domingo, 12 de agosto de 2012

A Ilha das Trevas, de José Rodrigues dos Santos

Já li uns quantos livros deste jornalista, mas nenhum que gostasse tanto como "A Ilha das Trevas". Normalmente, digo que os livros de José Rodrigues dos Santos valem, essencialmente, pelo que se aprende, pelo trabalho de investigação e pelos factos.

"A Ilha das Trevas" é diferente. José Rodrigues do Santos, neste que foi o seu 1.º romance, não caiu no "erro" de romancear personagens, nem situações e contou os factos tal como eles aconteceram. Na nota final, disse ter ficcionado alguns diálogos, mas nada que choque o leitor... são diálogos que podiam ter acontecido exactamente naqueles termos; e a não ser que José Rodrigues dos Santos fosse um ser omnipresente e omnipotente é que poderia saber os diálogos "verdadeiros".

Em "A Ilha das Trevas" acompanhamos a situação timorense desde a saída de Portugal em 1975 e consequente invasão indonésia.

Acompanhamos essencialmente um personagem... Paulino Jesus da Conceição, que logo nas primeiras linhas do romance, vai confessar-se a um padre. Estamos em 2002 e Paulino pretende confessar um crime que cometeu durante a invasão - que havia começado há mais de 20 anos.

Aí recuamos até ao dia 1 da entrada indonésia, com os militares de Jacarta a chacinarem populações, jornalistas estrangeiros... passamos pelo massacre de Santa Cruz... a prisão de Xanana, entre muitos outros episódios sobejamente conhecidos por nós, portugueses.

Confesso que ler este livro foi bastante emotivo. Recordo-me das imagens do massacre do cemitério de Santa Cruz, e das manifestações que decorreram um pouco por todo o País, de forma a pressionar as autoridades a intervirem.

Este livros fez-me arrepiar algumas vezes, devido à violência das descrições de alguns momentos de matança pura, levados a cabo pelos indonésios. Momentos que sabemos terem acontecido, mas que chocam pela crueza com que foram cometidos. Foram estes momentos que ainda hoje me provocam mal-estar quando oiço a palavra Indonésia... o passado não pode ser apagado!

2 comentários:

  1. Já li todos os livros do José Rodrigues dos Santos e adorei todos! Já o admirava enquanto jornalista, parece-me uma pessoa excepcional e quando começou a escrever eu comecei (claro) a ler os livros dele. Já os li TODOS e adoro a forma de escrever dele e as tramas.
    A Ilha das Trevas tem o final mais arrepiante que alguma vez vi em ficção... O pior é que a História de Timor não foi ficção :( ... Como o próprio JRS disse uma vez: não houve um Paulino da Conceição... Houve MUITOS Paulinos da Conceição :(

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  2. Antes demais, Boa noite!

    Já li todos os livros do José Rodrigues dos Santos, mas este tocou-me como nenhum outro o fez.
    Trata-se da história de um passado muito recente do nosso país. No entanto, não me lembro com detalhes desse massacre, dado que ainda era muito nova.
    Lembro-me sim, do momento em que no comboio, fazendo a viagem Aveiro-Esmoriz, começo a ler a carta que Paulino da Conceição escreveu à sua mulher. Não me costumo emocionar com os livros, mas de facto esta carta marcou-me bastante, tendo eu de controlar com "força de leão" as minhas emoções.

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