terça-feira, 26 de março de 2019

Lido: O Amor nos Tempos de Cólera, de Gabriel García Márquez

Tenho tido sorte com as leituras que tenho feito; é isso, ou então os meus critérios alteraram-se. A verdade é que O Amor nos Tempos de Cólera de "Gabo" foi mais uma leitura de 5 estrelas.

Fiz um forcingzinho para terminar de ler as últimas páginas, apesar de estar já bastante cansada. Trata-se d'O Romance de "Gabo". Mais do que de amor, é um livro sobre a existência e a condição humanas, sobre o destino...

Florentino Ariza, um jovem apagado, apaixona-se por Fermina Daza. Durante algum tempo, cerca de 3 anos, correspondem-se, mas, um dia, a magia que Fermina sentia, desaparece. Casa-se, viaja pelo mundo, tem filhos, envelhece, sem se aperceber que Florentino mantém, dentro de si, a chama apaixonada dos tempos de adolescente.

A promessa que lhe fizera mantém-se, apesar do tempo: ele amá-la-à para sempre.E eis que, entretanto, se passaram 53 anos. 

Não vou alongar-me. Aliás, não quero alongar-me.

Nos últimos dias, discutiu-se o momento em que nós, leitores, desistimos de uma leitura. Há tanto para ler. Seriam precisas mil vidas para conseguir ler tudo aquilo que é produzido; contudo, acho que há uma altura para cada um dos livros que nos passam pelas mãos. E acho que só agora, com 36 anos, o momento do meu encontro com "Gabo" é uma reunião feliz. Já havia lido outros livros dele, mas tinham-se apagado da memória. Este ano, já reli "Memória das Minhas Putas Tristes" e foi maravilhoso.

Agora com O Amor nos Tempos de Cólera deu-me para rir, revirar os olhos, enervar-me, assustar-me e comover-me. Não chorei, mas vontade não faltou. É uma obra soberba. Quase conseguimos sentir, cheirar, visualizar aquilo que as personagens sentem, cheiram ou visualizam.

"Fermina Daza continuou imóvel até de madrugada, a pensar em Florentino Ariza, não como na sentinela desolada do Parque dos Evangelhos cuja recordação já não lhe suscitava nem uma luzinha de nostalgia, mas como era então, decrépito e manco, mas real: o homem que esteve sempre ao alcance da sua mão e não soube reconhecer."

Ousem ler "fora da caixa". Sejam ousados. Não olhem para os livros como objetos velhos. Observem. Sintam-nos. Criem relações. Nunca vi o filme, e, no entanto, criei-o na minha cabeça. E agora, até tenho receio de o ver, para não apagar da mente, as minhas criações imaginárias. 


domingo, 17 de março de 2019

Ouvido: A Volta ao Mundo em 80 Dias, de Júlio Verne

A estreia total e absoluta em audiobooks. Esta semana, com o aniversário do pequeno, fiquei "de gatas", cansada como ninguém imagina - corre para ir encomendar o bolo, corre para ir buscar, corre para comprar a prenda, corre para comprar as prendinhas dos colegas que também fizeram anos, corre para comprar balões e saquinhos para as lembranças dos convidados... uma correria.

Contudo, apesar de todo o cansaço - e com duas insónias pelo meio da semana - não queria deixar de ler. Mas, quando pegava num livro, era para o largar logo de seguida. E pensei para comigo "e que tal, Cristina Maria, experimentares ouvir um livro?".

E assim foi. No meu ouvidinho, passei a ouvir, enquanto andava no meu lufa-lufa, as aventuras de Phileas Fogg ao redor do mundo. Sei que tenho este livro em formato físico... algures na minha casa de família. Numa das mil mudanças que fiz no meu antigo quarto, devo tê-lo guardado/encaixotado. Junto de outros livros que agora me "fazem falta" como de pão para a boca (talvez, esteja a exagerar um bocadinho... talvez!).

É um livro curtinho, que "despachei" em 3/4 audições.

A Volta ao Mundo em 80 Dias é um daqueles clássicos que, julgo, dispensa apresentações. Phileas Fogg, um gentleman inglês, aposta, com os seus companheiros, do "club" a que pertence, que conseguirá dar a volta ao mundo em 80 dias. Acompanhado do seu secretário/criado pessoal, Passepartout, Fogg embarca numa viagem inesquecível - seguido de perto pelo inspetor Fix, que o confunde com um ladrão de bancos.

Goodreads Reading Challenge: 26/45




quinta-feira, 14 de março de 2019

Lido: Os três casamentos de Camila S., de Rosa Lobato de Faria


Maravilhoso. Nunca tinha calhado ler Rosa Lobato de Faria, e este livro apaixonou-me. Estamos nos anos 80, e Camilla, uma respeitável senhora de 90 anos, decide começar a escrever as suas memórias, baseada nos seus diários de juventude.

O livro é uma viagem pela vida de Camilla. Órfã, a viver com os velhos, e pouco mais que uma criança, é prometida em casamento a um homem muito mais velho, para que, com a morte dos tios, tenha em quem se apoiar.

A sua mãe-de-leite, uma mulher, descendente de ciganos, profetiza que Camilla só casará com homens cujo apelido começa com a letra "S". Uma noite, apaixona-se por André Sobral, curiosamente, o único homem com quem não casará. Camilla casa (três vezes), tem filhos, netos e bisnetos. Camilla tem alegrias e tristezas. A vida de Camilla está nestas páginas.

Desde o regicídio, 1.ª Guerra Mundial, passando pela instauração da ditadura salazarista, pela Guerra Colonial, e 2.ª Guerra Mundial - são muitos os eventos históricos que Camilla nos conta, com um olhar muito pueril, dado que as senhoras não falam de política.

É um romance, sim. Sabe-se lá há quanto tempo, não lia um romance, mas está escrito de tal forma que dei por mim a chorar nas páginas finais. A forma inocente, pueril, mas, ao mesmo tempo, poética como este livro está construído, é fantástica.

Quando comprei "Os três casamentos de Camilla S.", comprei também "A trança de Inês". E já me recomendaram "Pássaros de Seda" e "Romance de Cordélia". Cara Rosa, lamento tanto, mas tanto não ter tido a presença de espírito de a ler enquanto foi viva. Perdoa-me, Rosa?

