terça-feira, 3 de abril de 2012

A Beleza e a Tristeza

Yasunara Kawabata Nobel da literatura japonesa e um hábil escritor que consegue equilibrar a delicadeza e subtileza da alma japonesa contraposta a sentimentos como o ódio, a vingança e a perversidade.

Em «A Beleza e a Tristeza», evoca-se uma relação entre um homem de 30 anos, escritor e uma adolescente que para sempre marcará a vida de ambos. No centro da intriga uma destrutiva história de amor porquanto 25 anos depois o passado continua a ensombrar as suas vidas.

Otoko a adolescente, torna-se numa famosa pintora que vive em Quioto, local onde Okio escritor na casa dos 50, decide ir em vésperas de Ano Novo para voltar a ver Otoko, mais de vinte anos volvidos entre o breve e dramático romance que viveram. A jovem depois da morte do bébé prematuro, fruto do caso com Okio, entra numa espiral de loucura que conduz a um suicídio falhado. Recupera e com a sua mãe parte para uma nova vida em Quioto.

Okio, preso a um casamento conturbado e com dois filhos, escreve um livro que relata o seu caso com Otoko, publicado, e que se torna numa obra de grande sucesso. Vinte cinco anos depois decide ir a Quioto procurar Otoko…o reencontro é frio, pejado de uma dramatismo mudo.

Keiko a jovem e bela pupila que coabita com Otoko, de personalide intrigante, dramática e perversa, contagiada pelo sofrimento de Otoko decide vingar a sua mestra, tecendo um malévolo e obsessivo plano de vingança.

O paradoxo e a delicadeza das descrições contrastam violentamente com a perversidade da personagem, realçando os sentimentos de tristeza, de amargura que marcam a vida da família de Okio e de Otoko.

Um texto cristalino, incisivo e ao mesmo tempo maravilhosamente belo pela intensidade dos sentimentos que a cada página se desenham.

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