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quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Lidos: Deuses Americanos e Monstress

Deuses Americanos, de Neil Gaiman, P. Craig Russel e Scott Hampton

Monstress, de Marjorie Liu e Sana Takeda

Estes foram os senhores que se seguiram. Desengane-se quem pensa que "ler quadradinhos" é para descomprimir ou porque anda com demasiado tempo livre. Na atualidade, a Banda Desenhada é muito mais do que histórias levezinhas para a garotada ou os super-heróis desta vida.

A densidade das narrativas e das histórias apresentadas vão muito para além disso. Mas, também estou em crer que, qualquer leitor que se preze, já se terá apercebido disso.

Sobre estas leituras:
O primeiro, Deuses Americanos, é uma adaptação para novela gráfica do livro de Neil Gaiman (American Gods, 2001). Neste livro, o autor britânico (n. 1960) conta-nos que está na eminência de acontecer uma batalha entre os deuses: antigos e modernos.

Os imigrantes que chegaram aos Estados Unidos levaram consigo os seus deuses. Porém, o seu poder foi esmorecendo à medida que as crenças das pessoas foram desaparecendo. No entanto surgiram novos deuses que refletem as obsessões modernas: a televisão, as redes sociais, as celebridades, a tecnologia, entre outros.

O nosso protagonista, Shadow, está preso, mas prestes a sair. Pouco antes da data marcada, é-lhe comunicado que sairá mais cedo, dado que a esposa faleceu. Na viagem para casa, conhece Wednesday, uma figura misteriosa que lhe oferece um emprego.
Ao perceber que a morte da esposa não é tão linear quanto pensava, Shadow aceita a oferta de Wednesday, e juntos embarcam numa "road trip", pelos Estados Unidos, para convocar os deuses para a tal batalha.

Em julho, li o primeiro volume (aqui), e agora terminei o segundo. Nesta parte, Shadow continua a trabalhar com Wednesday, mas, ao mesmo tempo, está escondido de um grupo de homens, que a mando dos Novos Deuses, o quer capturar. O final ficou pendente à espera da terceira, e última parte, que está previsto que saia para o próximo ano.


Terminei Monstress na 3.ª feira à noite. Tenho andado esgotada, e só mesmo à noite (e ao fim-de-semana) é que tenho conseguido ler. Gostei imenso da história - o suficiente para querer saber o que se passará a seguir - mas não foi fácil entrar nela. Não sei se foi devido ao cansaço, ao meu estado de espírito ou à complexidade do enredo.

A nossa protagonista é Maika Meiolobo - é uma adolescente, sobrevivente de uma guerra entre espécies. Contudo, a sua vida é atingida por estranhos fenómenos, e a jovem apercebe-se da sua relação com uma criatura do outro mundo, que desperta.

A arte - com uma inspiração oriental - é qualquer coisa de tirar o fôlego. Neste momento, a série já tem três números publicados, em Portugal.


Ambos são editados pela Saída de Emergência

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Lido: O Império Final, de Brandon Sanderson

Quem me segue no Instagram, sabe que tenho estado a passar por uma fase mais complicada: perdi o meu pai, dois anos depois da partida da minha mãe. Não tenho estado na minha melhor forma, como seria expectável.

E, se quando foi da minha mãe, li imenso, para não me deixar absorver pela tristeza, agora tem sido o contrário: não me apetece ler, e tenho visto muito mais televisão. Os nossos mecanismos biológicos de defesa são uma coisa incrível, não haja dúvidas...

Contudo, e apesar de não me apetecer muito ler, tenho lido algumas coisinhas. Terminei O Império Final (trilogia Mistborn) do Brandon Sanderson, e li duas graphic novels que trouxemos da Amadora BD, ainda em outubro, e comecei, ainda, a ler Vozes de Chernobyl da Svetlana Alexievich. Mas, vamos às primeiras leituras.

Comecei a ler O Império Final a 28 de outubro. O meu pai faleceu no dia 3 de novembro. Estive dias sem lhe pegar, apesar de começar a interessar-me. Demorei um bocadinho a perceber a parte dos metais, e da dinâmica entre eles, mas depois que "engrenei" estava, genuinamente, a gostar. Mas depois, estive quase duas semanas sem ler uma linha sequer.

Gostei muito. A relação entre o Kelsier e a Vin - os protagonistas - é fabulosa! E ainda mais fabuloso é assistir ao desabrochar da Vin, quer como "nascida das brumas", quer como pessoa. é uma saga de fantasia, sem dúvida, a seguir.

Vou tentar explicar um pouco: o Império Final é dominado há séculos pelo Senhor Soberano, uma personagem quase mística, que fundou aquele território. O seu poder é divino, e domina pelo medo e pelo terror. Os skaa são o povo menor, inferior a tudo e todos. Escravos do Império Final, e dos nobre que ali habitam, os skaa nem ousam levantar a cabeça.
De entre eles, uma vez por século, junta-se um grupo rebelde cuja missão é derrubar o Senhor Soberano.
Kelsier, o nosso protagonista, é o Sobrevivente. Há anos, rebelou-se e foi enviado para os Poços de Hathsin, de onde nunca ninguém havia escapado. Graças à "alomância" que desenvolveu durante a sua prisão, Kelsier é uma figura respeitada.
Junta, portanto, um grupo de ladrões e vigaristas, com o objetivo de tomar as rédeas do Império Final. Neste grupo, é incluída, Vin, uma miúda de 16 anos, que fazia parte de um bando de ladrões comum, e que demonstra grandes capacidades alomânticas.

O livro está bem escrito, se bem, que, inicialmente, possa ser um pouco complicado entrar no esquema. Por se tratar de uma narrativa diferente do habitual, perceber a dinâmica dos metais alomânticos e a sua função, pode ser um desafio. E nas cenas de batalha, quando todos os alomantes estão ativos (por assim dizer), pode ser complicado seguir as descrições. Mas, fora isso, adorei o enredo, e quero muito ler o resto.

