Capa Mole & Companhia
Leio desde que me lembro de mim como gente. E comecei a escrever em blogues há mais de 11 anos. Porque não juntar estes dois amores num único espaço? Aqui, só cabe aquilo que gosto... conheçam as minhas escolhas!
quarta-feira, 14 de outubro de 2026
O Caso da Estação de Kamata, de Seichō Matsumoto
domingo, 11 de outubro de 2026
Livros lidos nas últimas semanas
Por isso, comecemos: vou tentar resumir num único post, as leituras que realizei e faço um texto independente para a última leitura que terminei ontem.
"O Estrangeiro", de Camus.
Li este livro, porque há anos que o queria ler. Simples, assim. E como ando muito numa onda de clássicos, pareceu-me boa ideia pegar nele.
Meursault, o nosso protagonista, recebe a notícia que a mãe morreu. Para qualquer pessoa, minimamente funcional, essa seria uma notícia devastadora. Não para Meursault.
É aqui que percebemos que algo de estranho se passa, porque este homem nunca mostra quaisquer sentimentos sobre nada na sua vida. Tanto lhe dá ir, como ficar. A morte da mãe é-lhe quase indiferente, um inconveniente que tem de tratar nestes dias quentes.
Ao regressar, após o funeral, faz amizade com um vizinho altamente duvidoso e começa um a relação com uma antiga colega de casa. Tudo parece correr bem, até que uma tragédia tem lugar e Meursault vê-se confrontado com um julgamento definitivo, onde é mais julgado aquilo que não fez do que as suas ações efetivas.
Este livro aborda, de forma, muito simplista, o sentido da vida e da existência, e o absurdo da condição humana.
"O Homem Ausente", de Michael Hjorth.
Um thrillerzinho. Propus-me, no início do ano, a ler, desde o início, todos livros da saga Sebastian Berger. Este é o terceiro.
São encontrados, enterrados na montanha, 6 corpos. A equipa, liderada por Torkel, é chamada a investigar.
No outro arco, uma mulher tentar encontrar alguém que lhe dê atenção: o marido desapareceu há vários anos sem qualquer justificação ou motivo. Um jornalista que procura o estrelato tenta seguir algumas pistas.
Estarão estas duas situações, de alguma forma relacionadas?
"Regresso à Loja Coreana das Segundas Oportunidades", Ho-yeon Kim.
Li este livro para o clube de leitura. O tema de setembro era um livro sobre recomeços. E este pequenino é exatamente sobre isso.
É uma continuação de "A loja coreana das segundas oportunidades" que li em março do ano passado.
A senhora Oh precisa de encontrar alguém que faça o turno da noite da loja. A senhora Yeom deixou a gerência com o desastrado do filho que nada faz e se limita a beber o dia todo.
Finalmente, encontra Hwang Geun-bae. Parece a pior das escolhas, mas...revela ser bom ouvinte, bom conselheiro, um trabalhador incansável e o ombro que toda a gente precisa sem o saber...
quinta-feira, 13 de agosto de 2026
O Tesouro, de Selma Lagerlöf
Antes de incendiarem o edifício, os mercenários roubaram uma arca que continha o lendário tesouro do pastor Arne.
Apenas uma jovem, Elsalill, filha adotiva do pastor Arne, sobrevive milagrosamente à tragédia.
Elsalill é acolhida numa estalagem costeira e apaixona-se por Sir Archie, um escocês que lhe promete o mundo caso ela parta com ele para a Escócia daí a poucos dias. Mal ela sabe que este homem é um dos cabecilhas do assassínio da sua família.
A partir daqui, a autora sueca constrói uma narrativa que mistura elementos góticos, fantásticos e sobrenaturais onde a paisagem é uma das protagonistas.
Um dos elementos-chave é o rio congelado, apesar de ser quase Verão. O barco que é suposto levar o tesouro roubado e os homens não consegue partir e o capitão pensa que, talvez, haja alguma razão divina para essa situação.
Juro que não estava à espera de gostar tanto como gostei. Foi uma daquelas leituras escolhida meio ao acaso - o tema do mês do clube de leitura é livro com um elemento de "água" na capa, no nome ou ilustração, neste o destaque é o do rio gelado.
Mas dei por mim, de forma talvez demasiado efusiva, a gritar com a Elsalill para ela relembrar os acontecimentos da noite fatídica...
