos que passava a mão pela capa, há anos que via o título da edição portuguesa ser alterado... há anos...

Cinco dias foi o espaço de tempo entre pegar nele e terminá-lo. Pelo meio, houve a Consoada e o Dia de Natal, em que nem sequer lhe toquei. Por isso, na prática, foram apenas três dias. Ao longo de todos estes anos, nunca li a sinopse, nem sobre o que se tratava exatamente... tinha um feeling que ia gostar! E, às vezes, nesta coisa dos livros, gosto de confiar nos meus instintos.

Estamos no sul dos Estados Unidos da América, depois da Grande Depressão de 1929. As pessoas ainda tentam respirar, depois do crash económico e, as aparências são tudo. Scout e Jem são dois irmãos, filhos de Atticus, um advogado viúvo. Os dois miúdos são educados, por um lado, de forma bastante relaxada, mas ao mesmo tempo, têm conhecimentos acima da média, devido à curiosidade instigada pelo pai.

Um dia, conhecem Dill, o sobrinho de uma vizinha, e as férias de Verão tornam-se subitamente mais entusiasmantes, quando o jovem os instiga a conhecer o misterioso vizinho da casa ao lado que, reza a lenda, não sai de casa há mais de 25 anos. A vivência dos irmãos torna-se, assim, mais interessante - um interesse que se prolonga pelo ano letivo - e a nós, leitores, que também nos sentimos impelidos a ir lá bater à porta.

Ao mesmo tempo, Atticus está envolvido, profissionalmente, num caso bastante complexo. Um jovem negro é acusado de ter violado uma jovem branca. Estamos a meio dos anos 30, nos Estados Unidos - não esqueçam. A defesa do réu, Tom Robinson, absorve Atticus e faz vir ao de cima os preconceitos da comunidade de Maycomb. Scout e Jem são alvo de bullying, por parte dos colegas, por causa do pai ter aceite o caso.

O livro é todo narrado por uma Scout já crescida, que, no início do livro, ainda não tem 6 anos. Jem terá 9, quase 10 anos. E termina quando Jem parte o braço, pouco antes de fazer 13 anos. Temos todo este período de tempo em que lemos sobre o preconceito, a ignorância, a vivência de pequenas cidades sulistas, a interferência da religião... ao mesmo tempo que assistimos ao crescimento dos irmãos Finch.
Atticus é um exemplo. Naquela altura, ter ficado viúvo, com dois filhos pequenos, ter de lidar com essa tragédia pessoal e, simultaneamente, manter as suas convicções e a sua moral, e esforçar-se por transmiti-las aos filhos... é de aplaudir!

Gostei muito muito de "Mataram a Cotovia". É um livro muito simples de ler, com uma linguagem muito acessível, mesmo a descrever coisas tão feias como aquelas que Scout testemunha e nos conta. A nossa narradora quando nos começa a contar a história já é crescida, mas dá-nos a perspetiva dela enquanto criança que vivenciou os acontecimentos. E acho que este é um dos pormenores que tornam "Mataram a Cotovia" tão interessante.

Se ainda não leram, vão ler. A sério. Não façam como eu.

sábado, 3 de novembro de 2018

Lido: O espião que saiu do frio, de John le Carré

Comprei este livro há muitos anos, por meia-dúzia de cêntimos, numa feira algures na Praia da Vieira. Sei que o li. Mas, na verdade, foi como se o tivesse lido pela primeira vez: as minhas memórias eram quase nulas. Só me lembrava dos instantes iniciais quando o protagonista vê morrer, à sua frente, um dos seus colaboradores, baleado por militares alemães, do "outro lado da Cortina".

Pouco há a dizer sobre O espião que saiu do frio - um livro, editado em meados de 1963, que já foi lido por milhões de pessoas.

Leamas, espião britânico, quer-se reformar. Com 50 anos, sente-se assoberbado com o trabalho e pretende "deixar o frio". Contudo, é chamado para uma última missão: tem de se infiltrar no seio do inimigo para proteger a identidade de um espião que faz jogo duplo.

A atual geração de leitores e amantes de cinema já leu (e viu) muito James Bond, muito Ethan Hunt, muito Bourne e, talvez - só talvez - não consiga ter ideia do que este livro significa: estamos a falar de uma obra de espionagem que foi escrita e lançada em plena Guerra Fria, em que os movimentos pró-EUA ou pró-URSS estavam em ebulição.

É isto que me fascina nestes livros antigos - O espião que saiu do frio, foi considerado, em 2005, pela revista Time, como um dos 100 melhores romances de todos os tempos - é aquilo que podemos ler nas entrelinhas, se nos pusermos no tempo e ação do que estamos a ler. Hoje, há muitos romances históricos, thrillers históricos, que nos tentam localizar naquele tempo e naquela ação. O espião que saiu do frio foi escrito numa altura... bélica... por assim dizer e Carré não nos poupou nem um bocadinho, quando se tratou de descrever o sentimento reinante entre os agentes ativos.

Este livro pertence à coleção Minerva de Bolso, e data de 1973 (10 anos antes do meu próprio nascimento). Considerei-o como "thriller" para o Livropólio, a maratona literária em que estou a participar, desde 5 de outubro.

Mais espionagem (com desconto) na Wook: 

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sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Lido: A Túlipa Negra, de Alexandre Dumas

Há poucas semanas, vi, na Netflix, a série Os Três Mosqueteiros - fiz aqui uma brevíssima referência a esta série ao falar do ator Tom Burke (que interpreta o Athos), que atualmente, "é" Cormoran Strike da série de Robert Galbraith.

Ver Os Mosqueteiros fez-me ter vontade de ler clássicos.

E uma das grandes vantagens do Kindle é conseguir ter na mala vários clássicos, e puder-me "esticar" com o número de livros que posso ir lendo.

Por outro lado, podia ter começado a ler Os Três Mosqueteiros, já que estava imbuída do espírito, mas, como aderi à maratona literária Livropólio, tenho objetivos a cumprir. Optei por A Túlipa Negra, do mesmo Alexandre Dumas.

A Túlipa Negra conta-nos a história de Cornélio, um jovem botânico que pretende vencer uma competição de túlipas: 100 mil florins a quem apresentasse uma flor negra, sem imperfeições.
Vítima de inveja de um vizinho e de um mal-entendido, Cornélio é preso e sentenciado à morte. No dia em que é detido, conhece Rosa, a filha do carcereiro e os dois jovens caiem de amores um pelo outro.

Já com o carrasco prestes a decapitá-lo, Cornélio é salvo da morte, por ordem do príncipe, mas sentenciado a prisão perpétua.

Pelo meio, o vizinho invejoso continua a querer ultrapassar Cornélio - a qualquer preço - e a relação com a bela Rosa sofre altos e baixos.

É uma história de amor intemporal, que se passa em 1672, brilhantemente escrita, porque temos um narrador que nos conta a história como se toda a ação se passasse diante dos seus olhos. Fala com o leitor, como se estivéssemos sentados no mesmo sofá. Cria proximidade e empatia com o leitor, sem serem forçadas. São apenas 223 páginas que se lêem num piscar de olhos, apesar do formalismo dos diálogos - Cornélio e Rosa, apaixonados, passam todo o tempo a tratar-se por "menina Rosa" e "senhor Cornélio".

Dei 5 estrelas no Goodreads. Achei que uma história tão simples, mas tão amorosa, e que ao mesmo tempo nos consegue instruir sobre o clima político da época - é uma história para 5 estrelas.