segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Lido: Perguntem a Sarah Gross

Que livro bom, senhores e senhoras! Em fevereiro, li Os Loucos da Rua Mazur, e tinha ficado rendida a João Pinto Coelho. Na altura, havia ficado com Perguntem a Sarah Gross na retina, porque as críticas a este livro eram tão boas como ao "Os Loucos".

Este fim-de-semana, passei na FNAC, e acabei por comprar a edição de bolso de Perguntem a Sarah Gross (sim, lembro-me de, recentemente, ter pedido para me internarem se voltasse a comprar um livro a curto prazo...).
Não resisti e comecei logo a ler. E li. E li. E eram mais meia dúzia de páginas. E li. E "assim como assim" já passei as 360 páginas. E li. E só faltam 50 para terminar. E terminei. Em menos de 24 horas.

João Pinto Coelho faz os trabalhos de casa. E, pela minha saúde, eu precisava de morrer e nascer outra vez para escrever como ele. Aliás, quando eu for grande quero saber escrever como ele. A magia, a realidade, o ambiente... as palavras que usa para descrever algumas das maiores crueldades que se passaram em Birkenau-Auschwitz nos anos da guerra têm uma incomum forma de arte.

Chorei a ler este livro. Pronto, está dito. E terminei-o a implorar silenciosamente, que João Pinto Coelho volte depressa aos escaparates das livrarias. Eu compro, mesmo que seja um livro a falar das pedras da calçada.

Kimberly é convidada a ir a uma entrevista a um dos mais conceituados colégios americanos. Sabemos que foge de alguma coisa, sentimos o seu desconforto, mas precisamos de avançar na narrativa para "ouvirmos" pela sua voz o que tanto a afeta.

Pela frente, tem Sarah Gross, a diretora do colégio. Uma mulher enigmática, mas que consegue transmitir fortes emoções apenas com o olhar. Kimberly consegue a vaga e muda-se para o Colégio de Saint Oswald's. Cedo percebe que Sarah Gross é uma voz dissonante junto daqueles que querem manter vivo o espírito elitista da instituição. Reformular e modernizar o colégio é uma das missões a que se propõe.

Ao iniciar o 2.º ano letivo no Colégio, numa bela manhã, perto do Natal, Kimberly vê o seu mundo abalar, com uma descoberta perturbadora. E, essa descoberta, vai levantar muita da poeira acumulada ao longo de anos de encobrimentos, dor e sacrifício.

Perguntem a Sarah Gross começa em 2013, com a nossa narradora a contar eventos passados nos finais dos anos 60; eventos esses que vão sendo intercalados com episódios passados na Polónia dos anos 20 e 30, pouco antes do início da 2.ª Guerra Mundial.

Senti a dor de cada uma das personagens. João Pinto Coelho já me havia transmitido essa sensação, e agora pude confirmá-lo. Ainda estou ligeiramente ansiosa com o que li, quase como se eu própria fosse a portadora de segredos tão obscuros como aqueles que Sarah, ou até mesmo Kimberly, suportaram.

Leiam. A sério. Leiam Perguntem a Sarah Gross. Vale cada segundo do vosso tempo.
Comprar livros é um luxo. Comprar literatura não é barato, mas esta edição, custou menos de 10 euros. Estou sem óculos e fiz um esforço bastante grande para ler aquelas letrinhas inerentes a uma edição de bolso, mas dormi com a alma preenchida.


domingo, 9 de setembro de 2018

Rentrée literária do Grupo 20|20

A reentrada na nova temporada do Grupo 20|20 começou no passado dia 30 de agosto com o lançamento de 21 Lições do Século XXI, de Yuval Harari. 


No seguimento do enorme sucesso de Sapiens e Homo Deus - obras recomendadas por líderes como Barack Obama, Bill Gates ou Mark Zuckerberg - o fenómeno global Yuval Harari regressa com mais uma obra desafiadora, geradora de uma leitura voraz, de escrita escorreita, mas entusiasmante, acessível a todos os leitores.

Em Sapiens, o meu primeiro livro, revisitei o passado do homem, descrevendo o modo como um macaco insignificante se tornou o dono do planeta Terra. No meu segundo livro, Homo Deus, explorei uma visão a longo prazo do futuro da vida humana, contemplando como poderemos eventualmente tornar-nos deuses, e refletindo sobre os limites até onde a nossa inteligência e a nossa consciência nos poderão levar. O meu novo livro debruçar-se-á sobre o estado presente do mundo.

