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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Seis de Corvos, de Leigh Bardugo

O primeiro livro que terminei já em 2026 foi o Seis de Corvos da autora israelita/norte-americana Leigh Bardugo.

Comecei a ver a série Shadow and Bone da Netflix e gostei imenso do universo. Depois de terminar as temporadas disponíveis, li os livros correspondentes da trilogia Grisha. 

Mas havia um arco que não aparecia na trilogia: o arco do criminoso/ladrão Kaz Brekker e do seu bando. Percebi então que esse arco da série pertencia à duologia Six of Crows, que, na altura, não estava disponível em Portugal. 

Até outubro passado. Como estava a ler outras coisas não peguei imediatamente nele, mas assim que terminei o que tinha em andamento, não hesitei.

E que bem que fiz. Kaz Brekker é um ladrão. E é o líder dos Dregs, um grupo de desajustados da sociedade: Jesper, um impressionante atirador, Inej, conhecida por Espetro, é capaz de se deslocar silenciosamente, Nina, uma Grisha que tem o poder, por exemplo, de baixar os batimentos cardíacos e Wylan, renegado pelo pai, é exímio no fabrico de bombas. Todos eles têm passados complicados, feito de mais baixos do que altos. 

Kaz tem uma reputação intocável. E recebe uma missão que o fará milionário.

Ele e o seu grupo, ao qual se junta Mathias, um soldado de uma outra fração dado como morto, vão tentar alcançar o seu objetivo. 

Esta história - categoria Young Adulto - está repleta de magia, fantasia, ação e algum humor. E, às vezes, é só mesmo isso que apetece. 

Ao explorar um bocadinho mais este primeiro livro da duologia, soube que a autora se inspirou no filme Ocean's Eleven para escrever este livro - e faz todo o sentido: um grupo de indivíduos, com talentos especiais inatos, tenta roubar algo que mudará as suas vidas. 

Compreendo que possa ser um livro que não agrade a todos. E como disse antes: às vezes, nem tudo tem de ser literatura com profundidade. 

Seis de Corvos é um exemplo de como os livros de fantasia podem funcionar como um "limpa palato" de outras leituras, um intervalo nas nossas vidas mais stressantes...bem construído, bem escrito, com uma história simples de compreender, mas com personagens que não são bidimensionais - têm carácter, têm conflitos, têm personalidades marcantes e marcadas pelo passado individual. 

Não custa nada dar-lhe uma oportunidade...

sábado, 10 de janeiro de 2026

Este Natal todos escondem um segredo, de Benjamin Stevenson

No mês de dezembro, li também o livro Este Natal todos escondem um segredo de Benjamin Stevenson. Esta leitura foi feita no âmbito do clube de leitura Regaleira de Livros, grupo a que pertenço. O tema era obviamente Natal.

Depois de há uns meses ter lido Na minha famílias todos mataram alguém do mesmo autor, achei que podia ser interessante revistar o detetive amador Ernest Cunningham. 

Neste livro, Lyle Pearse, o atual companheiro da sua ex-mulher, Erin, aparece morto e ela é a principal suspeita. 

Ernest tenta assim ilibar a ex-esposa e enceta uma investigação a todos aqueles que diariamente se cruzavam com Lyle. Até que outro homicídio é cometido... 

Agora Ernest tem de investigar 2 homicídios, provar que Erin é inocente de ambos e planear o seu próprio casamento...

O Natal pede leituras simples e este autor segue muito a linha de livros com uma pitada (gigante) de humor. 

O mais giro é que este livro pode e deve ser lido como um calendário do Advento: um capítulo por cada dia de dezembro até à revelação do culpado no dia 24. Mas eu não tenho qualquer tipo de auto-controlo e li tudo de uma assentada. Sorry, but not sorry!!!

A receita é a de Agatha Christie: crime, investigação, imprevistos e resolução final com todos os suspeitos fechados num único espaço. 

Não vai ganhar nenhum Nobel da Literatura, mas é um livro divertido, despretensioso e podemos passar umas horas interessantes com ele.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Campo de Lava, de Yrsa Sigurdardottir

Estou oficialmente apaixonada pela dupla 
Huldar e Freyja. 

Ainda há pouco tempo, falava-se cá em casa que quando andamos mais cansados e queremos simplesmente relaxar, a tendência é sempre agarrarmos-nos às coisas que conhecemos e que nos dão conforto e familiaridade. Para mim, normalmente, são os livros policiais. 