(este livro entra na categoria "escrito por figura pública" do desafio #lusiteratura da Patrícia Rodrigues. Saber mais aqui)

Reading Challenge: 25/45

terça-feira, 12 de março de 2019

Lido: A Filha da Floresta, de Juliet Marillier

Foi em algum canal do Youtube que ouvi falar, pela primeira vez, da trilogia Sevenwaters. Mais do que um booktuber elogiou a escrita e a história.

Além de policiais, livros de espionagem, históricos... também me pelo por um bom livro de fantasia. E este primeiro livro A Filha da Floresta é um desses bons livros de fantasia.

Demorei muito mais do que pretendia - apesar de não ser um dos maiores que já li (448 páginas) - mas não foi por não gostar. A vida intromete-se nos nossos hobbies, como digo muitas vezes.

Este livro conta-nos um pouco a história de sete irmãos, filhos de Collum, Senhor de Sevenwaters e senhor da guerra: Liam, Diarmid, os gémeos Cormack e Connor, Finbar, Padriac e a pequena Sorcha. Cada um deles tem uma característica especial que o torna especial. Tal como diziam, eram sete ribeiros de um único rio.

Sevenwaters é um território quase inexplorado da velha Irlanda, dos duendes, fadas e de histórias fantásticas. Contudo, encontra-se em guerra com os bretões. Lord Collum, certa vez, regressa de uma das suas prolongadas ausências, trazendo consigo Lady Oonagh, a sua noiva, que se revelará como uma feiticeira.

Após dominar o espírito de Collum, Oonagh tenta livrar-se dos sete irmãos e quase consegue. Sorcha escapa, por pouco ao feitiço, e cabe-lhe a ela libertar os irmãos. Mas, para chegar até esse momento da libertação, a jovem é sujeita às mais terríveis provações.

Gostei imenso desta leitura, e apesar de ter terminado há poucos minutos, estou ansiosa para regressar a Sevenwaters. Mas, para já, vou "tirar umas férias", e deixá-lo em pousio, para digerir o que mais será acrescentado a esta narrativa. Dei-lhe 5 estrelas, sem hesitação. É realmente um excelente exemplo de como a fantasia é muito mais do que dragões.

Quase me arriscaria a dizer que me fez lembrar d'As Brumas de Avalon. A componente de magia, a força das figuras femininas e a sua importância para a história... sem esquecer aquele "tudo-nada" de folclore narrativo, das lendas e das histórias contadas por gerações. Adorei, sem dúvida. Registem aí: Trilogia Sevenwaters, livro 1 A Filha da Floresta, de Juliet Marillier.

Reading Challenge: 24/45

domingo, 10 de março de 2019

Lido: Capitão de Mar e Guerra, de Patrick O'Brian


TERMINEI!!! FESTA!!! Um mês e dois dias para ler 415 singelas páginas. Realmente, quando os livros encalham, não há muito a fazer.

Nunca vi o filme "Master and Commander" (2003), que é a adaptação cinematográfica deste livro. Vi o trailer, apenas, e... agora vem a expressão sexista... é um bocado para gajo. Tanto o livro, como o filme. Demorei bastante a entrar no ritmo, confesso. É um livro publicado em finais dos anos 60 (apenas nos anos 2000, em Portugal), e com enfoque na Armada Real Inglesa, na vida de uma embarcação de guerra, durante o início do século XIX - quando Inglaterra e França andavam entretidos em escaramuças.

Jack Aubrey é o capitão do Sophie, e Stephen Maturin é o médico do barco. Entre os dois nasce uma grande amizade, e neste primeiro livro da trilogia assistimos a esse processo.

Não me vou alongar muito, porque, além de uma série de perseguições em alto mar, disparos de canhão, e um conselho de guerra, não há muito a descrever. As cenas de batalha naval eram as únicas com um ritmo suficientemente rápido, tudo o resto era descrito devagar-devagarinho. Todos os termos náuticos da época... são para esquecer! Bem que os senhores da ASA colocaram um desenhinho de um barco com os nomes de todas as velas e das cordas e dos mastros... mas #sóquenão.


O fim do livro estava a ficar bastante interessante, por isso, sinto-me um pouco mais animada para o 2.º volume. Que não vai ser para já. Vou fazer um intervalo, para respirar fundo antes de me mandar para esta empreitada.

Para já, vou terminar o 1.º livro da trilogia Sevenwaters. Uma coisinha mais ligeira. Tipo um "amuse bouche".

sexta-feira, 1 de março de 2019

Cristina Maria, como vai ser o teu março?

Pessoas, excelente pergunta. Para já, ando meio "encalhada" com O Capitão de Mar e Guerra. Comecei a lê-lo a 8 de fevereiro, imagine-se. Atenção!!! Trata-se do 1.º volume da trilogia que deu origem ao filme "Master and Commander" (2003) - e quero mesmo mesmo muito lê-lo.


Mas a linguagem técnica náutica do século XVIII-XIX não é a coisinha mais simples do mundo. São 415 páginas e ainda só vou na 138. Isto devagarinho vai lá.

Entretanto, já me apercebi que muitas meninas da comunidade livrólica do Youtube/Instagram/Facebook vão (tentar) ler, neste mês, livros escritos por mulheres. Comecei a 6 de fevereiro (???!!!!) a trilogia Sevenwaters. Conta se terminar o 1.º livro ainda este mês, certo? Li, até ao momento, 1/4 do livro sensivelmente. Estou a gostar muito. É radicalmente diferente d' O Capitão de Mar e Terra, obviamente.


Estou a tirar um prazer enorme de ambas as leituras, mas devido ao meu estado de cansaço, à noite, quando já estou no "me time", o sono vence-me por goleada. Deixa-me um pouco frustrada, não vou mentir e dourar a pílula.
E, agora, vou parecer uma velhinha de 90 anos, mas a verdade é que a saúde do pessoal cá de casa não está (de todo) no topo, o que acaba por condicionar bastante a vontade de ler.

Portanto, pessoas... não faço a menor ideia como vai ser este mês que ainda hoje começou. Nem vou arriscar em fazer uma lista de livros, porque, sinceramente, não vale a pena.

Para já, quero concentrar-me em terminar estes dois que tenho em mãos. Em abril, vou ter uma leitura conjunta com a Cristina do Linked Books: "Por Quem os Sinos Dobram", por isso, seja o que for que leia ou que comece a ler, neste mês de março, não quero arrastar para abril, para me focar no amigo Hemingway.

