quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Memorial do Convento, de José Saramago

Saramago é um caso sério na minha vida. Li, inicialmente, O Ensaio sobre a Lucidez, passei ao As Intermitências da Morte, O Ano da Morte de Ricardo Reis, Ensaio sobre a Cegueira (vi 1.º o filme) e terminei ontem o Memorial do Convento.

E... não consigo decidir de qual gostei mais. O Memorial é uma obra gigantesca. Trata-se de um livro que não é de fácil leitura, é denso, grande e com escrita "à Saramago", com discursos directos e indirectos meio misturados que só alguém com "graduação" no autor consegue distinguir à primeira. Mas é um livro brilhante.

A acção do livro passa-se no início do século XVIII. O Rei D.João V promete erguer um convento para a Ordem Franciscana (o Convento de Mafra), acaso a Rainha engravide. Tal benção chega à família real e o Rei dá ordem para que se inicie a construção. Neste episódio do livro há uma crítica claríssima à nobreza e ao clero (os poderes da altura).

Por outro lado temos Baltazar Sete-Sóis e Blimunda Sete-Luas, unidos pela benção do padre Bartolomeu, um elemento do clero demasiado moderno e demasiado empreendedor para o que se esperaria de um padre.

O sonho do padre Bartolomeu é voar. Para tal constrói uma máquina de voar, a Passarola, e com a ajuda de Baltazar (que ajuda a erguer a máquina) e Blimunda (que recolhe as vontades das pessoas) consegue voar.

Mais tarde, sabemos que o padre Bartolomeu, enlouquecido é apanhado em Espanha pela Inquisição. Entre aventuras e desventuras, este livro descreve vários anos nas vidas de Baltazar e Blimunda, cuja última acção é a recolha da vontade do seu amor quando este foi apanhado pela Santa Inquisição e morto na fogueira.

Muito bem escrito, muito emocionante, muito angustiante... é muito Saramago.

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