quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Lido: Crime, disse o livro, de Anthony Horowitz

Dia 21. Foi no dia 21 que terminei de ler "Crime, disse o livro". Foi uma leitura absurda de tão boa. Trata-se literalmente de um livro... dentro de um livro.

Contexto:
Há muito tempo que conheço o trabalho deste autor. Basta dizer que foi um dos autores de vários episódios de Poirot, e que foi o responsável pela adaptação televisiva de Midsomer Murders, uma das minhas séries preferidas, e que está no ar desde 1997 (!!!). E que foi também o escolhido para dar continuidade aos livros de Sherlock Holmes - A Casa da Seda, diz-vos alguma coisa?

Adiante...
E é fantástico encontrar a homenagem a Agatha Christie nestas páginas. Não é subtil, não é algo que passe despercebido... está ali escarrapachado à vista de toda a gente. E é uma delícia. Susan Ryeland é editora e, um dia, senta-se a ler o manuscrito de mais um livro do autor bestseller da editora para onde trabalha.
Numa vila rural em Inglaterra, em 1955, uma mulher - Mary Blakiston - é encontrada morta dentro da casa do patrão. Todas as portas e janelas estão fechadas por dentro. O filho, que dias antes havia discutido com a mãe à vista de todos, é apontado como responsável pela morte da senhora.

A noiva, na tentativa de o ilibar, contacta Atticus Pünd, um detective particular que acaba de receber péssimas notícias, relativas ao seu estado de saúde. Apesar de registar as queixas da rapariga, Pünd não aceita o caso, por considerar que não existe caso. Mas, volta atrás, quando apenas duas semanas depois, o patrão de Mary é encontrado decapitado na sua própria casa.

Atticus desloca-se a Saxby-on-Avon para resolver este mistério e ligar os pontos que, até àquele momento, parecem desconexos.

Tal como nos livros de Poirot, no final, quando Atticus já sabe quem é o culpado, e chama todos os suspeitos para a revelação final... o livro acaba. Faltam os últimos capítulos do manuscrito.

Susan procura o chefe, Charles Clover, para saber onde está o resto do manuscrito. Nesse momento, é informada que Alan Conway, o autor, fora encontrado morto. Charles mostra a Susan uma carta enviada por Alan, onde este revela as suas intenções de se suicidar.

Susan, apesar de não simpatizar particularmente com Alan, fica intrigada com toda a história, e tenta desesperadamente encontrar as últimas páginas do último grande livro de Conway.

Este livro tem tudo o que os fãs de Poirot e Miss Marple adoram. É uma ode à grande senhora do crime. Adorei adorei adorei... fiz questão de não saber as opiniões de mais ninguém, para não me sentir influenciada, mas, agora, sinto que isso não iria acontecer.

Como fã assumida de Agatha Christie, estou genuinamente feliz com este livro. Uma curiosidade: a determinada altura, Susan conversa com o neto de Agatha Christie, pois este encontrou Alan Conway pouco antes de morrer. É só (mais) um pormenor que me deixou feliz durante esta leitura.

E o trocadilho com o título?! Não é uma delícia?

Resta-me apenas dizer que este livro foi-me gentilmente cedido pela editora Clube do Autor, a quem agradeço de coração ter-me proporcionado esta leitura 5 estrelas. 

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Lido: A Companhia Negra, de Glen Cook

Terminei este livro durante o fim-de-semana, mas com o início das aulas, as rotinas, cá por casa, ainda estão a ser ajustadas, e o tempo não estica.

Desde há alguns meses que estava entusiasmada com esta publicação, mesmo antes do livro estar disponível nas livrarias, sequer. Tinha lido na revista Bang, um texto publicado pelo editor da Saída de Emergência, sobre este livro... e... como explicar?! Sabem aquela sensação que cresce em nós quando lemos algo que francamente nos entusiasma?! Pois, foi isso que senti... 

Houve qualquer coisa naquele texto que me levou a * salve o exagero * precisar - genuinamente - de ler A Companhia Negra. As minhas expetativas não foram defraudadas. 

