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quinta-feira, 13 de agosto de 2026

O Tesouro, de Selma Lagerlöf

A história arranca com um crime: um bando de mercenários assalta a casa paroquial de Solberga, assassinando o pastor Arne, toda a sua família e os seus empregados. 

Antes de incendiarem o edifício, os mercenários roubaram uma arca que continha o lendário tesouro do pastor Arne. 

Apenas uma jovem, Elsalill, filha adotiva do pastor Arne, sobrevive milagrosamente à tragédia.

Elsalill é acolhida numa estalagem costeira e apaixona-se por Sir Archie, um escocês que lhe promete o mundo caso ela parta com ele para a Escócia daí a poucos dias. Mal ela sabe que este homem é um dos cabecilhas do assassínio da sua família.

A partir daqui, a autora sueca constrói uma narrativa que mistura elementos góticos, fantásticos e sobrenaturais onde a paisagem é uma das protagonistas. 

Um dos elementos-chave é o rio congelado, apesar de ser quase Verão. O barco que é suposto levar o tesouro roubado e os homens não consegue partir e o capitão pensa que, talvez, haja alguma razão divina para essa situação.

Juro que não estava à espera de gostar tanto como gostei. Foi uma daquelas leituras escolhida meio ao acaso - o tema do mês do clube de leitura é livro com um elemento de "água" na capa, no nome ou ilustração, neste o destaque é o do rio gelado. 

Mas dei por mim, de forma talvez demasiado efusiva, a gritar com a Elsalill para ela relembrar os acontecimentos da noite fatídica... 

Muito bom livro. Ainda por cima é pequeno - menos de 100 páginas - que se lêem em menos de nada. Recomendadíssimo. 

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Rapazes de Zinco, de Svetlana Alexievich

Já voltei ao trabalho, mas em julho, antes de regressar ao escritório, consegui ainda ler Rapazes de Zinco, da escritora Svetlana Alexievich. 

Dela já li: Vozes de Chernobyl, A Guerra não tem Rosto de Mulher e O Fim do Homem Soviético. 

Rapazes de Zinco tal como os outros livros são um chapadão que a autora dá no regime soviético. 

Entre 1979 e 1989, a União Soviética esteve envolvida numa "operação militar internacionalista especial" no Afeganistão. 
Se, oficialmente, esta era uma operação de manutenção da paz, no teatro das operações, milhares morriam ("rapazes de zinco" é referência aos caixões de zinco selados que transportavam os restos mortais dos caídos).

Para quem não conhece o estilo, os livros de Svetlana são documentários escritos. A autora conversou com pais, esposas,  veteranos e veteranas desta guerra e compilou as suas histórias que desmontam as todas as mentiras contadas pelo governo sobre o conflito. 

Desde os pobres equipamentos - ainda do tempo da Segunda Guerra Mundial - passando pela falta de mantimentos, água, abrigos, material médico, até ao apoio inexistente após o regresso, tudo correu mal. Mas, a versão oficial dizia o contrário: tudo perfeito e a decorrer conforme as expetativas. 

O conflito ceifou a vida de cerca de 15 mil soldados soviéticos e deixou mais de 450 mil feridos e doentes (com gravíssimos problemas psicológicos).

(mais uma vez, chorei horrores com os testemunhos das mães)

Depois da publicação do livro, várias mães de soldados e veteranos (influenciados por organizações militares) processaram a autora em tribunal no início dos anos 90. Alegavam que o livro destruía a memória dos soldados e que apenas pretendia atacá-los e retratá-los como assassinos. O livro inclui atas dos julgamentos. 

Tenho a sensação que sempre que leio um livro de Svetlana Alexievich, fico muito telegráfica, porque não é fácil falar sobre eles. Só lendo. Palavra de honra. 

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

A minha irmã é uma serial killer, de Oyinkan Braithwaite

Como disse no post anterior, no verão, tenho a pancada de ler livros com mortes incomuns.

Já li: Como matar a tua família + Bela maneira de morrer, ambos de Bella Mackie, O meu homicídio, de Katie Williams, e Na minha família todos mataram alguém, de Benjamin Stevenson. 

Diferente de Bela maneira de morrer, de Bella Mackie, que tinha um tom de comédia, o livro A minha irmã é uma serial killer é mais sinistro.

O livro é contado na perspectiva de Korede, a irmã mais velha. Enfermeira e com um sentido de dever mais profundo, é a irmã feia, discreta e sempre confiável. A boa e velha Korede. 

A irmã mais nova é Ayoola. Lindíssima, manipuladora e fútil, Ayoola sempre teve a vida facilitada. 

Vive para se maquilhar, aparecer nas redes sociais, conhecer homens, namorá-los, traí-los e matá-los. 

E obviamente, conta sempre com a lealdade da irmã mais velha para (literalmente) limpar a bagunça que deixa à sua passagem.

Tudo complica quando Ayoola tem um novo alvo: um médico do hospital onde Korede trabalha e por quem está apaixonada.

Já sabemos qual é o método de Ayoola. Korede já sabe qual é o método da irmã e entra em pânico. Para onde se virará: para a irmã que sempre protegeu ou para o homem que ama? Qual dos pratos da balança da moralidade de Korede pesará mais?

Foi mais um livro bastante interessante, não só pelo fator crime, mas porque me permitiu conhecer um nadinha mais sobre alguns costumes da Nigéria, país onde a ação tem lugar. 

Durante toda a leitura, tive um peso no estômago, porque não fazia mesmo nenhuma ideia para onde poderia pender a decisão de Korede. Todos os cenários estiveram em aberto até à resolução final.

Respeitei a decisão final de Korede, mas não concordei... Li, pensei no assunto e julguei com todas as forças do meu coração - só para que fique registado para memória futura. 

(E o que dizer desta capa incrível?! Adoro!)

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Bela maneira de morrer, de Bella Mackie

Tenho um hábito meio estranho: no verão, gosto de ler livros mais leves onde a temática é sempre mortes incomuns.

Já li: Como matar a tua família, de Bella Mackie, O meu homicídio, de Katie Williams e Na minha família todos mataram alguém, de Benjamin Stevenson.

Este ano, estava dividida entre dois: Bela maneira de morrer, de Bella Mackie, e A minha irmã é uma serial killer, de Oyinkan Braithwaite.

Acabei por ler os 2, porque são livros pequenos que se lêem num instante. 

Enquanto o primeiro tem uma vibe mais cómica, o segundo é mais sufocante. 

Este texto será sobre Bela maneira de morrer.

Anthony é um gestor de investimentos. Faz 60 anos e a sua esposa, Olivia, organiza o evento do ano. A família é riquíssima, portanto, a festa é literalmente o local onde todos querem estar: sejam amigos ou inimigos. 

Tudo parece estar a correr bem, mas Anthony aparece morto. Empalado no lago artificial da sua propriedade. 

Anthony dá por si num centro de acolhimento onde as pessoas que morrem vão parar até que o seu caminho para o Além seja definido. 

Há algo apenas que Anthony tem de fazer: relatar como morreu. Após a morte, todas as pessoas perdem memória do que aconteceu nos 30 minutos anteriores ao seu suspiro final, e Anthony tem de descobrir o que aconteceu: foi assassinado? Suicidou-se? Ou tudo não terá passado de um acidente, tal como a família anunciou publicamente? Os primeiros suspeitos são... a própria família.

