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quinta-feira, 9 de abril de 2026

Amanhecer na Ceifa, de Suzanne Collins

Quando saí, em maio passado, da empresa onde trabalhava, a minha (agora ex-) colega de trabalho, farta e cansada de me ouvir falar de Hunger Games, ofereceu-me, em gesto de despedida, este livro Amanhecer na Ceifa. 

Depois de A Balada dos Pássaros e das Serpentes, onde nos é contada a história do Presidente Snow, agora temos a história dos Quinquagésimos Jogo da Fome - o 2. ° Quarteirão, que têm Haymitch como protagonista. O velho e bêbado mentor da Katniss e do Preto, e uma figura central do movimento que pretende deitar abaixo o Capitólio.

Haymitch nem devia ter sido colhido, mas estava no sítio errado na hora errada. No dia do seu 16.° aniversário.

Esta história vai buscar muitas personagens que conhecemos n' A Balada e muitas que conhecemos na trilogia original. Vamos encontrar uma Mags e uma Wiress na posição de mentoras. Um Plutchard a dar os seus primeiros passos juntos das entidades superiores, organizadoras dos Jogos, e a mostrar a sua verdadeira natureza de resistência. Um Beetee a mentorar o seu próprio filho. Como é que a Eddie entrou neste mundo tão diferente da sua natureza.

E todas estas pequenas histórias vão dar mais impacto e profundidade a certos acontecimentos, por exemplo, do 3.° livro da trilogia original. O sacrifício da Mags e a morte da Wiress que nem o Haymitch nem o Beetee puderam chorar, porque o objetivo era maior do que eles. 

Fiquei feliz por conhecê-los melhor, mas ao mesmo tempo com um sentimento de tristeza por perceber que havia algo mais por trás: uma amizade construída em cima de um mesmo trauma. 

Não vale a pena explorar os Jogos em si. Sangue, carnificina e crianças a morrerem. 

Mais um livro tremendamente bem conseguido de Suzanne Collins.

terça-feira, 7 de abril de 2026

Goa ou o Guardião da Aurora, de Richard Zimler

Conheci a família Zarco em O Último Cabalista de Lisboa, em 2018 (!!!). Juro que não tinha noção do tempo.


Há uns anos, comprei a saga sefardita inteira em ebook na Wook e, quando a Lua está Cheia, e a fazer um mortal encarpado em Mercúrio, lembro-me que tenho a aplicação no telemóvel e pego nos livros que lá tenho. 

Li Meia Noite ou o Princípio do Mundo em finais de 2022/inícios de 2023. E agora Goa ou o Guardião da Aurora, que se passa em finais do século XVI, na Índia. 

Neste livro, seguimos Tiago Zarco. Tiago está preso, pela Inquisição, e vai relembrando a sua história de forma a tentar perceber quem o terá denunciado - e ao pai - como judeus praticantes. Tiago lembra a mãe e os dias felizes antes da sua morte, e da sua vivência e de Sofia, a irmã mais nova. 

Tiago tem as suas suspeitas, mas o exercício de memória que faz, agrava o seu sentimento de vingança. E depois de cumprida a pena (levado para o Brasil e depois para Lisboa), Tiago regressa à Índia para finalmente buscar a justiça que acredita ser a merecida. Mas conseguirá mesmo? Ou o passado é um lugar que não devemos revisitar? Bem e mal, certo e errado... Mas o regresso é agridoce e tudo mudou nos anos de ausência.

Gosto de Richard Zimler. Gosto da forma de escrever e gosto das suas histórias. Os livros históricos são dos meus favoritos e a mistura entre ficção e realidade - onde começa uma ou a outra - fascina-me. E Zimler consegue fazer-me acreditar que os Zarco existiram mesmo. Com todas as suas qualidades e defeitos. 

Os livros de Zimler têm sempre um ritmo rápido. Há sempre algo a acontecer, mesmo quando parece que não. 