Qual o verdadeiro significado dos eventos que hoje testemunhamos e como poderemos lidar com eles à escala individual? Que desafios e escolhas se nos deparam? O que poderemos legar ou ensinar aos nossos filhos? Algumas das questões que procurarei explorar e dar resposta incluem o significado da ascensão de Trump, se Deus estará ou não de regresso ao nosso mundo, se o nacionalismo pode ser a resposta a problemas como o aquecimento global.

21 Lições do Século XXI está dividido em 5 partes (O Desafio Tecnológico, o Desafio da Política, Desespero e Esperança, Verdade, Resiliência), cada uma delas com questões dedicadas a temas específicos, no total de 21 lições para o Século XXI.

Sobre o autor:
Yuval Noah Harari é historiador, investigador e professor de História do Mundo na Universidade Hebraica de Jerusalém, considerada uma das melhores instituições de ensino a nível internacional. Doutorado em História pela Universidade de Oxford, Harari tem-se dedicado ao estudo e ensino da História, encorajando os seus alunos a questionar os conhecimentos e ideias que têm por garantidos sobre a vida, o mundo e a humanidade.

Harari foi duas vezes vencedor do Prémio Polonsky para Criatividade e Originalidade nas Disciplinas de Humanidades, em 2009 e 2012. Publicou numerosos livros e artigos científicos. Sapiens: História Breve da Humanidade (ed. Elsinore, 2017) é bestseller internacional, publicado em mais de vinte línguas. É também autor de Homo Deus (ed. Elsinore, 2017), sucessor de Sapiens, no qual aborda o futuro do ser humano.

sábado, 8 de setembro de 2018

Lido: 2666, de Roberto Bolaño

Nunca um livro me deu tanto "trabalho" como 2666. Demorei quase quatro meses a lê-lo. Foram 1000 e algumas páginas.

2666 é, definitivamente, o livro mais complicado que alguma vez me passou pelas mãos. Algumas vezes (não poucas) pensei em colocá-lo de lado, mas olhava para o tempo já "gasto" e continuava a avançar.

Algumas vezes (não poucas) pensava "onde é que ele quer chegar com isto?", mas com calma e paciência, cheguei ao fim e as pontas uniram-se.

2666 foi o último livro escrito por Bolaño, antes de falecer em 2003, o que lhe dá uma aura de "incompleto", mas sem o estar. No fim, naquela última página, não ficamos desiludidos.
De acordo com o que percebi, 2666 está estruturado como se a ideia fosse serem romances independentes, com uma linha condutora comum: o assassinato de mulheres em Santa Teresa, uma cidade mexicana, junto à fronteira com os Estados Unidos da América (a cidade é transposição ficcional de Ciudad Juárez).

No início, temos quatro académicos - uma inglesa, um italiano, um espanhol e um francês - especialistas na obra do misterioso autor alemão Benno von Archimboldi.
Archimboldi, apesar da longa obra publicada, mantém-se longe dos holofotes da fama (cada vez mais) crescente. E esse espectro de mistério que faz com que os quatro o tentem encontrar. Assim, dão por si a viajar para o México, último lugar onde supostamente Archimboldi teria sido avistado. Entre os quatro começam a nascer relações cada vez mais distantes daquilo que os tinha unido em primeira instância. Aqui, começam as primeiras notícias de mulheres assassinadas.

Depois, no capítulo seguinte, temos Amalfitano, um professor, transferido para a Universidade de Santa Teresa, que se faz acompanhar da filha, Rosa. O seu maior receio é que Rosa se torne mais uma vítima.

O capítulo seguinte fala-nos de um jornalista afro-americano, que vai ao México para cobrir um combate de boxe, apesar de "Desporto" não ser a sua área de especialidade. Lá, conhece um camarada mexicano que lhe chama a atenção para os assassinatos. Conhece também Rosa (a jovem do capítulo anterior), e o pai paga-lhe para levar a jovem para os EUA. A última vez que sabemos deste jornalista é quando ele vai a um estabelecimento prisional entrevistar o único suspeito detido dos assassinatos, Klaus Haas.