Neste livro, é encontrado o corpo de um jovem investidor. Tudo apontava para suicídio, mas um pormenor chama a atenção dos investigadores: o homem tem um prego espetado no meio do peito o que aponta para que tenha sido um assassinato. 

Ao mesmo tempo, Freyja é destacada para visitar uma morada. Foi recebida uma denúncia anónima sobre uma criança abandonada. E lá estava a criança: um rapazinho que não sabia como ali tinha chegado, não conhecia a casa, não sabia quem o tinha levado e não conseguia dar outras informações, além dos diminutivos dos pais. 

O problema? Vimos a descobrir que a morada é da casa do jovem investidor assassinado. 

Freyja e Huldar juntam-se novamente para descortinar mais este mistério. 

Obviamente, não vou falar mais sobre este livro. Digo apenas que foi daquele género "vou só ler um bocadinho" e terminei-o em 3 dias, porque uma pessoa tem de sair para ir trabalhar. 

É, se não me engano, o quarto livro da série com esta dupla. E tem um final que nos dá um nó na cabeça...

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Temporada de Furacões, de Fernanda Melchor

Antes do ano de 2025 terminar li mais umas coisinhas que ainda não tinha tido a oportunidade de publicar.

Pouco depois do último post de 2025, ainda publicado em novembro, o Henrique ficou doente. Depois, fiquei eu doente. Depois o meu excelso esposo. Depois começaram os preparativos de Natal. E depois de ano novo.

E aquilo que eu queria ter feito ficou para trás na minha lista de prioridades. A vida a acontecer, portanto. 

Isto tudo para chegar onde? Li uns 3 ou 4 livros e agora, com um atraso bastante relevante, vou aqui publicar as reviews. 

Comecemos por Temporada de Furacões, da autora mexicana, Fernanda Melchor.

O corpo da Bruxa foi encontrado, por um grupo de crianças. Flutuava, sem vida, num canal de irrigação. Ninguém havia dado pela sua falta, porque ninguém de bem poderia, em boa fé, dar conta de privar com ela.

O que se segue é a descrição, pelos olhos de várias personagens da comunidade de La Matosa, dos dias que antecederam esta descoberta macabra. 

Vamos acompanhar a descida ao inferno: a pobreza, os vícios e todos os tipos de violência que possam imaginar que assolam as pessoas que ali vivem e que estão diretamente ou indiretamente relacionadas com o assassinato da Bruxa. 

É um livro muito difícil de ler. Não pela escrita, atenção, mas sim pela crueldade de alguns cenários. Temporada de Furacões é um livro onde não há gente totalmente boa, nem totalmente má. 

É um livro onde as pessoas sobrevivem como podem. As escolhas são feitas com base no pressuposto que, dificilmente, as coisas poderão ficar pior. 

Várias vezes tive de parar, respirar, pôr o livro de lado um par de dias, porque a minha mente não conseguia processar determinadas situações, dado que, felizmente, nunca tive de passar por elas. 

É um livro duro. Bate-nos sem misericórdia, mas vale cada página. Sejam corajosos. 

domingo, 4 de janeiro de 2026

Novo Ano, novas metas

Antes que se passem dois meses desde a minha última postagem... Bom 2026, pessoas!

Chegou, portanto, a altura do ano em que se apontam as novas metas e se faz o balanço do ano que passou. 

Em 2025, voltei a ser conservadora nas minhas apostas. Comecei em janeiro a apontar para 12 livros (um por mês). Em meados de março, alterei para o dobro e ainda assim ultrapassei largamente.

Estou bastante satisfeita comigo e com a generalidade dos livros que li. 

Uma das coisas interessantes do Reading Challenge do Goodreads não é apenas ver o número de livros que consegui ler no fim do ano, mas as estatísticas. 

O maior livro que li tinha 708 páginas. E o menor tinha 144. 

A média de notas que dei foi de 4.6 estrelas - que me diz que os livros que li foram, genericamente, muito bons. 

O dia 1 já lá vai e, este ano, volto a jogar pelo seguro e apontei para os 24 livros. Acompanham-me nesta caminhada?

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Crónica de uma morte anunciada, de Gabriel García Márquez

Depois de Morte nas Nuvens, ainda consegui ler mais este livrinho com a palavra "morte" no título.