#24Horas1Livro

Ainda em janeiro, a Silvéria - do canal The Fond Reader - lançou um desafio: ler, durante o mês de fevereiro, livros que "demorem" 24 horas a começar e terminar. Livro pequeninos que estão há "n" tempo nas estantes e que mal olhamos para eles. Sim, vocês, os fininhos...

Achei a ideia muito engraçada, e reuni um conjunto de livros que achei que seria interessante ler - como é óbvio, comecei logo a desviar caminho e só li 3 daqueles a que me propus inicialmente. E foram estes os livros que li... quem me segue no Instagram foi-se apercebendo das minhas publicações ao longo do mês, logo, estes títulos não são novidade.

1.º O Alienista, de Machado de Assis - 95 páginas
Comecei a lê-lo às 09h50, de domingo, 3 de fevereiro. Terminei, mais ou menos, às 13h30. É um livrinho pequeníssimo e muito engraçado.
O médico Simão Bacamarte, após deixar Portugal, estabelece-se numa pequena cidade brasileira, e decide aproveitar uma casa vazia e ali criar um sanatório/hospício que lhe permita estudar os mistérios da mente humana. Contudo, começa a prender, indiscriminadamente, os habitantes dessa pequena cidade, com a desculpa de serem mentalmente instáveis. A situação torna-se tão grave até ao ponto de haver uma revolução.
Ri muito, vou ser sincera. Achei este livro uma pequena pérola - o meu único reparo é à minha edição, e não ao livro em si. O meu livro fazia parte de uma coleção que, há uns anos, o Jornal de Notícias oferecia "Biblioteca de Verão" e tinha muitas gralhas.

2.º O Último Dia de Um Condenado, de Victor Hugo - 95 páginas
Este livro, à semelhança do anterior, já devia cá estar em casa há uns oito anos - sem exagerar. As únicas vezes que lhe tinha tocado - e à semelhança do anterior - foi para o mudar de sítio.
Comecei a lê-lo um pouco antes das 16h30, de 4 de fevereiro, e terminei às 22h00. Tive oportunidade de ler durante o tempo que o pequeno esteve na piscina e depois de o deitar.
O nosso protagonista diz-nos logo à cabeça que foi condenado à guilhotina. O advogado diz-lhe que vai interpor recurso, mas ele afirma imediatamente que prefere a morte a ser condenado a trabalhos forçados. E assim, temos acesso, como se de um diário se tratasse, aos pensamentos que vão na cabeça deste homem, as reflexões até ao momento final.
Todo o livro é uma crítica à pena de morte e ao "espetáculo" que este proporcionava às massas: o padre que era quase indiferente aos condenados, a refeição final, os últimos desejos...
Mais uma vez, um livro de 5 estrelas. E, mais uma vez, a crítica à falta de revisão do livro. Tudo bem que eram livros gratuitos, mas haja algum brio no produto que se apresenta. Muitas gralhas, ainda mais do que n' O Alienista, muitas frases mal construídas, enfim...

3.º Memórias das minhas putas tristes - 105 páginas
No fundo, este livro tratou-se de uma releitura. Devo-o ter lido, pela primeira vez, há cerca de 9/10 anos e nunca mais lhe peguei (só para o mudar de sítio, claro está!). Com este desafio, voltei a recordar esta bela história. Que história!
Encontramos um velho jornalista e cronista a completar 90 anos; cedendo à pressão da velhice, decide-se por celebrar o 90.º aniversário com uma jovem virgem. E, quase sem querer, encontra o amor que lhe escorregava desde menino. Este livro é uma ode ao envelhecimento e ao amor.
Comecei a lê-lo por volta das 10h00 do dia 5 de fevereiro e terminei cerca de 12 horas depois.
A escrita de García Márquez é soberba. Ao contrário de "Cem anos de solidão" que li quase há um ano, onde temos de estar concentrados para não nos perdermos nos Aurelianos e nos Josés Arcadios, "Memórias das minhas putas tristes" é quase um poema que podemos desfrutar várias vezes. Lê-se, lá está, em 12 horas - ou muito menos - e é tão bom que dói.

4.º O Decálogo - O Manuscrito, de Frank Giroud

5.º Maus, de Art Spiegelman

6.º O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, de Jorge Amado
Que livrinho maravilhoso. Há anos que ando para o ler e finalmente aconteceu. Ouvi falar dele a 1.ª vez quando entrei para a secundária, e havia colegas que o tinham lido na preparatória. Nunca o tive como leitura obrigatória, por isso fui adiando.
O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá é uma história de amor, entre dois animais de raças completamente diferentes, até ao momento final com o Gato Malhado a aperceber-se do inevitável e da impossibilidade do amor de ambos.
Escrito em 1948, este livro só viu a luz do dia 30 anos depois. É tão triste, tão poético, tão maduro para ser destinado a um público infanto-juvenil...
Li este livro em cinco horas - com "n" intervalos pelo meio, porque mim ser mãe e mim ter um ser de cinco anos a chamar-me a cada 11 segundos.

7.º O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway
Mais um livro que herdei da biblioteca da minha mãe. Gostei imenso da mensagem que é transmitida - a honra, os valores, a dignidade, a coragem... mas não me senti totalmente arrebatada, como pensava. Compreendo 100% a importância deste livro para a literatura.
Apenas no final, li a nota do tradutor, Jorge de Sena... ele aborda, em poucas páginas logo no início, o pessimismo do caráter de Hemingway e talvez tenha sido o final menos feliz que me deixou com o sentimento de "mas isto acaba aqui? Desta forma? E agora?". Esperava, talvez, que um pequeno milagre que permitisse ao Velho quebrar a onda de pouca sorte. Esperava que todo o sacrifício tivesse sido melhor recompensado do que apenas com a admiração dos seus pares...que a exaustão, quase fatal, tivesse melhor final. Irei certamente relê-lo, mais tarde, numa altura em que sinta que Santiago me possa transmitir a sabedoria que o fez aguentar três dias de luta intensa. Li esta pequena grande obra no dia 16 de fevereiro. Comecei por volta das 14h00, e com pausas e reinícios terminei pelas 23h30. Este foi o 20.º livro terminado em 2019.

