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domingo, 10 de maio de 2020

Lido: Úrsula, a maior, de Alice Vieira

Nesta fase das nossas vidas, não tenho comprado livros físicos. Foi uma opção que tomei, porque sou uma pessoa que já tive uma infecção cardíaca, tenho um esposo que, apesar de não ter doenças manhosas, tem pais que pertencem aos grupos de risco e tenho de pensar na saúde de todos nós. Diminuir o número de coisas a entrar, cá em casa, e que já tenham passado por uma dúzia de mãos antes de chegar até mim foi uma das decisões. E só entram as compras, porque temos de comer, senão...

Isto tudo para chegar onde... tenho comprado ebooks. Continuo portanto a contribuir para a compra de livros, mas num formato diferente. A Wook teve umas promoções jeitosas nos ebooks e comprei sete - acho eu. Um deles, Úrsula, a maior... as saudades que eu tinha de Alice Vieira eram assim uma coisa sem explicação. Não sei o que me deu, a sério.

Podia ter comprado outro qualquer, mas escolhi Úrsula, a maior, por me dar jeito para os projetos em que estou a participar, nomeadamente o "Vamos Chamar a Primavera", "Português é bom" e a maratona das Estações Literárias. Um 3 em 1 que soube à pré-adolescência.

Este livro tem um humor fantástico. Seguimos quase um ano na vida de Maria João, uma rapariga de 14 anos, de Lisboa, cuja mãe acolhe, lá em casa, a filha de uma amiga de infância. Maria João, filha de pais divorciados, não gosta de ter de partilhar o quarto, dado que, desde sempre, havia alguém naquele seu espaço.

A rapariga, Úrsula ou Xuxu como é chamada pela família, vem da província para estudar, e provém de uma família conservadora abastada. Xuxu mantém-se sempre discreta, só fala quando é diretamente interpelada, não ri alto, e, com 13 anos, já está de casamento acertado com Lau, um rapaz lá da terra.

Estas diferenças entre as duas raparigas são brutais, até porque Maria João é exuberante, "irreverente" como lhe chama a mãe, quer ser atriz do Teatro Nacional, tem uma cultura geral acima da média e uma liberdade de movimentos muito maior do que a ingénua e delicada Xuxu.

Maria João decide "transformar" Xuxu. Há medida que o tempo passa, Xuxu começa a sentir-se mais à vontade com Maria João e a família, dá-se, quase sem querer o desabrochar da menina que, decide por si mesma, soltar as amarras.

Uma leitura leve, descontraída, que me fez soltar umas boas gargalhadas - exatamente o que estava a precisar depois de mais de 50 dias de confinamento.

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