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segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Apresentação do novo livro de Luís Osório



«Guardei sempre essa mensagem, amor não tem prazo de validade, se o tentamos aprisionar já não é amor, será que o pai te amou na noite em que me fizeram?»

Uma dúvida inexplicável de Luís Osório, 46 anos, autor de meritório percurso e reconhecimento público, que após duas décadas de carreira mediática decide abrir o mais recôndito baú de memórias familiares e publicá-las, num impressionante testemunho, de alta intensidade literária, com a chancela Guerra e Paz, editores.

Em Mãe, promete-me que lês, o autor assume o repto do «livro mais arriscado e mais doloroso» do seu percurso de escrita, numa viagem a um passado no qual moram vivências extremas e devastadoras. O pai seropositivo e a vertigem depressiva que levou a mãe a tentar o suicídio, após descobrir a homossexualidade do homem amado.

Dez anos após a morte da sua mãe, Luís procura manter um diálogo pungente e terno, capaz de quebrar barreiras, com a mulher que mais amou e mais odiou. Aqui a literatura entra pelos territórios da realidade, a contamina-a, tornando tudo mais suportável.

O medo da perda, o medo da morte, o amor pela vida. Tudo cabe nesta confissão de Luís Osório. Uma obra na tradição europeia dos livros de escritores que se confrontam, com mais ou menos amor, com a figura materna.

De um desabafo sobram questões e um pedido: «Um dia prometes-me que lês? Consegues ler onde estás?» Que mais pode ele desejar? «Continua comigo, mãe.»

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