8.º A Bela e o Monstro

De acordo com o meu rabisco, no início do livro, tenho-o desde 1999 - desde os meus 16 anos, portanto. Não me lembro quantas vezes o terei lido, mas devem ter sido algumas, porque a Bela era uma das minhas princesas favoritas.
Não era a tradicional menina que esperava pelo seu príncipe; a Bela lia, ajudava o pai e demonstrou ter o coração no sítio certo, na altura de ajudar o Monstro. Fui ver o filme animado, no início dos anos 90, e ainda hoje me lembro dele.
Recordar momentos ternos da minha infância foi um dos meus objetivos ao pegar no A Bela e o Monstro. Não era um livro esquecido. Não é uma obra-prima da literatura mundial nas prateleiras mais baixas da estante à espera do seu momento. A Bela e o Monstro foi a minha forma de querer terminar em beleza o desafio da Silvéria.



domingo, 24 de fevereiro de 2019

Lido: Sangue e Fogo - A História dos Reis Targaryen - volume 1 (parte 2), de George R.R. Martin


Já o pequeno dormia, quando consegui terminar a segunda parte do 1.º livro sobre os Targaryen, gentilmente cedida pela editora Saída de Emergência, a quem agradeço profundamente (a primeira parte tinha-me sido oferecida pelo maridão no Natal, e eu andava a fazer uma vaquinha para este volume).


Na 1.ª parte, tínhamos sido apresentados aos Targaryen, depois da queda de Valíria, quando esta casa de olhos purpúreos e cabelos louros tomou conta de Westeros e conquistou os Sete Reinos, com os seus incríveis dragões. 

Desde Aegon, O Conquistador até Jaehaerys I, O Velho Rei, conhecemos todas as graças e desgraças que afligiram a manutenção do poder. 

A 2.ª parte começa com a morte de  Jaehaerys I e percorremos mais alguns anos, até ao 16.º aniversário de Aegon III, conhecido como a Desgraça dos Dragões. 

Como já disse anteriormente, é fácil esquecermo-nos que se trata de uma obra de ficção. George R.R. Martin elaborou este livro sob a perspetiva de um Meistre que nos está a contar a História desta dinastia tão especial, às vezes, com relatos apoiados nos testemunhos de terceiros; testemunhos esses que sobreviveram ao longo de séculos.
"the Game of Thrones prequel is a masterpiece of popular historical fiction"
- The Sunday -

E é que é isso mesmo. E mais uma vez, Martin não desilude. Quando estamos a gostar, minimamente, de uma personagem, é sabido que vai morrer. E, certamente, não será uma morte meiguinha. Abaixo deixo uma foto de um pequeno parágrafo, onde está a descrição do fim dos tempos, de acordo com um profeta. 


Para terminar, quero apenas voltar a falar da bonecada que aparece no livro. Aparentemente, descrever mortes horríveis não era suficiente...

As ilustrações de Doug Wheatley são fabulosas. Não escapam os mais pequenos detalhes - nesta imagem, a Rainha Rhaenyra está a ser dada a comer ao dragão "de estimação" do meio-irmão Aegon II - à frente do filho (que virá a tornar-se Aegon III).


Muitos nomes, muitas casas nobres ou de baixo nascimento... vemos o 1.º Stark a ser Mão do Rei - e vemos já aqui a nobreza de caráter que assiste esta casa. Ajuda bastante, no final do livros, estar uma árvore genealógica dos Targaryen, bem como uma listagem com os nomes daqueles que foram Reis, e em que alturas - mais uma vez: é fácil perdermo-nos no meios dos Aegons e dos Viserys, e dos  Rhaenys, e das Rhaeneas... 

Para quem está a ressacar de Game of Thrones e/ou das Crónicas de Gelo e Fogo, está aqui um excelente substituto. Pessoalmente, estou fascinada!

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Lido: A Avó e a Neve Russa, de João Reis

O Dia dos Namorados, cá por casa, não é assim tão especial quanto isso. Basicamente, é um dia igual aos outros, mas com mais chocolates. Este ano, ainda por cima, estamos - os três - com valentes constipações. Entre narizes entupidos e ataques de espirros... não houve espaço para muito romantismo. À noite, depois da criança estar a dormir, fui para a cama, terminar o meu A Avó e a Neve Russa, de João Reis - a quem agradeço, do fundo do coração, a alegria que me proporcionou. Depois de terminar o livro, não fui capaz, imediatamente, de escrever nada sobre ele. 

Terminei o livro, em lágrimas. A Avó e a Neve Russa, apesar de estar escrito pela perspetiva de um rapaz de 10 anos, não é para meninos. 

A ação passa-se no Canadá. A avó, a Babushka, está doente (sabemos que tem um tumor nos pulmões e acaba mesmo por ser internada numa unidade hospitalar). 
Vivia em Pripyat, local onde se deu o acidente nuclear de Chernobyl, e ficou fortemente afetada pelos "ventos atómicos". O marido morreu devido às consequências do acidente. A filha morreu, anos mais tarde, já no Canadá, vítima de atropelamento. E Babushka ficou responsável pelos dois netos: Andrei, o mais velho, e o nosso protagonista. E é esta a família russa tal como a encontramos no início, inserida numa comunidade multicultural, onde não falta, sequer, a típica família portuguesa, os Pereira. 

O nosso herói não tem nome. A determinada altura, apresenta-se como Alexei, mas sabemos que não está a dizer a verdade (o irmão chama-se Andrei, e talvez tenha inventado esse nome devido à semelhança fonética). Tem 10 anos, adora ler e é muito bom aluno. Anda, constantemente, com papéis com ideias, palavras ou expressões que leu ou que pretende analisar mais tarde. Apesar desta curiosidade, desta inteligência, não podemos esquecer que só tem 10 anos. Ao mesmo tempo, apresenta uma inocência e uma ingenuidade típicas de quem tem tão pouca idade. 

Ainda não entendeu, completamente, que a avó vai morrer, inevitavelmente. Na sua mente, a avó ainda tem hipótese de sobreviver, e ele vai fazer tudo para chegar ao México e colher um cato que dizem ter propriedades curativas. E entra nesta aventura com Matt, um amigo sem-abrigo, judeu polaco, cuja família passou pelos campos de concentração nazis. 

