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sábado, 7 de março de 2026

Graphic novels lidas

Em Fevereiro, também li duas graphic novels: O Corpo de Cristo, de Bea Lema, que me foi oferecido no Natal, e Radium Girls, de Cy. que comprei no Amadora BD de 2025. 

Fiquei apaixonada pela arte de O Corpo de Cristo no Amadora BD, mas obriguei-me a não comprar tudo o que gostava ou o ordenado do mês não iria chegar. Deixei-o lá, mas com um peso na consciência. 

Os meus cunhados tiveram dó de mim e, no Natal, deram-me. 

A arte é linda. Literalmente, o livro parece, todo ele, um bordado. Mas a história é tão delicada como a própria arte. 

Vera, a protagonista, conta-nos a história da sua vida desde a infância. A mãe, vinda de um meio ultra-religioso, convenceu-se que um demónio a vigiava. Isso tornou a vida daquela família, no mínimo, estranha. 

Para depois se perceber que a senhora sofria de psicose, com um nadinha de esquizofrenia e paranóia. 

À medida que Vera foi crescendo, foi também assumindo o papel de principal cuidadora da mãe: o pai escudava-se no trabalho e o irmão, simplesmente, não queria saber. 

Ou seja, temos mais uma história fortemente ligada à saúde mental e ao estigma que ela traz consigo e à redução da mulher como cuidadora. 

Um livro maravilhoso. 

A exposição do álbum Radium Girls provocou um certo impacto em mim, no Amadora BD. E foi um dos livros que fiz questão de trazer comigo. 

Conta a história real de um grupo de mulheres nos Estados Unidos na década de 1920.

Um grupo de jovens operárias trabalha na United States Radium Corporation, onde pintam os mostradores de relógios com uma tinta luminescente, à base de rádio. 

Através do método que usavam de molhar a ponta do pincel nos lábios, estas mulheres ingeriam quantidades insanas de rádio, sem saberem que era radioactivo. A empresa sempre lhes assegurou que era tudo perfeitamente seguro. 

Aos poucos, começaram todas a adoecer e a morrer. O livro foca-se na amizade entre as operárias e na luta jurídica que travaram contra a empresa, que tentou abafar o caso e culpá-las. 

Mais um livro maravilhoso. 

Estes sim, se conseguirem, leiam-nos. Recomendados a 1000% se tal fosse possível. 

sábado, 14 de dezembro de 2024

Na Cabeça de Sherlock Holmes, de Cyril Lieron e Benoit Dahan

 


Era impossível ler um livro mais bonito e imersivo do que este "Na Cabeça de Sherlock Holmes".

Este livro foi comprado no Amadora BD, no mês de outubro. Quando terminei "A Floresta Sombria" de Liu Cixin não me estava a apetecer lançar-me de cabeça em outro livro grande e complexo. Decidi que iria usar uma BD como "limpa palato".

A história  é simples: na Londres de 1890, é encontrado, na rua, um homem. Estava vestido apenas com pijama, magoado, sem memória... Com as horas a passarem, ele conseguiu dizer que era conhecido do Dr. Watson. 

Mais uma vez, encontramos um Sherlock Holmes aborrecido, sem ter nenhum mistério a que se dedicar... Nisto, batem à porta e é a polícia que traz consigo o misterioso homem, na esperança que Watson os ajude a identificá-lo. Trata-se, na verdade de Herbert Fowler, um médico que exerce no antigo consultório de Watson.

A aparência de Fowler e as circunstâncias que rodeiam este surgimento despertam Holmes do torpor em que se encontrava. 

A narrativa envolve circo, artes performativas, a guerra contra o ópio, China vs Grã Bretanha. E claro a presença dos  incontornáveis Mycroft e Lestrade.

Além da história ser uma verdadeira homenagem a Conan Doyle (a história não é um original do autor, mas !), a arte é perfeita. Os pormenores são perfeitos. A forma como o leitor é puxado a ter um papel ativo na resolução do mistério é perfeita. As cores usadas são perfeitas. 

Não posso falar muito para não estragar a surpresa que é ler este livro, mas cada página traz um elemento capaz de nos deixar boquiaberto. 

Não posso deixar de destacar a capa maravilhosa. Temos o contorno do rosto de Holmes, em recorte, e o desenho de baixo é uma representação daquilo que será o cérebro do mais afamado detetive britânico.