(amanhã, publico, num texto único, a minha opinião sobre as duas graphic novels. 
E fico com os textos todos atualizados )

A saga Mistborn está editada, em Portugal, pela Saída de Emergência

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

A Filha da Madrasta, de Jennifer Donnelly - divulgação

Há algum tempo que não publicava um texto de divulgação de um livro. Mas, a história deste que se segue chamou-me a atenção.

Toda a gente conhece a história da Cinderela, certo? A menina, órfã de mãe, que, um dia, vê o pai casar com outra mulher, com duas filhas. O pai morre, a menina sofre pavores às mãos da madrasta e das suas filhas, vai ao baile, conhece o príncipe, apaixonam-se, sapatinho de cristal e bummm... princesa instantânea e felicidade eterna.

Mas... e se a história tivesse outros contornos? E se as filhas da madrasta tivessem motivações e sonhos, como quaisquer raparigas da sua idade? Porque é que, afinal de contas, elas eram tão más (nas palavras da Cinderela, e a fazer fé que a rapariga era honesta...)?

É esta a ideia por trás do livro "A Filha da Madrasta", de Jennifer Donnelly, agora publicado em Portugal, pela Chá das Cinco (chancela Saída de Emergência).

Eu, que cresci a ouvir as histórias encantadas de princesas, fiquei mesmo muito curiosa. "Porquê, Cristina Maria?", perguntam vocês. Simples: uma pessoa cresce e amadurece e percebe que as coisas da vida não são sempre negras, nem são sempre brancas... há ali aquele meio, cinzento farrusco e maroto, que nos ensina que... a vida nos molda... para o bem, e para o mal.

(e esta capa absurdamente deliciosa, senhores...?!)


Sinopse: 
Isabelle deveria estar feliz – afinal, está prestes a ficar com o príncipe. Mas Isabelle não é a bela rapariga que perdeu o sapato de cristal e ganhou o coração do príncipe. 

Ela é a meia-irmã feia que cortou os dedos para que o sapato da Cinderela lhe servisse. Quando o príncipe descobre o engodo, Isabelle fica devastada pela vergonha. Afinal, ela é apenas uma rapariga comum num mundo que só valoriza a beleza; uma jovem forte num mundo que a quer submissa.

Isabelle tentou mudar, cumprir as expectativas da mãe. Ser como a sua meia-irmã. Doce. Bonita. Um a um, desfez-se de pedaços de si para sobreviver num mundo que não valoriza uma rapariga como ela. E isso tornou-a má, ciumenta e vazia. Até que Isabelle tem a oportunidade de alterar o seu destino e provar que é preciso mais do que um coração partido para vergar uma rapariga.

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Lido: A Companhia Negra, de Glen Cook

Terminei este livro durante o fim-de-semana, mas com o início das aulas, as rotinas, cá por casa, ainda estão a ser ajustadas, e o tempo não estica.

Desde há alguns meses que estava entusiasmada com esta publicação, mesmo antes do livro estar disponível nas livrarias, sequer. Tinha lido na revista Bang, um texto publicado pelo editor da Saída de Emergência, sobre este livro... e... como explicar?! Sabem aquela sensação que cresce em nós quando lemos algo que francamente nos entusiasma?! Pois, foi isso que senti... 

Houve qualquer coisa naquele texto que me levou a * salve o exagero * precisar - genuinamente - de ler A Companhia Negra. As minhas expetativas não foram defraudadas. 

A Companhia Negra é um livro de fantasia negra. Neste primeiro volume, acompanhamos a Companhia de Negra, um grupo de mercenários que, no momento em que começamos a história, está ao serviço de Síndico, na cidade de Beryl. Mas, o cenário na cidade é, de tal forma tenso, que rebenta uma guerra civil. Durante os confrontos, e sob proteção da Companhia Negra, Síndico, que funciona como uma espécie de governante de Beryl, refugia-se numa torre. Contudo, uma criatura negra ataca o local e há uma matança. A missão da Companhia Negra fica, desta forma, concluída, dado que o seu contratante é uma das vítimas da forvalaka, a tal besta.   

A Companhia Negra é contratada para servir a Senhora, nas terras do Norte. Em tempos que há muito passaram, a Senhora e o marido, Dominador, dois feiticeiros poderosíssimos, governaram com mão de ferro e crueldade, esse território. Mas, a Rosa Branca, líder mítica dos Rebeldes, havia conseguido pô-los num sono sem fim, acompanhados dos Tomados, um grupo de 10 inimigos que foi amaldiçoado a segui-los até ao fim dos tempos. Porém, após mais de 300 anos, a Senhora e os Tomados foram despertados, e a guerra recomeçou. 

É este o "plot" de uma saga que me entusiasmou muitíssimo. O livro está escrito da perspetiva do Físico, o médico da Companhia Negra, que serve também na condição de escriba que regista nos Anais, os momentos mais importantes e significativos do grupo. E aquilo que lemos são Crónicas escritas por Físico, logo existem alguns saltos temporais que, os mais distraídos, poderão achar estranhos. 

É um livro super-entusiasmante. E estava mesmo muito ansiosa para falar dele, mas estava difícil chegar ao fim, devido ao facto do Henrique ter começado as aulas, andarmos todos ainda um pouco "a apanhar papéis" e a criar uma nova rotina para estes primeiros dias do 1.º ano do 1.º Ciclo. 

Em A Companhia de Negra podemos encontrar um pouco de tudo: estratégia militar, fantasia e magia, humor, uma pitadinha de romance, intrigas, violência... e este 1.º volume é um início de uma saga, na minha simples opinião, memorável. Recomendo vivamente a quem gostou, por exemplo da Trilogia dos Senhores da Guerra, de Bernard Cornwell (também da Saída de Emergência), e gosta deste género de livro mais robusto.

