Capa Mole & Companhia
Leio desde que me lembro de mim como gente. E comecei a escrever em blogues há mais de 11 anos. Porque não juntar estes dois amores num único espaço? Aqui, só cabe aquilo que gosto... conheçam as minhas escolhas!
quarta-feira, 1 de abril de 2026
Um tempo a fingir, de João Pinto Coelho
sábado, 7 de março de 2026
Graphic novels lidas
Em Fevereiro, também li duas graphic novels: O Corpo de Cristo, de Bea Lema, que me foi oferecido no Natal, e Radium Girls, de Cy. que comprei no Amadora BD de 2025.
Fiquei apaixonada pela arte de O Corpo de Cristo no Amadora BD, mas obriguei-me a não comprar tudo o que gostava ou o ordenado do mês não iria chegar. Deixei-o lá, mas com um peso na consciência.
Os meus cunhados tiveram dó de mim e, no Natal, deram-me.
A arte é linda. Literalmente, o livro parece, todo ele, um bordado. Mas a história é tão delicada como a própria arte.
Vera, a protagonista, conta-nos a história da sua vida desde a infância. A mãe, vinda de um meio ultra-religioso, convenceu-se que um demónio a vigiava. Isso tornou a vida daquela família, no mínimo, estranha.
Para depois se perceber que a senhora sofria de psicose, com um nadinha de esquizofrenia e paranóia.
À medida que Vera foi crescendo, foi também assumindo o papel de principal cuidadora da mãe: o pai escudava-se no trabalho e o irmão, simplesmente, não queria saber.
Ou seja, temos mais uma história fortemente ligada à saúde mental e ao estigma que ela traz consigo e à redução da mulher como cuidadora.
Um livro maravilhoso.
A exposição do álbum Radium Girls provocou um certo impacto em mim, no Amadora BD. E foi um dos livros que fiz questão de trazer comigo.
Conta a história real de um grupo de mulheres nos Estados Unidos na década de 1920.
Um grupo de jovens operárias trabalha na United States Radium Corporation, onde pintam os mostradores de relógios com uma tinta luminescente, à base de rádio.
Através do método que usavam de molhar a ponta do pincel nos lábios, estas mulheres ingeriam quantidades insanas de rádio, sem saberem que era radioactivo. A empresa sempre lhes assegurou que era tudo perfeitamente seguro.
Aos poucos, começaram todas a adoecer e a morrer. O livro foca-se na amizade entre as operárias e na luta jurídica que travaram contra a empresa, que tentou abafar o caso e culpá-las.
Mais um livro maravilhoso.
Estes sim, se conseguirem, leiam-nos. Recomendados a 1000% se tal fosse possível.
quinta-feira, 5 de março de 2026
Pessoas Normais de Sally Rooney
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026
Segredos Obscuros, de Hjorth & Rosenfeld
Um jovem desaparece em Västerås, uma cidade sueca. Roger, 16 anos... o desaparecimento é comunicado pela mãe à polícia.
Infelizmente, entra o fim-de-semana e muito pouco (nada, vá... sejamos sinceros!) é feito. A polícia assume que o jovem tinha saído para se divertir com os amigos. Chega a segunda-feira e o caso é entregue a um detetive que começa a trabalhar (muito lentamente e sem muito empenho!) no caso.
Até que o pior acontece e o corpo de Roger aparece. Sem coração.
Uma brigada especial, chefiada por Torkel, é chamada a assumir o caso. E Sebastian Bergman, um antigo psicólogo que costumava trabalhar como profiler é integrado na equipa (com alguns votos contra de outros elementos da equipa. Sim, Ursula, estou a olhar para ti!).
Sebastian é um homem atormentado... perdeu a mulher e a filha, e não tem ninguém que lhe dê um rumo. Desde a tragédia tem afogado a sua própria mágoa em relações sexuais fortuitas e em álcool.
A mãe - não havia qualquer relação entre ambos - faleceu. No meio das coisas da falecida, encontra um molho de cartas, onde uma mulher, Anna, confessa estar grávida dele.
Sebastian não se recorda de quem é Anna, mas, no meio de tudo, saber que pode ser pai, acende nele qualquer coisa.
Tudo o que Sebastian faz a partir desse momento é apenas com uma coisa em vista: encontrar Anna e conhecer o/a seu/sua filho/a. E ser integrado na equipa de Torkel é apenas um passo na direção de encontrar Anna.
Mas, a contragosto, Sebastian encontra neste caso algumas coisas que lhe aguçam a curiosidade, até que resolver o caso - não sendo a sua prioridade - é importante!
Muitos segredos que vêem a luz do dia, muito mistério, muita ânsia de descobrir o verdadeiro culpado, "o homem que não é um assassino"...
O livro está bem escrito. É daquele tipo de livros que nos "obriga" a virar página atrás de página atrás de página para descobrirmos o culpado. O final, sem ser absurdamente surpreendente, é bem costurado para nós fazer procurar o volume seguinte.
Este homicídio fica resolvido, mas o arco se Bergman abre-se. Não. Escancara-se! E é aí que reside o sucesso deste tipo de livros. A receita é esta, vamos fazê-la render. E fazem-no bem. E, no fim do dia, é isso que importa.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026
Tudo é possível, de Elizabeth Strout
Amei, adorei a personagem.