O quarto capítulo é o dos assassinatos propriamente ditos, até à prisão de Haas. São muitos assassinatos. Umas mulheres são identificadas, outras não, que acabam por ir parar a uma vala comum. 112 mulheres mortas em Santa Teresa no espaço de quatro anos, para sermos mais exatos.

No último capítulo, assistimos ao nascimento de Benno von Archimboldi, até ao momento em que as pontas soltas de todos estes capítulos se unem.

Como disse antes, 2666 tem um total superior a 1000 páginas e é dono e senhor de uma complexidade que poderá não estar ao alcance de todos. Demorei a engrenar... talvez por isso tenha demorado quatro meses (menos quatro dias) a terminá-lo. Cansava-me, e pegava noutro livro. Voltava a 2666. Cansava-me e via uns quantos episódios de uma qualquer série de seguida. Voltava a 2666. Cansava-me e dormia a sesta.

Todos estes apartes, 2666 é um livro bom. Muito bom. Percebe-se porque é considerado dos melhores livros em língua espanhola dos últimos 25 anos.

2666 é um livro publicado em 2004, já depois da morte do seu autor.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Novidade: Os Provocadores de Naufrágios, de João Nuno Azambuja

Desde 4 de setembro nas livrarias

Sobre o livro:
1Os Provocadores de Naufrágios nasce da inquietação do autor em adaptar as memórias de Klaus Kittel, um luso-alemão que cresceu na cidade do Porto e lutou junto das tropas de Hitler na II Guerra Mundial. 

Os manuscritos foram descobertos por acaso numa casa desabitada na cidade invicta. Segundo João Nuno Azambuja, «aquelas páginas, escritas em alemão, exibem a nudez da mais singela das sinceridades, vogando ao longo da intensa vida de um homem».

Uma história com tanto de improvável como de real, de um homem que sentiu na pele a crueldade humana, numa época de terror, guerra, morte e totalitarismo. Ao longo de 304 páginas, acompanhamos Kittel nos bombardeamentos aliados, na fuga ao Exército Vermelho, no discurso para a elite do Partido Nazi e, ainda, na fuga do campo de prisioneiros, com uma misteriosa ajuda de Álvaro Cunhal.

Dezenas de fintas ao destino de um escravo, soldado e marido. Nas palavras do autor, Kittel fora «um homem que amou mais do que prometia a força humana».

Os Provocadores de Naufrágios apresenta um prefácio de Miguel Real, que elogia o «notável trabalho sobre a categoria de tempo», e a alta recomendação de Isabel Pires de Lima. Para a ex-ministra da Cultura: «Os Provocadores de Naufrágios confirma João Nuno Azambuja como um escritor ao qual é preciso doravante estar atento.»

Ficha técnica:
Os Provocadores de Naufrágios
João Nuno Azambuja
Ficção / Romance
304 páginas · 15x23 · 16,00 €
Guerra e Paz Editores

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Primeiro post da temporada de pré-outono

Apesar do mês de agosto ser, por excelência, o mês de férias de Portugal e dos portugueses, todos os dias, recebia comunicados das editoras com as novidades. Nestes últimos dias, estas comunicações têm sido ainda mais frequentes... estamos, oficialmente, na rentrée!!!

Estou a começar a preparar alguns posts com algumas das novidades das próximas semanas do mercado livreiro. Há muitas e boas notícias do que virá por aí.

Para começar, já no próximo dia 18, é lançado o 4.º livro da saga de Cormoran Strike, por Robert Galbraith, pseudónimo de J.K. Rowling. Li os primeiros três livros e estou em pulgas por este Lethal White.

Neste volume, Strike, um veterano de guerra e detetive privado, e a sua assistente Robin Ellacourt seguem o rasto de um crime que um jovem rapaz mentalmente perturbado diz ter sido testemunha. A história vai levá-los de becos londrinos a assustadoras casas senhoriais inglesas, aliando o suspense ao drama pessoal das personagens principais.

Em Portugal, os livros têm sido lançados pela Presença, e pelo que sei, ainda não há data anunciada para a versão portuguesa. Resta-me esperar, pacientemente.

E espero, também pacientemente, que alguma televisão compre a série televisiva da adaptação da HBO. Tom Burke (Os Mosqueteiros) e Holliday Grainger (Os Bórgia) interpretam os papéis principais. E, posto isto, Tom Burke é, oficialmente, o meu novo crush da TV britânica. 