A relação dele com a avó, o amor que sente por ela é também algo muito "palpável" nas pouco mais de 200 páginas deste livro. Ele procura, de várias formas, junto da comunidade a que pertence, encontrar uma cura para "os pulmões destruídos"da Babushka. O nosso protagonista embarca, então, nessa viagem desde o Canadá para o México para ir buscar a tal planta que poderá salvar a vida da avó, pois, caso ela morra, ele será separado do irmão. 

A escrita do João Reis conseguiu transmitir-me aquela sensação que, muitas vezes, tenho com o Henrique (apesar de ser mais pequenino do que o nosso protagonista): a noção da limpidez do espírito infantil. A acuidade dos seus pensamentos. A lógica de quem ainda se está a formar. A óbvia falta de experiência de vida apesar de alegarem que são crescidos e podem e conseguem fazer (quase) tudo. 

A capa é lindíssima. É um dos primeiros alertas da qualidade da obra. É uma ilustração de um conterrâneo meu, Lord Mantraste, nascido nas Caldas da Rainha, e licenciado em Design Gráfico no mesmo politécnico que eu. 

É um livro que aconselho vivamente. E o João Reis é um autor que deve ser seguido com atenção. Além deste livro, tem mais duas obras: A Noiva do Tradutor e A Devastação do Silêncio. Quero (e vou) ler mais de João Reis e sugiro que o façam também.  

A dedicatória

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Aniversário 2019 - lista de desejos!

Fevereiro é sinónimo de meu aniversário - falta uma semana e um dia!!! Habitualmente, gosto de fazer uma lista de livros que gostaria de receber neste dia. Não é nenhuma dica pedinchona para os incautos, nem nenhum "recado" para o meu excelso homem [wink, wink]; é... como explicar?! - como uma lista de obras que gostaria de ter e/ou a curto prazo.

Tenho reparado, ultimamente, que ando numa fase de clássicos. É nesses que, neste momento, estou a retirar prazer. Tenho lido novidades, como toda a gente, mas tenho-me sentido mais feliz com os clássicos. Passei, na adolescência, pela fase dos romances, depois, passei pelos policiais e "papei" Agatha Christie como se o mundo se fosse afundar, daí para thrillers e históricos, e agora ando numa de clássicos. Portanto, não estranhem esta dita wishlist.

(há dias, o homem trouxe de casa dos pais o Dom Quixote de la Mancha, em três volumes... portanto, esse livro, já retirei desta TBR aniversária)

1 - O Conde de Monte Cristo, de Dumas

2 - Doutor Jivago, de Boris Pasternak

3 - Os Miseráveis, de Victor Hugo

4 - Vox, de Chistina Dalcher

5 - O Menino de Cabul, de Khaled Hosseini

Sim, eu sei. Falta aqui qualquer coisa em português. Mas, sinceramente, para já, estes são aqueles que gostava de começar a ler, d'hoje para amanhã. Tenho ali, na estante, uns Saramagos ainda por estrear, gostava de experimentar Lobo Antunes, Joel Neto, Rosa Lobato Faria ou Lídia Jorge, porque nunca li nada deles. E também podia ficar aqui a semana inteira, que não conseguiria parar de enumerar livros. Mas depois a wishlist iria ter 3500 itens e eu teria de mudar de casa para albergar toda essa "gente". Portanto, baby steps...

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Lido: Maus, de Art Spiegelman

Inicialmente, tinha previsto fazer um único post com as minhas leituras para o desafio da Silvéria: #24Horas1Livro (link redirecciona para o vídeo onde ela explica em que consiste o dito desafio). Mas, completei mais uma leitura que merece, só por si, um post independente.

Trata-se - como está no título - da graphic novel, Maus do cartonista Art Spiegelman. Como falar deste livro, sem voltar a sentir aquela impotência e a raiva que sinto sempre quando leio obras relacionadas com o Holocausto?


Maus é a história do pai de Art, Vladek, um judeu polaco, durante a sua juventude, até conhecer aquela que virá a ser a sua esposa, Anja, e de como ambos sobreviveram a Auschwitz e à Solução Final. Nesta obra, Art retrata, em cada vinheta, todo o processo de criação, especialmente, as entrevistas ao pai, com quem tem uma relação algo conflituosa. Vladek é um idoso doente, racista e com ideias bastante arreigadas de como quer que as coisas sejam feitas. O idoso passou pelos campos de concentração e conta, com mais ou menos detalhes, ao filho como tudo aconteceu.

Art recorre ao uso de metáforas com animais para escrever a obra: os judeus são ratos, os alemães são gatos, os polacos são porcos, os americanos são cães... o livro é, inteiramente, a preto-e-branco, e transmite ao leitor aquela sensação obscura, que, às vezes, é difícil apreender.

Um pormenor interessante é que, nas falas de Vladek, ficamos com a ideia que o livro foi mal traduzido - nada mais errado. Vladek é um idoso, polaco de origem, e a sua construção gramatical oral em inglês não é correta, e a edição portuguesa manteve-se fiel a essa oralidade.

Maus recebeu, no início dos anos 90, o Prémio Pulitzer.

É uma obra incontornável. Quase obrigatória, acrescento!

Comecei a leitura de Maus a 10 de fevereiro pelas 22h00, li durante cerca de 2h e terminei antes da hora de almoço do dia 11.



sábado, 9 de fevereiro de 2019

Lido: O Decálogo - O Manuscrito, de Frank Giroud

Esta coleção "vive" nesta humilde residência há mais anos do que aqueles que me consigo lembrar. Quando me mudei para cá, já cá estava. Comprámos juntos o volume que faltava para a completar. E tem estado ali, muda e silenciosa, nos últimos anos. 

Peguei no primeiro volume de O Decálogo - O Manuscrito - para o desafio da Silvéria #24Horas1Livro. Apesar de estar a preparar um único post com todos os livros que estou a ler para este desafio, achei que este livro, aliás, esta coleção mereciam um post à parte. 

O Decálogo foi coordenado, desde 2001, por Frank Giroud (falecido em 2018), e ilustrado por vários artistas e ilustradores, tornando, cada volume, consideravelmente diferente do anterior.

A colecção segue a historia de um pressuposto decálogo de Maomé, a sua edição em título de historia fantasiosa, rascunhos e em livro, assim como a destruição dos mesmos tal como a das pessoas que o tiveram em mãos. Cada álbum faz uso de eventos históricos reais como pano de fundo, segue uma ordem cronológica inversa, e refere um dos mandamentos do pressuposto decálogo.