Chegar a Gabo é chegar a casa. É saber que dali só pode sair algo bom ou muito bom. 

Santiago Nasar acorda às 05h30. Ele ainda não sabe, mas vai morrer dali a muito pouco tempo. Aliás, ele deve ser o único na cidade que não sabe que vai morrer; apesar de toda a comunidade ter conhecimento disso, a informação não chega a tempo de Santiago se precaver ou tentar defender-se. 

Há um casamento na cidade. Na noite de núpcias, descobre-se que a noiva já não é pura. Um nome escapa-se dos lábios "Santiago Nasar".

Os irmãos da jovem apressam-se a tentar obter a sua vingança de honra. Não escondem a ninguém a sua intenção, mas, poucos levam a sério a ameaça. Afinal de contas, ainda estão bêbados por conta do casamento. São rapazes tão bons e trabalhadores. Nunca se iriam revoltar contra o rico Santiago. 

Este livro está maravilhoso. Mais uma leitura de me aquecer o coração. A escrita de Márquez é simples. Conseguimos sentir as personagens. 

Gostei especialmente do "cameo" do coronel Aureliano Buendía, que nos indica que os eventos de Macondo descritos em "Cem Anos de Solidão" se passam no mesmo espaço-tempo que os deste livro. 

Crónica de uma morte anunciada é um livro minúsculo. Lê-se numa tarde. Promete bastante e entrega tudo o que prometeu. Metam na vossa lista. 

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Morte nas Nuvens, de Agatha Christie

Corria o ano de 2009, quando li este livro pela primeira vez. Lembrava-me de o ter lido? Não. Ao lê-lo, tinha flashes familiares? Talvez. Li-o até ao fim? Obviamente que sim. É Agatha Christie, dahhhh.

Poirot está no avião. A visão que tem de todos os passageiros é quase perfeita. O problema é que o seu estômago não está a colaborar e Poirot sente-se absurdamente incomodado. 

Apercebe-se dos 2 jovens que parecem estar a enamorar-se. Apercebe-se da tagarelice das damas ao seu lado. Apercebe-se de uma vespa e da pequena confusão que ela está a gerar. Só não percebe que atrás de si, a passageira está morta. 

Tão básico. Tão bom. Já disse várias vezes: a receita Agatha Christie é sempre muito semelhante, mas resulta tão bem. É o tipo de leitura que me deixa feliz. É a familiaridade. É o ler as pistas e tentar resolver o puzzle primeiro do que Poirot. 

Fiz esta leitura no âmbito do clube "Regaleira de Livros" a que pertenço. O tema de novembro foi escolhido para homenagear os mortos e é um livro com a palavra "morte" no título (ou seus derivados: matar, mataram... entendem a lógica).

sábado, 8 de novembro de 2025

A Absolvição, de Yrsa Sigurdardóttir

Terminei há um par de dias o terceiro volume da série "DNA" da escritora islandesa Yrsa Sigurdardóttir. 

(acho que estou demasiado investida nesta serie de livros)

Continuamos, obviamente, a seguir a psicóloga infantil, Freyja, e o polícia, Huldar, que continuam a colaborar quando algum caso envolve crianças ou adolescentes.

Neste livro, uma adolescente, Stella, é brutalmente atacada e desaparece. Tudo parece ainda mais perturbante quando se sabe que o assassino enviou mensagens através do Snapchat, para todos os contactos da jovem, com imagens do feroz ataque. 

Mas onde está ela? As possibilidades de ter sobrevivido são mínimas. 

Huldar continua a ser uma figura a evitar, dentro do departamento, após os desenvolvimentos do primeiro livro (em que ele ataca um suspeito) e do segundo livro (em que ele se envolve com a sua superior, são denunciados e é levantado um processo de assédio sexual). 

Para Freyja, a vida também não está a correr às mil maravilhas. Depois de ter sido despromovida após os eventos do primeiro livro, Freyja tenta redefinir-se.

Huldar pede-lhe ajuda para interrogar as amigos de Stella. Acabam por descobrir que Stella não era a pessoa perfeita que estava a ser apresentada: era a líder de um grupinho que se entretia a fazer bullying a uma colega. 

O corpo de Stella aparece com uma mensagem deixada, supõe-se pelo assassino: uma folha com um misterioso "2". 