A Companhia Negra é um livro de fantasia negra. Neste primeiro volume, acompanhamos a Companhia de Negra, um grupo de mercenários que, no momento em que começamos a história, está ao serviço de Síndico, na cidade de Beryl. Mas, o cenário na cidade é, de tal forma tenso, que rebenta uma guerra civil. Durante os confrontos, e sob proteção da Companhia Negra, Síndico, que funciona como uma espécie de governante de Beryl, refugia-se numa torre. Contudo, uma criatura negra ataca o local e há uma matança. A missão da Companhia Negra fica, desta forma, concluída, dado que o seu contratante é uma das vítimas da forvalaka, a tal besta.   

A Companhia Negra é contratada para servir a Senhora, nas terras do Norte. Em tempos que há muito passaram, a Senhora e o marido, Dominador, dois feiticeiros poderosíssimos, governaram com mão de ferro e crueldade, esse território. Mas, a Rosa Branca, líder mítica dos Rebeldes, havia conseguido pô-los num sono sem fim, acompanhados dos Tomados, um grupo de 10 inimigos que foi amaldiçoado a segui-los até ao fim dos tempos. Porém, após mais de 300 anos, a Senhora e os Tomados foram despertados, e a guerra recomeçou. 

É este o "plot" de uma saga que me entusiasmou muitíssimo. O livro está escrito da perspetiva do Físico, o médico da Companhia Negra, que serve também na condição de escriba que regista nos Anais, os momentos mais importantes e significativos do grupo. E aquilo que lemos são Crónicas escritas por Físico, logo existem alguns saltos temporais que, os mais distraídos, poderão achar estranhos. 

É um livro super-entusiasmante. E estava mesmo muito ansiosa para falar dele, mas estava difícil chegar ao fim, devido ao facto do Henrique ter começado as aulas, andarmos todos ainda um pouco "a apanhar papéis" e a criar uma nova rotina para estes primeiros dias do 1.º ano do 1.º Ciclo. 

Em A Companhia de Negra podemos encontrar um pouco de tudo: estratégia militar, fantasia e magia, humor, uma pitadinha de romance, intrigas, violência... e este 1.º volume é um início de uma saga, na minha simples opinião, memorável. Recomendo vivamente a quem gostou, por exemplo da Trilogia dos Senhores da Guerra, de Bernard Cornwell (também da Saída de Emergência), e gosta deste género de livro mais robusto.

Para não falar da capa, que é BRU-TAL! 

domingo, 8 de setembro de 2019

Lido: Malena é um nome de Tango, de Almudena Grandes

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Há uma semana, trouxe da biblioteca o livro "Malena é nome de tango", da escritora madrilena Almudena Grandes.

De tanto ouvir a Ana Lopes (do blogue e canal O Sabor dos Meus Livros) falar sobre esta autora, quando a encontrei nas estantes da biblioteca, não hesitei.

Malena, irmã gémea da perfeita Reina, é uma criança que, todos os dias, reza para se tornar um rapazinho. As diferenças entre ela e a irmã são abismais e Malena sente-se quase aprisionada numa espiral de convenções a cumprir, sem conseguir escapar-se às omnipresentes comparações com a irmã.

Um dia, quando já tem 12 anos, o avô oferece-lhe uma esmeralda, uma pedra valiosíssima que um dia a salvará. Mas a condição é que nunca fale dela a ninguém, e que, um dia, quando precisar, deverá procurar o tio Tomás que ele saberá o que fazer. Na mesma altura, falam sobre um dos seus antepassados, Rodrigo, que, dizem ter sido vítima de uma maldição.

Apesar de pertencer a uma família de posses, e, aparentemente serem perfeitos, existem muitos segredos que atormentam os elementos dos Fernández de Alcántara. Como a 2.ª família do patriarca, que apesar de não ser secreta, é um assunto que nunca é discutido.

Há medida que vai crescendo - e nós, vamos assistindo a esse crescimento - Malena assume que também ela é uma vítima da maldição de Rodrigo, tal como o avô e a tia Magda: por alguma razão, sentem que o seu lugar naquele mundo é confuso e não muito definido.