Para não falar da capa, que é BRU-TAL! 

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Lido: O Terceiro Desejo, de Andrzej Sapkowski

As expetativas eram gigantes. Todo o hype à volta dos livros, do jogo, da série que se avizinha... é impossível escapar a esta explosão de opiniões entusiasmantes.

Já conhecia - pela rama - do tema. O meu excelso companheiro jogou o Witcher 3 para a Playstation, e de quando em quando, chamava-me a atenção para partes de diálogos, ou para os gráficos do ambiente do jogo.

E achei bastante bom. Tal como o livro. Há umas poucas semanas, comprámo-lo e ele terminou-o durante as férias. Depois trocámos, comecei a lê-lo e passei-lhe os comandos do Kindle. E, no primeiro dia, cheguei praticamente a meio do livro.

Geralt de Rívia é fantástico. Tem nele o melhor (e o pior) dos dois mundo. E é isso que o torna tão interessante. Não é apenas um protagonista heróico, é também alguém que comete erros e sofre as consequências.

Para quem não conhece - o que acho difícil, nesta altura do campeonato - estou a falar da saga The Witcher que segue a história de Geralt, um bruxo, caçador de criaturas. Um livro de fantasia, como é óbvio. Aqui, além do percurso deste profissional, somos dados a conhecer algumas versões menos divulgadas de histórias que conhecemos, tal como a Branca de Neve, que é uma princesa que se tornou salteadora, com os sete gnomos fazendo parte da sua quadrilha. Ou a história da Bela e do Monstro. A Bela Adormecida também aparece, mas apenas como uma história que alguém ouviu falar... e também é um pouco distorcida.

E depois é todo este mundo criado... enfim, e por outras palavras, é mais uma saga para me fazer perder a noção das horas. Lançados nesta fúria literária, já comprámos o 2.º livro da saga, publicada pela Saída de Emergência, há pouquinhos dias, porque o que mais falta cá nesta casa são livros.

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Lido: O Aprendiz de Assassino, de Robin Hobb

Depois de uma semanita de férias - as publicações da semana passada estavam programadas - estou de volta ao batente. Uma semana de papo para o ar deu para terminar um ebook que trazia de casa, começar outro livro (que entretanto também já terminei) e terminar um 3.º livro.

Portanto, as próximas três postagens - sendo esta a 1.ª - são as minhas leituras destes últimos dias, por ordem cronológica.

* * *

Numa palavra: espetacular. Não sabia o que esperar, confesso. Mas tenho ouvido excelentes opiniões e decidi arriscar.

Cedo somos apresentados a Fitz, filho bastardo do Príncipe Cavalaria, herdeiro do trono dos Seis Ducados. Após o aparecimento deste filho tão pouco desejado, Cavalaria renuncia ao trono e sobe ao lugar de herdeiro o Príncipe Veracidade.
Mas Fitz é ignorado por todos, considerado culpado pela renúncia e afastamento de Cavalaria. Contudo, começa desde muito cedo a revelar o Talento, um dom que o pai e o tio também possuem. O rei Sagaz, por seu turno, decide aproveitar o garoto e torná-lo um assassino às suas ordens.
Mas, ser filho de Cavalaria não o protege inteiramente, e é vítima de golpes palacianos e intrigas de corredor.

Neste livro há um pouco de tudo: um enredo envolvente na óptica de Fitz, uma escrita fluída, amor e romance, lutas, intrigas e uma boa dose de fantasia.

Facilmente, o leitor começa a nutrir simpatia por Fitz. É o narrador, é apenas uma criança de seis anos quando o conhecemos, é uma vítima das circunstâncias, cresce com dedos apontados na sua direção como se a culpa de todos os eventos negativos que assolam o reino seja sua... Fitz é um menino que vai crescendo à nossa frente, e os vilões não têm remorsos nem paninhos quentes.

Recomendo vivamente e sem reservas.

O Aprendiz de Assassino - 1.º volume da 1.ª trilogia - está publicado em Portugal pela Saída de Emergência. 

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Lido: Está tudo F*dido, de Mark Manson

Nunca li um livro de auto-ajuda em toda a minha vida. E, parece-me que vou continuar com um valente nulo nesta área. Se Está tudo F*dido é para ser um livro de auto-ajuda... lamento, mas falhou redondamente. E isto não é mau. Gostei - francamente - desta leitura!

É um livro que nos pretende alertar para uma série de coisas, como a futilidade, a crença, o narcisismo, a autoestima e mais um rol de conceitos inerentes à própria civilização, mas de uma forma engraçada.

Aliás, Mark Manson escreve como se estivesse a conversar com o leitor e damos por nós a acenar positiva ou negativamente como que respondendo a um interlocutor tagarela. 

A análise que Mark Manson faz a estes conceitos/ideias que aborda vão desde as perspetivas mais filosóficas, às religiosas, às científicas e/ou tecnológicas. É quase refrescante ler sobre Platão, Nietzsche, Carl Sagan, Kant, e até mesmo Elon Musk numa salada de fruta em forma de livro. 

Mas, no fim, acaba por fazer sentido - ajudam as notas no final do livro, e que acompanham a leitura, referenciando as suas fontes, contextualizando ou fazendo apenas comentários jocosos. 

"A verdadeira igualdade nunca poderá ser atingida; haverá sempre alguém, em algum lugar, que está lixado. A verdadeira liberdade não existe realmente, porque todos devemos sacrificar alguma autonomia em prol da estabilidade (...) Não há soluções, apenas medidas temporárias, apenas melhorias graduais, apenas formas ligeiramente melhores de estar fodido do que outras (...) Este é o nosso mundo lixado. E nós somos os lixados que vivem nele".