Conhecem Richard Zimler? Sim? Não? Busquem aqui no blog por outras resenhas de livros: O Último Cabalista de Lisboa, Anagramas de Varsóvia e O Evangelho Segundo Lázaro. Não se vão arrepender.

domingo, 5 de abril de 2026

O Discípulo, de Hjorth & Rosenfeldt

Como já havia comentado, decidi começar a ler a empreitada que é a série Sebastian Bergman.  

Sebastian, no final do primeiro livro, descobre que tem uma filha, fruto de um encontro casual com uma mulher, Hanna. Ele sabe quem a filha é e torna-se um verdadeiro stalker, obviamente, sem que ela o saiba.

Ao mesmo tempo, a sua antiga equipa, liderada por Torkel, investiga uma série de assassinatos.

Torkel já fez uma ligação: o modus operandis é igual ao de um caso de anos antes. Mas, o assassino está preso. E Bergman foi decisivo para a prisão do homem.

Como é que isto acontece? Tem contactos cá fora? É a mente por trás destas novas mortes ou simplesmente está a ser copiado?

Até ao momento, a falta de provas é crítica. E ninguém quer contactar Bergman, depois dos eventos do primeiro livro. 

Até que Sebastian, no meio de toda a confusão que é a sua vida, se apercebe destes novos homicídios. 
E faz de tudo para reintegrar a equipa. Até porque este assassino apenas ataca mulheres com quem Bergman já teve um caso. 
E qualquer uma delas pode ser o próximo alvo - até Hanna, a mãe da filha!

Volta e meia, regresso aos policiais. O meu fraquinho são os nórdicos, muito por culpa do falecido Stieg Larsson. 

Como este livro é o segundo da série ainda não houve uma quantidade proibitiva de pormenores que me esquivei de dar sobre Bergman e esta filha que ele descobre ter, mas, no futuro, deverá ser mais difícil contornar este arco narrativo essencial para o desenvolvimento da personagem. Vou tentar.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

O meu nome é Emilia del Valle, de Isabel Allende

Tema do clube de leitura para março: ler uma escritora feminista. 

Chimamanda - tenho para ler, mas não estava no mood. 

Comecei outros 2 e continuava sem estar no mood. Eu sou leitora já muitos anos, e raramente leio este ou aquele autor pelas posições que defende. Leio, porque gosto. Ou não leio, porque não gosto. 

E Isabel Allende é confortável. Allende é casa. Allende nunca desilude. Aliás, desiludida comigo fiquei eu por não me ter lembrado dela antes. 

Allende é histórias que nos obrigam a parar tudo. São as mulheres de garra que não se deixam intimidar.

E Emilia é mais uma dessas mulheres fortes que se junta ao largo corredor de  personagens saídas da imaginação de Allende.

A mãe da Emilia estava num convento. Entretanto, tem de fazer "serviço comunitário" e acaba por conhecer 2 homens: o diretor de uma pobre escola de bairro e um milionário chileno galã. Apaixona-se pelo segundo e engravida. Mas acaba por casar com o primeiro.

A Emilia nasce e sabe que aquele homem não é pai biológico dela, mas é ele que a cria e ela adora-o.

Ele, mais velho do que a mãe de Emilia, é louco por ambas e ensina à nossa protagonista tudo o que sabe. Especialmente a questionar, a ser curiosa e interessada pelo que a rodeia.

Isto tudo numa altura em que a mulheres ainda nem sequer votavam.

Emilia torna-se escritora (sob pseudónimo) e jornalista e vai cobrir a guerra civil no Chile.

Neste país, Emilia conhece o pai e uma tia. Conhece o Chile e as suas raízes. Apaixona-se pelo país e pelas suas gentes e, um dia, depois do fim da guerra não volta a casa: deixa o noivo (o seu colega jornalista) e parte para se descobrir pelo interior do Chile.

Goste-se ou não, Isabel Allende sabe contar histórias. E não tenho vergonha de admitir que gosto muito. 