Este livro é contado a 3 vozes: Anthony que se encontra no centro de acolhimento, Olivia, a sua esposa, e a detetive, uma pessoa entusiasta de true crime que decide investigar por conta própria.

Tal como aconteceu em Como matar a tua família, o final foi menos entusiasmante do que o caminho até lá. O livro é divertido, leve e que se lê num piscar de olhos. 

Não estejam à espera do próximo Nobel, mas se querem uma comédia para estes dias quentes, que não obrigue a esforços mentais, este é o vosso livro.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Viagens com o Charley, de John Steinbeck

Para julho, o clube de leitura definiu como tema "livro sobre viagens". Andei para trás e para a frente sem saber o que ler. Pensei em viagens no tempo e em viagens metafóricas.

Pedi conselhos ao ChatGPT e ao Gemini, procurei listas de livros sobre viagens, e um nome acabou por se destacar - este mesmo: Viagens com o Charley, de Steinbeck. 

John Steinbeck nasceu em Salinas, na Califórnia, e depois disso viveu em Nova Iorque. Em 1960, comprou aquilo que poderemos chamar de autocaravana, a que deu o nome de Rocinante, pegou no seu cão poodle, Charley, e foram viajar pelos Estados Unidos da América. 

Este livro é o resultado dessa viagem. "Como são os americanos hoje em dia" era a principal questão que tinha em mente e que esperava ver respondida. 

A viagem começou em Long Island, Nova Iorque, e seguiu ao longo da fronteira dos EUA, desde o Maine até ao Pacífico. 

Depois seguiu para o vale de Salinas, na Califórnia, onde tinha nascido, e que já não visitava há mais de 20 anos. Aqui encontrou um velho amigo de infância e passam tempo juntos a conversar sobre todos os seus antigos companheiros de meninice.

Atravessou o Texas, e subiu para Norte de regresso a Nova York. Nessa viagem percorreu quase 16 mil quilómetros.

Ao longo da viagem, Steinbeck conversa com Charley, meditam os dois sobre o que vêem, cheiram e tocam. 

É uma viagem de conhecimento e descoberta. Passam por vários "apertos", por exemplo, quando no Oregon, um dos pneus fura. Num domingo. Ou quando Charley fica bastante doente. 

Steinbeck acabou por falecer 8 anos depois desta viagem (6 após o lançamento deste livro e de ter recebido o Nobel da Literatura). 

sábado, 1 de agosto de 2026

Os Filhos do Império, volume 2, de Yudori

Algures no ano passado, apaixonei-me pelo desenho do primeiro volume do livro Os Filhos do Império. Vi alguns vídeos sobre este livro e comprei, ligeiramente por impulso.

Tenho estado há um ano a sofrer, porque o segundo volume tardava. Até que veio viver cá para casa. 

Estamos na Coreia nos anos 30 (durante a ocupação japonesa) e seguimos Arisa Jo, a única filha de um comerciante abastado, e Jun Seomoon, herdeiro de uma nobreza rural empobrecida.

Os dois jovens não podiam ser mais diferentes: Arisa Jo é moderna, despreocupada, muito interessada na cultura ocidental e cresceu rodeada de privilégios. 
Jun Seomoon teve uma educação tradicional e rígida, pautada pelo sentido do dever e pela disciplina. Depois de ele e a mãe serem acolhidos pelo pai de Arisa, passam a demonstrar-lhe uma lealdade quase absoluta, encarando a hospitalidade que receberam como uma dívida de honra. 

O cenário histórico, aliado ao contraste entre estas duas personagens de origens e valores tão distintos, promete um romance e um conflito que vai muito além de uma simples história de amor.

Não vou abordar o segundo volume de forma individual, porque se trata de uma história contínua. Mas, este segundo volume dá-nos uma pequena pista sobre o que virá a seguir - e parece que as personagens vão sofrer vários revés. 

Por favor, procurem Os Filhos do Império. O primeiro volume tem uma capa arroxeada, e o segundo, esverdeada. Oiço falar tão pouco desta história que me sinto solitária. 



quinta-feira, 30 de julho de 2026

Noites Brancas, de Dostoiévski

Comprei este exemplar na Feira do Livro de Lisboa... do ano passado.

Quando mudei de trabalho, levei-o para o escritório, porque - pensava eu - iria lê-lo na hora de almoço. Mudei de emprego no verão. Estava calor e eu ficava sem vontade de ler. Depois comecei a conhecer pessoas e essa mesma hora de almoço era passada a conversar. E um ano se passou. 

Era ridículo abrir a gaveta e encará-lo a olhar para mim. Decidi que o melhor a fazer em nome da minha sanidade mental era lê-lo.

Temos um jovem solitário que passa o seu tempo a caminhar por São Petersburgo. Num desses seus passeios, conhece a jovem Nástenka e nas noites seguintes encontram-se e partilham as suas histórias, sonhos e desilusões. 

Enquanto o jovem se apaixona por ela, Nástenka confessa que ama outro homem e espera pelo seu regresso. O protagonista aceita ajudá-la, alimentando, em silêncio, a esperança de que ela acabe por corresponder ao seu amor.

É um livro mínimo (87 páginas) sobre a solidão, o amor idealizado e o contraste entre o sonho e a realidade.

Porquê Noites Brancas? Dado que a cidade fica bastante a norte, parece que o Sol quase não chega a desaparecer, mantendo o céu iluminado durante toda a noite, e dando a ilusão que o dia nunca termina.

Noites Brancas foi uma das primeiras obras de Dostoiévski e, por isso, é um livro mais delicado e romântico. 

(e acho que pode ser uma boa porta de entrada para quem se quiser iniciar nos escritores russos)

terça-feira, 28 de julho de 2026

Sou o seu silêncio, de Jordi Lafebre

Adoro Jordi Lafebre desde a série Verões Felizes, onde fez parceria com o franco-belga Zidrou. 

Na Feira do Livro de Lisboa, trouxe este Sou o seu silêncio, que tem estado indisponível no site da Wook, o que me levou a pensar que estava esgotado, mas nada mais falso. Está vivo e de boa saúde.

Sou o seu silêncio é um policial que tem lugar em Barcelona. 

Eva Rojas é uma jovem psiquiatra que perdeu a sua licença. E para a recuperar tem de ter consultas com um psiquiatra. Mas a sua incapacidade em acatar ordens é um dos traços mais marcantes da sua personalidade. 

Poucos dias antes, Penelope, uma das pacientes de Eva, pediu-lhe que a acompanhasse durante a leitura do testamento da sua avó (nota: a avó ainda não faleceu), porque a sua família é muito peculiar (e fonte de vários dos problemas que Penelope costuma abordar nas suas consultas).

Durante esta reunião, um dos membros da família morre em circunstâncias muito dúbias e Eva começa a investigar por conta própria (apesar das inúmeras ordens da polícia para que pare). 

É um livro muito bom. Mistura um certo tom policial com um tom de comédia e torna-se impossível não adorar Eva, apesar de ser alguém muito pouco convencional.

Tudo neste livro é bom. Recomendadíssimo.



sábado, 25 de julho de 2026

Os dez espelhos de Benjamim Zarco, de Richard Zimler

Tenho muita coisa para pôr em dia. Mais uma vez, descuidei-me no meio do processo entre ler e publicar. 

