terça-feira, 11 de julho de 2017

Novidade Tinta-da-China

São várias as novidades que esta editora tem feito chegar às livrarias. De todas, e apenas porque foram aquelas que me chamaram mais a atenção, destaco três: O Diário de Um Zé Ninguém (George Grossmith | Weedon Grossmith), O Casamento (Nelson Rodrigues) e Depois a Louca Sou Eu (Tati Bernardi). 

Diário de um Zé-Ninguém, G. & W. Grossmith
O relato épico de uma vida extraordinária: eis como não podemos descrever este livro. Charles Pooter está a meio caminho da vida, e decide começar a registar num diário os acontecimentos do seu dia-a-dia. É um homem de ambições modestas, satisfeito com o seu modesto emprego e a sua modesta mulher, menos satisfeito com o seu filho estouvado e os seus amigos impertinentes. No diário, anota as idas ao talho, a dificuldade de consertar o alpendre, o preço da engomadoria, as crises da criada, os devaneios da mulher, as tolices do filho, os serões de convívio com os amigos, a magnanimidade do patrão. Uma vida normal muito digna de nota, já que este zé-ninguém se tornou uma personagem cómica imortal, satirizando a classe média suburbana londrina do século XIX.

208 páginas
17,91€



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O Casamento, de Nelson Rodrigues
Em apenas 24 horas — aquelas que antecedem o casamento da bela Glorinha, menina dos olhos de seu pai —, Nelson Rodrigues concentra um desfile de todas as obsessões que tanto o mitificaram como o amaldiçoaram: adultério, incesto, moralismo, sexo e morte.
Sabino, o pai, é informado na véspera do grande dia que o seu genro beijou outro homem. O problema é que um casamento não se adia, nem que para isso a vida de todos os envolvidos fique virada do avesso: o gatilho pode ter sido um «fait-divers», mas a intensidade do que se sucede abala tudo e todos — e fez com que o livro fosse confiscado pela ditadura brasileira por constituir «um atentado contra a organização da família».

328 páginas
17,91€


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Depois a Louca Sou Eu, de Tati Bernardi
O primeiro ataque de pânico de Tati Bernardi, espirituosa cronista e guionista brasileira, foi num aeroporto em Paris? Ou foi deitada debaixo da cama dos pais da amiga Daniela, quando tinha seis anos? Também pode ter sido no supermercado, no desespero de não conseguir escolher um melão.
Talvez não seja possível determinar quando começou, mas a autora foi aprendendo a viver com a ansiedade — recorrendo a terapias convencionais ou muito alternativas, vários comprimidos, mantendo-se perto de lugares seguros ou, como acontece em Depois a Louca Sou Eu (livro que decidiu escrever num dia em que se convenceu mesmo de que o avião ia cair), através do humor.

Este livro é um desabafo autobiográfico que contém uma forte dosagem de honestidade frenética, com substâncias activas como medos, manias, taquicardias e desesperos, e que, contra tudo e por vontade da autora, ainda deixa espaço para uma gargalhada.

144 páginas
13,41€


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