O meu nome é Emilia del Valle não é uma A Casa dos Espíritos, mas é um romance que se lê muito bem. 


quarta-feira, 1 de abril de 2026

Um tempo a fingir, de João Pinto Coelho

Gostava de conseguir dizer que estou perfeitamente dentro do timing da atualização do blogue, mas #sóquenão... 

Um Tempo a Fingir inseriu-se, sem querer, no tema do clube de leitura de Fevereiro. Lá, muito atrás no tempo. 
E sem querer porquê? Porque o tema era amor trágico ou tóxico e, sem querer fui bater com um livro que tinha os dois num só. Comprei este livro na Feira do Livro de Lisboa em 2025 e esteve a viver cá em casa, sem quaisquer responsabilidades desde então. 

Mas sobre o livro. Passa-se em Itália, em 1937, num vilarejo. 

Annina, a protagonista, relata-nos o momento em que o pai se suicida. Esse momento, marca, de forma simbólica, o adeus à infância. 

Nos primeiros capítulos, vamos tendo uma segunda voz a acompanhar-nos: Ulisse, o irmão mais velho de Annina, que vai preenchendo alguns espaços em branco ou corrigindo algumas imprecisões da irmã. 

Sabemos que Annina é judia, muito bonita e boa aluna. Contudo, a morte do pai obriga-a a interromper os estudos e a começar a trabalhar. Vai chamar a atenção de Marzio Falaschi, sobrinho do patrão - o mafioso local. Mas o coração de Annina pertence a Cosimo, um jovem tímido, com quem se envolve romanticamente e vai despertar a fúria de Marzio.

Obviamente, coisas boas não vão acontecer. Ela é espancada e fica completamente desfigurada, Cosimo oferece-se como voluntário para ir combater por Itália na guerra e a mãe e o irmão vão para Roma atrás de melhores oportunidades de trabalho.

Com a saída de Ulisses para Roma, deixamos de ter aquela segunda voz narrativa e passamos exclusivamente a ter a visão de Annina, que, compulsivamente, mantém um registo em diários sobre o que vai acontecendo. 

Não vou passar daqui a minha humilde descrição dos eventos do livro. 

Este é um daqueles que, no final, tem um twist que nos faz questionar cada capítulo. Não vou dizer se acaba bem ou mal (mas anos 30, Itália, judeus... noves fora - é só fazer as contas). Contudo, fui apanhada totalmente de surpresa com os capítulos finais, vou confessar. 

João Pinto Coelho é o autor de, por exemplo, Perguntem a Sarah Gross e Os Loucos da Rua Mazur - adorei ambos! E, em tempos idos, acho que disse qualquer coisa como: que leria as páginas amarelas se soubesse que tinham sido escritas por ele. 

Leiam muito e sejam felizes. 

sábado, 7 de março de 2026

Graphic novels lidas

Em Fevereiro, também li duas graphic novels: O Corpo de Cristo, de Bea Lema, que me foi oferecido no Natal, e Radium Girls, de Cy. que comprei no Amadora BD de 2025. 

Fiquei apaixonada pela arte de O Corpo de Cristo no Amadora BD, mas obriguei-me a não comprar tudo o que gostava ou o ordenado do mês não iria chegar. Deixei-o lá, mas com um peso na consciência. 

Os meus cunhados tiveram dó de mim e, no Natal, deram-me. 

A arte é linda. Literalmente, o livro parece, todo ele, um bordado. Mas a história é tão delicada como a própria arte. 

Vera, a protagonista, conta-nos a história da sua vida desde a infância. A mãe, vinda de um meio ultra-religioso, convenceu-se que um demónio a vigiava. Isso tornou a vida daquela família, no mínimo, estranha. 

Para depois se perceber que a senhora sofria de psicose, com um nadinha de esquizofrenia e paranóia. 

À medida que Vera foi crescendo, foi também assumindo o papel de principal cuidadora da mãe: o pai escudava-se no trabalho e o irmão, simplesmente, não queria saber. 