(já tenho idade e experiência suficientes para saber que o resultado não é cool)

Vou começar cronologicamente: do mais antigo para o mais recente.

O que dizer de Os dez espelhos de Benjamim Zarco? Sinceramente, foi o que menos gostei da série Zarco. 

Benni (Benjamin) e o primo Shelly são os únicos sobreviventes do Holocausto da sua família. Enquanto que o primeiro, ainda criança, conseguiu fugir do gueto de Varsóvia e foi acolhido por uma professora polaca de piano, o segundo (mais velho) conseguiu fugir para o Canadá. Finda a guerra, conseguiram voltar a reunir-se. 

Mas a vida de ambos foi preenchida pelos silêncios das memórias e nunca partilharam nada com as suas famílias. E isso fez com que elas se sentissem excluídas de partes fundamentais da sua própria existência. 

O meu problema com este livro é que me pareceu muito repetitivo: as personagens andavam sempre à volta das mesmas coisas e tornavam-se algo aborrecidas. Não me consegui conectar com nenhum dos primos e custou-me um bocado chegar ao fim da leitura. Às tantas, houve uns momentos de carácter mais místico, que me pareceram forçados na narrativa.

Não vou, por isso, alongar-me. Sinceramente, tenho bastante pena de não ter gostado, porque gosto bastante da escrita de Zimler. Ainda tenho como referências de livros de topo Os Anagramas de Varsóvia e O Último Cabalista de Lisboa. Mas Os dez espelhos de Benjamim Zarco, é um 3 para mim.

terça-feira, 16 de junho de 2026

Quando servi Gil Vicente, de João Reis

João Reis é um dos meus autores preferidos. 
Desde A Avó e a Neve Russa, tenho tudo o que ele escreveu - excepto A Devastação do Silêncio (está esgotado. Alguém tem para venda? Eu compro!). 

Os livros dele, normalmente, são pequenos (até às 200 páginas). As histórias são, aparentemente, simples, mas com uma poética que não tenho encontrado com frequência em outros escritores. As linguagem é sempre muito cuidada e vejo em cada linha um carinho especial pela escolha de cada expressão. Nada está ao acaso. 

O narrador de Quando Servi Gil Vicente é Anrique de Viena, o fiel servo do "pai" do teatro português (por esta altura, o Auto da Barca do Inferno ainda é uma cena nas escolas, certo?).
Após ter estado ausente durante alguns anos, Anrique regressa para acompanhar o mestre na reta final da sua vida. 
Gil Vicente é, nesta fase, um homem velho, cansado e teimoso. E Anrique é aquele que o ampara, cuida e providencia tudo para que o velho mestre ainda possa escrever. 

Neste livro, vamos acompanhar os dois homens em alguns momentos que misturam situações caricatas com outras mais emocionais.

Aviso já que a linguagem é diferente. Vamos ter um João Reis que encarna a linguagem do século XVI, o que para gentes do século XXI pode ser complicado. 

Se anteriormente disse que João Reis tem imenso cuidado com a linguagem, neste livro, levou esse cuidado a um outro nível. 

Não foi o meu preferido dele - a distopia Cadernos da Água ou A Noiva do Tradutor conquistaram-me o coração - mas é uma obra muitíssimo interessante. 

Estava a esquecer de referir que li este livro no âmbito do clube de leitura "Regaleira de Livros". O tema de junho era autor nacional. 

sábado, 13 de junho de 2026

Feira do Livro de Lisboa 2026

Mais um mês de junho, mais uma ida à Feira do Livro. 

Desta vez, ia com a expectativa de comprar apenas autores portugueses. Levava a minha lista e estava tudo pensado. Acho que, pela primeira vez, tinha um plano. 

Comprei, este ano, apenas 4 livros: dois da minha lista e outros 2 extra-lista (#sorrybutnotsorry)

Comecemos pelo início: Agustina e Ferreira de Castro estavam na lista. Êxito total e absoluto (Cristina recebe palmadinha nas costas).

Já quanto a Uma Noite em Lisboa, de Erich Maria Remarque. Não estava nos planos, nem na lista. Mas a Saída de Emergência tinha uma promoção "compre 4, pague 3). O Henrique tinha 2 livros. O Luís mais um. Escolhi o 4.° para usufruirmos da promoção. A Oeste Nada de Novo é um dos meus livros da vida e deste homem só pode ser bom.

Sou o teu silêncio é de Jordi Lafebre (já leram a maravilhosa série Verões Felizes, com o Zidrou?). Um policial cuja ação acontece em Barcelona. 

Havia (muitos) outros livros que eu quero, mas que, mesmo a preço de Feira, estão ainda bastante caros, comparando, por exemplo, com o respetivo ebook na loja do Kobo. 

Foi isto. Txaran!

quarta-feira, 10 de junho de 2026

A Mãe de Frankstein, de Almudena Grandes

Senhoras e senhores, está na hora de pôr em dia, aqui, a chafarica.

O último post, com data de 18 de maio, foi de um livro que tinha lido 2 anos antes. E o post antes desse, de 7 de maio, foi de um livro que efetivamente tinha terminado recentemente. 

Depois de Hail Mary, realmente não li muito. Para maio, o tema do clube de leitura era "livro com uma relação maternal" e este, tendo "mãe" no título, pareceu-me adequado.

A Cristina de abril/maio era tão inocente. Abençoada alma!

A ação tem lugar em 1954, em plena ditadura franquista e passa-se sobretudo no hospital psiquiátrico feminino de Ciempozuelos, perto de Madrid.

Germán Velázquez, psiquiatra, volta a Espanha depois de alguns anos de exílio na Suíça. Vem trabalhar para Ciempozuelos, a convite de um antigo aluno do seu pai, também ele psiquiatra. 
Depois de anos na Suíça, Velásquez encontra um país acorrentado e bastante atrasado e conservador. 

Neste hospital, ele fica responsável por uma doente especial: Aurora Rodríguez Carballeira, uma mulher que 20 anos antes, havia assassinado a filha. 

Convém referir que esta personagem foi uma pessoa real e que este assassinato aconteceu realmente. 
Aurora assumiu a concepção da filha Hildegart como um projeto pessoal de desenvolvimento de uma pessoa superior. Quando percebeu que a filha estava a ganhar independência e a afastar-se dos seus planos, matou-a (aqui está o paralelismo com Frankstein e o monstro que criou).
Internada há mais de 20 anos, Aurora continua sem demonstrar arrependimento.

Velásquez faz amizade com Maria, uma jovem auxiliar do hospital. 
O avô tinha sido jardineiro do hospital e, curiosamente, durante o seu crescimento, Maria foi educada... por Aurora. Esta ensinou-lhe história, geografia, ciências, e Maria sempre viu esta mulher um olhar diferente de todas as outras pessoas que só viam alguém que assassinou a filha. 

Este vai ser o núcleo central da trama. E os capítulos vão circulando do ponto de vista destas 3 personagens.

Entre Velásquez e Maria vai nascer uma relação de grande afeto (um quase amor que ambos desesperam por ter) que vai bater de frente com a diferença de classes (ele medico, estudado no estrangeiro e ela, filha de comunistas e neta de um simples jardineiro) e com os preconceitos da sociedade da altura.

