Leio desde que me lembro de mim como gente. E comecei a escrever em blogues há mais de 11 anos. Porque não juntar estes dois amores num único espaço? Aqui, só cabe aquilo que gosto... conheçam as minhas escolhas!
sábado, 31 de janeiro de 2026
Victorian Psycho, de Virginia Feito
quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
Trilogia de Copenhaga, de Tove Ditlevsen
(spoiler: é possível sim, se eu me organizasse melhor e escrevesse imediatamente após completar a leitura)
A minha primeira leitura do início ao fim de 2026 foi no âmbito do clube Regaleira de Livros - ler um autor novo.
Li a Trilogia de Copenhaga, de Tove Ditlevsen, autora dinamarquesa, falecida em 1976.
Nunca tinha lido nada dela, nunca sequer havia ouvido falar dela, mas os meus olhos, por alguma razão, prenderam-se nos dela que figuram na capa do livro. Um olhar onde li alguma tristeza. Não sei explicar.
Este livro é a sua autobiografia, desde os bairros pobres até se tornar uma escritora de sucesso: Infância / Juventude / Relações Tóxicas (já na idade adulta).
Fala das dificuldades da sua infância, da relação complicada com os pais, da sua ansiedade em completar 18 anos para sair de casa, dos amores, dos amores frustrados, dos casamentos, dos filhos...
Chorei algumas vezes com a Tove. Tentei, às vezes, esquecer que ela era apenas uma menina em alguns dos momentos em que me enervava com ela, para me conseguir enervar com propriedade.
E lembrei-me que ela era uma pessoa real, e uma menina, em muitos desses momentos, para me acalmar.
A vida dela não foi nenhum mar de rosas. E este livro não esconde nenhum dos espinhos. Ela não foi meiga consigo mesma e falou de tudo: as traições, o abuso de drogas, os medos...
Este livro é uma obra-prima. Cinco estrelas fáceis.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
Seis de Corvos, de Leigh Bardugo
Comecei a ver a série Shadow and Bone da Netflix e gostei imenso do universo. Depois de terminar as temporadas disponíveis, li os livros correspondentes da trilogia Grisha.
Mas havia um arco que não aparecia na trilogia: o arco do criminoso/ladrão Kaz Brekker e do seu bando. Percebi então que esse arco da série pertencia à duologia Six of Crows, que, na altura, não estava disponível em Portugal.
Até outubro passado. Como estava a ler outras coisas não peguei imediatamente nele, mas assim que terminei o que tinha em andamento, não hesitei.
E que bem que fiz. Kaz Brekker é um ladrão. E é o líder dos Dregs, um grupo de desajustados da sociedade: Jesper, um impressionante atirador, Inej, conhecida por Espetro, é capaz de se deslocar silenciosamente, Nina, uma Grisha que tem o poder, por exemplo, de baixar os batimentos cardíacos e Wylan, renegado pelo pai, é exímio no fabrico de bombas. Todos eles têm passados complicados, feito de mais baixos do que altos.
Kaz tem uma reputação intocável. E recebe uma missão que o fará milionário.
Ele e o seu grupo, ao qual se junta Mathias, um soldado de uma outra fração dado como morto, vão tentar alcançar o seu objetivo.
Esta história - categoria Young Adulto - está repleta de magia, fantasia, ação e algum humor. E, às vezes, é só mesmo isso que apetece.
Ao explorar um bocadinho mais este primeiro livro da duologia, soube que a autora se inspirou no filme Ocean's Eleven para escrever este livro - e faz todo o sentido: um grupo de indivíduos, com talentos especiais inatos, tenta roubar algo que mudará as suas vidas.
Compreendo que possa ser um livro que não agrade a todos. E como disse antes: às vezes, nem tudo tem de ser literatura com profundidade.
Seis de Corvos é um exemplo de como os livros de fantasia podem funcionar como um "limpa palato" de outras leituras, um intervalo nas nossas vidas mais stressantes...bem construído, bem escrito, com uma história simples de compreender, mas com personagens que não são bidimensionais - têm carácter, têm conflitos, têm personalidades marcantes e marcadas pelo passado individual.
Não custa nada dar-lhe uma oportunidade...
sábado, 10 de janeiro de 2026
Este Natal todos escondem um segredo, de Benjamin Stevenson
quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
Campo de Lava, de Yrsa Sigurdardottir
Huldar e Freyja.
terça-feira, 6 de janeiro de 2026
Temporada de Furacões, de Fernanda Melchor
Pouco depois do último post de 2025, ainda publicado em novembro, o Henrique ficou doente. Depois, fiquei eu doente. Depois o meu excelso esposo. Depois começaram os preparativos de Natal. E depois de ano novo.
E aquilo que eu queria ter feito ficou para trás na minha lista de prioridades. A vida a acontecer, portanto.
Isto tudo para chegar onde? Li uns 3 ou 4 livros e agora, com um atraso bastante relevante, vou aqui publicar as reviews.
Comecemos por Temporada de Furacões, da autora mexicana, Fernanda Melchor.
O corpo da Bruxa foi encontrado, por um grupo de crianças. Flutuava, sem vida, num canal de irrigação. Ninguém havia dado pela sua falta, porque ninguém de bem poderia, em boa fé, dar conta de privar com ela.
O que se segue é a descrição, pelos olhos de várias personagens da comunidade de La Matosa, dos dias que antecederam esta descoberta macabra.
Vamos acompanhar a descida ao inferno: a pobreza, os vícios e todos os tipos de violência que possam imaginar que assolam as pessoas que ali vivem e que estão diretamente ou indiretamente relacionadas com o assassinato da Bruxa.
É um livro muito difícil de ler. Não pela escrita, atenção, mas sim pela crueldade de alguns cenários. Temporada de Furacões é um livro onde não há gente totalmente boa, nem totalmente má.
É um livro onde as pessoas sobrevivem como podem. As escolhas são feitas com base no pressuposto que, dificilmente, as coisas poderão ficar pior.
Várias vezes tive de parar, respirar, pôr o livro de lado um par de dias, porque a minha mente não conseguia processar determinadas situações, dado que, felizmente, nunca tive de passar por elas.
É um livro duro. Bate-nos sem misericórdia, mas vale cada página. Sejam corajosos.