Todo o livro é um reflexo dos pensamentos e das ações de Malena - que é a nossa narradora. E não podemos esquecer que cada ação gera uma reação. E essas consequências, nem sempre são aquelas que Malena almejava.

Malena é uma personagem maravilhosa. Não é perfeita, longe disso, e os seus medos e anseios são nos transmitidos em cada linha, em cada parágrafo... é, no fundo, uma mulher à frente do seu tempo. Uma sobrevivente, se assim lhe quiserem chamar.

O livro narra um período temporal de cerca de três décadas. Desde meados dos anos 60 até aos anos 90, com uma Malena adulta. Apanhamos aqui muito da História de Espanha: alguns períodos da guerra civil e da 2.ª Guerra Mundial foram falados, bem como o período franquista que conhece o seu fim nos anos 70... assistimos a um grande período de transição e de adaptação, e muitas reviravoltas.

Não é um livro fácil, confesso. Custou-me a entrar na história, que é pesada, e o próprio estilo da autora não é simples, especialmente, no início... (apenas por isso, lhe dei 4 estrelas). Depois de conseguirmos ultrapassar o meio do livro, e de já estarmos habituados a que Almudena se disperse um bocado antes de retomar o fio à meada, lê-se tremendamente. A história, essa, é irrepreensível.

Gostava muito de saber o que lhe aconteceu, depois do último ponto final. Apesar de ser uma história belíssima, gostava de saber como é que a vida de Malena continuou. Como continuou a sua estória?

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Lido: O Terceiro Desejo, de Andrzej Sapkowski

As expetativas eram gigantes. Todo o hype à volta dos livros, do jogo, da série que se avizinha... é impossível escapar a esta explosão de opiniões entusiasmantes.

Já conhecia - pela rama - do tema. O meu excelso companheiro jogou o Witcher 3 para a Playstation, e de quando em quando, chamava-me a atenção para partes de diálogos, ou para os gráficos do ambiente do jogo.

E achei bastante bom. Tal como o livro. Há umas poucas semanas, comprámo-lo e ele terminou-o durante as férias. Depois trocámos, comecei a lê-lo e passei-lhe os comandos do Kindle. E, no primeiro dia, cheguei praticamente a meio do livro.

Geralt de Rívia é fantástico. Tem nele o melhor (e o pior) dos dois mundo. E é isso que o torna tão interessante. Não é apenas um protagonista heróico, é também alguém que comete erros e sofre as consequências.

Para quem não conhece - o que acho difícil, nesta altura do campeonato - estou a falar da saga The Witcher que segue a história de Geralt, um bruxo, caçador de criaturas. Um livro de fantasia, como é óbvio. Aqui, além do percurso deste profissional, somos dados a conhecer algumas versões menos divulgadas de histórias que conhecemos, tal como a Branca de Neve, que é uma princesa que se tornou salteadora, com os sete gnomos fazendo parte da sua quadrilha. Ou a história da Bela e do Monstro. A Bela Adormecida também aparece, mas apenas como uma história que alguém ouviu falar... e também é um pouco distorcida.

E depois é todo este mundo criado... enfim, e por outras palavras, é mais uma saga para me fazer perder a noção das horas. Lançados nesta fúria literária, já comprámos o 2.º livro da saga, publicada pela Saída de Emergência, há pouquinhos dias, porque o que mais falta cá nesta casa são livros.

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Lido: O Porto das Almas, de Lars Kepler

Esta leitura foi um pouco diferente daquilo a que estamos habituados vindo de Lars Kepler. Li, em O Homem da Areia, e tinha ficado totalmente petrificada com aquela história.
julho,

O Porto das Almas é radicalmente diferente. Temos uma protagonista, Jasmin, tenente do exército sueco que, numa missão, perde dois dos seus homens. Também ela fica muito ferida, e quando acorda no hospital, conta que esteve num local semelhante a um porto, algures na China, onde se encontram várias pessoas a embarcar em diversos barcos.

Um pouco mais adiante, não muito, sabemos que esse local, é uma espécie de entreposto de almas. Como que um local de espera, até à recuperação da pessoa, ou à sua morte efetiva.

Jasmin, a determinado momento, tem de pôr em risco a sua própria vida, numa tentativa de salvar daquele local aquele que ela mais ama no mundo: o filho, Dante, de cinco anos.

