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quarta-feira, 10 de junho de 2026

A Mãe de Frankstein, de Almudena Grandes

Senhoras e senhores, está na hora de pôr em dia, aqui, a chafarica.

O último post, com data de 18 de maio, foi de um livro que tinha lido 2 anos antes. E o post antes desse, de 7 de maio, foi de um livro que efetivamente tinha terminado recentemente. 

Depois de Hail Mary, realmente não li muito. Para maio, o tema do clube de leitura era "livro com uma relação maternal" e este, tendo "mãe" no título, pareceu-me adequado.

A Cristina de abril/maio era tão inocente. Abençoada alma!

A ação tem lugar em 1954, em plena ditadura franquista e passa-se sobretudo no hospital psiquiátrico feminino de Ciempozuelos, perto de Madrid.

Germán Velázquez, psiquiatra, volta a Espanha depois de alguns anos de exílio na Suíça. Vem trabalhar para Ciempozuelos, a convite de um antigo aluno do seu pai, também ele psiquiatra. 
Depois de anos na Suíça, Velásquez encontra um país acorrentado e bastante atrasado e conservador. 

Neste hospital, ele fica responsável por uma doente especial: Aurora Rodríguez Carballeira, uma mulher que 20 anos antes, havia assassinado a filha. 

Convém referir que esta personagem foi uma pessoa real e que este assassinato aconteceu realmente. 
Aurora assumiu a concepção da filha Hildegart como um projeto pessoal de desenvolvimento de uma pessoa superior. Quando percebeu que a filha estava a ganhar independência e a afastar-se dos seus planos, matou-a (aqui está o paralelismo com Frankstein e o monstro que criou).
Internada há mais de 20 anos, Aurora continua sem demonstrar arrependimento.

Velásquez faz amizade com Maria, uma jovem auxiliar do hospital. 
O avô tinha sido jardineiro do hospital e, curiosamente, durante o seu crescimento, Maria foi educada... por Aurora. Esta ensinou-lhe história, geografia, ciências, e Maria sempre viu esta mulher um olhar diferente de todas as outras pessoas que só viam alguém que assassinou a filha. 

Este vai ser o núcleo central da trama. E os capítulos vão circulando do ponto de vista destas 3 personagens.

Entre Velásquez e Maria vai nascer uma relação de grande afeto (um quase amor que ambos desesperam por ter) que vai bater de frente com a diferença de classes (ele medico, estudado no estrangeiro e ela, filha de comunistas e neta de um simples jardineiro) e com os preconceitos da sociedade da altura.

O livro está tremendamente bem escrito da primeira à última página. Apesar das suas 500 e qualquer coisa páginas, não houve nada que achei que estivesse a mais, como acontece com alguns livros mais volumosos. 

Vamos assistir de camarote à corrupção política e da Igreja, aos maus tratos infligidos aos mais fracos, à condição inferior da mulher em vários estratos da sociedade espanhola...

A Mãe de Frankstein é um livro incrível a todos os níveis.