Ou seja, temos mais uma história fortemente ligada à saúde mental e ao estigma que ela traz consigo e à redução da mulher como cuidadora. 

Um livro maravilhoso. 

A exposição do álbum Radium Girls provocou um certo impacto em mim, no Amadora BD. E foi um dos livros que fiz questão de trazer comigo. 

Conta a história real de um grupo de mulheres nos Estados Unidos na década de 1920.

Um grupo de jovens operárias trabalha na United States Radium Corporation, onde pintam os mostradores de relógios com uma tinta luminescente, à base de rádio. 

Através do método que usavam de molhar a ponta do pincel nos lábios, estas mulheres ingeriam quantidades insanas de rádio, sem saberem que era radioactivo. A empresa sempre lhes assegurou que era tudo perfeitamente seguro. 

Aos poucos, começaram todas a adoecer e a morrer. O livro foca-se na amizade entre as operárias e na luta jurídica que travaram contra a empresa, que tentou abafar o caso e culpá-las. 

Mais um livro maravilhoso. 

Estes sim, se conseguirem, leiam-nos. Recomendados a 1000% se tal fosse possível. 

quinta-feira, 5 de março de 2026

Pessoas Normais de Sally Rooney

No âmbito do clube literário a que pertenço, Regaleira de Livros, li, em Fevereiro, o livro Pessoas Normais de Sally Rooney - o tema era "Amor trágico ou tóxico".

Tanto tinha ouvido falar deste livro, em particular, como da autora, que decidi avançar.

Não adorei, mas também não desgostei. É o problema dos livros com demasiado hype - e eu não o devia ter esquecido. 

Marianne e Connell são dois adolescentes. Ele, o inteligente popular. Ela, a inteligente estranha. Enquanto estão no ensino secundário, começam uma relação, meio que às escondidas (mais tarde no livro, um dos amigos dele informa que "toda a gente" sabia, seja lá qual for o significado de "toda a gente"). 

E o livro é isto: o entra e sai da relação dos dois. Às vezes, estão juntos dias e afastam-se durante meses ou anos. Às vezes, estão juntos meses ou anos. 

Mas o que me chateou é simples: 98% dos problemas deste casal resolvia-se se eles conversassem sincera e honestamente um com o outro. 

O livro está giro. Está interessante q.b. para nos levar até ao fim para saber se ficam, definitivamente, juntos ou não. 

A Marianne e o Connell são pessoas comuns, com problemas iguais aos de tantas outras pessoas com quem nos podemos cruzar: ela, de uma família abastada, mas cresceu sem sentir um verdadeiro amor familiar (um pai e irmão violentos e uma mãe, que para dizer o mínimo, é desligada da filha) e ele, vive só com a mãe, uma vivência muito simples, mas com calor humano e com o coração no lugar certo. 

E, no fundo, acho que é esse o íman deste livro: acabamos por nos ligar e identificar com estas "pessoas normais", exatamente, porque, na maioria, também somos gente comum e entendemos os problemas que eles enfrentam.

É um livro que aborda muito a saúde mental. A Marianne tem a auto-estima a roçar a última camada da Terra e a ansiedade do Connell provocava-me ansiedade. E é com isto que eles vivem: os seus próprios fantasmas, a sua saúde mental nas ruas da amargura, mas com um amor improfessável um pelo outro. 

Se se cruzarem com este livro e ficarem na dúvida, não a tenham: vale sempre a pena ler. 
Nem que, no fim, me venham chamar todos os nomes, porque adoraram o livro - que, para mim, seria óptimo. Ou pelo contrário, me venham chamar nomes, porque o odiaram - um cenário muito menos perfeito. Mas leiam. Leiam sempre! Os canalhas odeiam isso.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Segredos Obscuros, de Hjorth & Rosenfeld

Já tinha lido este livro em 2018, mas como queria retomar a série Bergman, decidi voltar a lê-lo. E, na verdade foi como se o tivesse lido pela primeira vez, porque não me lembrava de absolutamente nada.