Este livro não sendo uma continuação do arco de Lucy Barton conta-nos as histórias das pessoas de quem ela e a mãe falavam durante a estadia no hospital.
Vamos mergulhar bem fundo na comunidade de Amgash, no Illinois, e conhecer algumas das suas pessoas: por exemplo, Tommy Guptill que teve, há muitos anos, uma quinta de produção de leite que ardeu, e que acaba por se tornar contínuo nas escolas de Amgash, onde conheceu Lucy Barton em criança, ou Patty Nicely, orientadora na escola secundária, que foi colega de escola de Lucy e que, agora tem em mãos reabilitar Lila, sobrinha da própria Lucy, uma jovem rebelde. Ou Pete Barton, irmão de Lucy, aquele que ficou para trás. Ou Dottie, a prima de Lucy, que agora arrenda quartos numa pequena pensão e que tem propensão para dizer o que lhe passa pela cabeça.
São pequenas histórias sobre pessoas. Lucy também aparece, não como protagonista, mas como personagem na história dos irmãos.
Não vamos adiantar absolutamente nada no arco de Lucy Barton, mas dá-nos mais contexto. Aconselho a que este livro seja lido imediatamente após O meu nome é Lucy Barton.
sábado, 31 de janeiro de 2026
Victorian Psycho, de Virginia Feito
quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
Trilogia de Copenhaga, de Tove Ditlevsen
(spoiler: é possível sim, se eu me organizasse melhor e escrevesse imediatamente após completar a leitura)
A minha primeira leitura do início ao fim de 2026 foi no âmbito do clube Regaleira de Livros - ler um autor novo.
Li a Trilogia de Copenhaga, de Tove Ditlevsen, autora dinamarquesa, falecida em 1976.
Nunca tinha lido nada dela, nunca sequer havia ouvido falar dela, mas os meus olhos, por alguma razão, prenderam-se nos dela que figuram na capa do livro. Um olhar onde li alguma tristeza. Não sei explicar.
Este livro é a sua autobiografia, desde os bairros pobres até se tornar uma escritora de sucesso: Infância / Juventude / Relações Tóxicas (já na idade adulta).
Fala das dificuldades da sua infância, da relação complicada com os pais, da sua ansiedade em completar 18 anos para sair de casa, dos amores, dos amores frustrados, dos casamentos, dos filhos...
Chorei algumas vezes com a Tove. Tentei, às vezes, esquecer que ela era apenas uma menina em alguns dos momentos em que me enervava com ela, para me conseguir enervar com propriedade.
E lembrei-me que ela era uma pessoa real, e uma menina, em muitos desses momentos, para me acalmar.
A vida dela não foi nenhum mar de rosas. E este livro não esconde nenhum dos espinhos. Ela não foi meiga consigo mesma e falou de tudo: as traições, o abuso de drogas, os medos...
Este livro é uma obra-prima. Cinco estrelas fáceis.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
Seis de Corvos, de Leigh Bardugo
Comecei a ver a série Shadow and Bone da Netflix e gostei imenso do universo. Depois de terminar as temporadas disponíveis, li os livros correspondentes da trilogia Grisha.
Mas havia um arco que não aparecia na trilogia: o arco do criminoso/ladrão Kaz Brekker e do seu bando. Percebi então que esse arco da série pertencia à duologia Six of Crows, que, na altura, não estava disponível em Portugal.
Até outubro passado. Como estava a ler outras coisas não peguei imediatamente nele, mas assim que terminei o que tinha em andamento, não hesitei.
E que bem que fiz. Kaz Brekker é um ladrão. E é o líder dos Dregs, um grupo de desajustados da sociedade: Jesper, um impressionante atirador, Inej, conhecida por Espetro, é capaz de se deslocar silenciosamente, Nina, uma Grisha que tem o poder, por exemplo, de baixar os batimentos cardíacos e Wylan, renegado pelo pai, é exímio no fabrico de bombas. Todos eles têm passados complicados, feito de mais baixos do que altos.
Kaz tem uma reputação intocável. E recebe uma missão que o fará milionário.
Ele e o seu grupo, ao qual se junta Mathias, um soldado de uma outra fração dado como morto, vão tentar alcançar o seu objetivo.
Esta história - categoria Young Adulto - está repleta de magia, fantasia, ação e algum humor. E, às vezes, é só mesmo isso que apetece.
Ao explorar um bocadinho mais este primeiro livro da duologia, soube que a autora se inspirou no filme Ocean's Eleven para escrever este livro - e faz todo o sentido: um grupo de indivíduos, com talentos especiais inatos, tenta roubar algo que mudará as suas vidas.
Compreendo que possa ser um livro que não agrade a todos. E como disse antes: às vezes, nem tudo tem de ser literatura com profundidade.
Seis de Corvos é um exemplo de como os livros de fantasia podem funcionar como um "limpa palato" de outras leituras, um intervalo nas nossas vidas mais stressantes...bem construído, bem escrito, com uma história simples de compreender, mas com personagens que não são bidimensionais - têm carácter, têm conflitos, têm personalidades marcantes e marcadas pelo passado individual.
Não custa nada dar-lhe uma oportunidade...
sábado, 10 de janeiro de 2026
Este Natal todos escondem um segredo, de Benjamin Stevenson
quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
Campo de Lava, de Yrsa Sigurdardottir
Huldar e Freyja.