O livro termina a falar da Inteligência Artificial e a forma como, aos poucos, se vai instalando confortavelmente, com a nossa anuência. Curiosamente, este capítulo fez-me lembrar um outro livro: Deuses Americanos, de Neil Gaiman - em que os velhos deuses combatem os novos deuses, esses mais ligados ao mundo moderno e às tecnologias. Não sei se o autor pensou o mesmo, mas a comparação fica, desde já, feita. 

Como já disse antes, sinceramente, gostei desta leitura. Tem é de ser feita com as condições certas. Num ambiente sossegado, de preferência para não perdermos o fio. E essas condições... nem sempre as consegui arranjar em pleno, razão pela qual demorei a terminar. O que me falta dizer? Que se trata de uma edição Saída de Emergência que, gentilmente, me cedeu um exemplar, para que eu conhecesse Mark Manson, por quem já nutria curiosidade desde o seu "A Arte Subtil de Saber Dizer Que Se F*da" - um dos melhores títulos de sempre. 

domingo, 21 de julho de 2019

Lido: Deuses Americanos, de Neil Gaiman

Atrasei a publicação do livro Cisnes Selvagens, e este foi por arrasto... entretanto, o Henrique e eu estivemos meio em baixo, e acabei por me deixar ficar. No Instagram, as leituras têm vindo a estar minimamente atuais - que é como quem diz: tenho lá botado umas figurinhas e rascunhado umas palavras só para saberem que estou viva.

Para o Book Bingo, uma das 16 categorias é "ler um livro aconselhado pela pessoa que vive contigo". Pois que, o meu excelso companheiro é fã de Neil Gaiman. E, há pouco tempo, comprou o 1.º volume da graphic novel dos "Deuses Americanos", da Saída de Emergência que, mais uma vez, prima pela escolha fabulosa do seu catálogo.

Segundo li... algures - e a minha memória continua impecável, como vêem -  a graphic novel é, palavra-por-palavra, igual ao livro, portanto, não estou a perder nada e adorar o traçado dos artistas. Neil Gaiman trabalhou com vários desenhadores que deram vida às suas personagens.

Sinceramente, não sei onde é que o homem vai buscar as ideias para aquilo que escreve, mas quero uma dose diária do que ele toma ao pequeno-almoço. Pôr os Deuses antigos a confrontar os novos... é simplesmente lindo.

Shadow Moon sai da prisão dois dias mais cedo, porque recebe a notícia que a mulher morreu num acidente. Para juntar à dose de desgraça, o amigo que supostamente o iria empregar morreu no mesmo acidente. Sem saber para onde ir, desempregado... Moon é empregado por uma estranha figura, Mr. Wednesday, como guarda-costas. Uma posição lucrativa, e com a política de "não fazer perguntas". E é assim que entra num mundo que nunca imaginou, e onde uma guerra está iminente.

O segundo volume, de acordo com o Facebook da Saída de Emergência, está prestes a sair, e eu estou ansiosaaaaa

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Lido: O Cônsul Desobediente, de Sónia Louro

Já tinha este livro na mira há imenso tempo. Desde o 1.º dia em que me tornei leitora na biblioteca municipal, reparei que estava nas estantes e já o tive na mão, um par de vezes, para o trazer.

Até que chegou o dia.

O que eu sabia de Sousa Mendes era o básico: cônsul algures em França que, desobedecendo, a ordens de Portugal, passou vistos indiscriminadamente, salvando, assim, uma "catrefada" de judeus dos nazis. E era isto. Um apontamentozinho de nada era tudo o que eu sabia. Uma nota de rodapé, no fundo. A nossa disciplina de História é, realmente, muito básicazinha, benz'a Deus...!

Falando do livro. Adorei a escrita da Sónia Louro, e a quantidade de fontes que ela foi "beber" para ser o mais fiel possível aos factos. O livro tinha imensas notas de rodapé que, quando as comecei a ver, ia-me dando um achaque, mas depois percebi que, muitas delas, eram essenciais à boa compreensão do que lia.

Este livro é quase uma biografia, não fora estar romantizada, e dependente de testemunhos de terceiros, já que nenhum dos envolvidos está vivo para contar os factos tal como aconteceram.

Aristides de Sousa Mendes licenciou-se em Direito, com o seu irmão gémeo, César que - fiquei a saber - também fez carreira diplomática... aliás, tanto Aristides, como César apresentaram-se juntos, em Lisboa, no Ministérios dos Negócios Estrangeiros.

A carreira de Aristides foi evoluindo até que chegou a Cônsul de 1.ª Categoria (com "n" repreensões pelo caminho, das mais diversas naturezas), e foi colocado, em 1938, em Bordéus. Até que a invasão nazi acontece em França.

Sentindo-se assoberbado com o número de pedidos de vistos, a ver as tropas alemãs a aproximarem-se, e conhecendo a realidade, Sousa Mendes, durante vários dias, carimba passaportes e permite passagem à revelia daquela que era conhecida como a "Circular 14" que proibia os consulados de passarem vistos, a não ser que o requerente tivesse bilhete de saída de Portugal e autorização de entrada noutro país. O que claramente não acontecia, como é óbvio.

Em 1940, começa o calvário. Sousa Mendes é castigado: um ano com metade do salário e, posteriormente, aposentação. Mas, Aristides tinha 14 filhos (mais uma bastarda que só foi perfilhada depois de Sousa Mendes ter enviuvado de Angelina, e casado com a mãe da menina), e as dificuldades económicas eram mais que muitas.

Ao longos dos anos, lemos as mais variadas tentativas de Sousa Mendes e da família de tentarem reverter o castigo que acabou, indiretamente, por afetar toda a gente: os filhos não encontravam colocação para trabalhar e foram forçados a emigrar, o irmão também teve dificuldades...

