Páginas

sábado, 28 de julho de 2012

Dois policiais, com grau de mistério elevado a mil...

Terminei há cerca de duas semanas, dois livros cuja temática é em tudo semelhante: ocorreu um crime e, materialmente, é impossível o criminoso ter-se evaporado da forma como o fez. Os investigadores, André Brunel e Sherlock Holmes, respectivamente, são os nomeados para desatarem - com mestria - estes mistérios.

Ambos os livros pertenciam a uma colecção de policiais, editados pelo Correio da Manhã, em tempos idos. 


Crimes sem Assassino, de Pierre Boileau
Paris, início do século XX. Os vizinhos são alertados por gritos à janela e observam impotentes à cena no prédio em frente: um casal a ser barbaramente assassinado em luta com o presumível assassino.
Ninguém consegue encontrar o assassino e a sua presença no prédio é materialmente impossível.
Apesar disso, as mortes sucedem-se a um ritmo alucinante. Serão crimes sem assassino...?



A Casa Vazia, de A.Conan Doyle 
Londres, finais do século XIX. Na casa senhorial ninguém ouviu o disparo. Contudo, havia um homem morto. A bala de revólver atravessou a janela e produziu uma ferida gravíssima. Provavelmente morte instantânea.
Lá fora, nem a terra nem as flores mostravam sinais de terem sido removidas. Tão pouco havia pegadas sobre a estreita franja de erva que separa a casa do caminho. Como ocorreu então a morte?

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Crónica do Rei-Poeta Al-Mu’tamid



Ana Cristina Silva é docente do Instituto Superior de Psicologia Aplicada, doutorada na área de psicologia da Educação e tem como área de especialização a aprendizagem da leitura e da escrita.
É autora de inúmeras obras publicadas como «As Fogueiras da Inquisição», a «Dama Negra da Ilha dos Escravos» ou a mais recente obra «As Cartas Vermelhas».

A «Crónica do Rei-Poeta Al-Mut’tamid» relata a história do rei Al-Mu’tamid nascido em Beja no ano de 1040. É o último rei da dinastia Abábida que governou a taifa de Sevilha no decorrer do século XI da nossa Era.

Baseando-se na poesia do rei e em factos históricos, a escritora elabora uma crónica ficcionada da vida desta personagem histórica, considerado um dos mais importantes poetas do Al-Andalus. Filho do cruel rei Al-Mutadid, aos treze anos comanda um exército que tem como objectivo esmagar uma revolta em Silves. Após estabilização do território o pai nomeia-o governador da região.

É em Silves que se tornará amigo de Ibn Ammar, também poeta, nascendo entre eles uma relação cuja natureza se especula. O então rei Al-Mu'tamid nomeará Ibn Ammar como seu vizir que dada a sua desmesurada ambição é responsável por inúmeras conspirações contra o seu rei e amigo que culminarão com a sua morte à machadada às mãos do próprio rei.

A vida deste rei-poeta e da sua amada I’timad é maravilhosamente relatada nesta obra escrita na primeira pessoa, supostamente durante o seu exílio em Marrocos e enquadra a poética da sua existência terrena e o dramatismo existencial que esteve presente ao longo da sua vida.

Acabará os seus dias no exílio em Tanger após o pedido de auxílio ao emir Almorávida do Norte de África que derrotará os cristãos de Afonso VI de Castela e Leão e que acabará posteriormente por tomar os reinos de taifas, incluindo Sevilha, tomando o rei Al-Mu’tamid como prisioneiro e deportando-o para Tanger onde acabará os seus dias.
Enterrado no cemitério local de Aghamat em Marrocos, tem sido local de peregrinação de muitos poetas.

