Desde A Avó e a Neve Russa, tenho tudo o que ele escreveu - excepto A Devastação do Silêncio (está esgotado. Alguém tem para venda? Eu compro!).
Os livros dele, normalmente, são pequenos (até às 200 páginas). As histórias são, aparentemente, simples, mas com uma poética que não tenho encontrado com frequência em outros escritores. As linguagem é sempre muito cuidada e vejo em cada linha um carinho especial pela escolha de cada expressão. Nada está ao acaso.
O narrador de Quando Servi Gil Vicente é Anrique de Viena, o fiel servo do "pai" do teatro português (por esta altura, o Auto da Barca do Inferno ainda é uma cena nas escolas, certo?).
Após ter estado ausente durante alguns anos, Anrique regressa para acompanhar o mestre na reta final da sua vida.
Gil Vicente é, nesta fase, um homem velho, cansado e teimoso. E Anrique é aquele que o ampara, cuida e providencia tudo para que o velho mestre ainda possa escrever.
Neste livro, vamos acompanhar os dois homens em alguns momentos que misturam situações caricatas com outras mais emocionais.
Aviso já que a linguagem é diferente. Vamos ter um João Reis que encarna a linguagem do século XVI, o que para gentes do século XXI pode ser complicado.
Se anteriormente disse que João Reis tem imenso cuidado com a linguagem, neste livro, levou esse cuidado a um outro nível.
Não foi o meu preferido dele - a distopia Cadernos da Água ou A Noiva do Tradutor conquistaram-me o coração - mas é uma obra muitíssimo interessante.
Estava a esquecer de referir que li este livro no âmbito do clube de leitura "Regaleira de Livros". O tema de junho era autor nacional.

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