O Decálogo é composto por:

* O Decálogo I - O Manuscrito - de Frank Giroud, Joseph Béhé
* O Decálogo II - A Fatwa - de Frank Giroud, Giulio De Vita
* O Decálogo III - O Meteoro - de Frank Giroud, Jean-François Charles
* O Decálogo IV - O Juramento - de Frank Giroud, Tomaž Lavrič
* O Decálogo V - A Vingança - de Frank Giroud, Bruno Rocco
* O Decálogo VI - A Troca - de Frank Giroud, Alan Mounier
* O Decálogo VII - Os Conjurados - de Frank Giroud, Paul Gillon
* O Decálogo VIII - Nahik - de Frank Giroud, Lucien Rollin
* O Decálogo IX – O Papiro de Kôm-Ombo - de Frank Giroud, Michel Faure
* O Decálogo X – A Última Surata - de Frank Giroud, Franz
No primeiro - O Manuscrito - estamos em Glasgow, e encontramos Simon, supervisionador de um departamento numa editora e escritor frustrado. A namorada, Gwen, deixou-o, o suposto livro que anda a escrever há anos não avança... tudo contra ele. 
Paralelamente, há uma vaga de assassinatos a mulheres na cidade. 
Um dia, Simon recebe a visita da senhora Pitts, uma idosa que, tempos antes, lhe havia enviado um manuscrito antigo, o Nahik, que estava na posse da família há séculos. À saída da editora, a idosa é atropelada e morre. Sentindo um peso na consciência por tê-la ignorado antes, Simon decide ler o manuscrito e nele encontra uma obra-prima, uma jóia literária. E ele vai assumir a sua autoria. 
E é aqui que as coisas complicam. 
Vale muito a pena ler a série. Cada volume é independente dos outros, apenas tendo o decálogo de Maomé como ponto em comum. 



sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Lido: O Último Paraíso, de Antonio Garrido

Terminei este livro ontem à noite. Teve coisas boas, previsíveis, ensinou-me outras e aborreceu-me noutras.

Dei-lhe 4 estrelas, porque, no fundo, o que de bom retirei dele foi, proporcionalmente maior. Estamos nos EUA, no período da crise de 1929. Jack, o nosso protagonista, é um jovem que trabalha em Detroit, numa grande empresa industrial. Com a crise, é despedido e tem de voltar para Nova Iorque, viver com o pai, um ex-sapateiro, com um problema de alcoolismo.

A situação, já de si má, piora consideravelmente, o pai morre, Jack vê-se envolvido num crime e é forçado a fugi do país. Com Andrew, um colega dos tempos de escola, e Sue, a namorada do amigo, Jack embarca para a União Soviética, que procura técnicos especializados para uma fábrica de automóveis em Gorki.

Jack, às tantas, vê-se envolvido num jogo, onde não queria participar... e os dados estão lançados.

É um livro muito interessante, na medida em que conheci um pouco mais sobre a vaga migratória de americanos para a URSS, e um pouco do ambiente político e social desta época na Rússia de Estaline. Tem bastantes factos históricos, misturados com ficção, thriller, espionagem e, até mesmo, um pouco de romance.

Não é um livro que vá ficar nos anais da História da Literatura, mas cumpre a missão.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Lido: 1984, de George Orwell


Guerra é paz,
Liberdade é escravidão,
Ignorância é força.


Este livro fazia parte da minha lista de desejos de aniversário do ano passado. Quase um outro ano volveu e só agora concretizei esta leitura há muito desejada.

Escusado será falar deste livro. Publicado em - atentem - 1949, "1984" é uma distopia cuja ação se passa neste ano. O local? Oceania. O mundo está dividido em três grandes blocos e a Oceania é o maior dos impérios, governa toda a América, Islândia, Reino Unido, Irlanda e grande parte do sul da África, claro, a Oceânia. As outras nações são a Eurásia e a Lestásia - todas em conflito permanente. Aliás, o conceito de "guerra permanente" é bastante explorado na obra.

Seguimos Winston Smith, um funcionário do partido - no departamento de registos - que está em constante conflito com as suas ideias sobre o Grande Irmão, a entidade que tudo vê, tudo ouve e tudo controla.

[2+2=5]

Enquanto lia esta obra, arrepiava-me ao estabelecer algumas comparações com aquilo que este mundo já viu e não há muito tempo. O estado controlador que determina como vestir, como falar, como pensar, o que fazer e quando o fazer... e tendo em conta a época em que foi escrito, é impossível não fazer paralelismos com os grandes regimes totalitários: Mussolini, Hitler e Estaline - aliás, sem o dizer diretamente, a figura do Grande Irmão é Estaline, e a Oceania é governada a punho como no regime soviético. O unipartidarismo, a existência de campos de trabalho, a tortura aos dissidentes, etc, etc, etc.

5 estrelas sem dúvida. Ler "1984" devia ser obrigatório, e culpo-me por ter demorado tanto. Li em ebook, mas será, sem dúvida, uma compra a efetivar no futuro para reler e reler.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Lido: A Pianista, de Machado de Assis

Com a oferta do Kindle no Natal de 2017, criei uma conta na Amazon para, de vez em quando, conseguir uns livrinhos fixes, a preços simpáticos (ou de graça, vá!). E, quase todos os dias, recebo mails da empresa com as promoções do dia.

Por zero euros, adquiri "A Pianista" de Machado de Assis, publicado em 1866. A ação passa-se em 1850, no Rio de Janeiro.

Malvina é uma jovem, bem parecida, elegante, simpática e de boas maneiras. Apesar de não ser de uma família de posses, a jovem é professora de piano, logo, é assídua nas casas de algumas das melhores famílias e essa profissão era a única forma de se sustentar, bem como a mãe, uma pobre mulher viúva.

Entre as meninas a que Malvina dava aulas de piano, contava-se Elisa, filha de Tibério Valença, um homem conservador e algo severo, com mentalidade colonialista e monárquica. Tomás, irmão de Elisa, cai de amores por Malvina.

O pai, que queria que os filhos casassem apenas com pessoas da sua classe social, manda Tomás para a Bahia, para o afastar da bela pianista.