E é tudo isto, e muito mais que Sónia Louro nos apresenta. Sou sincera: várias vezes, me senti de peito apertado ao ler tudo o que se passava com esta família. Só nos anos 80, com Mário Soares é que começou a ser feita justiça a este homem. O último reconhecimento, em 2016, foi a elevação, a título póstumo, a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade por Marcelo Rebelo de Sousa, 

Sousa Mendes morreu, na mais completa miséria, em 1954... 

(leitura a contar para o Book Bingo Leituras ao Sol - livro, cujo título, tenha as letras S-O-L)

sábado, 25 de maio de 2019

Ressaca de Games of Thrones - o que fazer?

Terminou uma saga de nove anos. Quase uma década de investimento do meu tempo. Consultando os meus arquivos deste blogue, vou fazer um pequeno resumo da minha história com As Crónicas de Gelo e Fogo e George R.R. Martin. E não, não me vou pronunciar acerca do final escolhido pelos argumentistas da série.

A série começou em 2011. No Natal de 2013, já com 3 temporadas de série, o meu excelso companheiro ofereceu-me a box da Saída de Emergência, com 10 livros em versão de bolso (correspondente, mais ou menos a metade da edição em tamanho "normal" - ou seja, os primeiros 5 livros da edição portuguesa).

Li todos durante o ano de 2014, bem como mais 4 em formato "normal" emprestados por um primo. Apenas em junho de 2015, li o 10.º livro Os Reinos do Caos e terminei assim a minha incursão por Westeros e os Sete Reinos, numa altura em que os livros estavam adiantados em relação à série.  Por esta altura, George R.R. Martin deixou também de escrever os guiões da série.

Algures pelo meio, li "Um Sonho Febril" de Martin, um registo totalmente diferente, mas também muito bom.

Entretanto, a série foi avançando e livros nada.

No Natal de 2018, o meu excelso companheiro ofereceu-me a 1.ª parte do livro "Sangue e Fogo - A História dos Reis Targaryen", também assinado por George R.R. Martin, que despachei numa penada. Em fevereiro deste ano, a Saída de Emergência gentilmente cedeu-me a 2.ª parte deste livro, que adoçou a semana do meu aniversário.

Algures este ano, comprei a 2.ª parte da box em formato de bolso, para completar a coleção.

Basicamente, é isto: 18 livros e 9 anos de série. Estou com calafrios só de pensar como será a minha 2.ª feira, sem ter qualquer alternativa a Westeros.

O autor, desde 2012, que tem vindo a apontar datas para a publicação do 6.º livro da saga "The Winds of Winter". Entretanto, parece que desistiu de auto-impor deadlines, e agora seja o que Deus quiser. Há rumores que ele terá dito que estará na WorldCon na Nova Zelândia, em julho de 2020, com o livro nas mãos e que o 7.º e último livro, "A Dream of Spring" sairá logo depois. Veremos...

Mas a pergunta que se impõe é: o que fazer agora? Para julho de 2020, ainda faltam cerca de 13 meses. E depois esperar até à publicação da edição portuguesa, porque a minha pessoa é um bocado naba a ler todo um calhamaço em inglês... isto vai rondar, no total, cerca de um ano e meio (arredondando para baixo).

Nota-se muito que estou a ficar ansiosa? Mas, perguntam vocês: afinal de contas, Cristina Maria, o que vai tu fazer? Para já, o meu plano é o seguinte - às segundas, à noite, vou ler, durante cerca de 1h, As Crónicas de Gelo e Fogo, desde o início. Sem ultrapassar, 1h30 - que foi o tempo máximo de um episódio da série.

Começo a 27 de maio, e com o volume I de "A Guerra dos Tronos".

As minhas duas boxes - a 2.ª ainda envolta em plástico :\

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Lido: Duna, de Frank Herbert

Quis o destino, o karma, uma conjugação cósmica do alinhamento dos planetas, o aquecimento global... estejam à vontade para escolher... que eu passasse uma semana internada, no Amadora-Sintra. Hotel agradável, mas não recomendo o serviço de restauração.

Enfim, tempinho de sobra foi algo que não me faltou. Claro está que aproveitei para ler. Terminei o Dune, de Frank Herbert - o 2.º volume da edição portuguesa, publicado pela Saída de Emergência, e terminei o A Mão de Fátima, de Ildefonso Falcones.

Vou escrever em posts separados, para não tornar estas reviews cansativas. Comecemos então por Dune, de Frank Herbert.

Considerações iniciais:
- compreendo a saga do Dune. Percebo o porquê da existência da trilogia, e das trilogias anterior e posterior aos acontecimentos, mas gostei de como terminou este livro: sem arestas para limar, nem arcos em aberto. É um mundo novo, e, como tal, tem de ser explorado antes e depois, obviamente. Mas o Dune, só por sim, vale muito a pena ler.

- para o Livropólio, a maratona literária em que estou a participar desde 5 de outubro (e até meio de fevereiro), considerei os dois volumes da edição portuguesa, como um único, porque é assim "lá fora". O Dune é um livro, o 1.º de uma trilogia que se completa com "O Messias de Duna" (também já disponível na Saída de Emergência" e "Os Filhos de Duna" (que apenas encontrei disponível na FNAC, expedido do Brasil). 

- raramente leio ficção científica, mas tenho de reconsiderar as minha opções no futuro. São muitos os factores que me levam a, habitualmente, não escolher FC, e, está na altura de repensar alguns deles. Thumbs up para Dune.

Dune é O clássico da ficção científica. Estamos muito além do futuro que conhecemos e há muito que outros planetas foram habitados. A família Atreides é nomeada para governar Arrakis, um planeta inóspito, que desde há muito vinha estado sob governo de uma outra família poderosa, a Casa Harkonnen, rivais dos primeiros.