Muito bom livro. Ainda por cima é pequeno - menos de 100 páginas - que se lêem em menos de nada. Recomendadíssimo.
segunda-feira, 10 de agosto de 2026
Rapazes de Zinco, de Svetlana Alexievich
sexta-feira, 7 de agosto de 2026
A minha irmã é uma serial killer, de Oyinkan Braithwaite
Já li: Como matar a tua família + Bela maneira de morrer, ambos de Bella Mackie, O meu homicídio, de Katie Williams, e Na minha família todos mataram alguém, de Benjamin Stevenson.
Diferente de Bela maneira de morrer, de Bella Mackie, que tinha um tom de comédia, o livro A minha irmã é uma serial killer é mais sinistro.
O livro é contado na perspectiva de Korede, a irmã mais velha. Enfermeira e com um sentido de dever mais profundo, é a irmã feia, discreta e sempre confiável. A boa e velha Korede.
A irmã mais nova é Ayoola. Lindíssima, manipuladora e fútil, Ayoola sempre teve a vida facilitada.
Vive para se maquilhar, aparecer nas redes sociais, conhecer homens, namorá-los, traí-los e matá-los.
E obviamente, conta sempre com a lealdade da irmã mais velha para (literalmente) limpar a bagunça que deixa à sua passagem.
Tudo complica quando Ayoola tem um novo alvo: um médico do hospital onde Korede trabalha e por quem está apaixonada.
Já sabemos qual é o método de Ayoola. Korede já sabe qual é o método da irmã e entra em pânico. Para onde se virará: para a irmã que sempre protegeu ou para o homem que ama? Qual dos pratos da balança da moralidade de Korede pesará mais?
Foi mais um livro bastante interessante, não só pelo fator crime, mas porque me permitiu conhecer um nadinha mais sobre alguns costumes da Nigéria, país onde a ação tem lugar.
Durante toda a leitura, tive um peso no estômago, porque não fazia mesmo nenhuma ideia para onde poderia pender a decisão de Korede. Todos os cenários estiveram em aberto até à resolução final.
Respeitei a decisão final de Korede, mas não concordei... Li, pensei no assunto e julguei com todas as forças do meu coração - só para que fique registado para memória futura.
(E o que dizer desta capa incrível?! Adoro!)
quarta-feira, 5 de agosto de 2026
Bela maneira de morrer, de Bella Mackie
Já li: Como matar a tua família, de Bella Mackie, O meu homicídio, de Katie Williams e Na minha família todos mataram alguém, de Benjamin Stevenson.
Este ano, estava dividida entre dois: Bela maneira de morrer, de Bella Mackie, e A minha irmã é uma serial killer, de Oyinkan Braithwaite.
Acabei por ler os 2, porque são livros pequenos que se lêem num instante.
Enquanto o primeiro tem uma vibe mais cómica, o segundo é mais sufocante.
Este texto será sobre Bela maneira de morrer.
Anthony é um gestor de investimentos. Faz 60 anos e a sua esposa, Olivia, organiza o evento do ano. A família é riquíssima, portanto, a festa é literalmente o local onde todos querem estar: sejam amigos ou inimigos.
Tudo parece estar a correr bem, mas Anthony aparece morto. Empalado no lago artificial da sua propriedade.
Anthony dá por si num centro de acolhimento onde as pessoas que morrem vão parar até que o seu caminho para o Além seja definido.
Há algo apenas que Anthony tem de fazer: relatar como morreu. Após a morte, todas as pessoas perdem memória do que aconteceu nos 30 minutos anteriores ao seu suspiro final, e Anthony tem de descobrir o que aconteceu: foi assassinado? Suicidou-se? Ou tudo não terá passado de um acidente, tal como a família anunciou publicamente? Os primeiros suspeitos são... a própria família.
Este livro é contado a 3 vozes: Anthony que se encontra no centro de acolhimento, Olivia, a sua esposa, e a detetive, uma pessoa entusiasta de true crime que decide investigar por conta própria.
Tal como aconteceu em Como matar a tua família, o final foi menos entusiasmante do que o caminho até lá. O livro é divertido, leve e que se lê num piscar de olhos.
Não estejam à espera do próximo Nobel, mas se querem uma comédia para estes dias quentes, que não obrigue a esforços mentais, este é o vosso livro.
segunda-feira, 3 de agosto de 2026
Viagens com o Charley, de John Steinbeck
Pedi conselhos ao ChatGPT e ao Gemini, procurei listas de livros sobre viagens, e um nome acabou por se destacar - este mesmo: Viagens com o Charley, de Steinbeck.