Tudo o que vem depois, é spoiler. Este conto é tão simples, tão delicado, quase inocente que, à primeira vista é apenas uma história de amor, mas, um olhar mais atento vê que é tudo menos isso. As desigualdades sociais, as hierarquias, o papel da mulher, o papel do homem - tudo é escrutinado nestas poucas páginas. Tibério, sim, é o grande protagonista.

De quando em quando, vale a pena ler o que se escrevia do outro lado do Oceano, quando, por cá se discutia a Questão Coimbrã.

domingo, 27 de janeiro de 2019

Lido: Sangue & Fogo - A História dos Reis Targaryen, de George R.R. Martin

O meu excelso homem ofereceu-me o único livro deste Natal: o "spin-off" da saga de As Crónicas de Gelo e Fogo - Sangue & Fogo - A História dos Reis Targaryen.

Enquanto esperamos pela última temporada da série e pela continuação da saga original, George R.R. Martin dá aos fãs um docinho... basicamente, é uma festinha na cabeça, para não nos revoltarmos.

E que belo docinho. É assim que ele nos conquista, o sacana. Com este livro - que, em Portugal, a Saída de Emergência dividiu em dois volumes (o segundo sairá agora em fevereiro) - conhecemos a História dos Targaryen e a forma como Aegon, o Conquistador conseguiu unir os vários reinos, até ao que conhecemos hoje.

O livro está muito bem conseguido. É nos apresentado como se fosse um compêndio dos escritos dos vários Meistres, e, portanto, ao longo dos anos, vamos "vendo" os acontecimentos contados por diferentes pessoas. A ajudar, neste labirinto de Targaryens - porque, não se esqueçam, esta família tinha o hábito de casar entre irmãos, o que às vezes complica e damos por nós a trocar pais, filhos e sobrinhos... - o livro apresenta uma árvore geneológica, desde A Conquista de Aegon até à Ascensão de Aegon II (129 anos depois), bem como a linha sucessória daqueles que assumiram o Trono de Ferro.

Ficamos a saber a origem dos ovos de dragão da Daenerys, por exemplo, que acaba por ser uma surpresa muito agradável.

As ilustrações são maravilhosas. Fiquei completamente fascinada com os desenhos de Doug Wheatley (artista de BD, concept designer e ilustrador, que já trabalhou, por exemplo, em personagens de Star Wars, Aliens, Superman, The Incredible Hulk e Conan, The Barbarian).

O livro termina durante o reinado de Jaehaerys I, O Conciliador (mais tarde conhecido como O Velho Rei), o mais longo da História, entre 48 e 103 DC (Depois da Conquista de Aegon). Em fevereiro, como já disse acima, sairá a 2.ª parte deste livro e sabe-se que Martin previu contar estes 300 anos antes dos acontecimentos das Crónicas de Gelo e Fogo em dois livros... que, certamente, em Portugal, corresponderá, como é habitual, a dois volumes por livro, num total de quatro. O 1.º já está, o 2.º vem a caminho e, o resto... a seu tempo!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Lido: A Última Ceia, de Nuno Nepomuceno

Depois de ter ouvido críticas fabulosas sobre Nuno Nepomuceno, e o seu "Pecados Santos" (que ainda virá cá para casa, a seu tempo), decidi comprar "A Última Ceia", e assim estrear-me neste autor português.


Posso dizer, sem sombra de dúvida, que foi do dinheiro melhor gasto nas últimas semanas (um destes dias, conto-vos como fui enganada por uma editora que declarou falência, em dezembro). Antes de mais, consegui um exemplar autografado... já aí, começou o meu entusiasmo. E é um autógrafo a sério, escrito a caneta... não é cá um desses autógrafos manhosos em que percebemos à distância que é cópia.


Depois, a história. Começamos com o roubo de uma cópia de "A Última Ceia". À medida que vamos lendo, ficamos a saber que existem três cópias do original de Leonardo da Vinci. Ao longo dos anos, o fresco do mestre italiano tem sofrido muitas agressões (nomeadamente, um bombardeio durante a II.ª Guerra Mundial) e as cópias - uma delas de Giampietrino, um discípulo de da Vinci - conseguem captar toda a essência da obra original, tendo sido essenciais em trabalhos de restauro.

Pouco tempo depois, a 2.ª cópia também é roubada. E é nessa altura que o mundo entra em ebulição, já que os ladrões informam que, daí a um ano, irão roubar a derradeira cópia, a de Giampietrino.

Em paralelo, Sofia, filha de um falecido embaixador italiano em Lisboa, conhece Giancarlo, um milionário italiano. E - isto não é spoiler - vemos que "ali há gato".

Em Lisboa, Afonso Catalão é contactado pelo seu oficial de ligação dos serviços secretos.

Os capítulos são curtos - entre 3 a 6 páginas - e a escrita é entusiasmante. E, tenho de acrescentar, viciante. Ando bastante cansada - o meu sustozinho cardíaco do mês passado não passou disso mesmo, mas mói - e a minha intenção era ir lendo. Devagar. Meia dúzia de páginas por dia. Sem pressões. Impossível!!! Começamos a ficar enredados pela trama e só queremos ir até ao fim.

(aposto que a minha mãe iria adorar o Nuno e os livros dele!)

Gostei muito das personagens. Entretanto, fui ler as sinopses dos livros anteriores do Nuno, e este é o 3.º em que Afonso Catalão aparece. Fiquei com a sensação de querer explorar mais do que já aconteceu com este homem... a angústia, aliás, a melancolia deste professor dizem-me que há tanto mais por saber. Certamente, está mais do que justificado nos livros anteriores, e é aqui que sou "apanhada na curva": tenho de satisfazer a minha curiosidade e obtê-los.

Pelo que fui percebendo aqui e ali, algumas críticas dizem que este livro está um pouquinho abaixo de "Pecados Santos". Mas, uma das "vantagens" de ainda não ter lido nada de Nuno Nepomuceno é esta: não tenho termo de comparação. Para mim, merece 5 estrelas. Descobri muito sobre "A Última Ceia" que desconhecia. E, a partir do momento, em que aprendo com as leituras que realizo, merece 5/5.

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

A Europa-América ainda mexe

Vivo, literalmente, a meia dúzia de minutos de distância da sede da editora Europa-América, em Mem Martins. Por razões que não vale a pena explorar, esta editora que fará, este ano, 74 anos, perdeu a corrida do frenesim editorial que se tem feito sentir nos últimos anos.

