segunda-feira, 23 de abril de 2018

Dia Mundial do Livro

Recuperei, este fim-de-semana, alguns dos meus livros preferidos de sempre. Que alegria (renovada) voltar a tê-los juntinho a mim... e ainda para mais no dia de hoje!

De "esquecidos" numa caixa de papelão a símbolos do Dia Mundial do Livro - a vida de leitora é bela!


terça-feira, 17 de abril de 2018

Novidade: Sem Saída, de Taylor Adams

Sem Saída, de Taylor Adams
Topseller (17,69€ | 304 pp.)

Em Sem Saída, a protagonista tenta salvar uma criança presa numa carrinha, aparentemente vítima de rapto. Uma história com twists inesperados e um final imprevisível, cujos direitos para a adaptação ao cinema foram já adquiridos pela 20th Century Fox.

Sinopse:
Uma forte tempestade de neve.

Darby Thorne é uma estudante universitária que se encontra a viajar de carro no meio das Montanhas Rochosas, desesperada para ir ter com a mãe ao hospital. Quando é atingida por um forte nevão, Darby é obrigada a permanecer numa área de repouso junto à estrada.

Quatro estranhos e uma criança raptada.

Darby percebe que terá de pernoitar ali, juntamente com quatro estranhos. Até que descobre uma menina numa jaula dentro de um dos carros estacionados em frente à área de repouso. Quem é aquela criança? Porque se encontra presa? E qual dos quatro estranhos será o raptor?

Sem saber em quem confiar, o que fazer?

Não há rede de telemóvel, as linhas telefónicas não funcionam e não há por onde fugir, pois as estradas encontram-se cortadas devido à tempestade de neve. Em quem poderá Darby confiar e como irá ela salvar a criança?

Sobre o autor:
Taylor Adams é um escritor de thrillers bestsellers norte-americano.
Licenciou-se na Eastern Washington University, onde ganhou o Edmund G. Yarwood Award, e vive atualmente naquela cidade. Trabalhou vários anos na indústria televisiva e cinematográfica e, em 2008, realizou a curta-metragem And I Feel Fine. Taylor Adams tem três romances publicados.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Lido: Os Anagramas de Varsóvia

Mais do que um bom livro... mais do que uma história que envolve mistério e investigação... Os Anagramas de Varsóvia é um livro sobre o Holocausto e sobre os terrores sofridos pelas vítimas do nazismo - não falo só dos judeus, mas de todos aqueles que ousaram fazer frente à máquina da guerra, armadilhada por Hitler.

Erik Cohen, o protagonista e narrador desta história, está morto. Sabemos essa informação nas primeiras linhas do primeiro capítulo. E, por alguma razão, surge perante Heniek Corben, em dezembro de 1941, pouco tempo depois de ter morrido. Começa então a contar-lhe a sua própria história.

Em meados de 1940, Erik, um reputado psiquiatra de origem judaica, muda-se para casa da sua sobrinha Stefa e do seu sobrinho-neto, de nove anos, Adam, um gueto na cidade de Varsóvia. As coisas decorriam com uma normalidade aparente quando, um dia, Adam desaparece. No dia seguinte, o corpo de Adam aparece junto ao arame farpado e pior, com uma perna cortada.

Erik e o seu velho amigo Izzy propõe-se a descobrir quem matou o pequeno, até que descobrem, dias mais tarde, que o mesmo voltou a acontecer: uma menina aparece morta e sem uma mão.

Os Anagramas de Varsóvia desenvolvem-se com esta premissa. E ao mesmo tempo, contam uma história de sobrevivência.

Apesar de ser um livro muito bom, gostei muito mais de O Última Cabalista de Lisboa, razão pela qual não lhe dei 5 estrelas no Goodreads. E, mais uma vez, confirmo: arrepio-me sempre com livros desta época. Calhou terminar este livro no mesmo dia em que revi o filme Saving Private Ryan (Steven Spielgberg, 1998) e atesto que a 2.ª Guerra Mundial e as atrocidades que se cometeram durante este confronto não deverão perder-se na memória.

Agora, estamos na iminência de um novo conflito mundial e era bom que as nações perdessem um pouco do seu tempo a meter a mão na consciência e a perguntar-se se querem mais décadas de dor, sofrimento e sacrifícios? Se querem perder mais gente que, no futuro, podem ser ativos fundamentais nas comunidades onde se inserem? Não serão as pessoas bem mais preciosas? Costumo fazer, com o meu filho, um exercício: o que é mais importante - aquilo que lhe pertence ou as pessoas que o rodeiam? Se até uma criança de 5 anos dá mais valor à família e aos amigos do que aos carros e aos legos, também o deveria ser para os adultos... (acho que já me estou a desviar do tema).