O livro está tremendamente bem escrito da primeira à última página. Apesar das suas 500 e qualquer coisa páginas, não houve nada que achei que estivesse a mais, como acontece com alguns livros mais volumosos. 

Vamos assistir de camarote à corrupção política e da Igreja, aos maus tratos infligidos aos mais fracos, à condição inferior da mulher em vários estratos da sociedade espanhola...

A Mãe de Frankstein é um livro incrível a todos os níveis. 

segunda-feira, 18 de maio de 2026

A mais preciosa mercadoria, de Jean-Claude Grumberg

Pensava, honestamente, que ia fazer um repost de uma postagem. Mas fui apanhada na curva: nunca escrevi sobre um dos livros mais bonito que li sobre o Holocausto. 

Não é uma história real, não é um livro sobre uma qualquer profissão em Auschwitz, nem nenhuma biografia escrita na primeira pessoa... É um pequeno conto de 118 páginas que me levou às lágrimas. 

"A história de um bebé que não chegou a Auschwitz" lemos na capa. 

Fazendo fé no Goodreads, li este livro em março de 2024. E se formos consultar os arquivos aqui da chafarica, veremos que só publiquei conteúdos a partir de maio. Razão pela qual fui apanhada desprevenida. 

Acontece que, este domingo, a fazer zapping encontrei num qualquer TV Cine desta vida a informação sobre o filme deste livro. Pouco mais de 1h20 de filme, em animação, e emocionante o suficiente para me fazer chorar outra vez. 

Um casal de lenhadores vivia na floresta, por onde passava um comboio de mercadorias. Era inverno e a fome apertava. Ao vê-lo passar, a mulher rezava para que, um dia, Deus lhe oferecesse algo, qualquer coisa... Até que um dia, umas mãos deixam cair um embrulho, a poucos pés de distância da pobre lenhadora.

Num outro arco, um casal de judeus viaja num comboio, com dois bebés. O pai, desesperado, ao passar por uma floresta, tem uma ideia e faz uma escolha impossível.

O resto é a história. Esta história.

Pensava eu que vinha fazer o repost de uma publicação de há 2 anos. E afinal, vim escrever sobre um dos mais belos contos que já li. 

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Projeto Hail Mary, de Andy Weir

Neste espaço de tempo, li também o livro Projeto Hail Mary. 

Há umas semanas, o meu excelso companheiro quis ir ver o filme, mas a vida meteu-se no meio e acabámos por não ir. Contudo, porém... eu queria mesmo ler o livro. E pus-me a mexer porque 512 páginas não se liam sozinhas. 

E o que achaste, Cristina Maria? Gostei muito. Depois de aprender a abstrair-me dos conceitos científicos. E existem muitos. Mesmo muitos. 

Um homem acorda. Braços robóticos analisam-no. Não se lembra de quem é, nem onde está, nem porque estão 2 pessoas mortas ao seu lado.

Aos poucos, as memórias vão retornando. É Ryland Grace. Está no espaço. E é um professor que tem em mãos salvar a espécie humana da extinção. É o único sobrevivente do Projeto Hail Mary e é o único ser vivo nas redondezas. Mas será mesmo?

Com bastante humor, e muita ciência, vamos acompanhá-lo nesta aventura de proporções épicas. 

É um excelente livro. Diverti-me mesmo muito a lê-lo. Ainda não vi o filme. Acho que nem o trailer vi bem. Mas, definitivamente, consegui visualizar o Ryan Gosling como o protagonista de Projeto Hail Mary. 


terça-feira, 5 de maio de 2026

Amok, de Stefan Zweig

Para abril, a leitura do meu clube do livro #RegaleiradeLivros era livro banido/censurado.

Tentei começar Admirável Mundo Novo, mas não estava no mood. Tentei Os Bichos de Miguel Torga e também não estava a sentir que era o livro certo. 

Os outros livros "clássicos", os exemplos de livros de banidos ou censurados, já li. Optei por uma abordagem diferente: procurar autores banidos e/ou censurados. Deparei-me com o nome de Stefan Zweig. 

Este escritor, autor, romancista, dramaturgo, jornalista, biógrafo e historiador austríaco de origem judaica viu as suas obras serem banidas na Alemanha nazi. Aliás, os seus livros foram queimados nas famosas fogueiras deste regime. 

Zweig fugiu em 1941 para o Brasil e suicidou-se um ano depois, sem qualquer esperança para o futuro do seu país.

Dele, já tinha lido "Vinte e quatro horas na vida de uma mulher" e "Novela de Xadrez" que já tinha gostado imenso. Decidi-me por "Amok", umm livro de pequena dimensão (menos de 100 páginas), à semelhança dos anteriores. 

A bordo do transatlântico Oceania, tem lugar um estranho acidente para o qual o narrador pensa poder ter uma explicação.

Somos então levados pela narração deste homem que nos faz um relato em segunda mão: numa noite, cruza com um outro homem que, escondido pela noite, lhe conta a sua história.

Esse homem, médico num território que lhe é estranho, é procurado por uma misteriosa mulher que lhe faz um pedido. Ele recusa. A mulher, despeitada, sai. Ele medita no seu pedido e, enlouquecido (sofrendo de "ámoq") sai atrás dela para lhe dizer que aceita. 

O desfecho é trágico para todos, ou quase todos, os intervenientes.

Habitualmente, não sou fã de shorts stories. Parece que fica sempre algo por dizer, ou que as personagens não são desenvolvidas por deveriam, ou se dá demasiado importância a coisas que não a têm. 

Mas Zweig era mágico nesse formato. E "Amok" é mais um claro exemplo como uma história pequena pode ter o poder que o autor lhe quiser dar. 

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Amanhecer na Ceifa, de Suzanne Collins

Quando saí, em maio passado, da empresa onde trabalhava, a minha (agora ex-) colega de trabalho, farta e cansada de me ouvir falar de Hunger Games, ofereceu-me, em gesto de despedida, este livro Amanhecer na Ceifa. 

Depois de A Balada dos Pássaros e das Serpentes, onde nos é contada a história do Presidente Snow, agora temos a história dos Quinquagésimos Jogo da Fome - o 2. ° Quarteirão, que têm Haymitch como protagonista. O velho e bêbado mentor da Katniss e do Preto, e uma figura central do movimento que pretende deitar abaixo o Capitólio.

Haymitch nem devia ter sido colhido, mas estava no sítio errado na hora errada. No dia do seu 16.° aniversário.

Esta história vai buscar muitas personagens que conhecemos n' A Balada e muitas que conhecemos na trilogia original. Vamos encontrar uma Mags e uma Wiress na posição de mentoras. Um Plutchard a dar os seus primeiros passos juntos das entidades superiores, organizadoras dos Jogos, e a mostrar a sua verdadeira natureza de resistência. Um Beetee a mentorar o seu próprio filho. Como é que a Eddie entrou neste mundo tão diferente da sua natureza.

E todas estas pequenas histórias vão dar mais impacto e profundidade a certos acontecimentos, por exemplo, do 3.° livro da trilogia original. O sacrifício da Mags e a morte da Wiress que nem o Haymitch nem o Beetee puderam chorar, porque o objetivo era maior do que eles. 

Fiquei feliz por conhecê-los melhor, mas ao mesmo tempo com um sentimento de tristeza por perceber que havia algo mais por trás: uma amizade construída em cima de um mesmo trauma. 