Contudo, mantém aberta, na sede, uma loja de venda ao público. Sempre que passo "à porta" - e não são tão poucas vezes quanto isso - penso que tenho de lá ir. E hoje, com um pouco de tempo, fui.

O senhor que me atendeu foi de uma simpatia extrema, e levou-me a conhecer, inclusivamente, o armazém deles. E sinceramente: podia mudar-me para lá hoje que morria sem ler tudo o que têm. Têm disponíveis cerca de 6 mil títulos - se entendi, corretamente. Não disse que era jornalista; estava lá como leitora, e no entanto, foi-me permitido visitar o armazém.

Acabei por comprar a trilogia do Senhor dos Anéis, do Tolkien (com oferta do 3.º livro). Preciso de mais livros? Não, não preciso, mas queria mesmo ter estes. E esta promoção está sempre vigente: na compra de dois livros Europa-América, é oferecido um 3.º. Mas se a compra for unitária, há um desconto de 20%. Nos restantes livros (que não sejam da editora), o desconto é de 10%.

Sobre os livros que comprei: preferia ter a edição clássica, aquela com o debruado dourado, com a capa mais consistente, e bonitinha como só ela... mas disseram que não a tinham completa. Trouxe esta, de capa mole - dita "ultra limitada", seja lá o que isso signifique - mas pelo menos, fico com colecção. Contudo, os outros Tolkien que havia por lá, são as tais edições bonitinhas.


Há imensos livros que, muitas vezes, não encontramos por estarem esgotados nas livrarias. E estão mesmo. Mas, julgo que vale a pena procurar na Europa-América. Principalmente títulos de ficção científica (colecção Nébula, por exemplo). Claro que não consegui ver, com atenção, todos os livros que estavam na prateleiras, mas vi muitos de Asimov e Ray Bradbury, por exemplo. E os clássicos, senhores? Estava a ver que me perdia com eles...

Fiquei ainda na dúvida sobre a compra de um livro de Mo Hayder. Chegada a casa, concluí que não o tenho, portanto, vou ter de lá voltar, certamente.

Se tiverem livros que queiram, espreitem no site (http://www.europa-america.pt/) ou enviem mail para saberem a sua disponibilidade (livreiros@europa-america.pt), porque podem ter uma surpresa.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Lido: O Francoatirador paciente, de Arturo Pérez-Reverte

No sábado, escrevi sobre a 1.ª desistência do ano e, este livro, por uma unha negra, esteve quase a ser a 2.ª. Perdi a conta às vezes em que bocejei enquanto o lia, mas... ainda bem que o terminei, porque o final é o ponto alto do livro.

Alejandra é especialista em arte e é contactada por um editor de uma grande empresa livreira para uma missão quase impossível: contactar Sniper, um graffiter espanhol - e isto agora vai ser estranho - conhecido pelo seu anonimato. Raros são aqueles que o conhecem e quem já privou com ele, é-lhe de uma lealdade sem precedentes.

De Madrid, passando por Lisboa, Verona e Nápoles... Lexa segue na peugada de Sniper, cuja imagem de marca é a mira telescópica de francoatirador nos seus graffitis. Mas, ao mesmo tempo que procura Sniper, Lexa é seguida de perto por duas personagens, contratadas por um milionário, que pretende vingar o filho adolescente, que morreu ao cumprir um desafio lançado pelo misterioso graffiter. 

Como disse acima, o livro fecha com chave de ouro. Enquanto lia, ia pensando que não sabia como é que Pérez-Reverte havia conseguido construir a reputação que tem, com base nesta amostra. Percebi depois, claro. A construção da narrativa está tão bem conseguida que, quando cheguei ao fim, não me admiraria que a minha cabeça explodisse.

Ao mesmo tempo, "O Francoatirador Paciente" é quase um tratado sobre a arte urbana. Todo o livro está assente em reflexões sobre este género de arte e sobre aqueles que a praticam. Nunca é definida uma posição do autor sobre o facto dos graffiters serem boas ou más pessoas, nem são tecidas considerações sobre a sua opinião pessoal sobre este tipo de arte. Isso é deixado ao cuidado do leitor.

Dei 4 estrelas, porque apesar de ter ficado muito satisfeita com o final, chegar lá, foi, às vezes, penoso. Mas gostei e recomendo a sua leitura.

Deixo apenas dois pequenos excertos que gostei particularmente:

"O graffiti é a obra de arte mais honrada, porque quem a faz não a usufrui. Não tem a perversão do mercado. É um disparo associal que atinge na medula. E ainda que mais tarde o artista acabe por se vender, a obra feita na rua continua ali e nunca se vende. Destrói-se talvez, mas não se vende
-  página 195 - 

"A arte moderna não é cultura, é só moda social
-  página 231 -



O Francoatirador paciente é o 8.º livro que li este ano e conta para o Livropólio - que termina a 14 de fevereiro - no desafio "livro do teu género preferido", e este está classificado como thriller.

sábado, 19 de janeiro de 2019

1.ª desistência do ano

Comecei a ler "O Cemitério de Praga, de Umberto Eco, três vezes. Na primeira vez, demorei tanto a recomeçar que já nem me lembrava como começava. Na segunda vez, tive a sensação que não estava a entender o que estava a ler. Comecei a terceira vez, e voltei a desistir.

O meu querido Eco... que desta vez não me conseguiu agarrar.

Creio que, às vezes, existem livros que têm o seu tempo para serem lidos; são livros que não estamos ainda preparados para os ler. E que, um dia, lá chegaremos.

Recordo-me que, na escola secundária, a professora de português, na altura em que estudámos "A Aparição", de Vergílio Ferreira, nos disse para darmos tempo à obra. Para a lermos alguns anos depois, porque a que veríamos com um olhar mais maduro, e sem ser sujeito à obrigatoriedade de um programa escolar.

Ainda não reli "A Aparição". Apenas por um motivo: ainda não encontrei o meu exemplar - deve estar encaixotado algures na casa dos meus pais, e ainda não o localizei. Não vou comprar outro, claro está. Mas quando o encontrar, vou romper a aura mística que o envolve.

Neste momento, acho que o mesmo está a acontecer com "O Cemitério de Praga". Sem stresses. Sem preocupações. Não tenho nenhum compromisso, e ele não foge. Tenho tempo e, um dia, vou estar na fase certa da minha vida para o ler.