Trailer oficial


sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Lido: Nunca é tarde para mudar, de Marisa Galvão

"Espero que seja uma leitura agradável e quem sabe até inspiradora. Beijinhos, Marisa"

Esta é a análise há algum tempo na gaveta e que ainda não tinha tido a hipótese de publicar ainda. Com as férias, e o facto do Kindle andar sempre comigo, os livros físicos têm tido menos hipóteses de passear comigo.

Marisa Galvão é uma autora de Queluz que tive o prazer de "conhecer", no ano passado - não pessoalmente, por enquanto - mas através de notas de imprensa. Em 2017, lançou o seu primeiro livro "Um dia de praia" e, mais recentemente, o romance "Nunca é tarde para mudar".

Gentileza da própria, que me ofereceu um exemplar com a dedicatória com que abri este texto, pude conhecer Ricardo.

Ricardo é um jovem médico, da área do Porto, que acaba de ficar noivo de Bárbara, uma mulher lindíssima, elegante e bastante ambiciosa. Logo de início, percebemos que Ricardo gosta muito dela, mas quando o tema é "constituir família", Bárbara explode (mais tarde, viremos a saber o porquê... e, confesso, até nutri alguma simpatia por ela)

Não gostei da Bárbara logo de início... (Marisa, era este o objetivo???); fútil ao expoente máximo, esta personagem conseguiu irritar-me só de tentar criá-la, tentar ouvi-la e tentar senti-la na minha mente.

Depois de mais uma discussão, precisamente no dia do pedido de casamento, o casal separa-se e Ricardo decide mudar e tentar singrar por ele próprio... em Madrid. Quem o conhece, fica perplexo com a súbita decisão, mas Ricardo parece mais que decidido.

Em Madrid, conhece Beatriz, que o faz ver as coisas de uma outra perspetiva, com o "salero" espanhol que Ricardo bem necessita no momento... regressado a Portugal, para ultimar as mudanças para Espanha, descobre que Bárbara está grávida...

Não vou adiantar mais, porque julgo que "Nunca é tarde para mudar" merece ser descoberto por ele próprio. É um livro pequenino, lê-se muito bem, especialmente quando estamos já engrenados no "motor" Ricardo.  Para quem ainda estiver de férias, é perfeito para as tardes de praia em que gostamos de uma literatura leve e divertida.

E outro ponto positivo: a cidade do Porto. Só o facto do nosso protagonista ser portuense dá-lhe um charme especial. Adoro a cidade do Porto e adorei a escolha da Marisa Galvão de "fugir" da Lisboa tão habitual na literatura nacional. A determinada altura do livro, Ricardo vai a Matosinhos, e, de repente, vi-me também naquela praia lindíssima, onde estive há tantos anos.

Marisa Galvão tem uma escrita muito dinâmica. Não há momentos mortos, nem páginas para "encher chouriços" como tantas vezes encontramos em livros de autores mais conhecidos.

Podem encontrar o livro no site da editora Fly Books. O primeiro livro ainda existe em stock na FNAC e na Wook.

Lido: As Raparigas Esquecidas, de Sara Blædel

Cerca de 24 horas separam o momento em que comecei e terminei de ler "As Raparigas Esquecidas" da dinamarquesa Sara Blædel, a proclamada "rainha dinamarquesa do thriller".

As Raparigas Esquecidas é um livro de 2016 e conta-nos a investigação de Louise e Eik, do recém-criado Departamento de Pessoas Desaparecidas, após o corpo de uma mulher ter sido encontrado num bosque. Um dos traços mais significativos é uma cicatriz no rosto que se estende até aos ombros. Mas não existem quaisquer registos do desaparecimento de alguém com aquelas características.

Até que, após a divulgação da foto nos media, alguém a reconhece. É uma antiga paciente de uma instituição para doentes mentais, que havia sido dada como morta há mais de 20 anos.

A investigação leva Louise e Eik a levantarem questões que, durante muitos anos, outros se esforçaram por acobertar... ao mesmo tempo que novos crimes vão acontecendo.

Trata-se de um livro muito bem conseguido. Estando de férias, cá por casa, temos-nos esforçado para passar pouco tempo dentro de portas e aproveitarmos ao máximo estes dias de verão... mas, qualquer bocadinho, era o ideal para pegar no livro e ler até à interrupção seguinte.

