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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Segredos Obscuros, de Hjorth & Rosenfeld

Já tinha lido este livro em 2018, mas como queria retomar a série Bergman, decidi voltar a lê-lo. E, na verdade foi como se o tivesse lido pela primeira vez, porque não me lembrava de absolutamente nada.

Um jovem desaparece em Västerås, uma cidade sueca. Roger, 16 anos... o desaparecimento é comunicado pela mãe à polícia.

Infelizmente, entra o fim-de-semana e muito pouco (nada, vá... sejamos sinceros!) é feito. A polícia assume que o jovem tinha saído para se divertir com os amigos. Chega a segunda-feira e o caso é entregue a um detetive que começa a trabalhar (muito lentamente e sem muito empenho!) no caso.

Até que o pior acontece e o corpo de Roger aparece. Sem coração. 

Uma brigada especial, chefiada por Torkel, é chamada a assumir o caso. E Sebastian Bergman, um antigo psicólogo que costumava trabalhar como profiler é integrado na equipa (com alguns votos contra de outros elementos da equipa. Sim, Ursula, estou a olhar para ti!).

Sebastian é um homem atormentado... perdeu a mulher e a filha, e não tem ninguém que lhe dê um rumo. Desde a tragédia tem afogado a sua própria mágoa em relações sexuais fortuitas e em álcool.

A mãe - não havia qualquer relação entre ambos - faleceu. No meio das coisas da falecida, encontra um molho de cartas, onde uma mulher, Anna, confessa estar grávida dele.

Sebastian não se recorda de quem é Anna, mas, no meio de tudo, saber que pode ser pai, acende nele qualquer coisa.

Tudo o que Sebastian faz a partir desse momento é apenas com uma coisa em vista: encontrar Anna e conhecer o/a seu/sua filho/a. E ser integrado na equipa de Torkel é apenas um passo na direção de encontrar Anna. 

Mas, a contragosto, Sebastian encontra neste caso algumas coisas que lhe aguçam a curiosidade, até que resolver o caso - não sendo a sua prioridade - é importante!

Muitos segredos que vêem a luz do dia, muito mistério, muita ânsia de descobrir o verdadeiro culpado, "o homem que não é um assassino"...

O livro está bem escrito. É daquele tipo de livros que nos "obriga" a virar página atrás de página atrás de página para descobrirmos o culpado. O final, sem ser absurdamente surpreendente, é bem costurado para nós fazer procurar o volume seguinte. 

Este homicídio fica resolvido, mas o arco se Bergman abre-se. Não. Escancara-se! E é aí que reside o sucesso deste tipo de livros. A receita é esta, vamos fazê-la render. E fazem-no bem. E, no fim do dia, é isso que importa.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Tudo é possível, de Elizabeth Strout

Em junho, durante a Feira do Livro de Lisboa, comprei o livro O meu nome é Lucy Barton, de Elizabeth Strout. 

Amei, adorei a personagem. 

Este livro não sendo uma continuação do arco de Lucy Barton conta-nos as histórias das pessoas de quem ela e a mãe falavam durante a estadia no hospital. 

Vamos mergulhar bem fundo na comunidade de Amgash, no Illinois, e conhecer algumas das suas pessoas: por exemplo, Tommy Guptill que teve, há muitos anos, uma quinta de produção de leite que ardeu, e que acaba por se tornar contínuo nas escolas de Amgash, onde conheceu Lucy Barton em criança, ou Patty Nicely, orientadora na escola secundária, que foi colega de escola de Lucy e que, agora tem em mãos reabilitar Lila, sobrinha da própria Lucy, uma jovem rebelde. Ou Pete Barton, irmão de Lucy, aquele que ficou para trás. Ou Dottie, a prima de Lucy, que agora arrenda quartos numa pequena pensão e que tem propensão para dizer o que lhe passa pela cabeça.

São pequenas histórias sobre pessoas. Lucy também aparece, não como protagonista, mas como personagem na história dos irmãos. 

Não vamos adiantar absolutamente nada no arco de Lucy Barton, mas dá-nos mais contexto. Aconselho a que este livro seja lido imediatamente após O meu nome é Lucy Barton.