Magnificamente escrita é uma obra que se recomenda não só pela intensidade emocional que revela como pelo dramatismo poético da vida de um rei, que afinal nasceu em território português e só queria ser poeta. Al-Mu’tamid e Ibn Ammar duas figuras históricas a descobrir.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Biombo Chinês, de Somerst Maugham

Esta obra é constituída por 58 short stories (algumas de apenas uma página), essencialmente sobre a presença britânica na China.
Como diz a contracapa (e que assino por baixo) "Como uma série de desenhos miniaturais, na tela suava de um biombo chinês, assim Somerset Maugham nos desenha estes perfis, evocando uma sucessão maravilhosa de casos."

Vou entrar agora na 30.ª história... e não queria parar!

terça-feira, 19 de junho de 2012

Chuva e outras novelas, de Somerset Maugham

Uma das grandes vantagens dos livros de contos de Somerset Maugham, é o facto das histórias serem curtinhas e uma pessoa não se perder em enredos e teias de relações inter-pessoais.

Chuva e outras novelas é um conjunto de contos (O Elemento Humano, Chuva, A Virtude, Para completar a dúzia, Jane - muito bom! - A Semente Exótica e O Impulso Criador) em que as pessoas fazem a diferença: os seus valores e a sua moral, os seus defeitos e características.

A determinada altura conseguimos simpatizar ou antipatizar com determinado personagem sem, no entanto, deixar de perceber porque tomam esta ou aquela atitude... exactamente, porque reconhecemos o carácter falível da "Pessoa".

Recomendo. Gostei muito!

domingo, 10 de junho de 2012

A Estrela do Diabo, de Jo Nesbø

Com "A Estrela do Diabo", cometi um erro: saltei o 2.º livro (traduzido para português) deste autor norueguês. Antes já tinha lido "O Pássaro de Peito Vermelho", onde "conheci" Harry Hole, um detective brilhante, mas com graves problemas relacionados com álcool.

Aqui, Jo Nesbø dá continuidade à sua personagem.

Está demasiado calor em Oslo. Trata-se do Verão mais quente desde há muitos anos e a cidade "fechou" com um feriado. Até que esta quietude modorrenta é abalada com a notícia de uma jovem encontrada morta no seu apartamento, com um dedo cortado e um pequeno diamante vermelho - cortado com a forma de uma estrela de pentagrama (estrela com 5 pontas) - colocado debaixo da pálpebra.

Depois desta macabra descoberta, Harry é destacado para investigar o caso, em parceria com Tom Waaler, de quem não gosta e de quem desconfia ter sido o mandante do homicídio da sua parceira, Ellen (que morreu  no 1.º livro, como podem ver aqui).

Passados alguns dias, uma mulher desaparece... e o seu dedo é enviado para o chefe da polícia, com uma jóia em forma de estrela, com 5 pontas.

Tudo leva a crer que Oslo tem um serial-killer à solta e cabe a Harry descobrir qual o próximo passo a dar para apanhar este louco, ao mesmo tempo que tenta desmascarar Tom Waaler.

Sobre o autor:
Jo Nesbø nasceu em 1960. Só começou a escrever aos 37 anos. Leu, jogou futebol com ambições profissionais, foi guitarrista num grupo rock . Tornou-se um autor em ascensão há dez anos; as suas histórias com Harry Hole são multipremiadas, e é a grande vedeta dos autores escandinavos, um dos mais talentosos e bem sucedidos escritores europeus.


quinta-feira, 31 de maio de 2012

A Casuarina, de Somerset Maugham

A Casuarina;
Antes da festa;
O paquete do Oriente;
O posto avançado;
A força das circunstâncias;
Atavismo;
A carta

e Post-Scriptum.

São estes os títulos dos contos que integram "A Casuarina" do britânico Somerset Maugham que terminei há instantes. Todos os contos decorrem no Oriente e são uma excelente maneira de passar as horas de almoço: em poucos minutos lemos uma pequena peça de muito boa literatura e... amanhã temos outra. 

domingo, 27 de maio de 2012

Os Pilares da Terra, volume II, de Ken Follet

William Hamleight continua tão pérfido como no volume I. A sua sede de vingança continua bem acesa contra todos aqueles que por uma razão, ou outra, não se vergam aos seus intentos.

