Tema do clube de leitura para março: ler uma escritora feminista.
Chimamanda - tenho para ler, mas não estava no mood.
Comecei outros 2 e continuava sem estar no mood. Eu sou leitora já muitos anos, e raramente leio este ou aquele autor pelas posições que defende. Leio, porque gosto. Ou não leio, porque não gosto.
E Isabel Allende é confortável. Allende é casa. Allende nunca desilude. Aliás, desiludida comigo fiquei eu por não me ter lembrado dela antes.
Allende é histórias que nos obrigam a parar tudo. São as mulheres de garra que não se deixam intimidar.
E Emilia é mais uma dessas mulheres fortes que se junta ao largo corredor de personagens saídas da imaginação de Allende.
A mãe da Emilia estava num convento. Entretanto, tem de fazer "serviço comunitário" e acaba por conhecer 2 homens: o diretor de uma pobre escola de bairro e um milionário chileno galã. Apaixona-se pelo segundo e engravida. Mas acaba por casar com o primeiro.
A Emilia nasce e sabe que aquele homem não é pai biológico dela, mas é ele que a cria e ela adora-o.
Ele, mais velho do que a mãe de Emilia, é louco por ambas e ensina à nossa protagonista tudo o que sabe. Especialmente a questionar, a ser curiosa e interessada pelo que a rodeia.
Isto tudo numa altura em que a mulheres ainda nem sequer votavam.
Emilia torna-se escritora (sob pseudónimo) e jornalista e vai cobrir a guerra civil no Chile.
Neste país, Emilia conhece o pai e uma tia. Conhece o Chile e as suas raízes. Apaixona-se pelo país e pelas suas gentes e, um dia, depois do fim da guerra não volta a casa: deixa o noivo (o seu colega jornalista) e parte para se descobrir pelo interior do Chile.
Goste-se ou não, Isabel Allende sabe contar histórias. E não tenho vergonha de admitir que gosto muito.
O meu nome é Emilia del Valle não é uma A Casa dos Espíritos, mas é um romance que se lê muito bem.

Sem comentários:
Enviar um comentário