Como mãe de uma criança com uma idade aproximada, arrepiei-me profundamente com a garra de Jasmin. Uma verdadeira mãe leoa que ultrapassa os limites do binómio vida/morte.

Mas... não é um livro por aí além. O esforço de mostrar algo totalmente diferente é reconhecido, mas não me apaixonou como O Homem da Areia, por exemplo, ou O Hipnotista que já li há mais tempo.

É um livro que explora a morte, e a vida para além dela, para quem acredita que há algo mais. A ideia é interessante, mas, para mim não resultou. O que tem a favor é, sem dúvida, os capítulos curtos e o ritmo frenético da narrativa. Não há um momento em que não aconteça alguma coisa.

Atenção: não resultou comigo, mas pode resultar com outra pessoa. Não se deve negar uma ciência que, há partida, se desconhece. Não foi o melhor livro que li nas últimas semanas, mas está longe de ser o pior. Dei 3 estrelas bem sólidas.

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Lido: O Aprendiz de Assassino, de Robin Hobb

Depois de uma semanita de férias - as publicações da semana passada estavam programadas - estou de volta ao batente. Uma semana de papo para o ar deu para terminar um ebook que trazia de casa, começar outro livro (que entretanto também já terminei) e terminar um 3.º livro.

Portanto, as próximas três postagens - sendo esta a 1.ª - são as minhas leituras destes últimos dias, por ordem cronológica.

* * *

Numa palavra: espetacular. Não sabia o que esperar, confesso. Mas tenho ouvido excelentes opiniões e decidi arriscar.

Cedo somos apresentados a Fitz, filho bastardo do Príncipe Cavalaria, herdeiro do trono dos Seis Ducados. Após o aparecimento deste filho tão pouco desejado, Cavalaria renuncia ao trono e sobe ao lugar de herdeiro o Príncipe Veracidade.
Mas Fitz é ignorado por todos, considerado culpado pela renúncia e afastamento de Cavalaria. Contudo, começa desde muito cedo a revelar o Talento, um dom que o pai e o tio também possuem. O rei Sagaz, por seu turno, decide aproveitar o garoto e torná-lo um assassino às suas ordens.
Mas, ser filho de Cavalaria não o protege inteiramente, e é vítima de golpes palacianos e intrigas de corredor.

Neste livro há um pouco de tudo: um enredo envolvente na óptica de Fitz, uma escrita fluída, amor e romance, lutas, intrigas e uma boa dose de fantasia.

Facilmente, o leitor começa a nutrir simpatia por Fitz. É o narrador, é apenas uma criança de seis anos quando o conhecemos, é uma vítima das circunstâncias, cresce com dedos apontados na sua direção como se a culpa de todos os eventos negativos que assolam o reino seja sua... Fitz é um menino que vai crescendo à nossa frente, e os vilões não têm remorsos nem paninhos quentes.

Recomendo vivamente e sem reservas.

O Aprendiz de Assassino - 1.º volume da 1.ª trilogia - está publicado em Portugal pela Saída de Emergência. 

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Agosto ao Quadrado: leituras completas

A faltar cerca de uma semana para terminar o mês de Agosto, faço um pequeno balanço sobre a minha participação no projeto da Silvéria (The Fond Reader) e do Fernando (Niji TV): #AgostoAoQuadrado.

A ideia era ler BD, graphic novels... enfim, toda a literatura aos quadradinhos. O meu excelso companheiro tem uma coleção simpática deste género e alinhei, porque Agosto é um mês que se quer levezinho e nada melhor do que ler "quadradinhos", às vezes esquecidos.

Comecei com o "Hellboy", que já vive cá em casa há mais tempo do que me lembro. Aliás, vim para esta casa em 2010 e ele já cá era veterano. "Hellboy" não deve ser desconhecido da maioria, até porque já houve dois filmes com esta personagem, e está um 3.º na calha. Trata-se de um ser, meio demoníaco (pelo menos na aparência) que foi invocado por Rasputine, para trazer o apocalipse. Acaba por ser descoberto, ainda em criança, pelos soldados Aliados, em dezembro de 1944.
Tem boas intenções, e integra, já em adulto o Bureau of Paranormal Research and Defence, que pretende combater o mal. Este livro conta as origens de Hellboy e conta uma aventura com os seus colegas Liz Sherman e Abe.
"Hellboy" foi uma leitura a contar para o Book Bingo, na categoria "um livro que se leia num dia".


