Tentei começar Admirável Mundo Novo, mas não estava no mood. Tentei Os Bichos de Miguel Torga e também não estava a sentir que era o livro certo.
Os outros livros "clássicos", os exemplos de livros de banidos ou censurados, já li. Optei por uma abordagem diferente: procurar autores banidos e/ou censurados. Deparei-me com o nome de Stefan Zweig.
Este escritor, autor, romancista, dramaturgo, jornalista, biógrafo e historiador austríaco de origem judaica viu as suas obras serem banidas na Alemanha nazi. Aliás, os seus livros foram queimados nas famosas fogueiras deste regime.
Zweig fugiu em 1941 para o Brasil e suicidou-se um ano depois, sem qualquer esperança para o futuro do seu país.
Dele, já tinha lido "Vinte e quatro horas na vida de uma mulher" e "Novela de Xadrez" que já tinha gostado imenso. Decidi-me por "Amok", umm livro de pequena dimensão (menos de 100 páginas), à semelhança dos anteriores.
A bordo do transatlântico Oceania, tem lugar um estranho acidente para o qual o narrador pensa poder ter uma explicação.
Somos então levados pela narração deste homem que nos faz um relato em segunda mão: numa noite, cruza com um outro homem que, escondido pela noite, lhe conta a sua história.
Esse homem, médico num território que lhe é estranho, é procurado por uma misteriosa mulher que lhe faz um pedido. Ele recusa. A mulher, despeitada, sai. Ele medita no seu pedido e, enlouquecido (sofrendo de "ámoq") sai atrás dela para lhe dizer que aceita.
O desfecho é trágico para todos, ou quase todos, os intervenientes.
Habitualmente, não sou fã de shorts stories. Parece que fica sempre algo por dizer, ou que as personagens não são desenvolvidas por deveriam, ou se dá demasiado importância a coisas que não a têm.
Mas Zweig era mágico nesse formato. E "Amok" é mais um claro exemplo como uma história pequena pode ter o poder que o autor lhe quiser dar.