Pessoas, é ler. Ainda por cima, na FNAC está a um preço simpático; aproveitem!

domingo, 15 de abril de 2018

Já nas livrarias: Lisboa Revisitada

Lisboa Revisitada reúne poemas sublimes que nos convidam a ver Lisboa pelos olhos do maior poeta moderno português. Nele encontramos sete poemas de Álvaro de Campos que têm a cidade como fundo e fonte de inspiração, a que se juntam as fabulosas ilustrações de Pedro Sousa Pereira.

LISBOA COM SUAS CASAS
Lisboa com suas casas
De várias cores
Lisboa com suas casas
De várias cores,
Lisboa com suas casas
De várias cores…
À força de diferente, isto é monótono,
Como à força de sentir, fico só a pensar.

Lisboa, na obra de pessoa, representa a vida humana na sua realidade crua, servindo de contrapeso, ou contraponto, ao universo de especulação teórica e metafísica que ocupou grande parte da vida mental do autor. (…) A vida corriqueira de Lisboa é o que tantas vezes salva Álvaro de Campos (ou Fernando Pessoa) de si mesmo, conforme escreve Richard Zenith no Posfácio desta obra.
Lisboa Revisitada é o quarto livro desta coleção, que inclui também Tabacaria, Ode Marítima e Ode Triunfal, todos disponíveis em capa dura e em português e inglês. A tradução é e Richard Zenith e os desenhos de Pedro Sousa Pereira, jornalista de profissão e ilustrador por paixão.

104 Págs. l 17,00€
Tradução e Posfácio de Richard Zenith
Desenhos de Pedro Sousa Pereira

sábado, 14 de abril de 2018

Lançamento: A Mente Aprisonada, de Czeslaw Milosz

A Mente Aprisonada, de Czeslaw Milosz
Cavalo de Ferro | 320 pp | 20,99€

Publicada originalmente em 1953, escrita por Milosz durante o seu tempo de exílio em Paris, A Mente Aprisionada é considerada uma obra fundamental e um clássico no estudo do totalitarismo. Através de pequenas narrativas biográficas de intelectuais polacos e a sua relação com o regime comunista em vigor, Milosz, Prémio Nobel de Literatura em 1980, descreve o domínio social completo que este exerceu à época ao subjugar o espírito e as ideias por meio da «transmissão orgânica» de um pensamento único.

Milosz ilumina e resume essa Visão do Mundo e a obediência ao seu Método sedutor e persuasivo num conjunto de textos inovadores e precursores, à época polémicos, que anteciparam as dissidências e denúncias posteriores ao estalinismo. O estilo narrativo único, incisivo e sardónico, erudito e eloquente, que conjuga reflexão filosófica e política com a descrição biográfica quase ficcional, fazem de A Mente Aprisionada uma obra única e incontornável da literatura ensaística, e um dos livros mais influentes e inspira
dores alguma vez escritos sobre o tema. Estava, até hoje, inédita em Portugal. 

Sobre o autor:
Czeslaw Milosz (1911-2004), romancista, ensaísta e poeta, Prémio Nobel de Literatura em 1980, é considerado uma das figuras cimeiras da cultura europeia e da literatura e poesia do séc. XX. Nascido na Lituânia, transcorreu grande parte da sua infância na Rússia czarista, onde o seu pai trabalhava como engenheiro. Depois da I Grande Guerra, a sua região natal é integrada no novo estado polaco e Milosz torna-se cidadão desse país. Recebe uma educação católica. Colabora com a resistência em Varsóvia durante a ocupação nazi, escrevendo e publicando de forma clandestina vários artigos e livros.

Terminada a guerra, Milosz integra o corpo diplomático do novo governo comunista sob orientação de Moscovo e estabelece-se como adido cultural em Paris. Em 1951, abandona o seu cargo e opta pelo exílio político. Aceita depois o convite para lecionar na Universidade da Califórnia Berkeley. Tornou-se cidadão norte-americano em 1970.  Entre as suas obras, além dos volumes de poesia que lhe valeram o prémio Nobel, destacam-se os romances, The Seizure of Power (1953) e The Issa Valley (1955), os volumes de ensaios, A Mente Aprisionada (1953), Native Realm (1958), Visions from San Francisco (1969), The Land of Ulro (1977), A Year of the Hunter (1994) e Milosz’s ABC’s (1997).

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Novidade: The Call, de Peadar O’Guilin

The Call: a Invasão é o segundo livro de Peadar O’Guilin publicado pela Topseller e vem concluir a série com o mesmo nome.

Suspense, terror, fantasia e uma história de amor com um final feliz... ou talvez não!

Sinopse:
Sobreviventes
Nessa e Anto foram dos poucos jovens que conseguiram sair vivos da Terra Cinzenta. Agora, longe da crueldade dos Sídhe, sonham com um futuro feliz a dois.

