Capa Mole & Companhia
Leio desde que me lembro de mim como gente. E comecei a escrever em blogues há mais de 11 anos. Porque não juntar estes dois amores num único espaço? Aqui, só cabe aquilo que gosto... conheçam as minhas escolhas!
sábado, 1 de agosto de 2026
Os Filhos do Império, volume 2, de Yudori
quinta-feira, 30 de julho de 2026
Noites Brancas, de Dostoiévski
Quando mudei de trabalho, levei-o para o escritório, porque - pensava eu - iria lê-lo na hora de almoço. Mudei de emprego no verão. Estava calor e eu ficava sem vontade de ler. Depois comecei a conhecer pessoas e essa mesma hora de almoço era passada a conversar. E um ano se passou.
Era ridículo abrir a gaveta e encará-lo a olhar para mim. Decidi que o melhor a fazer em nome da minha sanidade mental era lê-lo.
Temos um jovem solitário que passa o seu tempo a caminhar por São Petersburgo. Num desses seus passeios, conhece a jovem Nástenka e nas noites seguintes encontram-se e partilham as suas histórias, sonhos e desilusões.
Enquanto o jovem se apaixona por ela, Nástenka confessa que ama outro homem e espera pelo seu regresso. O protagonista aceita ajudá-la, alimentando, em silêncio, a esperança de que ela acabe por corresponder ao seu amor.
É um livro mínimo (87 páginas) sobre a solidão, o amor idealizado e o contraste entre o sonho e a realidade.
Porquê Noites Brancas? Dado que a cidade fica bastante a norte, parece que o Sol quase não chega a desaparecer, mantendo o céu iluminado durante toda a noite, e dando a ilusão que o dia nunca termina.
Noites Brancas foi uma das primeiras obras de Dostoiévski e, por isso, é um livro mais delicado e romântico.
(e acho que pode ser uma boa porta de entrada para quem se quiser iniciar nos escritores russos)
terça-feira, 28 de julho de 2026
Sou o seu silêncio, de Jordi Lafebre
Na Feira do Livro de Lisboa, trouxe este Sou o seu silêncio, que tem estado indisponível no site da Wook, o que me levou a pensar que estava esgotado, mas nada mais falso. Está vivo e de boa saúde.
Sou o seu silêncio é um policial que tem lugar em Barcelona.
Eva Rojas é uma jovem psiquiatra que perdeu a sua licença. E para a recuperar tem de ter consultas com um psiquiatra. Mas a sua incapacidade em acatar ordens é um dos traços mais marcantes da sua personalidade.
Poucos dias antes, Penelope, uma das pacientes de Eva, pediu-lhe que a acompanhasse durante a leitura do testamento da sua avó (nota: a avó ainda não faleceu), porque a sua família é muito peculiar (e fonte de vários dos problemas que Penelope costuma abordar nas suas consultas).
Durante esta reunião, um dos membros da família morre em circunstâncias muito dúbias e Eva começa a investigar por conta própria (apesar das inúmeras ordens da polícia para que pare).
É um livro muito bom. Mistura um certo tom policial com um tom de comédia e torna-se impossível não adorar Eva, apesar de ser alguém muito pouco convencional.
Tudo neste livro é bom. Recomendadíssimo.
sábado, 25 de julho de 2026
Os dez espelhos de Benjamim Zarco, de Richard Zimler
(já tenho idade e experiência suficientes para saber que o resultado não é cool)
Vou começar cronologicamente: do mais antigo para o mais recente.
O que dizer de Os dez espelhos de Benjamim Zarco? Sinceramente, foi o que menos gostei da série Zarco.
Benni (Benjamin) e o primo Shelly são os únicos sobreviventes do Holocausto da sua família. Enquanto que o primeiro, ainda criança, conseguiu fugir do gueto de Varsóvia e foi acolhido por uma professora polaca de piano, o segundo (mais velho) conseguiu fugir para o Canadá. Finda a guerra, conseguiram voltar a reunir-se.
Mas a vida de ambos foi preenchida pelos silêncios das memórias e nunca partilharam nada com as suas famílias. E isso fez com que elas se sentissem excluídas de partes fundamentais da sua própria existência.
O meu problema com este livro é que me pareceu muito repetitivo: as personagens andavam sempre à volta das mesmas coisas e tornavam-se algo aborrecidas. Não me consegui conectar com nenhum dos primos e custou-me um bocado chegar ao fim da leitura. Às tantas, houve uns momentos de carácter mais místico, que me pareceram forçados na narrativa.
Não vou, por isso, alongar-me. Sinceramente, tenho bastante pena de não ter gostado, porque gosto bastante da escrita de Zimler. Ainda tenho como referências de livros de topo Os Anagramas de Varsóvia e O Último Cabalista de Lisboa. Mas Os dez espelhos de Benjamim Zarco, é um 3 para mim.
terça-feira, 16 de junho de 2026
Quando servi Gil Vicente, de João Reis
sábado, 13 de junho de 2026
Feira do Livro de Lisboa 2026
Mais um mês de junho, mais uma ida à Feira do Livro.
