Tanto tinha ouvido falar deste livro, em particular, como da autora, que decidi avançar.
Não adorei, mas também não desgostei. É o problema dos livros com demasiado hype - e eu não o devia ter esquecido.
Marianne e Connell são dois adolescentes. Ele, o inteligente popular. Ela, a inteligente estranha. Enquanto estão no ensino secundário, começam uma relação, meio que às escondidas (mais tarde no livro, um dos amigos dele informa que "toda a gente" sabia, seja lá qual for o significado de "toda a gente").
E o livro é isto: o entra e sai da relação dos dois. Às vezes, estão juntos dias e afastam-se durante meses ou anos. Às vezes, estão juntos meses ou anos.
Mas o que me chateou é simples: 98% dos problemas deste casal resolvia-se se eles conversassem sincera e honestamente um com o outro.
O livro está giro. Está interessante q.b. para nos levar até ao fim para saber se ficam, definitivamente, juntos ou não.
A Marianne e o Connell são pessoas comuns, com problemas iguais aos de tantas outras pessoas com quem nos podemos cruzar: ela, de uma família abastada, mas cresceu sem sentir um verdadeiro amor familiar (um pai e irmão violentos e uma mãe, que para dizer o mínimo, é desligada da filha) e ele, vive só com a mãe, uma vivência muito simples, mas com calor humano e com o coração no lugar certo.
E, no fundo, acho que é esse o íman deste livro: acabamos por nos ligar e identificar com estas "pessoas normais", exatamente, porque, na maioria, também somos gente comum e entendemos os problemas que eles enfrentam.
É um livro que aborda muito a saúde mental. A Marianne tem a auto-estima a roçar a última camada da Terra e a ansiedade do Connell provocava-me ansiedade. E é com isto que eles vivem: os seus próprios fantasmas, a sua saúde mental nas ruas da amargura, mas com um amor improfessável um pelo outro.
Se se cruzarem com este livro e ficarem na dúvida, não a tenham: vale sempre a pena ler.
Nem que, no fim, me venham chamar todos os nomes, porque adoraram o livro - que, para mim, seria óptimo. Ou pelo contrário, me venham chamar nomes, porque o odiaram - um cenário muito menos perfeito. Mas leiam. Leiam sempre! Os canalhas odeiam isso.
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