 Depois, passei a uns livros mais recentes: os dois volumes de "Black Hammer". Eu que nunca fui muito de super-heróis, dei por mim, a adorar este, a dar estrelas "à grande e à francesa", e a ansiar por um novo volume.
Um grupo de super-heróis foi retirado da sua realidade e transportado para uma cidadezinha, onde está preso. Um deles ousou tentar regressar, mas foi morto. A vida, passados 10 anos, é monótona e repetitiva. Até que alguém do passado chega até eles e tenta, de alguma forma, levá-los a reagir. Mas, algo os irá tentar impedir.




O 4.º livro que li foi o "Newborn - 10 dias no Kosovo". Uma espécie de diário de viagem do autor - Ricardo Cabral - ao Kosovo, em Agosto de 2009. O livro é (quase todo) a reprodução dos desenhos que Ricardo fez, durante a sua estadia, com pequenos apontamentos sobre o que via, o que ouvia, o que fazia, onde ia, o que acontecia...
Em 2011, Ricardo Cabral ganhou, no Amadora BD, o Prémio Nacional de BD : Melhor Desenho de Autor Português - o que diz muito sobre este livro.
Considerei este livro para outros projetos como o #lusiteratura, já que uma das categorias do mês de agosto era "não ficção", bem como para o Book Bingo "livro que se passe no verão".


O 5.º livro foi o primeiro volume de "Saga". Que maravilha de livro. Fiquei fascinada com aquele mundo. Alana e Marko apaixonam-se. Isto não teria mal nenhum se eles não fossem soldados de frações opostas, numa guerra intergalática. É uma misturada épica de ficção científica, com romance e fantasia. Estou em pulgas para ler os volumes seguintes - diz que saíram mais 8 até ao momento. E que o 9.º está previsto para a Comic Con, em setembro.
Esta leitura contou para o Book Bingo, na categoria "livro recomendado por Youtuber, Blogger ou Instagrammer"; vi esta recomendação em vários canais, como The Phoenix Flight, da Ana Lopes, ou no Book, Less Beer and a Baby, do Filipe e da Cristina.


quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Lido: O Romance de Cordélia, de Rosa Lobato de Faria

Que livro maravilhoso! Como esta mulher escrevia bem...

Ainda estou meio "anestesiada" com este romance. É-nos narrado na 1.ª pessoa e sabemos que a nossa protagonista está presa, prestes a sair, após 16 anos e 8 meses de cárcere. Cordélia, de seu nome, vai-nos narrando todas as circunstâncias da sua vida, desde a infância até ao momento presente.

Toda a vida foi um conjunto de acontecimentos que não indicavam que aquele seria o seu destino: pagar, na prisão, por algo que não fez e ver-se sem nada.

Sabemos da relação complicada com a mãe, do amor que sentia pelo pai e pela avó paterna, do suicídio do pai, a morte da avó, as más companhias... até que, por vingança, foi tramada e acusada de homicídio, e condenada a 20 anos de prisão.

Cordélia não é má pessoa. Cordélia é o fruto de más escolhas: umas por ingenuidade e outras por cegueira.

O final é dilacerante.

O livro está tremendamente bem escrito. Já tinha lido "Os Três Casamentos de Camila S.", e tinha ficado fascinada. Este livro é, aparentemente, muito simples, mas tem subtilezas e jogos que o tornam uma riqueza - o próprio título "Romance de Cordélia" é um jogo com a expressão "romances de cordel", que ela lia durante a prisão.

Adorei.

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Lido: A Asa da Consequência, de Helder Martins

Av
Depois de ter lido "O Templo de Borkudan", Helder Martins voltou, gentilmente, a remeter-me a 2.ª parte da sua saga Crónicas de Tellargya.