Ao contrário de outros livros de autores nórdicos que já li, este não se passa num inverno frio e sim, em meados de maio, onde o tempo está ameno... um forte contraste ao que estamos habituados a ler, quando os invernos são rigorosos e sentimos a luta interna dos protagonistas em se manterem focados no trabalho.

No final deste livro, há um "clifhanger" que abre o leque à continuidade de um arco, entretanto aberto, e que se relaciona com o suicídio de Klaus, namorado da protagonista quando esta era adolescente.

Entretanto, em Portugal, é possível encontrar, além deste, mais três títulos assinados por Sara Blædel que, na minha modesta opinião, é uma excelente contadora de crimes, não tivesse ela sido jornalista nesta área.

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Lidos - temática "Auschwitz"

Sou uma fascinada por História; especialmente, no que concerne à 2.ª Guerra Mundial, por ter sido o conflito mais mortal da história da humanidade.

A 2.ª Guerra Mundial terminou "apenas" há 73 anos, e, ainda assim, hoje, cometem-se os mesmos erros do passado - às vezes, dou por mim a pensar que a Humanidade não pode ser assim tão esquecida, que tenha reservado, num canto escuro da memória coletiva, os horrores que aconteceram entre 1939 e 1945. 

Como interessada que sou pela temática, gosto de ler e de assistir a documentários sobre esta época. Especialmente, sobre o Holocausto, Auschwitz e os campos de concentração... comecei bem cedo, com o Diário de Anne Frank. Já estive, inclusivamente, no anexo onde Anne, a família e os restantes residentes estiveram escondidos, na Holanda. 

Desde dia 15 - o dia em que entrei "oficialmente" de férias - li "A Bibliotecária de Auschwitz", de Antonio G. Iturbe, e "Sonata em Auschwitz", de Luize Valente.

O 1.º é baseado na pessoa de Dita Kraus, hoje uma senhora de quase 90 anos, que era a fiel guardadora da biblioteca secreta de apenas oito livros que Fredy Hirsch ergueu no campo familiar BIIb de Auschwitz II-Birkenau. Fredy Hirsch foi um judeu, educador, que organizou uma escola clandestina em Auschwitz, onde as crianças podiam, durante o dia, esquecer um pouco os horrores que ali se viviam e manter alguma normalidade.
Dita tinha apenas 14 anos quando assumiu esta difícil e perigosa tarefa: guardar, distribuir e cuidar da frágil biblioteca. 

Neste livro, "desfilam" muitos dos nomes que, ao longo dos anos, fomos associando à "fábrica da morte", como é o caso de Mengele. 

Quando chegamos ao fim do livro, Iturbe conta-nos como conheceu Dita e, aí, levamos um segundo baque quando percebemos que a "nossa" pequena Dita que viu os pais serem mortos, é alguém que, efetivamente, sobreviveu ao pesadelo. 
A Bibliotecária de Auschwitz é um livro de 2013 e está na lista dos livros recomendados para o Ensino Secundário. 

Dita cruzou-se, inclusivamente, com Anne Frank e a irmã, em Bergen-Belsen, pouco antes destas morrerem. 

Terminei Sonata em Auschwitz há instantes. Este livro, com um caráter mais ficcional, segue Amália, uma jovem portuguesa que procura as suas verdadeiras raízes. O pai, Hermann, é alemão, naturalizado português, que há anos cortou os laços com os seus próprios pais. Hermann sofreu na pele a dureza do regime de António de Oliveira Salazar, foi torturado e foi para o exílio.
Um dia, apanha, por acidente, uma conversa telefónica entre o pai e a avó - quando supostamente  não se falavam, onde Gretl fala de Frida, avó de Hermann que, aos 100 anos, gostaria de fazer as pazes com o neto. 
Amália, em segredo, vai para Berlim e conhece Frida, a bisavó alemã que lhe conta a história de Friedrich, pai de Hermann, um capitão nazi que, nos seus últimos dias de vida, salvou uma recém-nascida judia.
Sonata em Auschwitz é um passeio primeiro pelas memórias de Frida, depois de Adele e, por fim, de Enoch... todos protagonistas que uma história com um final, pelo menos, um pouco feliz. 
Este livro foi editado este ano, pela Saída de Emergência (link direto para a página da SdE com a ficha técnica do livro). 


quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Lido: A Ilha dos Segredos, de Nadia Marks

Terminei há instantes de ler uma das novidades desta estação do Clube do Autor. Gentileza da editora, pude ler A Ilha dos Segredos.