Não vale a pena explorar os Jogos em si. Sangue, carnificina e crianças a morrerem. 

Mais um livro tremendamente bem conseguido de Suzanne Collins.

terça-feira, 7 de abril de 2026

Goa ou o Guardião da Aurora, de Richard Zimler

Conheci a família Zarco em O Último Cabalista de Lisboa, em 2018 (!!!). Juro que não tinha noção do tempo.


Há uns anos, comprei a saga sefardita inteira em ebook na Wook e, quando a Lua está Cheia, e a fazer um mortal encarpado em Mercúrio, lembro-me que tenho a aplicação no telemóvel e pego nos livros que lá tenho. 

Li Meia Noite ou o Princípio do Mundo em finais de 2022/inícios de 2023. E agora Goa ou o Guardião da Aurora, que se passa em finais do século XVI, na Índia. 

Neste livro, seguimos Tiago Zarco. Tiago está preso, pela Inquisição, e vai relembrando a sua história de forma a tentar perceber quem o terá denunciado - e ao pai - como judeus praticantes. Tiago lembra a mãe e os dias felizes antes da sua morte, e da sua vivência e de Sofia, a irmã mais nova. 

Tiago tem as suas suspeitas, mas o exercício de memória que faz, agrava o seu sentimento de vingança. E depois de cumprida a pena (levado para o Brasil e depois para Lisboa), Tiago regressa à Índia para finalmente buscar a justiça que acredita ser a merecida. Mas conseguirá mesmo? Ou o passado é um lugar que não devemos revisitar? Bem e mal, certo e errado... Mas o regresso é agridoce e tudo mudou nos anos de ausência.

Gosto de Richard Zimler. Gosto da forma de escrever e gosto das suas histórias. Os livros históricos são dos meus favoritos e a mistura entre ficção e realidade - onde começa uma ou a outra - fascina-me. E Zimler consegue fazer-me acreditar que os Zarco existiram mesmo. Com todas as suas qualidades e defeitos. 

Os livros de Zimler têm sempre um ritmo rápido. Há sempre algo a acontecer, mesmo quando parece que não. 

Conhecem Richard Zimler? Sim? Não? Busquem aqui no blog por outras resenhas de livros: O Último Cabalista de Lisboa, Anagramas de Varsóvia e O Evangelho Segundo Lázaro. Não se vão arrepender.

domingo, 5 de abril de 2026

O Discípulo, de Hjorth & Rosenfeldt

Como já havia comentado, decidi começar a ler a empreitada que é a série Sebastian Bergman.  

Sebastian, no final do primeiro livro, descobre que tem uma filha, fruto de um encontro casual com uma mulher, Hanna. Ele sabe quem a filha é e torna-se um verdadeiro stalker, obviamente, sem que ela o saiba.

Ao mesmo tempo, a sua antiga equipa, liderada por Torkel, investiga uma série de assassinatos.

Torkel já fez uma ligação: o modus operandis é igual ao de um caso de anos antes. Mas, o assassino está preso. E Bergman foi decisivo para a prisão do homem.

Como é que isto acontece? Tem contactos cá fora? É a mente por trás destas novas mortes ou simplesmente está a ser copiado?

Até ao momento, a falta de provas é crítica. E ninguém quer contactar Bergman, depois dos eventos do primeiro livro. 

Até que Sebastian, no meio de toda a confusão que é a sua vida, se apercebe destes novos homicídios. 
E faz de tudo para reintegrar a equipa. Até porque este assassino apenas ataca mulheres com quem Bergman já teve um caso. 
E qualquer uma delas pode ser o próximo alvo - até Hanna, a mãe da filha!

Volta e meia, regresso aos policiais. O meu fraquinho são os nórdicos, muito por culpa do falecido Stieg Larsson. 

Como este livro é o segundo da série ainda não houve uma quantidade proibitiva de pormenores que me esquivei de dar sobre Bergman e esta filha que ele descobre ter, mas, no futuro, deverá ser mais difícil contornar este arco narrativo essencial para o desenvolvimento da personagem. Vou tentar.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

O meu nome é Emilia del Valle, de Isabel Allende

Tema do clube de leitura para março: ler uma escritora feminista. 

Chimamanda - tenho para ler, mas não estava no mood. 

Comecei outros 2 e continuava sem estar no mood. Eu sou leitora já muitos anos, e raramente leio este ou aquele autor pelas posições que defende. Leio, porque gosto. Ou não leio, porque não gosto. 

E Isabel Allende é confortável. Allende é casa. Allende nunca desilude. Aliás, desiludida comigo fiquei eu por não me ter lembrado dela antes. 

Allende é histórias que nos obrigam a parar tudo. São as mulheres de garra que não se deixam intimidar.

E Emilia é mais uma dessas mulheres fortes que se junta ao largo corredor de  personagens saídas da imaginação de Allende.

A mãe da Emilia estava num convento. Entretanto, tem de fazer "serviço comunitário" e acaba por conhecer 2 homens: o diretor de uma pobre escola de bairro e um milionário chileno galã. Apaixona-se pelo segundo e engravida. Mas acaba por casar com o primeiro.

A Emilia nasce e sabe que aquele homem não é pai biológico dela, mas é ele que a cria e ela adora-o.

Ele, mais velho do que a mãe de Emilia, é louco por ambas e ensina à nossa protagonista tudo o que sabe. Especialmente a questionar, a ser curiosa e interessada pelo que a rodeia.

Isto tudo numa altura em que a mulheres ainda nem sequer votavam.

Emilia torna-se escritora (sob pseudónimo) e jornalista e vai cobrir a guerra civil no Chile.

Neste país, Emilia conhece o pai e uma tia. Conhece o Chile e as suas raízes. Apaixona-se pelo país e pelas suas gentes e, um dia, depois do fim da guerra não volta a casa: deixa o noivo (o seu colega jornalista) e parte para se descobrir pelo interior do Chile.

Goste-se ou não, Isabel Allende sabe contar histórias. E não tenho vergonha de admitir que gosto muito. 

O meu nome é Emilia del Valle não é uma A Casa dos Espíritos, mas é um romance que se lê muito bem. 


quarta-feira, 1 de abril de 2026

Um tempo a fingir, de João Pinto Coelho

Gostava de conseguir dizer que estou perfeitamente dentro do timing da atualização do blogue, mas #sóquenão... 

Um Tempo a Fingir inseriu-se, sem querer, no tema do clube de leitura de Fevereiro. Lá, muito atrás no tempo. 
E sem querer porquê? Porque o tema era amor trágico ou tóxico e, sem querer fui bater com um livro que tinha os dois num só. Comprei este livro na Feira do Livro de Lisboa em 2025 e esteve a viver cá em casa, sem quaisquer responsabilidades desde então. 

Mas sobre o livro. Passa-se em Itália, em 1937, num vilarejo. 

Annina, a protagonista, relata-nos o momento em que o pai se suicida. Esse momento, marca, de forma simbólica, o adeus à infância. 

Nos primeiros capítulos, vamos tendo uma segunda voz a acompanhar-nos: Ulisse, o irmão mais velho de Annina, que vai preenchendo alguns espaços em branco ou corrigindo algumas imprecisões da irmã. 