Um jovem desaparece em Västerås, uma cidade sueca. Roger, 16 anos... o desaparecimento é comunicado pela mãe à polícia.

Infelizmente, entra o fim-de-semana e muito pouco (nada, vá... sejamos sinceros!) é feito. A polícia assume que o jovem tinha saído para se divertir com os amigos. Chega a segunda-feira e o caso é entregue a um detetive que começa a trabalhar (muito lentamente e sem muito empenho!) no caso.

Até que o pior acontece e o corpo de Roger aparece. Sem coração. 

Uma brigada especial, chefiada por Torkel, é chamada a assumir o caso. E Sebastian Bergman, um antigo psicólogo que costumava trabalhar como profiler é integrado na equipa (com alguns votos contra de outros elementos da equipa. Sim, Ursula, estou a olhar para ti!).

Sebastian é um homem atormentado... perdeu a mulher e a filha, e não tem ninguém que lhe dê um rumo. Desde a tragédia tem afogado a sua própria mágoa em relações sexuais fortuitas e em álcool.

A mãe - não havia qualquer relação entre ambos - faleceu. No meio das coisas da falecida, encontra um molho de cartas, onde uma mulher, Anna, confessa estar grávida dele.

Sebastian não se recorda de quem é Anna, mas, no meio de tudo, saber que pode ser pai, acende nele qualquer coisa.

Tudo o que Sebastian faz a partir desse momento é apenas com uma coisa em vista: encontrar Anna e conhecer o/a seu/sua filho/a. E ser integrado na equipa de Torkel é apenas um passo na direção de encontrar Anna. 

Mas, a contragosto, Sebastian encontra neste caso algumas coisas que lhe aguçam a curiosidade, até que resolver o caso - não sendo a sua prioridade - é importante!

Muitos segredos que vêem a luz do dia, muito mistério, muita ânsia de descobrir o verdadeiro culpado, "o homem que não é um assassino"...

O livro está bem escrito. É daquele tipo de livros que nos "obriga" a virar página atrás de página atrás de página para descobrirmos o culpado. O final, sem ser absurdamente surpreendente, é bem costurado para nós fazer procurar o volume seguinte. 

Este homicídio fica resolvido, mas o arco se Bergman abre-se. Não. Escancara-se! E é aí que reside o sucesso deste tipo de livros. A receita é esta, vamos fazê-la render. E fazem-no bem. E, no fim do dia, é isso que importa.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Tudo é possível, de Elizabeth Strout

Em junho, durante a Feira do Livro de Lisboa, comprei o livro O meu nome é Lucy Barton, de Elizabeth Strout. 

Amei, adorei a personagem. 

Este livro não sendo uma continuação do arco de Lucy Barton conta-nos as histórias das pessoas de quem ela e a mãe falavam durante a estadia no hospital. 

Vamos mergulhar bem fundo na comunidade de Amgash, no Illinois, e conhecer algumas das suas pessoas: por exemplo, Tommy Guptill que teve, há muitos anos, uma quinta de produção de leite que ardeu, e que acaba por se tornar contínuo nas escolas de Amgash, onde conheceu Lucy Barton em criança, ou Patty Nicely, orientadora na escola secundária, que foi colega de escola de Lucy e que, agora tem em mãos reabilitar Lila, sobrinha da própria Lucy, uma jovem rebelde. Ou Pete Barton, irmão de Lucy, aquele que ficou para trás. Ou Dottie, a prima de Lucy, que agora arrenda quartos numa pequena pensão e que tem propensão para dizer o que lhe passa pela cabeça.

São pequenas histórias sobre pessoas. Lucy também aparece, não como protagonista, mas como personagem na história dos irmãos. 