Desta vez, ia com a expectativa de comprar apenas autores portugueses. Levava a minha lista e estava tudo pensado. Acho que, pela primeira vez, tinha um plano.
Comprei, este ano, apenas 4 livros: dois da minha lista e outros 2 extra-lista (#sorrybutnotsorry)
Comecemos pelo início: Agustina e Ferreira de Castro estavam na lista. Êxito total e absoluto (Cristina recebe palmadinha nas costas).
Já quanto a Uma Noite em Lisboa, de Erich Maria Remarque. Não estava nos planos, nem na lista. Mas a Saída de Emergência tinha uma promoção "compre 4, pague 3). O Henrique tinha 2 livros. O Luís mais um. Escolhi o 4.° para usufruirmos da promoção. A Oeste Nada de Novo é um dos meus livros da vida e deste homem só pode ser bom.
Sou o teu silêncio é de Jordi Lafebre (já leram a maravilhosa série Verões Felizes, com o Zidrou?). Um policial cuja ação acontece em Barcelona.
Havia (muitos) outros livros que eu quero, mas que, mesmo a preço de Feira, estão ainda bastante caros, comparando, por exemplo, com o respetivo ebook na loja do Kobo.
Foi isto. Txaran!
quarta-feira, 10 de junho de 2026
A Mãe de Frankstein, de Almudena Grandes
segunda-feira, 18 de maio de 2026
A mais preciosa mercadoria, de Jean-Claude Grumberg
Não é uma história real, não é um livro sobre uma qualquer profissão em Auschwitz, nem nenhuma biografia escrita na primeira pessoa... É um pequeno conto de 118 páginas que me levou às lágrimas.
"A história de um bebé que não chegou a Auschwitz" lemos na capa.
Fazendo fé no Goodreads, li este livro em março de 2024. E se formos consultar os arquivos aqui da chafarica, veremos que só publiquei conteúdos a partir de maio. Razão pela qual fui apanhada desprevenida.
Acontece que, este domingo, a fazer zapping encontrei num qualquer TV Cine desta vida a informação sobre o filme deste livro. Pouco mais de 1h20 de filme, em animação, e emocionante o suficiente para me fazer chorar outra vez.
Um casal de lenhadores vivia na floresta, por onde passava um comboio de mercadorias. Era inverno e a fome apertava. Ao vê-lo passar, a mulher rezava para que, um dia, Deus lhe oferecesse algo, qualquer coisa... Até que um dia, umas mãos deixam cair um embrulho, a poucos pés de distância da pobre lenhadora.
Num outro arco, um casal de judeus viaja num comboio, com dois bebés. O pai, desesperado, ao passar por uma floresta, tem uma ideia e faz uma escolha impossível.
O resto é a história. Esta história.
Pensava eu que vinha fazer o repost de uma publicação de há 2 anos. E afinal, vim escrever sobre um dos mais belos contos que já li.
quinta-feira, 7 de maio de 2026
Projeto Hail Mary, de Andy Weir
terça-feira, 5 de maio de 2026
Amok, de Stefan Zweig
Tentei começar Admirável Mundo Novo, mas não estava no mood. Tentei Os Bichos de Miguel Torga e também não estava a sentir que era o livro certo.
Os outros livros "clássicos", os exemplos de livros de banidos ou censurados, já li. Optei por uma abordagem diferente: procurar autores banidos e/ou censurados. Deparei-me com o nome de Stefan Zweig.
Este escritor, autor, romancista, dramaturgo, jornalista, biógrafo e historiador austríaco de origem judaica viu as suas obras serem banidas na Alemanha nazi. Aliás, os seus livros foram queimados nas famosas fogueiras deste regime.
Zweig fugiu em 1941 para o Brasil e suicidou-se um ano depois, sem qualquer esperança para o futuro do seu país.
Dele, já tinha lido "Vinte e quatro horas na vida de uma mulher" e "Novela de Xadrez" que já tinha gostado imenso. Decidi-me por "Amok", umm livro de pequena dimensão (menos de 100 páginas), à semelhança dos anteriores.
A bordo do transatlântico Oceania, tem lugar um estranho acidente para o qual o narrador pensa poder ter uma explicação.
Somos então levados pela narração deste homem que nos faz um relato em segunda mão: numa noite, cruza com um outro homem que, escondido pela noite, lhe conta a sua história.
Esse homem, médico num território que lhe é estranho, é procurado por uma misteriosa mulher que lhe faz um pedido. Ele recusa. A mulher, despeitada, sai. Ele medita no seu pedido e, enlouquecido (sofrendo de "ámoq") sai atrás dela para lhe dizer que aceita.
O desfecho é trágico para todos, ou quase todos, os intervenientes.
Habitualmente, não sou fã de shorts stories. Parece que fica sempre algo por dizer, ou que as personagens não são desenvolvidas por deveriam, ou se dá demasiado importância a coisas que não a têm.
Mas Zweig era mágico nesse formato. E "Amok" é mais um claro exemplo como uma história pequena pode ter o poder que o autor lhe quiser dar.