Aliena, o seu irmão Richard, Tom Pedreiro, Ellen e Jack, bem como o pior Phillip estão-lhe atravessados na garganta... Como ousam serem felizes? Como ousa Richard em reclamar o título de conde de Shiring? A sua vontade em terminar com esse cenário é mais que muita, mesmo que para isso seja necessário matar... várias vezes.

A construção da catedral continua. As obras mostram-se mais e mais avançadas e a pequena localidade de Kingsbridge mais e mais próspera... até que William volta a interferir.

O livro "Os Pilares da Terra" é, sem sombra de dúvida, um dos livros melhor escritos que alguma vez li. As personagens (extremamente bem construídas e descritas) são fascinantes, com todos os seus defeitos e virtudes, a fundamentação histórica é excelente... um livros 5 estrelas.

Agora vou tratar de ver a série... promete!

(Nota: uma das melhores decisões da minha vida foi ter esperado pela Feira do Livro para comprar este livro. Em vez de 25 euros, custou pouco mais de 17 euros. OH YEAHH!!!)

quinta-feira, 24 de maio de 2012

O Agente Britânico, de Somerset Maugham

Terminei recentemente o livro "O Agente Britânico", deste escritor inglês. Esta obra tem uma particularidade: trata-se de um conjunto de contos que têm um único personagem principal,  Ashenden, escritor inglês que é espião em "part-time".

O que assistimos no livro é Ashenden a fazer aquilo que compete a espiões: conseguir informações que, depois, transmite ao seu superior. Baiscamente, cada capítulo é uma missão que se podem ler independentemente.

As histórias são baseadas na experiência do próprio Somerset Maugham, que foi agente durante a 1.ª Guerra Mundial.

sábado, 12 de maio de 2012

O Advogado do Diabo, de Morris West

Será Giacomo Nerone um santo? É isso que Meredith Blaise é encarregado de descobrir. Blaise é um homem da Igreja (a quem foi diagnosticado um cancro, e um tempo de vida mínimo)  e foi-lhe confiada a tarefa de partir de Roma para uma pequena aldeia italiana, recolher testemunhos que possam comprovar (ou não) a santidade de Nerone.

Vários outros personagens cruzam o seu caminho, e todos eles representam um pilar na construção de um melhor Meredith Blaise, até ao dia da sua morte.

Este livro foi-me recomendado pelo meu excelso companheiro, e excelentemente recomendado. Li-o de uma fiada. Trata-se de um romance muito bem escrito. Grande parte da sua história gira em torno da descoberta da Fé e das verdades desta mesma Fé, da construção de um caminho...

Gostei muito e entra na minha lista de recomendações.

(a edição que li é do Círculo de Leitores, de meados de 1992; a capa que aqui posto é meramente ilustrativa e não corresponde àquela que tive nas mãos)

terça-feira, 8 de maio de 2012

Pecados Conjugais, de Irving Wallace

Philip Fleming, um argumentista razoavelmente bem-sucedido e casado há 10 anos, nunca fora infiel a Helen. Até ao dia em que conhece Peggy Degen. A partir desse momento, tudo no mundo deixa de fazer sentido, excepto o desejo que sente por essa mulher.

É um romance. Ponto final. Não se pode inventar muito sobre os romances, a não ser que uma obra-prima magistral. É engraçado, lê-se bem, tem partes em que o leitor pode ter dois pensamentos: 1 - "Isto vai correr mal!" ou 2 - "Pá, deixa de ser burro, e deixa essa fulana em paz e sossego!".

Adianto já que, no final, o Philip fica com a esposa, a amante casa com outro homem e que fica tudo cor-de-rosa e feliz. Mas curiosamente, nem por um único segundo "torci" para que Philip e a lindíssima mulher por quem ele se apaixona [fica obcecado, é uma expressão melhor!] ficassem juntos. Não achei que houvesse química. Nunca ia resultar. Tal como este livro, que acaba por se resumir a um romance perfeitamente normal.