Começo pelo título: às vezes, gostava que os títulos fossem menos traduzidos. Depois de ler o livro e de ver o título original, prefiro-o ao da tradução portuguesa: Among the lemons trees... acho que apela muito mais à Grécia e ao espírito romântico que o livro emana.

Trata-se de um romance perfeito para ler no verão, entre mergulhos, ou para "esplanadar".

Anna é artista freelancer, perto dos 50 anos, já com dois filhos adolescentes e um casamento estável de 25 anos. Um dia, o marido, após um problema cardíaco, diz-lhe que se apaixonou por outra pessoa.

Desolada e, especialmente, triste com o facto do marido ter colocado em causa toda uma vida em conjunto, Anna decide acompanhar o pai, já octogenário, no seu regresso a casa, numa pequena ilha grega.

Lá, Anna conheço Nicos, um pintor solitário por quem se apaixona; mas... é após encontrar um conjunto de cartas antigas, pertencentes à tia Ourania (uma prima direita do pai, que nunca casou) que Anna vai descobrir vários segredos que acompanham a sua família desde há mais de 60 anos. E, ao mesmo, tempo descobre os vários significados da palavra "amor" - que, em grego, pode ter quatro significações diferentes, consoante os "graus" de amor e os destinatários desse amor.

O livro não tem 300 páginas e lê-se perfeitamente em poucos dias, já que nos começamos a envolver na história dos protagonistas, nos amores e desamores, na descrição das paisagens e dos cheiros... e quando damos por nós, estamos a olhar para fotografias de ilhas gregas e a pensar na melhor altura de lá ir.

Sobre a autora
Nadia Marks(nome de solteira: Kitromilides - que significa "limões amargos")nasceu no Chipre, mas foi criada em  Londres. Ex-diretora criativa e editora associada em diversas revistas britânicas de destaque, é agora romancista e trabalha como escritora freelance para várias publicações nacionais e internacionais.

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Lido: Segredos Obscuros, de Hans Rosenfeldt e Michael Hjorth

O regresso aos policiais nórdicos. Desde (pasmem!!!!)... 18 de outubro de 2017 - que não li nenhum policial escandinavo. Já li americanos e franceses, mas uma pérola do Norte... nada!!!

Um destes dias, na FNAC, encontrei uma edição engraçada de "Segredos Obscuros": capa dura, com um tamanhinho portátil (sem ser de bolso) e a custar pouco mais de 12 euros. Peguei nele e trouxe-o para viver em Sintra. Peguei nele para o ler a 30 de julho e demorei uma semana a terminá-lo, porque só lia à noite...

Um jovem desaparece em Västerås, uma cidade sueca. Roger, 16 anos... o desaparecimento é dado pela mãe.Infelizmente, entra o fim-de-semana e muito pouco (quase nada, vá... sejamos sinceros!) é feito. Não era a primeira vez, e os policiais assumiram que o jovem tinha saído para se divertir com os amigos. Chega a segunda-feira e o caso é entregue a um detetive que começa a trabalhar (lentamente!!!) no caso.

Até que o pior acontece e o corpo de Roger aparece. Sem coração. Uma brigada especial é chamada a assumir o caso - até que Sebastian Bergman, um psicólogo que costumava trabalhar como profiler é integrado na equipa.

Sebastian é um homem atormentado... perdeu a mulher e a filha, e não tem ninguém que lhe dê um rumo. A mãe - não havia qualquer relação entre ambos - faleceu. No meio das coisas da falecida, encontra um molho de cartas, onde uma mulher confessa estar grávida dele.

Tudo o que Sebastian faz a partir desse momento é apenas com uma coisa em vista: encontrar esta mulher e conhecer o/a seu/sua filho/a. E ser integrado nesta equipa é apenas um degrau. Mas Sebastian encontra neste caso do homicídio de Roger algumas coisas que lhe aguçam a curiosidade, até que resolver o caso - não sendo a sua prioridade - é importante!

E resumidamente, é muito isto. Muitos segredos que vêem a luz do dia, muito mistério, muita ânsia de descobrir o verdadeiro culpado, "o homem que não é um assassino"...

Vim a descobrir que a saga Sebastian Bergman deu origem a uma mini-série, com um aspecto muito interessante... ouviste, Netflix?!