Sabemos que Annina é judia, muito bonita e boa aluna. Contudo, a morte do pai obriga-a a interromper os estudos e a começar a trabalhar. Vai chamar a atenção de Marzio Falaschi, sobrinho do patrão - o mafioso local. Mas o coração de Annina pertence a Cosimo, um jovem tímido, com quem se envolve romanticamente e vai despertar a fúria de Marzio.

Obviamente, coisas boas não vão acontecer. Ela é espancada e fica completamente desfigurada, Cosimo oferece-se como voluntário para ir combater por Itália na guerra e a mãe e o irmão vão para Roma atrás de melhores oportunidades de trabalho.

Com a saída de Ulisses para Roma, deixamos de ter aquela segunda voz narrativa e passamos exclusivamente a ter a visão de Annina, que, compulsivamente, mantém um registo em diários sobre o que vai acontecendo. 

Não vou passar daqui a minha humilde descrição dos eventos do livro. 

Este é um daqueles que, no final, tem um twist que nos faz questionar cada capítulo. Não vou dizer se acaba bem ou mal (mas anos 30, Itália, judeus... noves fora - é só fazer as contas). Contudo, fui apanhada totalmente de surpresa com os capítulos finais, vou confessar. 

João Pinto Coelho é o autor de, por exemplo, Perguntem a Sarah Gross e Os Loucos da Rua Mazur - adorei ambos! E, em tempos idos, acho que disse qualquer coisa como: que leria as páginas amarelas se soubesse que tinham sido escritas por ele. 

Leiam muito e sejam felizes. 

sábado, 7 de março de 2026

Graphic novels lidas

Em Fevereiro, também li duas graphic novels: O Corpo de Cristo, de Bea Lema, que me foi oferecido no Natal, e Radium Girls, de Cy. que comprei no Amadora BD de 2025. 

Fiquei apaixonada pela arte de O Corpo de Cristo no Amadora BD, mas obriguei-me a não comprar tudo o que gostava ou o ordenado do mês não iria chegar. Deixei-o lá, mas com um peso na consciência. 

Os meus cunhados tiveram dó de mim e, no Natal, deram-me. 

A arte é linda. Literalmente, o livro parece, todo ele, um bordado. Mas a história é tão delicada como a própria arte. 

Vera, a protagonista, conta-nos a história da sua vida desde a infância. A mãe, vinda de um meio ultra-religioso, convenceu-se que um demónio a vigiava. Isso tornou a vida daquela família, no mínimo, estranha. 

Para depois se perceber que a senhora sofria de psicose, com um nadinha de esquizofrenia e paranóia. 

À medida que Vera foi crescendo, foi também assumindo o papel de principal cuidadora da mãe: o pai escudava-se no trabalho e o irmão, simplesmente, não queria saber. 

Ou seja, temos mais uma história fortemente ligada à saúde mental e ao estigma que ela traz consigo e à redução da mulher como cuidadora. 

Um livro maravilhoso. 

A exposição do álbum Radium Girls provocou um certo impacto em mim, no Amadora BD. E foi um dos livros que fiz questão de trazer comigo. 

Conta a história real de um grupo de mulheres nos Estados Unidos na década de 1920.

Um grupo de jovens operárias trabalha na United States Radium Corporation, onde pintam os mostradores de relógios com uma tinta luminescente, à base de rádio. 

Através do método que usavam de molhar a ponta do pincel nos lábios, estas mulheres ingeriam quantidades insanas de rádio, sem saberem que era radioactivo. A empresa sempre lhes assegurou que era tudo perfeitamente seguro. 

Aos poucos, começaram todas a adoecer e a morrer. O livro foca-se na amizade entre as operárias e na luta jurídica que travaram contra a empresa, que tentou abafar o caso e culpá-las. 

Mais um livro maravilhoso. 

Estes sim, se conseguirem, leiam-nos. Recomendados a 1000% se tal fosse possível. 

quinta-feira, 5 de março de 2026

Pessoas Normais de Sally Rooney

No âmbito do clube literário a que pertenço, Regaleira de Livros, li, em Fevereiro, o livro Pessoas Normais de Sally Rooney - o tema era "Amor trágico ou tóxico".

Tanto tinha ouvido falar deste livro, em particular, como da autora, que decidi avançar.

Não adorei, mas também não desgostei. É o problema dos livros com demasiado hype - e eu não o devia ter esquecido. 

Marianne e Connell são dois adolescentes. Ele, o inteligente popular. Ela, a inteligente estranha. Enquanto estão no ensino secundário, começam uma relação, meio que às escondidas (mais tarde no livro, um dos amigos dele informa que "toda a gente" sabia, seja lá qual for o significado de "toda a gente"). 

E o livro é isto: o entra e sai da relação dos dois. Às vezes, estão juntos dias e afastam-se durante meses ou anos. Às vezes, estão juntos meses ou anos. 

Mas o que me chateou é simples: 98% dos problemas deste casal resolvia-se se eles conversassem sincera e honestamente um com o outro. 

O livro está giro. Está interessante q.b. para nos levar até ao fim para saber se ficam, definitivamente, juntos ou não. 

A Marianne e o Connell são pessoas comuns, com problemas iguais aos de tantas outras pessoas com quem nos podemos cruzar: ela, de uma família abastada, mas cresceu sem sentir um verdadeiro amor familiar (um pai e irmão violentos e uma mãe, que para dizer o mínimo, é desligada da filha) e ele, vive só com a mãe, uma vivência muito simples, mas com calor humano e com o coração no lugar certo. 

E, no fundo, acho que é esse o íman deste livro: acabamos por nos ligar e identificar com estas "pessoas normais", exatamente, porque, na maioria, também somos gente comum e entendemos os problemas que eles enfrentam.

É um livro que aborda muito a saúde mental. A Marianne tem a auto-estima a roçar a última camada da Terra e a ansiedade do Connell provocava-me ansiedade. E é com isto que eles vivem: os seus próprios fantasmas, a sua saúde mental nas ruas da amargura, mas com um amor improfessável um pelo outro. 

Se se cruzarem com este livro e ficarem na dúvida, não a tenham: vale sempre a pena ler. 
Nem que, no fim, me venham chamar todos os nomes, porque adoraram o livro - que, para mim, seria óptimo. Ou pelo contrário, me venham chamar nomes, porque o odiaram - um cenário muito menos perfeito. Mas leiam. Leiam sempre! Os canalhas odeiam isso.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Segredos Obscuros, de Hjorth & Rosenfeld

Já tinha lido este livro em 2018, mas como queria retomar a série Bergman, decidi voltar a lê-lo. E, na verdade foi como se o tivesse lido pela primeira vez, porque não me lembrava de absolutamente nada.

Um jovem desaparece em Västerås, uma cidade sueca. Roger, 16 anos... o desaparecimento é comunicado pela mãe à polícia.

Infelizmente, entra o fim-de-semana e muito pouco (nada, vá... sejamos sinceros!) é feito. A polícia assume que o jovem tinha saído para se divertir com os amigos. Chega a segunda-feira e o caso é entregue a um detetive que começa a trabalhar (muito lentamente e sem muito empenho!) no caso.

Até que o pior acontece e o corpo de Roger aparece. Sem coração. 

Uma brigada especial, chefiada por Torkel, é chamada a assumir o caso. E Sebastian Bergman, um antigo psicólogo que costumava trabalhar como profiler é integrado na equipa (com alguns votos contra de outros elementos da equipa. Sim, Ursula, estou a olhar para ti!).