Caça aos traidores
Mas um inesperado ataque à escola dá início a uma caça às bruxas. As autoridades não acreditam ser possível sobreviver ao Chamamento e, alegando que os sobreviventes fizeram um pacto com o inimigo, rotulam-nos de traidores. Como punição, Nessa é reenviada para a Terra Cinzenta naquela que parece ser uma viagem sem retorno.

A hora da verdade
Entretanto, os bárbaros Sídhe dão início a um ataque mortal, com um exército de horror nunca antes visto. Numa autêntica luta contra o tempo, Anto e os últimos alunos da sua escola enfrentam um inimigo sedento de sangue, procurando uma forma de defender o país e de salvar a vida de todos.

Sobre o autor:
Peadar O’Guilin é um autor irlandês. A sua cidade natal, Donegan, bem como toda a área envolvente, foi uma importante inspiração para o livro The Call.
Habituado desde pequeno a falar não só inglês como também irlandês, a ligação do autor ao folclore e às tradições da Irlanda influencia aquilo que representa nos seus livros.
Vive em Dublin e já escreveu vários romances, contos e peças de teatro, assim como uma série de banda desenhada.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Já nas livrarias: Elmet – Vidas Desencantadas, de Fiona Mozley

Elmet – Vidas Desencantadas é um romance belo, selvagem e inquietante sobre as dicotomias do ser humano, os contrastes da realidade, o sentido de pertença, o amor da família e a violência que todos temos dentro de nós.

Nas suas páginas acompanhamos a viagem de Daniel para Norte. A vida simples que levava com a irmã Cathy e o pai desapareceu; tornou-se ameaçadora e sinistra.

Viviam os três à margem da sociedade, numa casa que o pai construíra no bosque, caçando e procurando comida. O pai dissera-lhes que a pequena casa em Elmet era deles, mas afinal isso não era verdade. E alguns homens daquela terra, gananciosos e vorazes, começaram a vigiá-los de perto.

O pai é pugilista e um homem gigante. Cathy é como o pai: feroz e com uma raiva que permanece à flor da pele. Danny é como a mãe: gentil e sensível. Os três juntos vivem felizes e tranquilos. Mas às vezes, quando o pai desaparece, volta com fúria nos olhos.

Em casa encontra sempre paz, mas a violência que guarda dentro parece aumentar cada dia mais…

Uma história sobre família, amor e violência; uma análise à sociedade contemporânea, ao indivíduo e à realidade, aos conceitos de classe às discrepâncias entre quem somos e quem somos capazes de ser.


quarta-feira, 11 de abril de 2018

A ler: Os Anagramas de Varsóvia

Depois de uns tempos em que parecia louca de tanto ler e escrever... agora, acalmei. Há já uns diazinhos que não vinha dizer bom dia!

A verdade é que este tempo de chuva anda a deixar-me pelos cabelos, e quando não estou a trabalhar, estou, literalmente, a ver chover e a pensar nas coisas fixes que podia fazer com bom tempo (limpezas mais profundas, lavar e secar roupa, ir buscar o pequeno mais cedo à escolinha e aproveitarmos a Primavera...).

Enfim... mas como o cenário não tem sido muito favorável, debrucei-me sobre o Anagramas de Varsóvia, de Richard Zimler (um dos livros da minha lista de desejos de aniversário).

Falando de Richard Zimler... no mês de março, o livro "Goa ou o Guardião da Aurora" (que encerra a trilogia iniciada em O Último Cabalista de Lisboa) apresentou uma nova capa. Maravilhosa, na minha singela opinião.

Como adorei o início da saga da família Zarco, o resto da série será, de certeza, uma compra a realizar futuramente.




quarta-feira, 4 de abril de 2018

Lido: História da Menina Perdida, de Elena Ferrante

Terminei a "série napolitana", a tetralogia de Elena Ferrante que segue Lila e Lenu ao longo de 70 anos.

No 1.º livro, sabemos que Lenu está a escrever, retrospetivamente, uma história sobre a amizade que a une a Lila. É o seu ponto de vista, após o desaparecimento da sua velha amiga. Desaparecimento esse que, apesar de a preocupar, não a deixou surpreendida. E é explicando essa falta de surpresa que começa a contar/escrever a história de ambas.

Neste último livro, Lenu volta para o bairro que a viu nascer. São muitas as partidas "pensadas" pelo destino e Lenu, apesar de se querer afastar de Lila, a incrível atração que existe entre elas desde tenra idade, não as deixa apartadas durante muito tempo. Acabam, inclusivamente, por engravidar ao mesmo tempo, reforçando ainda mais aqueles laços. Mas, um cenário que se pensava idílico não permanece assim muito tempo e as coisas más ainda agora começaram.

