Páginas

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Noites Brancas, de Dostoiévski

Comprei este exemplar na Feira do Livro de Lisboa... do ano passado.

Quando mudei de trabalho, levei-o para o escritório, porque - pensava eu - iria lê-lo na hora de almoço. Mudei de emprego no verão. Estava calor e eu ficava sem vontade de ler. Depois comecei a conhecer pessoas e essa mesma hora de almoço era passada a conversar. E um ano se passou. 

Era ridículo abrir a gaveta e encará-lo a olhar para mim. Decidi que o melhor a fazer em nome da minha sanidade mental era lê-lo.

Temos um jovem solitário que passa o seu tempo a caminhar por São Petersburgo. Num desses seus passeios, conhece a jovem Nástenka e nas noites seguintes encontram-se e partilham as suas histórias, sonhos e desilusões. 

Enquanto o jovem se apaixona por ela, Nástenka confessa que ama outro homem e espera pelo seu regresso. O protagonista aceita ajudá-la, alimentando, em silêncio, a esperança de que ela acabe por corresponder ao seu amor.

É um livro mínimo (87 páginas) sobre a solidão, o amor idealizado e o contraste entre o sonho e a realidade.

Porquê Noites Brancas? Dado que a cidade fica bastante a norte, parece que o Sol quase não chega a desaparecer, mantendo o céu iluminado durante toda a noite, e dando a ilusão que o dia nunca termina.

Noites Brancas foi uma das primeiras obras de Dostoiévski e, por isso, é um livro mais delicado e romântico. 

(e acho que pode ser uma boa porta de entrada para quem se quiser iniciar nos escritores russos)

terça-feira, 28 de julho de 2026

Sou o seu silêncio, de Jordi Lafebre

Adoro Jordi Lafebre desde a série Verões Felizes, onde fez parceria com o franco-belga Zidrou. 

Na Feira do Livro de Lisboa, trouxe este Sou o seu silêncio, que tem estado indisponível no site da Wook, o que me levou a pensar que estava esgotado, mas nada mais falso. Está vivo e de boa saúde.

Sou o seu silêncio é um policial que tem lugar em Barcelona. 

Eva Rojas é uma jovem psiquiatra que perdeu a sua licença. E para a recuperar tem de ter consultas com um psiquiatra. Mas a sua incapacidade em acatar ordens é um dos traços mais marcantes da sua personalidade. 

Poucos dias antes, Penelope, uma das pacientes de Eva, pediu-lhe que a acompanhasse durante a leitura do testamento da sua avó (nota: a avó ainda não faleceu), porque a sua família é muito peculiar (e fonte de vários dos problemas que Penelope costuma abordar nas suas consultas).

Durante esta reunião, um dos membros da família morre em circunstâncias muito dúbias e Eva começa a investigar por conta própria (apesar das inúmeras ordens da polícia para que pare). 

É um livro muito bom. Mistura um certo tom policial com um tom de comédia e torna-se impossível não adorar Eva, apesar de ser alguém muito pouco convencional.

Tudo neste livro é bom. Recomendadíssimo.



sábado, 25 de julho de 2026

Os dez espelhos de Benjamim Zarco, de Richard Zimler

Tenho muita coisa para pôr em dia. Mais uma vez, descuidei-me no meio do processo entre ler e publicar. 

(já tenho idade e experiência suficientes para saber que o resultado não é cool)

Vou começar cronologicamente: do mais antigo para o mais recente.

O que dizer de Os dez espelhos de Benjamim Zarco? Sinceramente, foi o que menos gostei da série Zarco. 

Benni (Benjamin) e o primo Shelly são os únicos sobreviventes do Holocausto da sua família. Enquanto que o primeiro, ainda criança, conseguiu fugir do gueto de Varsóvia e foi acolhido por uma professora polaca de piano, o segundo (mais velho) conseguiu fugir para o Canadá. Finda a guerra, conseguiram voltar a reunir-se. 

Mas a vida de ambos foi preenchida pelos silêncios das memórias e nunca partilharam nada com as suas famílias. E isso fez com que elas se sentissem excluídas de partes fundamentais da sua própria existência. 

O meu problema com este livro é que me pareceu muito repetitivo: as personagens andavam sempre à volta das mesmas coisas e tornavam-se algo aborrecidas. Não me consegui conectar com nenhum dos primos e custou-me um bocado chegar ao fim da leitura. Às tantas, houve uns momentos de carácter mais místico, que me pareceram forçados na narrativa.

Não vou, por isso, alongar-me. Sinceramente, tenho bastante pena de não ter gostado, porque gosto bastante da escrita de Zimler. Ainda tenho como referências de livros de topo Os Anagramas de Varsóvia e O Último Cabalista de Lisboa. Mas Os dez espelhos de Benjamim Zarco, é um 3 para mim.