Sebastian é um homem atormentado... perdeu a mulher e a filha, e não tem ninguém que lhe dê um rumo. Desde a tragédia tem afogado a sua própria mágoa em relações sexuais fortuitas e em álcool.

A mãe - não havia qualquer relação entre ambos - faleceu. No meio das coisas da falecida, encontra um molho de cartas, onde uma mulher, Anna, confessa estar grávida dele.

Sebastian não se recorda de quem é Anna, mas, no meio de tudo, saber que pode ser pai, acende nele qualquer coisa.

Tudo o que Sebastian faz a partir desse momento é apenas com uma coisa em vista: encontrar Anna e conhecer o/a seu/sua filho/a. E ser integrado na equipa de Torkel é apenas um passo na direção de encontrar Anna. 

Mas, a contragosto, Sebastian encontra neste caso algumas coisas que lhe aguçam a curiosidade, até que resolver o caso - não sendo a sua prioridade - é importante!

Muitos segredos que vêem a luz do dia, muito mistério, muita ânsia de descobrir o verdadeiro culpado, "o homem que não é um assassino"...

O livro está bem escrito. É daquele tipo de livros que nos "obriga" a virar página atrás de página atrás de página para descobrirmos o culpado. O final, sem ser absurdamente surpreendente, é bem costurado para nós fazer procurar o volume seguinte. 

Este homicídio fica resolvido, mas o arco se Bergman abre-se. Não. Escancara-se! E é aí que reside o sucesso deste tipo de livros. A receita é esta, vamos fazê-la render. E fazem-no bem. E, no fim do dia, é isso que importa.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Tudo é possível, de Elizabeth Strout

Em junho, durante a Feira do Livro de Lisboa, comprei o livro O meu nome é Lucy Barton, de Elizabeth Strout. 

Amei, adorei a personagem. 

Este livro não sendo uma continuação do arco de Lucy Barton conta-nos as histórias das pessoas de quem ela e a mãe falavam durante a estadia no hospital. 

Vamos mergulhar bem fundo na comunidade de Amgash, no Illinois, e conhecer algumas das suas pessoas: por exemplo, Tommy Guptill que teve, há muitos anos, uma quinta de produção de leite que ardeu, e que acaba por se tornar contínuo nas escolas de Amgash, onde conheceu Lucy Barton em criança, ou Patty Nicely, orientadora na escola secundária, que foi colega de escola de Lucy e que, agora tem em mãos reabilitar Lila, sobrinha da própria Lucy, uma jovem rebelde. Ou Pete Barton, irmão de Lucy, aquele que ficou para trás. Ou Dottie, a prima de Lucy, que agora arrenda quartos numa pequena pensão e que tem propensão para dizer o que lhe passa pela cabeça.

São pequenas histórias sobre pessoas. Lucy também aparece, não como protagonista, mas como personagem na história dos irmãos. 

Não vamos adiantar absolutamente nada no arco de Lucy Barton, mas dá-nos mais contexto. Aconselho a que este livro seja lido imediatamente após O meu nome é Lucy Barton. 

sábado, 31 de janeiro de 2026

Victorian Psycho, de Virginia Feito

Num outro registo totalmente diferente, li Victorian Psycho, da espanhola Virginia Feito. 

Miss Winifred Notty arranjou um emprego como preceptora dos dois filhos do casal Pound, Drusilla (a mais velha, mas negligenciada, porque, bem, é rapariga) e Andrew (o mais novo, que vai herdar o título e os bens, mas que é insuportável). 

Mas, conforme o tempo vai passando, os outros criados de Ensor House vão desconfiando que esta jovem mulher é bastante estranha. São as pequenas coisas: por um lado, as quase contradições, as histórias de horror contadas aos jovens Pound, os passeios à noite desnudada, o passado misterioso...

Mas, se temos este mistério - quem é, verdadeiramente, Winifred Notty? - temos também uma história engraçadíssima, com apartes deliciosamente sarcásticos.

Este livro não é o primeiro desta autora (e fiquei interessada em ler o seu Mrs. March), mas foi uma porta de entrada muito... vá... caricata, para o seu trabalho. Gostava de descrever como sendo uma Jane Austen, mas em deliciosamente subversivo.

Estou a apagar e a escrever coisas nesta mini-resenha, porque não quero revelar demasiado, mas, ao mesmo tempo, quero contar mais do enredo, porque gostava muito que lessem este livro.

Mas deixo-vos a frase de arranque deste livro "Dentro de três meses, toda a gente nesta casa estará morta". 

O final é "Chef's Kiss".

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Trilogia de Copenhaga, de Tove Ditlevsen

Das duas, uma: ou leio ou escrevo no blogue. Tudo ao mesmo tempo é impossível. 

(spoiler: é possível sim, se eu me organizasse melhor e escrevesse imediatamente após completar a leitura)

A minha primeira leitura do início ao fim de 2026 foi no âmbito do clube Regaleira de Livros - ler um autor novo.

Li a Trilogia de Copenhaga, de Tove Ditlevsen, autora dinamarquesa, falecida em 1976. 

Nunca tinha lido nada dela, nunca sequer havia ouvido falar dela, mas os meus olhos, por alguma razão, prenderam-se nos dela que figuram na capa do livro. Um olhar onde li alguma tristeza. Não sei explicar. 

Este livro é a sua autobiografia, desde os bairros pobres até se tornar uma escritora de sucesso: Infância / Juventude / Relações Tóxicas (já na idade adulta). 

Fala das dificuldades da sua infância, da relação complicada com os pais, da sua ansiedade em completar 18 anos para sair de casa, dos amores, dos amores frustrados, dos casamentos, dos filhos...

Chorei algumas vezes com a Tove. Tentei, às vezes, esquecer que ela era apenas uma menina em alguns dos momentos em que me enervava com ela, para me conseguir enervar com propriedade. 

E lembrei-me que ela era uma pessoa real, e uma menina, em muitos desses momentos, para me acalmar. 

A vida dela não foi nenhum mar de rosas. E este livro não esconde nenhum dos espinhos. Ela não foi meiga consigo mesma e falou de tudo: as traições, o abuso de drogas, os medos...

Este livro é uma obra-prima. Cinco estrelas fáceis. 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Seis de Corvos, de Leigh Bardugo

O primeiro livro que terminei já em 2026 foi o Seis de Corvos da autora israelita/norte-americana Leigh Bardugo.

Comecei a ver a série Shadow and Bone da Netflix e gostei imenso do universo. Depois de terminar as temporadas disponíveis, li os livros correspondentes da trilogia Grisha. 

Mas havia um arco que não aparecia na trilogia: o arco do criminoso/ladrão Kaz Brekker e do seu bando. Percebi então que esse arco da série pertencia à duologia Six of Crows, que, na altura, não estava disponível em Portugal. 

Até outubro passado. Como estava a ler outras coisas não peguei imediatamente nele, mas assim que terminei o que tinha em andamento, não hesitei.

E que bem que fiz. Kaz Brekker é um ladrão. E é o líder dos Dregs, um grupo de desajustados da sociedade: Jesper, um impressionante atirador, Inej, conhecida por Espetro, é capaz de se deslocar silenciosamente, Nina, uma Grisha que tem o poder, por exemplo, de baixar os batimentos cardíacos e Wylan, renegado pelo pai, é exímio no fabrico de bombas. Todos eles têm passados complicados, feito de mais baixos do que altos. 