John Steinbeck nasceu em Salinas, na Califórnia, e depois disso viveu em Nova Iorque. Em 1960, comprou aquilo que poderemos chamar de autocaravana, a que deu o nome de Rocinante, pegou no seu cão poodle, Charley, e foram viajar pelos Estados Unidos da América.
Este livro é o resultado dessa viagem. "Como são os americanos hoje em dia" era a principal questão que tinha em mente e que esperava ver respondida.
A viagem começou em Long Island, Nova Iorque, e seguiu ao longo da fronteira dos EUA, desde o Maine até ao Pacífico.
Depois seguiu para o vale de Salinas, na Califórnia, onde tinha nascido, e que já não visitava há mais de 20 anos. Aqui encontrou um velho amigo de infância e passam tempo juntos a conversar sobre todos os seus antigos companheiros de meninice.
Atravessou o Texas, e subiu para Norte de regresso a Nova York. Nessa viagem percorreu quase 16 mil quilómetros.
Ao longo da viagem, Steinbeck conversa com Charley, meditam os dois sobre o que vêem, cheiram e tocam.
É uma viagem de conhecimento e descoberta. Passam por vários "apertos", por exemplo, quando no Oregon, um dos pneus fura. Num domingo. Ou quando Charley fica bastante doente.
Steinbeck acabou por falecer 8 anos depois desta viagem (6 após o lançamento deste livro e de ter recebido o Nobel da Literatura).
sábado, 1 de agosto de 2026
Os Filhos do Império, volume 2, de Yudori
quinta-feira, 30 de julho de 2026
Noites Brancas, de Dostoiévski
Quando mudei de trabalho, levei-o para o escritório, porque - pensava eu - iria lê-lo na hora de almoço. Mudei de emprego no verão. Estava calor e eu ficava sem vontade de ler. Depois comecei a conhecer pessoas e essa mesma hora de almoço era passada a conversar. E um ano se passou.
Era ridículo abrir a gaveta e encará-lo a olhar para mim. Decidi que o melhor a fazer em nome da minha sanidade mental era lê-lo.
Temos um jovem solitário que passa o seu tempo a caminhar por São Petersburgo. Num desses seus passeios, conhece a jovem Nástenka e nas noites seguintes encontram-se e partilham as suas histórias, sonhos e desilusões.
Enquanto o jovem se apaixona por ela, Nástenka confessa que ama outro homem e espera pelo seu regresso. O protagonista aceita ajudá-la, alimentando, em silêncio, a esperança de que ela acabe por corresponder ao seu amor.
É um livro mínimo (87 páginas) sobre a solidão, o amor idealizado e o contraste entre o sonho e a realidade.
Porquê Noites Brancas? Dado que a cidade fica bastante a norte, parece que o Sol quase não chega a desaparecer, mantendo o céu iluminado durante toda a noite, e dando a ilusão que o dia nunca termina.
Noites Brancas foi uma das primeiras obras de Dostoiévski e, por isso, é um livro mais delicado e romântico.
(e acho que pode ser uma boa porta de entrada para quem se quiser iniciar nos escritores russos)
terça-feira, 28 de julho de 2026
Sou o seu silêncio, de Jordi Lafebre
Na Feira do Livro de Lisboa, trouxe este Sou o seu silêncio, que tem estado indisponível no site da Wook, o que me levou a pensar que estava esgotado, mas nada mais falso. Está vivo e de boa saúde.
Sou o seu silêncio é um policial que tem lugar em Barcelona.
Eva Rojas é uma jovem psiquiatra que perdeu a sua licença. E para a recuperar tem de ter consultas com um psiquiatra. Mas a sua incapacidade em acatar ordens é um dos traços mais marcantes da sua personalidade.
Poucos dias antes, Penelope, uma das pacientes de Eva, pediu-lhe que a acompanhasse durante a leitura do testamento da sua avó (nota: a avó ainda não faleceu), porque a sua família é muito peculiar (e fonte de vários dos problemas que Penelope costuma abordar nas suas consultas).
Durante esta reunião, um dos membros da família morre em circunstâncias muito dúbias e Eva começa a investigar por conta própria (apesar das inúmeras ordens da polícia para que pare).
É um livro muito bom. Mistura um certo tom policial com um tom de comédia e torna-se impossível não adorar Eva, apesar de ser alguém muito pouco convencional.
Tudo neste livro é bom. Recomendadíssimo.