Logo, à chegada, Paul Atreides sofre um atentado e, por pouco, não morre. Consegue salvar-se graças aos ensinamentos da mãe, Lady Jessica, uma Bene Gesserit (uma ordem social/religiosa/política) e concubina do Duque Atreides.

Arrakis, apesar de ser conhecido como Duna, devido à sua aridez, é também bastante apetecível, graças ao facto de ser o único planeta produtor de "melange", a mais importante e valiosa especiaria do universo.

Este livro explora questões políticas, questões religiosas, questões ecológicas/ambientais, questões sociais e raciais... são várias camadas que podemos explorar neste livro.


sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Contagem decrescente para o Festival Bang

Depois do sucesso da 1.ª edição, o Festival Bang! está de regresso com muitas novidades.
Para além de um horário alargado - das 11h00 às 21h00 - haverá mais palestras, sessões de autógrafos, uma exposição sobre H. P. Lovecraft e demonstrações de cosplay, magia e sabres de luz.

Robin Hobb, a convidada de honra deste ano, também estará em Portugal para conversar com os fãs sobre a sua obra literária.

27 de outubro, no Pavilhão Carlos Lopes (Lisboa)

Site oficial: https://festival-bang.com/

Que a Força esteja contigo neste Festival Bang!
Fundada em 2014, a SilverBlade é a primeira Academia de combate com Lightsaber em Portugal e vai estar presente na segunda edição do Festival Bang!
Atuações e atividades em eventos de cultura geek e diversas parcerias formadas, bem como participações em ações publicitárias do mais recente filme da Guerra das Estrelas, a travessia da SilverBlade tem sido sinuosa mas assertiva.

A Liga Steampunk estará na segunda edição do Festival Bang!A Liga de Steampunk de Lisboa mais uma vez vai participar no Festival Bang! com algumas atividades de animação cultural e exposição do que é o trabalho e temática da Liga:

Bring Your Own Book:
Não sabes a resposta? Não faz mal, estará contida nas páginas que tens à tua frente! A Liga Steampunk de Lisboa convida-te a jogar BYOB – Bring Your Own Book, um jogo de frases que, em conjunto com o acervo da Saída de Emergência, te promete rondas e rondas de diversão.

Banca de Tiros:
Vem libertar vapor com a banca de tiro da Liga Steampunk de Lisboa. Só tens que apontar uma das pistolas Nerf modificadas e confiar na tua pontaria!

Banca de venda e exposição:
A Liga Steampunk de Lisboa expõe o melhor dos seus bric-à-bracs bélicos na mesma banca onde terá dezenas de acessórios para completar o fato de qualquer dama ou cavalheiro. Se vens mergulhar no fantástico, veste-te a rigor!

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Lido: O Poder, de Naomi Alderman

Quase um mês sem escrever. Acho que bati o meu recorde de dias sem postar no Capa Mole. Os dias foram feitos apenas com 24 horas, e por muito boa gestão que faça, o blogue foi deixado em pousio.

Um dos livros que terminei, nestes dias foi O Poder, de Naomi Alderman - cortesia da Saída de Emergência. Comecei a lê-lo com bastante entusiasmo, depois ia alternando com o 2666, de Roberto Bolaño (que, by the way,  ainda não vou sequer a meio), depois uns dias sem ler nada... e quando dei por mim, andava literalmente a passeá-lo de carro todos os dias, sem lhe pegar. Quando voltei a ele, li-o todo em menos de 24 horas.

Considero O Poder, de Naomi Alderman, muito ao nível do Handmaid's Tale da Margaret Atwood (que adorei!!), e muito muito atual. Trata-se de um livro sobre um livro que retrata uma realidade alternativa, distópica... as raparigas, adolescentes, de repente, ganham um estranho poder que lhes permite magoar, fisicamente, os homens. Um poder, que se caracteriza por uma meada na clavícula, e que se manifesta como uma descarga elétrica e que, inclusivamente, pode ser transmitido às mulheres que não o possuem - normalmente, as mais velhas.

Nesta obra, seguimos vários personagens: um jornalista freelancer, e várias raparigas que detém esse poder e que o usam como ferramenta para alcançar objetivos pessoais.

"Trata-se de um livro sobre um livro", escrevi acima, porque, no fundo estamos a ler o manuscrito de um livro que um homem - anos mais tarde aos acontecimentos narrados - apresenta a uma editora. Não estou a spoilar, porque é desta forma que nos é apresentado O Poder, logo nas páginas iniciais.

Escrevi também que se trata de uma obra muito atual. Nos dias de hoje, não passa um dia sem que a expressão "feminismo" seja abordada nos media. E aqui, vemos - de forma exacerbada, claro está - como poderia ser uma sociedade dominada pelas mulheres, em que estas detém o controlo absoluto sobre os homens. A determinado momento, são impostas regras aos homens: não podem sair de casa sem ser acompanhado, ou com autorização de uma mulher da família, não podem conduzir, não podem fazer compras sem uma autorização expressa da tutora... onde é que já ouvimos isto antes? Nesta obra, também a religião assume uma rédea bastante poderosa da ação… mas só lendo… vá, façam-me esse favor: procurem nos escaparates O Poder!!!

Gostei imenso. A escrita é bastante fluída, ao ponto de ter estado alguns dias sem o ler e quando voltei a ele, distingui, claramente, todos os protagonistas e relembrei cada detalhe das suas histórias, como se nunca o tivesse deixado.

Acho, com toda a franqueza, que quem o ler, ficará com uma visão diferente daquilo que nos rodeia e ansiará pelo dia em que homens e mulheres tenham participações realmente equitativas e equilibradas em todas as sociedades. Quem não o ler, perderá uma excelente obra, com um ponto de vista, totalmente diferente daquilo que é, habitualmente, romanceado.