Kaz tem uma reputação intocável. E recebe uma missão que o fará milionário.

Ele e o seu grupo, ao qual se junta Mathias, um soldado de uma outra fração dado como morto, vão tentar alcançar o seu objetivo. 

Esta história - categoria Young Adulto - está repleta de magia, fantasia, ação e algum humor. E, às vezes, é só mesmo isso que apetece. 

Ao explorar um bocadinho mais este primeiro livro da duologia, soube que a autora se inspirou no filme Ocean's Eleven para escrever este livro - e faz todo o sentido: um grupo de indivíduos, com talentos especiais inatos, tenta roubar algo que mudará as suas vidas. 

Compreendo que possa ser um livro que não agrade a todos. E como disse antes: às vezes, nem tudo tem de ser literatura com profundidade. 

Seis de Corvos é um exemplo de como os livros de fantasia podem funcionar como um "limpa palato" de outras leituras, um intervalo nas nossas vidas mais stressantes...bem construído, bem escrito, com uma história simples de compreender, mas com personagens que não são bidimensionais - têm carácter, têm conflitos, têm personalidades marcantes e marcadas pelo passado individual. 

Não custa nada dar-lhe uma oportunidade...

sábado, 10 de janeiro de 2026

Este Natal todos escondem um segredo, de Benjamin Stevenson

No mês de dezembro, li também o livro Este Natal todos escondem um segredo de Benjamin Stevenson. Esta leitura foi feita no âmbito do clube de leitura Regaleira de Livros, grupo a que pertenço. O tema era obviamente Natal.

Depois de há uns meses ter lido Na minha famílias todos mataram alguém do mesmo autor, achei que podia ser interessante revistar o detetive amador Ernest Cunningham. 

Neste livro, Lyle Pearse, o atual companheiro da sua ex-mulher, Erin, aparece morto e ela é a principal suspeita. 

Ernest tenta assim ilibar a ex-esposa e enceta uma investigação a todos aqueles que diariamente se cruzavam com Lyle. Até que outro homicídio é cometido... 

Agora Ernest tem de investigar 2 homicídios, provar que Erin é inocente de ambos e planear o seu próprio casamento...

O Natal pede leituras simples e este autor segue muito a linha de livros com uma pitada (gigante) de humor. 

O mais giro é que este livro pode e deve ser lido como um calendário do Advento: um capítulo por cada dia de dezembro até à revelação do culpado no dia 24. Mas eu não tenho qualquer tipo de auto-controlo e li tudo de uma assentada. Sorry, but not sorry!!!

A receita é a de Agatha Christie: crime, investigação, imprevistos e resolução final com todos os suspeitos fechados num único espaço. 

Não vai ganhar nenhum Nobel da Literatura, mas é um livro divertido, despretensioso e podemos passar umas horas interessantes com ele.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Campo de Lava, de Yrsa Sigurdardottir

Estou oficialmente apaixonada pela dupla 
Huldar e Freyja. 

Ainda há pouco tempo, falava-se cá em casa que quando andamos mais cansados e queremos simplesmente relaxar, a tendência é sempre agarrarmos-nos às coisas que conhecemos e que nos dão conforto e familiaridade. Para mim, normalmente, são os livros policiais. 

Neste livro, é encontrado o corpo de um jovem investidor. Tudo apontava para suicídio, mas um pormenor chama a atenção dos investigadores: o homem tem um prego espetado no meio do peito o que aponta para que tenha sido um assassinato. 

Ao mesmo tempo, Freyja é destacada para visitar uma morada. Foi recebida uma denúncia anónima sobre uma criança abandonada. E lá estava a criança: um rapazinho que não sabia como ali tinha chegado, não conhecia a casa, não sabia quem o tinha levado e não conseguia dar outras informações, além dos diminutivos dos pais. 

O problema? Vimos a descobrir que a morada é da casa do jovem investidor assassinado. 

Freyja e Huldar juntam-se novamente para descortinar mais este mistério. 

Obviamente, não vou falar mais sobre este livro. Digo apenas que foi daquele género "vou só ler um bocadinho" e terminei-o em 3 dias, porque uma pessoa tem de sair para ir trabalhar. 

É, se não me engano, o quarto livro da série com esta dupla. E tem um final que nos dá um nó na cabeça...

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Temporada de Furacões, de Fernanda Melchor

Antes do ano de 2025 terminar li mais umas coisinhas que ainda não tinha tido a oportunidade de publicar.

Pouco depois do último post de 2025, ainda publicado em novembro, o Henrique ficou doente. Depois, fiquei eu doente. Depois o meu excelso esposo. Depois começaram os preparativos de Natal. E depois de ano novo.

E aquilo que eu queria ter feito ficou para trás na minha lista de prioridades. A vida a acontecer, portanto. 

Isto tudo para chegar onde? Li uns 3 ou 4 livros e agora, com um atraso bastante relevante, vou aqui publicar as reviews. 

Comecemos por Temporada de Furacões, da autora mexicana, Fernanda Melchor.

O corpo da Bruxa foi encontrado, por um grupo de crianças. Flutuava, sem vida, num canal de irrigação. Ninguém havia dado pela sua falta, porque ninguém de bem poderia, em boa fé, dar conta de privar com ela.

O que se segue é a descrição, pelos olhos de várias personagens da comunidade de La Matosa, dos dias que antecederam esta descoberta macabra. 

Vamos acompanhar a descida ao inferno: a pobreza, os vícios e todos os tipos de violência que possam imaginar que assolam as pessoas que ali vivem e que estão diretamente ou indiretamente relacionadas com o assassinato da Bruxa. 

É um livro muito difícil de ler. Não pela escrita, atenção, mas sim pela crueldade de alguns cenários. Temporada de Furacões é um livro onde não há gente totalmente boa, nem totalmente má. 

É um livro onde as pessoas sobrevivem como podem. As escolhas são feitas com base no pressuposto que, dificilmente, as coisas poderão ficar pior. 

Várias vezes tive de parar, respirar, pôr o livro de lado um par de dias, porque a minha mente não conseguia processar determinadas situações, dado que, felizmente, nunca tive de passar por elas. 

É um livro duro. Bate-nos sem misericórdia, mas vale cada página. Sejam corajosos. 

domingo, 4 de janeiro de 2026

Novo Ano, novas metas

Antes que se passem dois meses desde a minha última postagem... Bom 2026, pessoas!

Chegou, portanto, a altura do ano em que se apontam as novas metas e se faz o balanço do ano que passou. 

Em 2025, voltei a ser conservadora nas minhas apostas. Comecei em janeiro a apontar para 12 livros (um por mês). Em meados de março, alterei para o dobro e ainda assim ultrapassei largamente.

Estou bastante satisfeita comigo e com a generalidade dos livros que li. 

Uma das coisas interessantes do Reading Challenge do Goodreads não é apenas ver o número de livros que consegui ler no fim do ano, mas as estatísticas. 

O maior livro que li tinha 708 páginas. E o menor tinha 144. 

A média de notas que dei foi de 4.6 estrelas - que me diz que os livros que li foram, genericamente, muito bons. 

O dia 1 já lá vai e, este ano, volto a jogar pelo seguro e apontei para os 24 livros. Acompanham-me nesta caminhada?