sexta-feira, 2 de março de 2018

Lido: Mil Sóis Resplandecentes, de Khaled Hosseini

"Não se podem contar as luas que brilham sobre os seus telhados
nem os mil sóis resplandecentes
que se escondem por trás dos seus muros".
Poema sobre Cabul, 
escrito por Saib-e-Tabrizi, no século XVII

Terminei, ontem à noite, o livro Mil Sóis Resplandecentes, de Khaled Hosseini. Esta obra não é, de todo, uma novidade; a data da 1.ª edição traduzida em português é de 2008... 10 anos, portanto.

Mil Sóis Resplandecentes é o 2.º romance do autor, editado logo após O Menino de Cabul (que agora quero mesmo ler!). E senhores, que livro... é tão poderoso, tão cru, tão real... fartei-me de chorar na recta final deste livro. 

 Khaled Hosseini apresenta-nos, logo à cabeça, Mariam... uma menina afegã que, percebemos imediatamente, é fruto de uma relação extra-conjugal entre Nana, uma mulher pobre, e Jalil, um milionário, já com três esposas e nove filhos. 

A primeira parte do livro é a calmaria antes da tempestade. Estamos nos arredores da cidade de Herat. Mariam tem 14 anos e vive apenas com a mãe, numa cabana, a poucos quilómetros da cidade. O pai visita-a todas as quintas-feiras e esse é o dia mais feliz de toda a semana, para Mariam. A mãe, Nana, faz todos os possíveis para que Mariam não se deixe deslumbrar pelas palavras do pai e diz-lhe que nunca será vista como filha daquele homem. 
Quando faz 15 anos, em 1974, pede ao pai que a leve ao cinema. O pai comparece ao combinado. Mariam decide descer à cidade e ir a casa do pai. Quando não é recebida, é trazida de volta a casa e encontra o corpo da mãe, pendurado numa árvore.

E começa a formar-se a tempestade.

Depois de uma breve passagem pela casa do pai e da sua numerosa família, é dada em casamento a Rashid, um homem 30 anos mais velho, que a leva para Cabul. Os primeiros tempos são, no limite, toleráveis, até que Rashid começa a revelar a sua verdadeira personalidade. 

Em 1978, nasce Laila, filha de Hakim, um professor, e Fariba, uma vizinha de Mariam e Rashid. Uma criança que vive rodeada de amor e com privilégios incontáveis. 

A segunda parte, dá um salto de nove anos, até à Primavera de 1987. Laila e Tariq, um vizinho, são os melhores amigos, e acompanhamos a evolução da situação política do Afeganistão a deteriorar-se a cada página, até à ascensão dos taliban.

Mil Sóis Resplandecentes é um retrato dos últimos trinta anos no Afeganistão (1974 até 2003), através da comovente história destas duas mulheres afegãs, que acabam casadas com o mesmo homem, e que se unem em nome de uma estranha amizade, nascida dos abusos que de que são vítimas.

Não hesitem! Se, por mero acaso, apanharem Mil Sóis Resplandecentes, agarrem-no, leiam-no e conservem num cantinho do vosso coração a bela história de Mariam e Laila. 

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