Sobre este livro, já havia escrito no início do mês de maio: 

terça-feira, 8 de maio de 2018

Novidade: O Poder de Naomi Alderman

Considerado, por muitos, um dos melhores livros de 2017
(entre os quais, o ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama)

Uma edição do grupo Saída de Emergência
E se, um dia, as raparigas ganhassem subitamente o estranho poder de infligir dor excruciante e morte? De magoar, torturar e matar? 
Quando o mundo se depara com esse estranho fenómeno, a sociedade tal como a conhecemos desmorona e os papéis são invertidos. Ser mulher torna-se sinónimo de poder e força, ao passo que os homens passam a ter medo de andar na rua, sozinhos à noite. 
Ao narrar as histórias de várias protagonistas, de múltiplas origens e estatutos diferentes, Naomi Alderman constrói um romance extraordinário que explora os efeitos devastadores desta reviravolta da natureza, o seu impacto na sociedade e a forma como expõe as desigualdades do mundo contemporâneo.

Sobre a autora:
Naomi Alderman cresceu em Londres e frequentou a Universidade de Oxford. É professora de Escrita Criativa na Bath Spa University e escreve frequentemente para o The Guardian. O seu primeiro romance, Desobediência, já publicado pela Saída de Emergência, ganhou em 2006 o Orange Award for New Writers. Em 2017, O Poder venceu o Baileys Women’s Prize para Ficção.

sábado, 24 de março de 2018

Novidade: Guerra Americana, de Omar El Akkad


A Saída de Emergência publica Guerra Americana, de Omar El Akkad, o romance finalista do The Book Year Award 2017.


Este é um romance distópico que abrange temas políticos, económicos e alterações climáticas, com bastante relevância na atualidade. Omar El Akkad, é um jornalista e autor premiado, os seus trabalho incluem despachos da NATO sobre a guerra no Afeganistão, os julgamentos militares em Guantánamo ou a revolução da Primavera Árabe no Egipto.

Sinopse:
Sarat Chestnut nasceu no Louisiana e tem apenas seis anos quando a Segunda Guerra Civil Americana eclode em 2074. Mas até ela sabe que o petróleo é proibido, que metade do Louisiana está submerso e que drones não tripulados sobrevoam os céus.
Quando o seu pai é morto e a sua família é obrigada a viver num campo de refugiados, ela rapidamente começa a ser moldada por esse tempo e lugar até que, finalmente, pela influência de um misterioso funcionário, se transforma num instrumento mortífero da guerra.
A sua história é contada pelo seu neto, Benjamin Chestnut, que nasceu durante a guerra – parte da Geração Milagrosa – e é agora um idoso a confrontar os segredos negros do passado, do papel da sua família no conflito e, em particular, a importância da sua tia, uma mulher que salvou a sua vida ao destruir a de outros.

Sobre o autor:
Omar El Akkad nasceu no Cairo, no Egito, cresceu em Doha, no Qatar, até que se mudou para o Canadá com a sua família. É um jornalista e autor premiado que viajou por todo o mundo para cobrir as mais importantes histórias da última década. Os seus relatos incluem despachos da NATO sobre a guerra no Afeganistão, os julgamentos militares em Guantánamo ou a revolução da Primavera Árabe no Egito. Vive em Portland, Oregon.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Lido: Antes de Sermos Vossos, de Lisa Wingate


Saída de Emergência - http://www.saidadeemergencia.com/produto/antes-de-sermos-vossos/

Sou mãe. Tenho um filho com quase 5 anos. Este livro, que agora terminei, deixou com ânsias de agarrar o meu menino e nunca mais o largar.

Antes de Sermos Vossos é baseado em factos verídicos... o que me deixou ainda pior! Imaginem o cenário: deixam os vossos filhos irem para a escola. Ao fim do dia, eles não regressam. Na escola, dizem-vos que as crianças nunca lá chegaram. Ninguém sabe onde estão... desapareceram sem deixar rasto.

É mais ou menos isto que aconteceu entre os anos 20 e os anos 50, nos Estados Unidos... Georgia Tann foi a responsável por um dos maiores escândalos de adopções ilegais de que há memória: crianças que eram raptadas das suas famílias e vendidas a famílias endinheiradas dos EUA.
E foi este caso gravíssimo que deu origem a este Antes de Sermos Vossos, que tive a possibilidade de ler, graças à cortesia da editora Saída de Emergência.

A história acompanha duas protagonistas: May, que narra os acontecimentos em 1939, e Avery, nos dias de hoje. O livro tem o ritmo certo e os capítulos são intercalados: ora fala M
ay, uma (agora) idosa num lar de 3.ª idade, ora fala Avery, a jovem filha de um abastado senador americano. O que une estas duas mulheres?

Excerto:
"Alguém me toca na mão e no pulso, dedos que me envolvem tão inesperadamente que recuo com um safanão, depois paro para não dar azo a uma cena. O aperto é frio e ossudo e tremente, mas surpreendentemente forte. Volto-me e vejo a mulher do jardim. Endireita as costas corcovadas e fita-me com olhos cor das hidrângeas lá de casa, em Drayden Hill — um azul suave e límpido com uma ligeira névoa em volta das extremidades. Os seus lábios pregueados tremem. Antes de recuperar o espírito, uma enfermeira vem buscá-la, agarrando-a com fi rmeza. 
— May — diz ela, dirigindo-me um olhar de desculpas. — Venha. Não devemos incomodar as nossas visitas. 
Mais do que me soltar o pulso, a mulher idosa agarra-se a ele. Parece desesperada, como se precisasse de alguma coisa, mas não consigo imaginar o que seja. Perscruta-me o rosto, esticando-se para cima. 
— Fern? — sussurra ela."