Durante a leitura desta saga, debati-me com uma questão: equipa Lenu ou equipa Lila? Sempre me identifiquei com a faceta estudiosa e tranquila de Lenu, mas não suportava a sua capacidade de se subvalorizar e de procurar a constante aprovação de todos aqueles que ela julgava superiores. Ela colocava num pedestal pessoas que, ao fim e ao cabo, não mereciam tanto e colocava-se em situações altamente constrangedoras para obter um sorriso ou uma palmadinha nas costas.

Lila, sem estudos sequer comparáveis aos de Lenu, era a vivacidade, a energia, a esperteza e a inteligência puras... Lila sabia-se inteligente, mas não fazia caso disso. Lina era sagaz e aproveitava-se disso. E era, em parte por isto, que também não consegui amá-la a 100%. Lila era isto tudo, mas também maliciosa. Não hesitava em aferroar alguém. Dizia maldades com o propósito de magoar e depois fingia que estava tudo bem.

Ambas sofreram dores muito diferentes. Ambas, durante toda a vida, apenas puderam contar uma com a outra. Ambas, apesar de todas as diferenças, procuravam a outra quando precisavam.

Custa-me terminar esta série. Esta criação de Elena Ferrante é um golpe de génio. Seja Elena Ferrante quem for, homem ou mulher, nova ou com alguma idade, italiana ou não... deverá sentir-se orgulhosa do que escreveu. A humanidade das personagens com todas as qualidades e defeitos, o pormenor de cada descrição são coisas de quem sabe realmente escrever e contar estórias, de uma maneira simples e complexa ao mesmo tempo.

domingo, 1 de abril de 2018

Lido: Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez

Estou sem palavras para descrever Cem Anos de Solidão. Terminei-o há poucos minutos e ainda estou como que a processar o que acabei de ler.

Sei, contudo, que Cem Anos de Solidão vai estar, para sempre, na minha lista mental de livros preferidos de todos os tempos.

Este não é um livro "normal", seja lá o que isso signifique. Abrir - e ler! - Cem Anos de Solidão é descobrir uma obra-prima da escrita.
Mas, vamos por partes:
a "personagem" principal deste romance é a família Buendía, nas suas várias gerações. José Arcadio Buendía e Úrsula, primos, são casados e têm três filhos: José Arcadio, Aureliano e Amaranta. Até aqui, tudo perfeito e tranquilo. A família Buendía é uma das fundadoras de Macondo, "uma aldeia de vinte casas de barro e cana".

Todos os anos, no mês de março, Macondo era visitado por um grupo de ciganos que trazia até a esta pequena aldeia, maravilhas "lá de fora". E, destas visitas cadentes, acaba por nascer uma amizade entre José Arcadio Buendía e Melquíades - que apesar de morrer algures a meio do livro, irá estar presente até à última página.

O que assistimos em Cem Anos de Solidão é à ascensão, tragédias e infortúnio de sete gerações da família Buendía, a par do crescimento e queda da própria aldeia.

Ao longo das gerações, Úrsula é das poucas personagens que vai sobrevivendo; estima-se que terá morrido com uma idade a rondar os 115 e os 122 anos. Bem como os escritos de Melquíades, que aos poucos, vão sendo traduzidos pelas gerações de Buendías.
Vemos filhos, pais, netos e avós a passarem pelos anos, a morrerem de velhice ou assassinados, e a quase nunca verem os seus desejos concretizados. Vemos relações familiares que não se descobrem e que se confundem numa era que os registos eram subvalorizados e que a memória não era algo cultivável.

No final, quando resta um único descendente de José Arcadio Buendía, apercebemo-nos que Melquíades previu todos os destinos dos muitos personagens deste romance soberbo, com cem anos de antecedência. Mesmo o da criança que nasce com rabo de porco, fruto da consanguinidade.

Esta minha "review" é tão absurdamente simples que até me envergonha, confesso. Este é um daqueles livros que não se pode ler apenas uma vez, até porque a rep
etição de nomes é tanta que teremos de ler de novo e de novo para "apanharmos" pormenores mais escorregadios.

A última frase do livro:
"No entanto, antes de chegar ao verso final, já tinha percebido que não sairia nunca desse quarto, pois estava previsto que a cidade dos espelhos (ou das miragens) seria arrasada pelo vento e desterrada da memória dos homens no momento em que Aureliano Babilonia acabasse de decifrar os pergaminhos, e que tudo o que neles estava escrito era irrepetível desde sempre e para sempre, porque as estirpes condenadas a cem anos de solidão não tinham uma segunda oportunidade sobre a Terra."

Cem Anos de Solidão é o 17.º livro que termino em 2018.