Não vamos adiantar absolutamente nada no arco de Lucy Barton, mas dá-nos mais contexto. Aconselho a que este livro seja lido imediatamente após O meu nome é Lucy Barton. 

sábado, 31 de janeiro de 2026

Victorian Psycho, de Virginia Feito

Num outro registo totalmente diferente, li Victorian Psycho, da espanhola Virginia Feito. 

Miss Winifred Notty arranjou um emprego como preceptora dos dois filhos do casal Pound, Drusilla (a mais velha, mas negligenciada, porque, bem, é rapariga) e Andrew (o mais novo, que vai herdar o título e os bens, mas que é insuportável). 

Mas, conforme o tempo vai passando, os outros criados de Ensor House vão desconfiando que esta jovem mulher é bastante estranha. São as pequenas coisas: por um lado, as quase contradições, as histórias de horror contadas aos jovens Pound, os passeios à noite desnudada, o passado misterioso...

Mas, se temos este mistério - quem é, verdadeiramente, Winifred Notty? - temos também uma história engraçadíssima, com apartes deliciosamente sarcásticos.

Este livro não é o primeiro desta autora (e fiquei interessada em ler o seu Mrs. March), mas foi uma porta de entrada muito... vá... caricata, para o seu trabalho. Gostava de descrever como sendo uma Jane Austen, mas em deliciosamente subversivo.

Estou a apagar e a escrever coisas nesta mini-resenha, porque não quero revelar demasiado, mas, ao mesmo tempo, quero contar mais do enredo, porque gostava muito que lessem este livro.

Mas deixo-vos a frase de arranque deste livro "Dentro de três meses, toda a gente nesta casa estará morta". 

O final é "Chef's Kiss".

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Trilogia de Copenhaga, de Tove Ditlevsen

Das duas, uma: ou leio ou escrevo no blogue. Tudo ao mesmo tempo é impossível. 

(spoiler: é possível sim, se eu me organizasse melhor e escrevesse imediatamente após completar a leitura)

A minha primeira leitura do início ao fim de 2026 foi no âmbito do clube Regaleira de Livros - ler um autor novo.

Li a Trilogia de Copenhaga, de Tove Ditlevsen, autora dinamarquesa, falecida em 1976. 

Nunca tinha lido nada dela, nunca sequer havia ouvido falar dela, mas os meus olhos, por alguma razão, prenderam-se nos dela que figuram na capa do livro. Um olhar onde li alguma tristeza. Não sei explicar. 

Este livro é a sua autobiografia, desde os bairros pobres até se tornar uma escritora de sucesso: Infância / Juventude / Relações Tóxicas (já na idade adulta). 

Fala das dificuldades da sua infância, da relação complicada com os pais, da sua ansiedade em completar 18 anos para sair de casa, dos amores, dos amores frustrados, dos casamentos, dos filhos...

Chorei algumas vezes com a Tove. Tentei, às vezes, esquecer que ela era apenas uma menina em alguns dos momentos em que me enervava com ela, para me conseguir enervar com propriedade. 

E lembrei-me que ela era uma pessoa real, e uma menina, em muitos desses momentos, para me acalmar. 

A vida dela não foi nenhum mar de rosas. E este livro não esconde nenhum dos espinhos. Ela não foi meiga consigo mesma e falou de tudo: as traições, o abuso de drogas, os medos...

Este livro é uma obra-prima. Cinco estrelas fáceis. 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Seis de Corvos, de Leigh Bardugo

O primeiro livro que terminei já em 2026 foi o Seis de Corvos da autora israelita/norte-americana Leigh Bardugo.

Comecei a ver a série Shadow and Bone da Netflix e gostei imenso do universo. Depois de terminar as temporadas disponíveis, li os livros correspondentes da trilogia Grisha. 

Mas havia um arco que não aparecia na trilogia: o arco do criminoso/ladrão Kaz Brekker e do seu bando. Percebi então que esse arco da série pertencia à duologia Six of Crows, que, na altura, não estava disponível em Portugal. 

