segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O teu rosto será o último, de João Ricardo Pedro

Há bastante tempo que o livro do vencedor do prémio Leya de 2011 me "atormentava" sempre que olhava para ele. Como se me dissesse "Tu queres ler-me... vá... não te armes em difícil..." e outros mimos do género.

Aproveitei que estava de férias e já tinha terminado um livro - que merecerá o seu espaço de crítica, ainda esta semana - e comprei "O teu rosto será o último". Li-o em 2 tardes de piscina. Um total de 6/7 horas. Prendeu-me? Creio que este tempo recorde o poderá afirmar.

Este livro prende. É simples, directo, harmonioso... no fundo, seguimos as três personagens masculinas da família Mendes. O avô, Augusto, o pai, António, e o filho, Duarte.

O avô, médico, muda-se para o interior do País, e por lá fica. António Mendes parte, duas vezes, para comissões em África. E, resta-nos, Duarte, o talentoso que abandona o seu talento, por não querer depender dele.

Numa página, Duarte é um rapazinho feliz e quando damos por nós, já tem sulcos e cabelos brancos.

Sinopse:
Tudo começa com um homem saindo de casa, armado, numa madrugada fria. Mas do que o move só saberemos quase no fim, por uma carta escrita de outro continente. Ou talvez nem aí. Parece, afinal, mais importante a história do doutor Augusto Mendes, o médico que o tratou quarenta anos antes, quando lho levaram ao consultório muito ferido. Ou do seu filho António, que fez duas comissões em África e conheceu a madrinha de guerra numa livraria. Ou mesmo do neto, Duarte, que um dia andou de bicicleta todo nu.

Através de episódios aparentemente autónomos - e tendo como ponto de partida a Revolução de 1974 -, este romance constrói a história de uma família marcada pelos longos anos de ditadura, pela repressão política, pela guerra colonial.

Duarte, cuja infância se desenrola já sob os auspícios de Abril, cresce envolto nessas memórias alheias - muitas vezes traumáticas, muitas vezes obscuras - que formam uma espécie de trama onde um qualquer segredo se esconde. Dotado de enorme talento, pianista precoce e prodigioso, afigura-se como o elemento capaz de suscitar todas as esperanças. Mas terá a sua arte essa capacidade redentora, ou revelar-se-á, ela própria, lugar propício a novos e inesperados conflitos?

(sinopse retirada do site FNAC)


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