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quarta-feira, 1 de abril de 2026

Um tempo a fingir, de João Pinto Coelho

Gostava de conseguir dizer que estou perfeitamente dentro do timing da atualização do blogue, mas #sóquenão... 

Um Tempo a Fingir inseriu-se, sem querer, no tema do clube de leitura de Fevereiro. Lá, muito atrás no tempo. 
E sem querer porquê? Porque o tema era amor trágico ou tóxico e, sem querer fui bater com um livro que tinha os dois num só. Comprei este livro na Feira do Livro de Lisboa em 2025 e esteve a viver cá em casa, sem quaisquer responsabilidades desde então. 

Mas sobre o livro. Passa-se em Itália, em 1937, num vilarejo. 

Annina, a protagonista, relata-nos o momento em que o pai se suicida. Esse momento, marca, de forma simbólica, o adeus à infância. 

Nos primeiros capítulos, vamos tendo uma segunda voz a acompanhar-nos: Ulisse, o irmão mais velho de Annina, que vai preenchendo alguns espaços em branco ou corrigindo algumas imprecisões da irmã. 

Sabemos que Annina é judia, muito bonita e boa aluna. Contudo, a morte do pai obriga-a a interromper os estudos e a começar a trabalhar. Vai chamar a atenção de Marzio Falaschi, sobrinho do patrão - o mafioso local. Mas o coração de Annina pertence a Cosimo, um jovem tímido, com quem se envolve romanticamente e vai despertar a fúria de Marzio.

Obviamente, coisas boas não vão acontecer. Ela é espancada e fica completamente desfigurada, Cosimo oferece-se como voluntário para ir combater por Itália na guerra e a mãe e o irmão vão para Roma atrás de melhores oportunidades de trabalho.

Com a saída de Ulisses para Roma, deixamos de ter aquela segunda voz narrativa e passamos exclusivamente a ter a visão de Annina, que, compulsivamente, mantém um registo em diários sobre o que vai acontecendo. 

Não vou passar daqui a minha humilde descrição dos eventos do livro. 

Este é um daqueles que, no final, tem um twist que nos faz questionar cada capítulo. Não vou dizer se acaba bem ou mal (mas anos 30, Itália, judeus... noves fora - é só fazer as contas). Contudo, fui apanhada totalmente de surpresa com os capítulos finais, vou confessar. 

João Pinto Coelho é o autor de, por exemplo, Perguntem a Sarah Gross e Os Loucos da Rua Mazur - adorei ambos! E, em tempos idos, acho que disse qualquer coisa como: que leria as páginas amarelas se soubesse que tinham sido escritas por ele. 

Leiam muito e sejam felizes.