Até outubro passado. Como estava a ler outras coisas não peguei imediatamente nele, mas assim que terminei o que tinha em andamento, não hesitei.

E que bem que fiz. Kaz Brekker é um ladrão. E é o líder dos Dregs, um grupo de desajustados da sociedade: Jesper, um impressionante atirador, Inej, conhecida por Espetro, é capaz de se deslocar silenciosamente, Nina, uma Grisha que tem o poder, por exemplo, de baixar os batimentos cardíacos e Wylan, renegado pelo pai, é exímio no fabrico de bombas. Todos eles têm passados complicados, feito de mais baixos do que altos. 

Kaz tem uma reputação intocável. E recebe uma missão que o fará milionário.

Ele e o seu grupo, ao qual se junta Mathias, um soldado de uma outra fração dado como morto, vão tentar alcançar o seu objetivo. 

Esta história - categoria Young Adulto - está repleta de magia, fantasia, ação e algum humor. E, às vezes, é só mesmo isso que apetece. 

Ao explorar um bocadinho mais este primeiro livro da duologia, soube que a autora se inspirou no filme Ocean's Eleven para escrever este livro - e faz todo o sentido: um grupo de indivíduos, com talentos especiais inatos, tenta roubar algo que mudará as suas vidas. 

Compreendo que possa ser um livro que não agrade a todos. E como disse antes: às vezes, nem tudo tem de ser literatura com profundidade. 

Seis de Corvos é um exemplo de como os livros de fantasia podem funcionar como um "limpa palato" de outras leituras, um intervalo nas nossas vidas mais stressantes...bem construído, bem escrito, com uma história simples de compreender, mas com personagens que não são bidimensionais - têm carácter, têm conflitos, têm personalidades marcantes e marcadas pelo passado individual. 

Não custa nada dar-lhe uma oportunidade...

sábado, 10 de janeiro de 2026

Este Natal todos escondem um segredo, de Benjamin Stevenson

No mês de dezembro, li também o livro Este Natal todos escondem um segredo de Benjamin Stevenson. Esta leitura foi feita no âmbito do clube de leitura Regaleira de Livros, grupo a que pertenço. O tema era obviamente Natal.

Depois de há uns meses ter lido Na minha famílias todos mataram alguém do mesmo autor, achei que podia ser interessante revistar o detetive amador Ernest Cunningham. 

Neste livro, Lyle Pearse, o atual companheiro da sua ex-mulher, Erin, aparece morto e ela é a principal suspeita. 

Ernest tenta assim ilibar a ex-esposa e enceta uma investigação a todos aqueles que diariamente se cruzavam com Lyle. Até que outro homicídio é cometido... 

Agora Ernest tem de investigar 2 homicídios, provar que Erin é inocente de ambos e planear o seu próprio casamento...

O Natal pede leituras simples e este autor segue muito a linha de livros com uma pitada (gigante) de humor. 

O mais giro é que este livro pode e deve ser lido como um calendário do Advento: um capítulo por cada dia de dezembro até à revelação do culpado no dia 24. Mas eu não tenho qualquer tipo de auto-controlo e li tudo de uma assentada. Sorry, but not sorry!!!

A receita é a de Agatha Christie: crime, investigação, imprevistos e resolução final com todos os suspeitos fechados num único espaço. 

Não vai ganhar nenhum Nobel da Literatura, mas é um livro divertido, despretensioso e podemos passar umas horas interessantes com ele.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Campo de Lava, de Yrsa Sigurdardottir

Estou oficialmente apaixonada pela dupla 
Huldar e Freyja. 

Ainda há pouco tempo, falava-se cá em casa que quando andamos mais cansados e queremos simplesmente relaxar, a tendência é sempre agarrarmos-nos às coisas que conhecemos e que nos dão conforto e familiaridade. Para mim, normalmente, são os livros policiais. 

Neste livro, é encontrado o corpo de um jovem investidor. Tudo apontava para suicídio, mas um pormenor chama a atenção dos investigadores: o homem tem um prego espetado no meio do peito o que aponta para que tenha sido um assassinato. 