Até que acontece um novo ataque. Um rapaz é atacado dentro de casa. O modus operandi é semelhante e, uma vez mais, imagens são enviadas através do Snapchat.

Qual é a relação entre estes dois casos?

Nunca escondi o meu fascínio pelos policiais nórdicos: são tão bem escritos que ficamos, efetivamente, absorvidos pela história que temos à nossa a frente. São cruéis e descritivos. Isto soa a red flag, mas juro que não sou psicopata. 

Mas desde Stieg Larson, os nórdicos são os meus preferidos. A violência existe e nem quero parar para pensar no processo de escrita destes livros, mas...nova red flag...ela está lá por um motivo. E, neste livro, o que mais me assustou foi: é possível que as situações, ali descritas, pelas vítimas de bullying podem acontecer na nossa realidade. 

Não me atrevo a tentar dizer em voz alta o nome Yrsa Sigurdardóttir, mas, se puderem, dêem-lhe uma hipótese. É..."chef kiss"...!

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Tóquio Express, de Seichō Matsumoto

Começamos com a descoberta de dois corpo na Baía de Hakata. Um homem jovem, vestido à ocidental, e uma mulher, também jovem, com um quimono. Tudo indica que se tratou de um suicídio entre dois amantes. 

Mas o inspetor Torigai acha que há algo mais. Os seus anos de experiência dizem-lhe que estás mortes não foram assim tão lineares. Aquilo que mais lhe desperta os sentidos é o facto do homem ter consigo o fatura de uma única refeição que fez a bordo do comboio que o levou àquele ponto. Uma única refeição para uma única pessoa. 

Partilha as suas dúvidas com o mais novo inspetor Mihara, que, de Tóquio, foi destacado para trabalhar naquele caso. As chefias querem apenas a confirmação que se trata de um duplo suicídio para fecharem definitivamente o caso. 

Mas Mihara levou em consideração as suspeitas do velho inspetor Torigai e começa a escrutinar cada pormenor que pode envolver um gigantesco caso de corrupção no governo.

Este livro ambienta-se no final dos anos 50, na zona de Tóquio, mas estive permanentemente com o livro "Os crimes do ABC" de Agatha Christie em mente. Talvez pela coincidência dos comboios e a rede ferroviária serem os grandes protagonistas. 

Mihara, por alguma razão, também me fez lembrar Poirot que não se deixava nunca cegar pelo óbvio - procurava fazer as suas próprias deduções e chegar a uma conclusão satisfatória justa. 

Gostei imenso deste livro: li-o em pouquíssimos dias (2 dias e pouco). É um livro com menos de 200 páginas, mas com um ritmo muito satisfatório. 

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Na minha família todos mataram alguém, de Benjamin Stevenson

Pelo menos, uma vez por ano, gosto de ler um livro incomum de mortes.
Já li: Como matar a tua família, de Bella Mackie, e O meu homicídio, de Katie Williams. 

Agora cheguei ao livro que ganha pelo título mais longo: Na minha família todos mataram alguém, de Benjamin Stevenson.

Este é um livro que, imediatamente, nas primeiras páginas diz ao que vai. O próprio narrador diz em que páginas vão acontecer cenas de crimes - não há cá escondidinho de matanças para ninguém. Ou será que há?

O nosso protagonista é Ernesto Cunningham, um autor daquele tipo de livros "Dicas para escrever um policial de sucesso". 

Logo sabemos que, por causa de denúncia dele, o irmão Michael encontra-se na prisão - depois de ter morto alguém. Mas a saída está para breve. 

Numa tentativa de reunir toda a família, a tia Katherine organiza um encontro num hotel na montanha. O problema? A família Cunningham é conhecida por ser altamente disfuncional. O pai de Ernest era, aliás, um criminoso de carreira, conhecido por ter morto a tiro um polícia.

E, após a primeira noite, surge o primeiro cadáver. 

O livro é divertidíssimo. O Ernest assume o papel de detetive-amador e tenta encontrar o culpado (ou culpados) pelos corpos que se começam a acumular. A quarta parede, essa então, é quebrada em todos os capítulos. E vamos sabendo o que se passa sempre pelos olhos e ouvidos dele. Resta-nos tentar juntar as peças mais depressa do que ele. 

Mas o caminho até chegarmos à meta é hilariante. 

Sei que o novo livro do autor volta a ter Ernest Cunningham como protagonista, mas este livro lê-se perfeitamente sozinho.