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sábado, 1 de junho de 2024

Se os Gatos Desaparecessem do Mundo, de Genki Kawamura

Para o clube de leitura, tínhamos o desafio de ler um livro que tivesse gatos. Pesquisei um pouco e decidi ler Se os Gatos Desaparecessem do Mundo, de Genki Kawamura. 

Declaração prévia: não adorei. É um livro pequenino que se lê muito bem e rápido, mas senti que ficou um pouco aquém. Talvez as minhas expetativas estivessem altas depois de ler os livros sobre a livraria Morisaki... 

O nosso protagonista é um jovem carteiro que descobre ter pouco tempo de vida. A mãe faleceu, está afastado do pai (física e emocionalmente) e vive sozinho. Sozinho, é um exagero, vá: vive com o seu gato Repolho. 


Ao chegar a casa, apercebe-se que não está sozinho. O Diabo - em pessoa! - veio fazer um trato: por cada objeto do quotidiano que o nosso protagonista faça desaparecer do mundo, ganha mais um dia de vida.

Esta história foca essencialmente na importância das pequenas coisas: no final, que é efetivamente importante para nós? Com a pressa dos dias, talvez demos demasiado tempo de antena aos smartphones e a todas as tecnologias, mas até onde é que poderíamos, hoje, viver sem elas?

É também um livro sobre o perdão, sobre a inevitabilidade, sobre a dualidade da vida e da morte...

O meu problema com este livro é que percebi imediatamente onde é que iria parar e não senti grande empatia com o protagonista. Foi tudo muito contado pela rama e demasiado previsível. Mesmo o facto do livro se chamar "Se os Gatos Desaparecessem do Mundo", esperava que estes bichanitos tivessem mais páginas.

Li o livro até ao fim. Não adorei, como já disse anteriormente, mas é um livro fofo. Não perdem o vosso tempo a lê-lo (tem cento e pouquinhas páginas) é isso que quer dizer. Mas se tiverem que escolher entre este livro e outro qualquer, pesem as hipóteses. É um bom livro de praia, por exemplo. 

segunda-feira, 27 de maio de 2024

A saga da Livraria Morisaki

Este mês, li umas obras oriundas do Japão. Há algum tempo que queria experimentar outros autores que não o Murakami ou o Yasunari Kawabata.

Decidi ler uns livrinhos que andam nas bocas do mundo, e gostei. Falo de Os meus dias na livraria Morisaki e Uma Noite na Livraria Morisaki, de Satoshi Yagisawa.

E gostei bastante.

São livros pequenos que se lêem em pouco mais de um par de horas, cada um, e têm daquelas histórias que nos deixam quentinhos cá dentro.

No primeiro livro, somos apresentados a Takako, uma jovem adulta que, sem esperar, é surpreendida com uma notícia que a deixa sem chão. Aquele que é o seu namorado informa-a que vai casar... Com outra pessoa. Takako entra numa espiral descendente e perde todo o entusiasmo por tudo. Até que, um dia, recebe a chamada que lhe vai mudar a vida. O tio Satoru - que Takako - não vê há 10 anos, convida-la a ficar no 1° andar da livraria Morisaki que está na família há três gerações.

E é neste momento que somos também apresentados ao reino da livraria que acaba também ela por ser personagem nesta história de desilusão, perdão e, especialmente, de amor.

Em Uma Noite na Livraria Morisaki, já se passou algum tempo desde os eventos do 1° livro, e temos uma Takako mais adulta, mas que ainda se depara com alguns medos pessoais, e com a sua luta interna para os resolver. Lidamos também com a dor. Com a morte. Com o luto. Com a convivência após a perda. Com o ser resgatado. 

A livraria Morisaki, mais uma vez, é o cenário mais que perfeito para esta história. Fiquei com alguma pena de não conhecer mais sobre os clientes habituais, que mais do que clientes, são amigos e um pouco como a alma da livraria. Não sei se vai haver uma terceira parte, mas fiquei curiosa para saber qual é afinal a ocupação do senhor Sabu. 

Atenção. Não são livros que irão ficar nos anais da História. O autor não vai ganhar o Nobel, por conta destes livros, mas soube criar uma história que nos cativa e com personagens com quem facilmente nos conectamos.