Ao mesmo tempo, Freyja é destacada para visitar uma morada. Foi recebida uma denúncia anónima sobre uma criança abandonada. E lá estava a criança: um rapazinho que não sabia como ali tinha chegado, não conhecia a casa, não sabia quem o tinha levado e não conseguia dar outras informações, além dos diminutivos dos pais. 

O problema? Vimos a descobrir que a morada é da casa do jovem investidor assassinado. 

Freyja e Huldar juntam-se novamente para descortinar mais este mistério. 

Obviamente, não vou falar mais sobre este livro. Digo apenas que foi daquele género "vou só ler um bocadinho" e terminei-o em 3 dias, porque uma pessoa tem de sair para ir trabalhar. 

É, se não me engano, o quarto livro da série com esta dupla. E tem um final que nos dá um nó na cabeça...

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Temporada de Furacões, de Fernanda Melchor

Antes do ano de 2025 terminar li mais umas coisinhas que ainda não tinha tido a oportunidade de publicar.

Pouco depois do último post de 2025, ainda publicado em novembro, o Henrique ficou doente. Depois, fiquei eu doente. Depois o meu excelso esposo. Depois começaram os preparativos de Natal. E depois de ano novo.

E aquilo que eu queria ter feito ficou para trás na minha lista de prioridades. A vida a acontecer, portanto. 

Isto tudo para chegar onde? Li uns 3 ou 4 livros e agora, com um atraso bastante relevante, vou aqui publicar as reviews. 

Comecemos por Temporada de Furacões, da autora mexicana, Fernanda Melchor.

O corpo da Bruxa foi encontrado, por um grupo de crianças. Flutuava, sem vida, num canal de irrigação. Ninguém havia dado pela sua falta, porque ninguém de bem poderia, em boa fé, dar conta de privar com ela.

O que se segue é a descrição, pelos olhos de várias personagens da comunidade de La Matosa, dos dias que antecederam esta descoberta macabra. 

Vamos acompanhar a descida ao inferno: a pobreza, os vícios e todos os tipos de violência que possam imaginar que assolam as pessoas que ali vivem e que estão diretamente ou indiretamente relacionadas com o assassinato da Bruxa. 

É um livro muito difícil de ler. Não pela escrita, atenção, mas sim pela crueldade de alguns cenários. Temporada de Furacões é um livro onde não há gente totalmente boa, nem totalmente má. 

É um livro onde as pessoas sobrevivem como podem. As escolhas são feitas com base no pressuposto que, dificilmente, as coisas poderão ficar pior. 

Várias vezes tive de parar, respirar, pôr o livro de lado um par de dias, porque a minha mente não conseguia processar determinadas situações, dado que, felizmente, nunca tive de passar por elas. 

É um livro duro. Bate-nos sem misericórdia, mas vale cada página. Sejam corajosos. 

domingo, 4 de janeiro de 2026

Novo Ano, novas metas

Antes que se passem dois meses desde a minha última postagem... Bom 2026, pessoas!

Chegou, portanto, a altura do ano em que se apontam as novas metas e se faz o balanço do ano que passou. 

Em 2025, voltei a ser conservadora nas minhas apostas. Comecei em janeiro a apontar para 12 livros (um por mês). Em meados de março, alterei para o dobro e ainda assim ultrapassei largamente.

Estou bastante satisfeita comigo e com a generalidade dos livros que li. 

Uma das coisas interessantes do Reading Challenge do Goodreads não é apenas ver o número de livros que consegui ler no fim do ano, mas as estatísticas. 

O maior livro que li tinha 708 páginas. E o menor tinha 144. 

A média de notas que dei foi de 4.6 estrelas - que me diz que os livros que li foram, genericamente, muito bons. 

O dia 1 já lá vai e, este ano, volto a jogar pelo seguro e apontei para os 24 livros. Acompanham-me nesta caminhada?