Este livro é ligeiramente maior do que o 1.º - 327 páginas contra as 185 do volume 1. Neste livro, fiquei com um estranho amargo de boca: mas o pobre Helzar só encontra adversários? Não há meia dúzia de almas caridosas que ajudem o rapaz?! Contei, pelo menos, uns seis confrontos; fossem orcs, vampiros ou outros feiticeiros, com intenções meio nebulosas...

Muito resumidamente: Helzar é um jovem mago que depois de ver a sua aldeia destruída e a mãe assassinada, começa uma jornada para recuperar a irmã mais nova que foi raptada por Tunnroch, uma personagem que personifica o Mal. E isto é o 1.º livro, que termina com Helzar, o dragão Drinus e um monge de Borkudan a iniciarem a sua viagem.

No 2.º volume, mais do que um avanço na história, encontramos o nosso herói (e os seus companheiros) a serem, constantemente, testados. Lealdade e coragem e nunca desistir são alguns dos valores que este livro pretende, claramente, transmitir.

Somos introduzidos a novas personagens: uma elfo e um anão que se tornam aliados e companheiros de Helzar.

Assim, de repente, quase faz lembrar O Senhor dos Anéis em que tudo piora, antes da vitória final. E assim, terminou também este livro: com Helzar em apuros, separado dos amigos.

Uma nova chamada de atenção à editora: além de gralhas, houve parágrafos inteiros repetidos, nos últimos capítulos. Ó senhores da Chiado Editora, têm de ter isso em atenção!!! Mais uma vez: onde está o vosso apoio na parte da revisão do texto?

Sugestão ao Helder: um glossário com as personagens. São muitas, e com nomes pouco comuns. Tal como publicaram o mapa do território - que adorei - devia haver também uma ajuda no que toca a situar as personagens.

Foi uma leitura muito interessante, e fico à espera da conclusão desta aventura.

Este livro contou para o Book Bingo Leituras ao Sol, na categoria "último livro que te ofereceram".

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Lido: As Aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain

Esta leitura foi feita no âmbito do Book Bingo Leituras ao Sol. Uma das categorias era escolher - de olhos vendados - um livro das estantes. Mas como as minhas prateleiras estão um caos, decidi fazer uma lista com alguns dos livros que tenho por ler, e sortear através da plataforma Random.

Calhou este. E em boa hora. Há uma companhia de teatro, aqui de Sintra, está a apresentar uma versão adaptada deste clássico infanto-juvenil, e eu queria muito levar o Henrique. Consegui terminar a leitura no dia preciso em que o levei a ver a peça.

Li esta obra no Kindle, e não tenho imagens, mas deixo aqui uma ilustração do livro, na sua versão original de 1884.


O livro é engraçadíssimo e a peça não fica atrás - just saying!!

Huck, como gosta de ser tratado, é o melhor amigo de Tom Sawyer. No final do livro As Aventuras de Tom Sawyer - que não li!! - os dois rapazes encontram algum dinheiro, e ficam ricos. Huck fica aos cuidados de uma senhora, a Viúva Douglas, e da sua (extremamente rigorosa) irmã. Contudo, o rapaz sente-se aprisionado naquela vida: ter de frequentar a escola, vestir roupa, calçar sapatos apertados, ter maneiras... para alguém habituado a ter toda a liberdade do mundo, isto é tortura.

Um dia, depois de ter sido aprisionado e ameaçado pelo pai, decide simular a sua morte e consegue fugir. Durante a fuga, encontra Jim, o escravo da Miss Watson (a irmã da viúva), que aproveitou a confusão levantada pela suposta morte de Huck, e também fugiu, dado ter ouvido Miss Watson dizer que o ia vender.

O livro segue as aventuras que estas duas personagens - tão diferentes - vivem ao longo do Mississipi, as pessoas que conhecem, os mal-entendidos que se geram... é um livro fabuloso. Depois de o ler, recomecei - com o Henrique - a ver os desenhos animados do Tom Sawyer, e o entusiasmo ainda não se perdeu.

Quanto à peça - vale a pena ser vista. Aos sábados e domingos, na Quinta da Ribafria, em Sintra. Até 15 de setembro.