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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Rapazes de Zinco, de Svetlana Alexievich

Já voltei ao trabalho, mas em julho, antes de regressar ao escritório, consegui ainda ler Rapazes de Zinco, da escritora Svetlana Alexievich. 

Dela já li: Vozes de Chernobyl, A Guerra não tem Rosto de Mulher e O Fim do Homem Soviético. 

Rapazes de Zinco tal como os outros livros são um chapadão que a autora dá no regime soviético. 

Entre 1979 e 1989, a União Soviética esteve envolvida numa "operação militar internacionalista especial" no Afeganistão. 
Se, oficialmente, esta era uma operação de manutenção da paz, no teatro das operações, milhares morriam ("rapazes de zinco" é referência aos caixões de zinco selados que transportavam os restos mortais dos caídos).

Para quem não conhece o estilo, os livros de Svetlana são documentários escritos. A autora conversou com pais, esposas,  veteranos e veteranas desta guerra e compilou as suas histórias que desmontam as todas as mentiras contadas pelo governo sobre o conflito. 

Desde os pobres equipamentos - ainda do tempo da Segunda Guerra Mundial - passando pela falta de mantimentos, água, abrigos, material médico, até ao apoio inexistente após o regresso, tudo correu mal. Mas, a versão oficial dizia o contrário: tudo perfeito e a decorrer conforme as expetativas. 

O conflito ceifou a vida de cerca de 15 mil soldados soviéticos e deixou mais de 450 mil feridos e doentes (com gravíssimos problemas psicológicos).

(mais uma vez, chorei horrores com os testemunhos das mães)

Depois da publicação do livro, várias mães de soldados e veteranos (influenciados por organizações militares) processaram a autora em tribunal no início dos anos 90. Alegavam que o livro destruía a memória dos soldados e que apenas pretendia atacá-los e retratá-los como assassinos. O livro inclui atas dos julgamentos. 

Tenho a sensação que sempre que leio um livro de Svetlana Alexievich, fico muito telegráfica, porque não é fácil falar sobre eles. Só lendo. Palavra de honra. 

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