Podemos tirar tantas lições... e pensar que existem (ainda hoje, talvez!), pessoas que nunca souberam quem eram os seus verdadeiros pais, porque lhes foram, literalmente, arrancados?! É chocante!

Após 1950, o rebentar do escândalo obrigou à reforma das leis da adopção nos EUA. Tann, responsável também pela morte de cerca de 19 crianças, devido a negligência, nunca foi condenada, porque morreu, nesse ano, de cancro.

Aconselho, vivamente, a leitura de Antes de Sermos Vossos (que, de resto já havia falado aqui), de Lisa Wingate. Procurem nas livrarias já hoje, se puderem, e aproveitem o fim-de-semana para ler esta obra.

Deixo também os links:
da página da Wikipédia de Georgia Tann: https://en.wikipedia.org/wiki/Georgia_Tann

e de um caso real, de Devy Bruch, publicado em 2015: http://fayettewoman.com/legacy-devy-bruch-life-stolen-baby.html


sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Notícia: Antes de Sermos Vossos, de Lisa Wingate

A Saída de Emergência tem no seu catálogo o título "Antes de Sermos Vossos", de Lisa Wingate, livro que se mantém no TOP dos mais vendidos no New York Times há várias semanas.

"Antes de Sermos Vossos" é baseado num dos mais conhecidos escândalos da América — em que uma instituição de adoção vendeu crianças a famílias ricas.

Sobre o livro:
Inspirado em factos verídicos, esta é a história de duas famílias e da terrível injustiça que as mudou para sempre. Nascida num mundo de riqueza e privilégio, Avery Stafford tem tudo. Filha adorada de um senador americano, com a sua própria carreira como advogada e um noivo maravilhoso à espera em Baltimore, ela vive uma vida encantada.
Mas quando regressa a casa para ajudar o pai com um problema de saúde, um encontro casual com May Crandall, uma idosa desconhecida, deixa Avery profundamente abalada. Ao decidir descobrir mais sobre a vida de May irá embarcar numa viagem pela história oculta de crianças roubadas e adoções ilegais. E cedo irá desvendar um segredo que pode levar à devastação... ou à redenção.

Este romance comovente e fascinante recorda-nos como, apesar de os caminhos que tomamos levarem a muitos lugares, o coração nunca esquece onde pertencemos.

Sobre a autora:
Lisa Wingate é uma antiga jornalista, oradora inspirada e autora de mais de vinte romances campeões de vendas. As suas obras ganharam ou foram nomeadas para numerosos prémios, incluindo o Pat Conroy Southern Book Prize, o Oklahoma Book Award, o Carol Award, o Christy Award e o RT Reviewers’ Choice Award. Wingate vive nas Montanhas Ouichita do sudoeste do Arkansas.

domingo, 1 de outubro de 2017

Festival Bang! - dia 28, no Pavilhão Carlos Lopes

A coleção Bang! das Edições Saída de Emergência é uma das coleções de literatura fantástica mais reconhecidas de Portugal e vai passar a ter o seu próprio evento anual, o Festival Bang!.

Palestras, sessões de autógrafos, exposição sobre Edgar Allan Poe, demonstrações de cosplay e momentos musicais são algumas das atividades que pode encontrar, para além da presença da convidada de honra desta primeira edição, Anne Bishop, que estará em Portugal para conversar com os fãs sobre a sua obra literária.


sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Trilogia Senhores da Guerra - check!

Questões maiores do que eu impuseram uma paragem forçada. Um mês depois, vou tentar recuperar e tentar ser mais assídua. A paragem foi extensiva às leituras. Neste mês, apenas li Excalibur, de Bernard Cornwell - o último da trilogia Senhores da Guerra.

A história de Artur, contada por Derfel, um dos seus comandantes, conheceu um ponto final.

Foi bastante... refrescante - vá, à falta de melhor adjetivo - conhecer outra versão da lenda de Artur. Aconselho vivamente. Mais não seja pelas descrições absolutamente fenomenais das cenas de batalhas. Cornwell é tão descritivo que mais parece que estamos dentro da ação. Senti-me exausta depois das cenas de espadas, lanças e sangue (tanto sangue, senhores... tanto sangue!).

Estava habituada à ideia romântica de Artur, lida nas Brumas de Avalon... esta perspetiva masculina é diferente e insere certas alterações àquilo que normalmente é transmitido quando se fala de Artur e dos seus companheiros da Távola Redonda.


Para quem gosta do género - 5 estrelas!

sexta-feira, 26 de maio de 2017

O Rei do Inverno + O Inimigo de Deus

O Rei do Inverno e O Inimigo de Deus, ambos de Bernard Cornwell, são o 1.º e 2.º volumes da trilogia Senhores da Guerra. Li-os numa penada e quase sem intervalos para respirar.

São absolutamente fabulosos.

Quando pensamos na lenda arturiana, pensamos em Camelot, Excalibur, a Távola Redonda, Lancelot, Guinevere, Merlin... cavaleiros valentes, e com um código de honra irrepreensível. Well, Cornwell dá-nos uma outra perspetiva. Vemos um Artur demasiado boa pessoa, um bocadinho permeável a manipulações, uma Guinevere maquiavélica, um Lancelot cobarde e sem um pingo de vergonha...

As cenas de combates são descritas de tal maneira que as "vemos" a decorrer na nossa cabeça... e só queremos ver até onde é que as coisas podem ir.

Estou fascinada. A sério. Há cerca de dois anos li "1356" deste mesmo autor, e apesar de ter gostado do estilo, houve qualquer coisa que não me deixou continuar a explorá-lo. Bernard, espero que me desculpes, e prometo que me vou redimir.

A Feira do Livro está para breve... senhores da Saída de Emergência, vamos lá ter o 3.º volume, não vamos??